TODO ES AMOR - CAPÍTULO IV - LA CAIPO, EL GUAPO Y EL TANGO – EL DIA QUE ME QUIERAS

Da série Todo es amor!
Um conto erótico de EL ARGENTINO
Categoria: Homossexual
Contém 2179 palavras
Data: 14/01/2026 17:21:27

E ai pessoal, depois de muitos anos eu volto aqui a escrever para vocês.

O conto, meus queridos e queridas, é um livro imersivo, a sugestão é que para que a experiência seja completa, vocês leiam enquanto escutam as músicas citadas no início do capítulo e no decorrer do mesmo!!!!!

Mais um romance que em breve será publicado em forma de livro. Sâo capítulos e capítulos.

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A sugestão de leitura do autor é que à medida que leiam ouçam as músicas citadas no capítulo!!

Um abraço e segue o conto!!!

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CAPÍTULO 4 – LA CAIPO EL GUAPO Y EL TANGO – EL DIA QUE ME QUIERAS

Chegava a noite despretensiosa e morna naquela primavera na cidade de La Plata. O vento soprava fresco e havia apenas um pequeno arroxeado nos céus que aparecia somente de soslaio, colorindo o fim do horizonte que se via.

Na Calle 9 entre 59 e 58, abriam-se as portas de um bar, deixando que entrasse o frescor do início da noite, enquanto o calor interno do lugar era movimentado pelos vários garçons e garçonetes que trabalhavam ali.

O ambiente cheio de mesas e cadeiras de madeira, decorado com cores quentes e luzes alaranjadas, no melhor estilo de um típico bar argentino que servia bons vinhos, o La Caipo, nome do bar, servia não somente boas pizzas de tamanho pequeno, suficiente para uma pessoa, como também porções de “papas fritas” e pequenos sanduíches.

O bar era ponto tradicionalíssimo para aqueles e aquelas turistas que passavam pela cidade e que desejavam sorver todo o sabor de uma bela noite de tango. Nisso o bar era especialista. Haviam bailarinos e bailarinas que dançavam maravilhosamente bem nas apresentações da tradicional e mais conhecida dança de salão argentina.

Os donos, “Señor Pablo y Señora Angelita González”, já passados de seus 65 anos, haviam nascido ali mesmo na cidade de La Plata, eram sorridentes, alegres, espertos, recebiam bem os clientes e quantos mais estrangeiros viessem, mais gostavam.

O bar não era famoso pelas belíssimas noites de tango que ofereciam, mas também pelos seus donos, Pablo e Angelita fizeram boa fama por sempre receberem sua clientela da melhor maneira, como convidados pessoais daquela grande família que é o La Caipo.

Angelita, nascida Angelita Goméz, era filha de uma grande família. Era a mais nova de 12 irmãos criados nos arredores rurais de La Plata. Sua família era de comerciantes de produtos da fazenda, vendiam tudo o que produziam nos pequenos mercados da cidade.

Apesar dos quase 70 anos, ainda mantinha uma beleza que lhe era natural. Os cabelos lisos e pretos lhe caiam muito bem para o fino rosto e corpo magro que tinha. Era chamada de Mama pelos queridos funcionários, apelido esse que ela fazia questão de carregar com muito orgulho, sempre dizendo ser “la mama de La Caipo”.

O senhor Pablo, também havia nascido ali na cidade, lugar que amava ter nascido e morado. Fora filho único de uma história de amor complicada. Seus pais se conheceram antes da Segunda Guerra, sendo seu pai, Hernán, convocado a participar como soldado, morrendo em combate, deixando sua mãe, Mirta, viúva com o filho por criar.

Señora Mirta trabalhou como secretária de um hospital para sustentar a si e ao filho. Ela, havia morrido a poucos anos, com mais de 80 anos, indo encontrar-se na eternidade com o amado marido.

Pablo era um homem também com seus 70 e alguns anos, já com os cabelos brancos, corpo alto, barriga proeminente e riso frouxo, era divertido, fanfarrão, adorava fazer piadas, tanto em português e espanhol, sempre divertindo os clientes e funcionários.

Eles haviam se casado a mais de 45 anos e em breve planejavam fazer para os amigos e funcionários uma linda festa para que se celebrasse as bodas de ouro do casal que se amava muito.

As vezes se aventuravam ao final da noite a bailar um tango, em um jeito mais tranquilo e tradicional, mas sempre mirando os olhos nos olhos, expressando todo o amor e a paixão que o casal, apesar de septuagenários, demonstrava que nem mesmo o tempo era capaz de esmorecer o calor da paixão que sentiam.

A noite não poderia estar melhor naquele dia. O clima era bom, o tempo era bom, o bar estava cheio, a cozinha funcionava bem, todos os funcionários felizes e satisfeitos, os clientes então, se fartavam de rir com as piadas de Pablo e se encantavam com o carinho maternal que Mirta lhes oferecia.

Tocava no pequeno palco um grupo de tango, ressoando dos instrumentos uma seleção dos melhores tangos de todos os tempos. Naquele momento entrava pela porta de entrada um casal de rapazes, que recém se haviam juntado, para apreciarem uma noite de tango. João e Paulo.

Já faziam alguns meses que os dois haviam se reencontrado naquela tarde na quadra de vôlei e desde então os dois não mais se separaram.

Naquela noite, depois de algum tempo já juntos, decidiram em experimentar a tradicional noite no La Caipo para ouvir boa música e assistir a uma apresentação de um casal dançante que, segundo a indicação que lhes fora feita, prometia ser uma apresentação e tanto.

Os dois jovens, apesar de contentes, sentiam-se apreensivos. Não tinham medo de segurarem na mão um do outro, de demonstrarem o amor que tinham, mas nem por isso deixavam-se despreocupar completamente quando iam a algum lugar. Mesmo a Argentina sendo um país mais liberal, em relação aos casais como João e Paulo, os resquícios de discriminação no Brasil sempre ficam na cabeça daqueles que já passaram por isso.

Aparentemente tudo corria bem, pediram uma boa garrafa de vinho. Aquela seria a noite que comemorariam 6 meses juntos e nesse momento estão definitivamente felizes.

De mãos dadas sobre a mesa, apreciavam o vinho e saboreavam a pizza quando viram Mirta chegar. Ela os cumprimentou, lhes deu a boa “bienvenida” típica da casa e disse-lhes que eles ficassem à vontade.

Logo chega o senhor Pablo, junto à esposa, causando uma certa apreensão nos dois jovens, mas essa preocupação foi logo desarmada por algumas piadas de Don Pablo sobre o Brasil, notando que os eram brasileiros. E notando também que os dois eram um casal formados por dois jovens apaixonados, em bom Castellano, o senhor lhes perguntou como que havia acontecido aquele amor.

La Mama Mirta também se interessou em saber a história que possuíam os dois, chegando a sentar-se à mesa e ouvindo com muita atenção aquela história contada em detalhes de como os dois haviam se conhecido e depois se reencontrado e que aquele dia era a comemoração de bodas de plumas dos dois.

Com os olhos de lágrimas, marido e mulher se entreolham e sorriem ao ouvir que mais uma vez o amor havia vencido. Eles então parabenizaram os rapazes, dizendo-lhes que ficassem à vontade. Mirta, disse a Paulo que preparariam uma pequena surpresa para os paladares dos dois, como um presente em retribuição ao presente que era, para ela, o seu bar ter sido o lugar selecionado pelos dois para um momento tão importante. Ela deu-lhes um grande abraço e visivelmente emocionada, pediu licença e saiu.

Os dois se entreolharam não sabendo o que seria essa surpresa, uma dúvida que lhes parecia ser boa, e aparentemente saborosa, já que La Mama havia falado que seria para agradar-lhes o paladar.

Logo mais iria começar o baile de tango, haveria essa apresentação que haviam visto no cartaz de divulgação como “Amor en Forma de Tango – les presentamos Martin y Malena”.

Tudo parecia colaborar para que realmente aquela noite fosse nada menos que especial, não somente para eles, mas como para todos ali presentes. Haviam vários casais curtindo um ao outro e logo chegaram as duas surpresas que Mirta havia reservado para João e Paulo.

Duas lindas taças de “helado”, muitíssimo bem enfeitadas, ludibriavam os olhos dos garotos, como um deleite para os olhos. Mas não somente aos olhos, a promessa se cumprira. O delicioso sorvete com sabor de banana e caramelo era simplesmente delicioso.

Na bandeja que vieram as taças, trazida pela garçonete um bilhete, pequeno, simples e escrito a mão trazia uma mensagem cheia de emoção e sentimento para o jovem casal:

“Muy bienvenidos a la família La Caipo, de los amiga y amigo, Mirta y Pablo.

OBS: Hay una sorpresa más!”

Os olhos dois se encheram de lágrimas e o coração de calor naquele momento. Morar em um local estrangeiro tinha seus imensos percalços, mas são momentos como este, que os dois haviam acabado de passar, que faziam que cada momento valesse, que cada minuto valesse e que cada pessoa que se coloca na sua vida valesse.

O baile de tango estava por começar. As luzes se abaixaram um pouco e se ascenderam outras luzes para que fosse iluminado a pista de baile onde se apresentariam os dois tão bem afamados dançarinos.

Eis que surgem para o meio da pista um jovem de cabelos negros e lisos, penteados para trás, vestido de terno bordô, que fazia parecer que ele simplesmente era uma deidade daquele bar, como se fizesse parte de um panteão do tango argentino.

Ela, por sua vez, não ficava nem um pouco para trás. Vestida em um vestido preto bastante justo, o que lhe dava mais acento ainda ao seu corpo em curvas que fariam qualquer trânsito parar. Seus loiros cabelos estavam presos em um belo coque com adorno prateado e reluzente. O olhar entre os dois era penetrante, cortante, cheio de desejo, e teria de ser assim, já que o tango pede que o seja. No entanto, aquela química entornava somente nos palcos, os dois eram melhores amigos.

Começou-se então a tocar Cambalache, um famoso tango de Julio Sosa.

Os pés se entrecruzavam como se aqueles movimentos fossem encaixados perfeitamente um ao outro. O jogo de sedução do tango entre os dois arrancavam suspiros à volta.

Os dois, que já chamavam muita atenção quando não bailando, agora juntos ali, não havia um olho sequer que não os olhassem.

A música seguia de uma para outra, agora era Roberto Goyeneche – Malena, que tocava a banda, ainda no palco. A noite se tornara um deleite, a dança era um deleite, os pés dos dois pareciam soltar faíscas quando tocavam o chão da pista de dança.

Os olhares de um ao outro e de outro para um faziam as atenções cada vez mais serem trazidas para si e nem pareciam se esforçar para isso, era natural.

Sob palmas fervorosas o casal termina a segunda música, fazendo uma bela reverência ao público que os assiste. Eles se apresentam como Martin e Malena, dizendo que eram a dupla oficial de tango da casa e então encerrariam sua apresentação da noite com um tango romântico a pedido de La Mama.

A pequena banda então começa a tocar as primeiras notas de El dia que me quieras, de Carlos Gardel e o casal começa a bailar.

Os casais se deram as mãos, rostos se encostavam nos ombros, lágrimas começaram a chegar aos olhos dos que assistiam, inclusive de João e Paulo, que ali estavam absortos naquela linda apresentação e na letra daquela belíssima música.

Ao final, os dançarinos agradecem novamente, e sob aplausos calorosos e gritos de “bravo” se despedem do público felizes e em regozijo com a apresentação tão primorosa que fizeram.

Neste momento então, sobe ao pequeno palco La Mama, tomando o microfone em mãos, dizendo que haveria naquela noite mais uma homenagem a ser feita, não somente o casal que se apresentara que estão em glória hoje.

Disse ela, olhando Paulo e João que ali havia também um casal que a vida tentou separar, mas tão fortes são os laços do amor que nem mesmo o cruel tempo pôde afastar.

Brevemente contou um resumo muito sucinto de como eles se reencontraram e de como ela se sentia feliz em eles terem escolhido a casa dela para selar as bodas de pluma do reencontro que os dois haviam recebido do destino e que por eles estarem ali, ela estava em estado de graça.

Os dois não conseguiram conter as lágrimas e tampouco os outros em volta. Surgiu então uma nova salva de palmas, dessa vez para Paulo e João, por estarem ali, celebrando o amor que possuem.

Atrás deles aparecem sorrateiramente Malena e Martin, carregando cada um uma rosa vermelha. Entregaram as rosas ao casal e aplaudiram. Eles choravam, de felicidade, de amor e de pura alegria, era talvez o momento mais lindo que os dois poderiam passar e sentir. Acolhidos, amados e amando, os dois se abraçaram, num abraço apertado.

Ainda consternados, não tiveram coragem de se beijar em meio às pessoas. Porém, o público, Mirta, Pablo, Martin e Malena, insatisfeitos, gritavam “um beso, um beso, um beso”.

Eles então se entreolharam.

Por um segundo que durou a eternidade, João olhou nos olhos de Paulo, Paulo olhou nos olhos de João e nada mais existia além dos dois.

Mãos que seguravam mãos, paixão que segurava paixão, os dois se beijaram ali, selando permanentemente o amor que sentiam um pelo outro e nada mais existia.

Todos foram ao delírio.

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