Passando a Vara nas Vizinhas. Ou Não. - Capítulo 15

Um conto erótico de Carlos e Eliana
Categoria: Grupal
Contém 8563 palavras
Data: 02/01/2026 16:22:34
Última revisão: 02/01/2026 16:23:34

CRONOLOGIA: Os eventos narrados neste capítulo vão de 27 de julho de 2025 (domingo) a 28 de julho de 2025 (segunda-feira).

Eu me chamo Carlos. Sou um professor universitário cinquentão, meio barrigudinho (cada mês menos) e calvo com dignidade. Nesta minha série de contos, narro as minhas aventuras tentando comer algumas vizinhas e, quem sabe, conquistar o coração de alguma(s) dela(s) para formar um harém com várias esposas (um objetivo de vida bem fácil, eu sei...). Quem puder ler os primeiros capítulos, só procurar a série.

No mesmo em que este capítulo se passa, eu e a Odete tivemos um divórcio amigável. Mas isso não quer dizer que estou sozinho. Tenho um pequeníssimo harém de duas mulheres.

A Eliana é minha namorada. 30 anos, engenheira. Inteligente, sorridente, decidida quando quer, embora ainda mantenha uma coleira emocional presa ao marido, Leandro. Eles ainda são oficialmente casados. E eu? Sou o “reserva”. O cara que ela ama secretamente, mas não assume publicamente. A Eliana não me impede de me envolver com outras mulheres, porque ela própria também está com dois homens ao mesmo tempo. O corpo dela parece ter sido desenhado com precisão de escultor grego e malícia de deusa pagã. Seios fartos, pesados, redondos, quase exagerados de tão bonitos. Cintura fina, barriga definida, quadril largo, coxas torneadas de academia. O bumbum é grande, firme, empinado. A pele bronzeada, os olhos verdes.

A Rebecca também é a minha namorada. Ela tem 29 anos, é advogada e ainda profundamente religiosa. Ela era casada com o Maurício, mas eles se divorciaram há pouco tempo. A expertise em leis e os contatos dela, além dele ter quase a agredido, fez com que a papelada saísse voando. A Rebecca é aquele tipo de mulher que parece viver um conflito eterno entre o que sente e o que acha que deveria sentir. Doce, reservada, inteligente. Tem um senso de certo e errado que beira a rigidez, mas aos poucos vai se permitindo viver outras possibilidades. O nosso arranjo é simples, pelo menos em teoria: somos amigos, desses que se contam tudo. E que, de vez em quando, se permitem uma transa carregada de carinho, tensão e um pouco de culpa. Eu a escuto, a respeito e, quando ela quer, a beijo. Por trás da aparência comportada, ela tem um corpo que desafia todos os estereótipos da mulher recatada. Seios pequenos e firmes. Uma bundinha empinada, arredondada e hipnotizante, que se move com graça involuntária. Pernas bem desenhadas, olhos castanhos que às vezes brilham com uma malícia inesperada.

No conto passado, eu, Eliana e Rebecca tivemos o nosso primeiro ménage.

Domingo, por volta das 3h30 da madrugada. Acordei com uma série de pequenos barulhos no quarto. Movimentações que tentavam ser o mais silenciosas possíveis. Tirei o tapa-olhos e notei a luz acesa. A Eliana estava sentada na beira da cama, de costas pra mim, vestindo só a calcinha e uma camiseta. Ela estava vestindo seu short cinza. A Rebecca estava perto do guarda-roupa, já tinha terminado de se vestir com blusa clara e o short de algodão.

Entendi o que estavam fazendo. As duas precisavam do meu apartamento e voltar pro delas ainda de madrugada. Antes que qualquer vizinha curiosa as visse nos corredores do meu andar.

Me sentei na cama, passando a mão no rosto pra tirar a remela. Suspirei e levantei pra preparar um lanche rápido pras duas. Preparei uns sanduíches simples de peito de peru na sanduicheira e esquentei café. A gente tinha, no máximo, uma hora de janela ainda. A partir das 4h30 era perigoso demais.

Nos sentamos na cozinha.

— Carlos, vamos ter que comprar uma cama nova pra gente — disse Eliana, mordendo o sanduíche. — Não dá pra nós três nos espremermos numa cama de casal.

— Vamos na loja na terça pra dar uma olhada nas king size ou nas cama família — disse Rebecca.

— E um guarda-roupa maior — emendou Eliana. — Não tem condição de três pessoas dividirem aquele. As minhas roupas de emergência já ocupam metade do espaço.

— Uma coisa de cada vez.

— Acho melhor a gente mudar de apartamento — disse Eliana, direta. — O meu e o da Rebecca são maiores e tem três quartos em vez de dois. Assim, vai caber tudo dos três.

As duas estavam falando sobre vivermos juntos. A sério. Como casados. Eu tava sonhando?

Porque a verdade é que eu queria casar com as duas. Sabia que não tinha como fazer isso legalmente, mas eu queria que as duas soubessem que, pra nós três, pra todos os efeitos, éramos casados. Eu queria assumir as duas, viver com as duas pra sempre, me aposentar mais cedo pra cuidar de nossos filhos.

— Calma — disse Rebecca. — Antes da gente decidir onde morar, a gente precisa garantir a posse dos nossos apartamentos. Nada de pular etapa.

— Expulsa logo o Maurício! — respondeu Eliana.

— Você concordou em deixar ele lá até ele terminar a recuperação — disse Rebecca. — É só um mês.

Era uma boa deixa pra contar a boa nova, que havia esquecido de contar na noite anterior, pras duas.

— A Odete vai sair daqui — falei. — Ela falou pra mim na sexta que conseguiu um esquema na Torre-B com um certo desconto em um apartamento sublocado.

— A conta da sauna foi o prego no caixão pra alguns moradores — comentou Eliana, meio triste.

As duas terminaram o lanche, abri a porta do apartamento e olhei o corredor. Tudo seguro. A Eliana foi a primeira a sair, após um beijo rápido. Apressada, mas na ponta dos pés. Depois que ela sumiu no corredor, a Rebecca se aproximou, deu beijou com mais calma e saiu na direção das escadas.

Eu queria que elas não precisassem ser clandestinas na própria vida.

Horas depois, desci pra área da piscina pra pegar um pouco de sol e vento fresco. Meu olhar logo foi puxado pra churrasqueira.

Até o começo do ano, eu e o Rogério éramos queridos por aquele pessoal. O Rogério parece ser o líder da turma, sempre cercado, sempre no centro. Boas risadas e muita cerveja.

Foi quando o Enéias apareceu e roubou todo mundo. Não bastasse o corpo e aparência de deus grego, o cara tinha carisma infinito. Todos ficavam confortáveis, admirados e, ao mesmo tempo, um pouco menores perto dele. Os caras em volta da churrasqueira pareciam até disputavam a atenção dele. Era o novo rei do churrasco.

Era irônico e amargo, olhando em retrospectiva. Pensava que o Rogério era o amigão da galera, mas o pessoal cercava ele porque ele bancava as carnes do churrasco e fazia o trabalho pesado de fazer as carnes. Agora, com o Enéias, ninguém reclamava de fazer vaquinha. Compravam picanha, fraldinha, linguiça artesanal... Fazia de tudo para manter o Enéias e a resenha dele por perto.

O Enéias era o homem que a maioria deles queria ser, quem eles sonhavam ser e que 99% dos homens que tinham espelho sabiam que nunca teriam a mísera chance.

Desviei o olhar de lá e meus olhos encontraram a Eliana estendida numa espreguiçadeira.

Ela usava um biquíni de tecido escuro. A parte de cima sustentava os seios cheios, redondos, que pareciam desafiar qualquer noção de gravidade. O tecido cavava de leve o colo, criando uma linha profunda que chamava o olhar. A parte de baixo marcava o quadril com generosidade. As coxas grossas, torneadas, brilhavam com o óleo de bronzeador, e havia algo hipnótico na transição suave entre cintura, quadril e pernas.

Poucos metros adiante, a Letícia e a Natália estavam deitadas em espreguiçadeiras, as duas com a bunda levemente empinadas pra cima, entregues ao sol.

A Letícia usava um biquíni cuja parte de baixo era grande demais para os padrões atuais, bem comportada. O tecido abraçava completamente a bunda e, se fosse todo esticado, iria até o umbigo. A parte de cima parecia um top. As coxas grossas se espalhavam musculosas.

Ela lia no Kindle e, por um momento, consegui ver o título, “Mulheres que Correm com os Lobos”, de Clarissa Pinkola Estés.

Ao lado dela, a Natália fazia um contraste curioso. O biquíni dela era menor, mais esportivo, valorizando um corpo firme, treinado. A bunda era redonda e maior. E o corpo dela parecia ter tido o bronzeador muito bem aplicado por alguém que deixou bastante na bunda.

— Carlos? — a voz da Eliana me arrancou dos pensamentos.

Ela tinha se levantado e vinha na minha direção.

— Quando a Odete vai começar a mudança? — perguntou, num tom perfeitamente casual de quem conversa com um vizinho comum.

— Deve começar amanhã, mas ela vai levar as coisas aos poucos. Durante a semana, mais à noite.

— Estava pensando em ajudar a minha amiga — disse.

— Ela contou que o Rogério, a Jéssica e o Zé Maria também vão ajudar.

— Um par de braços a mais sempre ajuda — brincou.

Nesse momento, a Rebecca apareceu, usando sua roupa do culto, vinda da portaria. O corpo estava tenso, os ombros levemente erguidos, como se ela tivesse acabado de passar por uma provação que testara sua paciência ao limite. Ela nos viu e desacelerou um pouco, compondo o rosto social.

— Oi — disse, num tom neutro. — Tudo bem?

— Bom dia, vizinha — respondi, ainda mais neutro. — A gente estava falando da mudança da Odete pra Torre-B.

A Rebecca soltou um suspiro curto.

— Melhor assim — comentou. — À noite, pelo menos, as pessoas fingem que não veem a mudança.

Antes que continuasse, a Letícia se levantou da espreguiçadeira e veio andando na nossa direção com o Kindle numa das mãos. Ela cumprimentou primeiro a Eliana, depois a Rebecca, e por fim a mim.

Tudo parecia normal, mas aí ela nos olhou em silêncio. O seu olhar girou entre os três, analisando tudo, encaixando peças. E, menos de dez segundos depois, soltou com um sorriso no rosto.

— Já não era sem tempo!

Eu engoli seco. A Rebecca desviou o olhar por um segundo, antes de ficar vermelho. A Eliana manteve o sorriso, mas eu conhecia aquele microtensionamento no maxilar.

A Letícia não disse mais nada. Nem precisava. Não era como se ela apenas soubesse que tínhamos feito nosso primeiro ménage juntos na noite anterior. Era mais como se ela soubesse cada posição que fizemos, quem gozou, como e em que momento.

— Bom domingo pra vocês — disse ela, com um aceno curto com a cabeça. E foi embora em direção ao hall, Kindle debaixo do braço.

Ou a Letícia era a Sherlock Holmes desta geração ou nós três precisávamos urgentemente aprender a ocultar nossas expressões em público.

Foi quando a nossa atenção foi tomada por uma mulher saindo da piscina alguns metros à frente, e o tempo pareceu desacelerar. A água escorria pelo corpo dela moldando-a. Ela usava um maiô cavado, de cor escura, que contrastava com a pele bronzeada. O tecido moldava os seios cheios com firmeza, sustentando sem comprimir, e desenhava a cintura fina antes de abrir nos quadris largos. As pernas longas pareciam não acabar nunca, e a bunda redonda rebolava com naturalidade a cada passo.

— Meu Deus... — ouvi a Eliana murmurar, quase sem perceber. — Quem é essa?

A mulher se aproximou de nós com um sorriso fácil.

— Carlos, né? — disse ela, olhando direto pra mim. — Lembra de mim? Do hospital. Você esteve lá na terça.

— Doutora Fernanda?

— Só Fernanda tá ótimo — confirmou, estendendo a mão. — Mudei pra cá esse fim de semana.

Ela cumprimentou a Eliana em seguida. Um aperto de mão correto com olhar neutro. Então, a Fernanda se virou pra quem a interessava: Rebecca.

Deu pra notara uma mudança clara.

O olhar dela percorreu o corpo da Rebecca sem pressa. Parecia como se ela tivesse uma visão de raio-x e quisesse conhecer cada centímetro da minha namorada evangélica. O sorriso ganhou outra densidade.

— Prazer — disse, a voz um tom mais baixo. — Fernanda.

A Rebecca não recuou e nem se deixou intimidar. Respondeu mantendo o controle.

— Rebecca — disse. — Prazer.

— O prazer é todo meu — respondeu Fernanda, sorrindo satisfeita.

— Espero encontrar vocês mais vezes por aqui — disse ela, olhando diretamente pra Rebecca e dando um passo atrás.

Depois se virou e foi embora, o corpo ainda pingando água, deixando atrás de si uma trilha invisível de tensão sexual. Ficamos os três ali, olhando ela se afastar, em silêncio. Me perguntava como essa nova moradora se encaixaria em nossas vidas.

Horas depois, de tarde, estava andando com o Rogério pelo shopping. Ele ainda não sabia se dava um brinco, um colar ou um livro pra Jéssica.

— Vocês nunca cansam — provoquei, enquanto subíamos a escada rolante. — Todo mês tem um jantar especial. Mas também tem o aniversário de namoro, o aniversário do primeiro beijo, o aniversário do noivado, o aniversário do casamento... Qual é a data da vez?

O Rogério pigarreou e desviou o olhar para uma vitrine.

— É o aniversário da... primeira vez.

— Ah, a primeira transa. Então, a gente deveria passar no sex-shop.

— Er... Esse eu já comprei — confessou, visivelmente constrangido. — Falta o presente romântico.

Entramos na joalheria. O Rogério foi direto falar com a vendedora, enquanto eu olhava o mostruário. Foi quando vi duas alianças. Eram alianças simples e elegantes. De ouro claro. Me aproximei da vitrine quase sem perceber. O preço estava ali, pequeno, discreto. Alto, mas não absurdo.

Por um instante, me imaginei ajoelhado perante Eliana e Rebecca, pedindo as duas em casamento ao mesmo tempo. Sim, as duas juntas ao mesmo tempo pra não ter favoritismo.

Meu coração queria fazer isso. Minha mente afirmava que estava cedo demais. A Eliana ainda não tinha se separado e a Rebecca ainda estava tentando conciliar sua vida de divorciada com a igreja e suas responsabilidades. Tudo ainda era novo pros três.

Mas havia outra verdade, incômoda: se eu queria duas esposas, não podia me esconder atrás de moral seletiva. Não teria o direito de ficar bravo se a Eliana decidissem ter dois “maridos” e continuar comigo e com o Leandro ou se a Rebecca decidisse ter um marido e um namorado. Desde que tudo fosse às claras entre os três, as duas podiam ter um segundo parceiro (ou parceira). Esse tinha sido o acordo.

Não era o momento daquelas alianças. Ainda não. Mas agora eu sabia o modelo, o valor e onde comprar, quando chegasse a hora.

Perto de mim, o Rogério finalizava a compra de um par de brincos pra Jéssica. E, graças a ele, tive a certeza de que queria me casar com aquelas duas.

Enquanto andávamos pelo shopping, notei algo curioso. A Letícia e a Alessandra entrando discretamente na livraria principal do shopping. E parecia como se a nossa aluna estivesse levando a minha colega professora atrás de algo.

Naquela noite, eu tinha combinado com as duas de termos um jantar romântico. Mas dessa vez em público. Escolhemos um restaurante fino, que fosse bem longe do nosso bairro e fomos separados.

Eu tinha escolhido minha melhor roupa. Camisa escura bem passada, blazer que afinava um pouco a minha silhueta já não tão jovem. Não que isso me deixasse preparado pro que senti quando as duas chegaram quase ao mesmo tempo.

A Eliana vestia um vestido longo, num tom que conversava com a pele bronzeada. O decote era acentuado, mas sem ser vulgar. O cabelo solto caía pelos ombros. Seu sorriso misturava doçura e provocação. A Rebecca usava um vestido mais fechado, elegante. Manga delicada, tecido estruturado, comprimento comportado. Maquiagem discreta, olhar atento.

— Vocês estão... — comecei, e falhei em terminar a frase.

— Bonitas? — brincou Eliana.

— Mais do que isso.

Abracei as duas, como minhas namoradas. Pela primeira vez, fazíamos em público. Mesmo longe de casa, havia a tensão de aparecer alguém conhecido. Primeiro, a Eliana: corpo quente, perfume que eu já reconhecia, beijo na boca sem pressa, firme. Depois, a Rebecca: abraço mais contido, beijo mais curto, mas mais intenso.

— Eu e a Rebecca conversamos mais cedo e, com base em ontem à noite, decidimos te dar um crédito pra um pedido bem safado envolvendo nós hoje — disse Eliana, com a Rebecca aprovando ruborizada.

— Não sei se seria adequado abusar da boa vontade de vocês dessa fo-

— Depois de todo o trabalho que eu tive pra convencer a puritana aqui do meu lado a te dar um cheque em branco pra safadezas, eu quero que você abuse sim! — brincou Eliana. — Tem que ser algo que me deixe vermelha de vergonha!

Olhei pras duas pensativo. Podia pedir as virgindades anais dela naquela noite, mas isso seria realmente abusar do pedido. Pensei em algo simples, mas safado.

— Então tá. Um pedido casual — fiz uma pausa de suspense. — Vão ao banheiro agora e tirem suas calcinhas. Vão passar o resto sem elas.

A Eliana arregalou os olhos e ficou vermelha de vergonha. Depois abriu um sorriso lento, quase maldoso. A Rebecca suspirou, ruborizada.

— Você tem noção do lugar onde estamos? — reagiu Rebecca.

Sim, eu sabia. E sabia que o vestido de ambas era suficientemente justo pra que, quem prestasse atenção, percebesse que ambas estariam sem calcinha. Mas não tão justo que poderiam ver algo além disso.

— Tenho. Esse é o meu pedido pra essa noite.

Pensei que elas iam recuar, mas apesar da nítida vergonha da Rebecca, ela e a Eliana se levantaram quase ao mesmo tempo. Elas saíram pro banheiro, me deixando sozinho por alguns minutos.

Quando voltaram, a Eliana vinha com o olhar brilhando, quase rindo sozinha, como quem carrega um segredo divertido demais para manter sério. A Rebecca caminhava ereta, expressão controlada, mas com um rubor leve, uma tensão mínima no maxilar.

— Tiramos — disse Eliana. —Se você duvida, olha na bolsa da Rebecca.

— Acredito em vocês — respondi. — Mas achei que nunca aceitariam fazer isso em público.

— A roupa esconde o suficiente. Ninguém vai notar, a menos que olhe demaaaaaais — deu de ombros Eliana.

A Rebecca não disse nada. Apenas ajeitou o vestido com um gesto discreto e cruzou as pernas.

Pedimos os pratos. Enquanto sobre esperávamos, começamos a conversar.

— Eu quero aproveitar este jantar pra dizer que quero ser o melhor namorado possível pras duas — disse. — Levar cada uma aos programas que mais gosta. Cinema, jantar, o que for. Com cada uma. Programas a três, como este, só quando as duas quiserem. Também quero a conhecer a família de vocês. Me apresentar como seu namorado... ou marido. Mas no ritmo de vocês. Quando vocês quiserem. Eu não quero pressionar nenhuma das duas e também não quero que se sintam a amante, a escondida, a não assumida. Eu quero me doar ao máximo aqui. Mas tudo no tempo de cada uma.

O silêncio que se seguiu foi denso. A Eliana foi a primeira a reagir, com um sorriso emocionado que ela tentou disfarçar.

— Obrigada — disse.

Rebecca ficou em silêncio por alguns segundos longos demais. Quando falou, a voz saiu baixa.

— Eu... preciso pensar. Não tinha pensado em como seria você conhecendo meus pais.

Mas ainda tinham coisas a serem ditas pra Rebecca.

— E tem outro detalhe — escolhi as palavras com cuidado. — Eu sou católico. E, mesmo não sendo lá muito religioso, não gostaria de abandonar minha igreja.

Ela me olhava com atenção absoluta, sem julgamento, querendo saber o que viria a seguir.

— Mas eu estou disposto a ir à sua igreja — completei. — Assistir aos cultos. Participar dessa parte da sua vida. Se isso te fizer feliz. Caso você queira. E quando você quiser.

Por um instante, achei que ela não fosse dizer nada.

— A minha fé não é um detalhe. Ela é o eixo da minha vida. Eu não espero que você mude ou se converta por mim. A conversão deve vir de coração. — Ela suspirou. — Mas o simples fato de você querer estar presente, sem ironia, sem deboche... Já é um gesto enorme pra mim.

Foi então que Eliana entrou na conversa.

— Eu também sou católica — disse, olhando pra Rebecca. — Do meu jeito, cheia de contradições, mas sou. E nós duas somos parceiras agora. Então, se você quiser, e se se sentir à vontade, eu também posso ir aos cultos em ocasiões especiais.

A Rebecca respirou fundo outra vez. O olhar dela se suavizou.

— Obrigada... Saber que existe essa abertura por parte de vocês dois me tranquiliza. Muito.

— Amor é compartilhar — falei. — E eu amo vocês duas.

A frase saiu inteira, sem tropeço. Era a primeira vez que dizia “amor” pras duas. Os olhos da Eliana brilharam. Os olhos da Rebecca marejaram discretamente.

Foi nesse momento que os pratos chegaram, interrompendo o momento. Começamos a comer e conversar coisas mais leves.

— Preciso avisar vocês que vou ter que viajar uns dias — anunciou Eliana. — Soube hoje de tarde que vou ter que passar de uma semana a dez dias fora, embarcada numa plataforma lá em Macaé.

Assentimos e ela continuou.

— Vou pegar o avião na quarta de madrugada. Assim, eu não me importo da Rebecca ter toda a prioridade nesse período que eu tiver fora. Eu quero mais é que vocês aproveitem mesmo. Mas vou querer videochamadas todos os dias.

— É claro que vou te ligar todas as noite — respondi.

— Eu posso te ligar também? — perguntou Rebecca, um pouco hesitante. — Digo... Somos parceiras e eu gosto de me abrir com você...

— Claro que pode — respondeu Eliana, sorrindo. — Eu vou adorar.

Houve um pequeno silêncio constrangido antes da Rebecca falar de novo. Ela corou visivelmente.

— Eu... Se vocês dois estiverem dispostos... — começou, quase num sussurro. — Eu aceitaria fazer outro ménage hoje.

Ela respirou fundo antes de continuar.

— E depois, na segunda e terça, o Carlos seria todo da Eliana. Ela tem que ter a prioridade antes da viagem.

— Obrigada — respondeu Eliana.

— Se você preferir ficar a sós com ele hoje, eu não me importo em ceder o resto do domingo — disse Rebecca, claramente nervosa.

Eliana balançou a cabeça, firme.

— Não. Eu quero ménage. É divertido e tem mais cara de trisal — respondeu. — E força mais o Carlos pra ele não se acomodar nunca.

A Rebecca riu, mas o semblante da Eliana voltou a fechar.

— Mas é bom te alertar de uma coisa, Rebecca. Quanto mais vezes nós fizermos ménage com o Carlos, mais próximas e íntimas nós duas vamos ficar. E a cada vez, mais provável vai se tornar de que, uma hora, a gente faça sexo uma com a outra.

A Rebecca ficou em silêncio. Não sabia o que ela pensava disso, se a ideia a assustava. A Eliana prosseguiu, com honestidade.

— Quando aceitei que seríamos um trisal, eu refleti muito sobre isso e entrei disposta a experimentar. Eu sabia que isso podia acontecer, contigo ou com outra mulher. Eu já aceitei que, em algum momento do nosso relacionamento, vou fazer sexo lésbico. Estou bem com a minha sexualidade e plenamente disposta a me entregar a você tanto quanto ao Carlos.

Ela olhou diretamente pra Rebecca.

— Mas você é religiosa e conservadora. Eu me preocupo com como você vai se sentir, se acontecer. Quando acontecer.

A Rebecca ficou em silêncio por alguns segundos longos. Largou os talheres, apoiou as mãos na mesa e falou com o coração aberto.

— Eu tenho muito medo. Medo de como vai ser. Medo de gostar. Medo de não gostar. Mas também tenho medo de viver me escondendo atrás da fé pra não olhar pra mim mesma. Eu não sei onde isso vai dar. Mas se for com você, quando acontecer, se acontecer, quero que saiba que nunca mais olharei como apenas minha amiga.

Encerramos o jantar num clima curioso de calma depois da tempestade. Voltamos ao condomínio com muita sorte: ninguém no estacionamento, no elevador e nem nos corredores. Entramos incógnitos no meu apartamento.

— Ainda tá cedo — disse Eliana. — Queria ver um filminho.

— Uma comédia romântica cairia bem — respondeu Rebecca.

Me virei pras duas e a ideia me veio pronta, bem safada.

— Tirem a roupa aqui na sala. Fiquem só de calcinha e sutiã. Eu faço o mesmo. Vamos assistir o filme só com de roupas íntimas.

— Estamos sem calcinha, seu sem-vergonha — respondeu Eliana, divertida.

— Tanto melhor — dei de ombros.

A Eliana riu, cheia de malícia, enquanto a Rebecca suspirou fundo. Sem querer brigar contra isso, as duas tirarem seus vestidos enquanto eu tirava a minha roupa, ficando apenas de cueca.

Tentei não olhar demais os corpos seminus das duas e falhei miseravelmente.

A Eliana vestia um sutiã de renda escura, que abraçava os seios com naturalidade. À mostra, podia ver seu belo par de coxas torneadas e sua bucetona raspadinha e rosada, que tinha lábios volumosos.

A Rebecca usava um sutiã mais simples, claro, de tecido liso, quase comportado. Podia ver sua barriguinha tanquinho, as coxas bem desenhadas e a bucetinha que era bem peludinha de cabelos castanhos, parecida com a moda dos anos 70 ou 80.

A Eliana e a Rebecca trocaram um olhar demorado, cheio de cumplicidade e curiosidade. Uma repousando os olhos na buceta da outra com mais atenção.

— Você fica linda assim — comentou Eliana, sincera.

A Rebecca riu baixo, envergonhada.

— E você é linda de qualquer jeito — respondeu Rebecca.

Me aproximei devagar das duas. Primeiro toquei o braço da Rebecca e beijei sua boca com calma. Depois, me virei para Eliana. O beijo nela veio diferente: mais firme e quente. Ela correspondeu com um sorriso no meio do beijo.

A Eliana passou a mão no meu rosto, com carinho e ternura. As duas se aproximaram mais, uma de cada lado, e quando dei por mim, estávamos andando pro meu quarto. O filme ficaria pra outra hora, ou outro dia. Comecei a beijar a Eliana com vontade. A Rebecca aprovava, já que ela tinha ganhado as preliminares na noite anterior.

— Vou tomar banho e já volto — disse Rebecca, já pegando uma toalha.

Levei a Eliana até o quarto, onde desvencilhei o seu sutiã e pude olhar mais uma vez pros seus peitões. Ela tinha seios enormes e bicudos, com grandes auréolas marrons do tamanho do diâmetro do fundo de um copo, que combinava com sua pele bronzeada e macia.

Louco de tesão, eu a coloquei contra a parede, enquanto beijava todo o corpo dela com muita vontade. Da boca, fui descendo pelo pescoço, colo, seios, barriga e cheguei na sua bucetona. Alternava entre dedadas e chupadas na buceta e no cuzinho, enquanto ela ria e pedia mais.

A Eliana pedia por rola o quanto antes e, embora eu quisesse continuar brincando com a língua e meus dedos, obedeci o pedido. Eu a empurrou contra a parede, coloquei a cabeça do meu pau apontando na entrada da sua bucetona e, quando ela pediu mais uma vez, meti com tudo.

Não perdia tempo. Com a Eliana contra a parede, eu ia dando estocada em sua buceta com vontade. De vez em quando, dava uma tapinha na sua bela raba e então metia de novo com mais tesão ainda. Ela pedia por mais e rebolava com gosto no meu pau.

Ficamos assim por alguns minutos, comigo estocando com vontade na sua buceta, ela rebolando na minha rola e nós dois nos beijando. Foi quando a Rebecca entrou no quarto e nos viu metendo em pé, com a Eliana gemendo contra a parede me mandando meter fundo.

Olhei pros peitinhos da Rebecca, com os mamilos grandes e duros. Suas auréolas eram um rosa-marrom. Sua pele macia e sua as coxas bem desenhadas.

Ela nos viu e pediu pra pararmos um instante. A Eliana aproveitou e guiou nos três pra cama. Agora, eu tinha duas putinhas pra comer a vontade. Deitei as duas e comecei as chupar as duas, alternadamente. Ora, eu chupava a buceta e o cu de uma, enquanto dedava a outra. Depois, eu mudava. Elas estava ficando mais e mais excitadas com aquilo, até que não resistiram mais.

Foi quando Eliana e Rebecca começaram a se beijar.

Continuamos assim, com as duas se beijando e eu chupando e dedando ambas até que consegui levar as duas ao orgasmo. A Rebecca foi a primeira e, por fim, a Eliana.

Quando as duas estavam recuperadas, eu perguntei quem queria ser a primeira a ser comida e a Eliana pediu pra eu comer a buceta da Rebecca primeiro. Ela se afastou um pouco e a Rebecca subiu em mim. A Eliana segurou o meu pau, o posicionando na entrada daquela bucetinha. Seguindo os comandos da parceria, a Rebecca foi descendo e fui sentindo a sua buceta abocanhar a minha rola pouco a pouco.

Quando entrou até o talo, a Rebecca deu uma rebolada pro encaixe ficar perfeito. Nos beijamos intensamente e ela passou a cavalgar em cima de mim, totalmente ritmada. A cada vez que aumentava o ritmo da cavalgada, a Rebecca ia se entregando mais e mais ao prazer. Se tornando cada vez mais uma amazona sexual, até o momento em que não resistiu, puxou a Eliana e as duas começaram a se beijar.

A Eliana me deitou na cama e sentou na minha cara. Assim, comecei a chupar a buceta enquanto meu pau era cavalgado pela buceta da Rebecca e sentia as duas se beijando na boca. Enquanto chupava a buceta da minha namorada engenheira, comecei a brincar de enfiar o dedo no cuzinho da Eliana.

A Rebecca passou a gemer alto, com a sua volúpia aumentada. Ela anunciou que estava perto de gozar. Ofegante, ela gozou alto, enquanto o meu pau ainda entrava e saía de sua bucetinha apertada.

Em seguida, a Rebecca saiu de cima de mim e a Eliana logo tomou o seu lugar sobre mim. Sentia o meu pau entrar e sair daquela buceta que conhecia e amava, enquanto a Eliana cavalgava feito louca em cima de mim.

Não demorou muito tempo naquele ritmo e a Eliana gozou mais uma vez naquela noite. Nos beijamos com paixão. Como ela estava precisando de uns segundos de fôlego, ela saiu de cima de mim e fui atrás da Rebecca, que estava deitada ao nosso lado. Eu a virei de bruços e passei a beijar sua nuca, e fui descendo de vagar passando minha língua e mordiscando suas costas até chegar em sua bunda.

Separei suas nádegas e chupei vorazmente aquele lindo cuzinho que se oferecia à minha gula. Com o cuzinho chupado, devidamente lubrificado e pronto para ser penetrado, me posicionei com a rola em riste na entradinha daquele cuzinho cuzinho rosado que piscava a minha frente.

— Não... Hoje não... Por favor... — pediu Rebecca, nervosa.

Entendi que a penetração anal era uma prática que os evangélicos repudiavam e a Rebecca ainda não se sentia à vontade com ela. Com esse pedido, suspendi imediatamente a ideia e redirecionei o meu cacete pra entrada da sua bucetinha. A Eliana acompanhava tudo de perto, segurando minha rola e guiando a penetração pra buceta da amiga.

Ela viu o meu pau sumindo dentro daquela bucetinha apertada e, quando tinha metido até o talo, comecei a bombar. A Eliana beijava a boca da Rebecca enquanto ela pedia por mais. Eu fui estocando com vontade, enquanto a Rebecca urrava de prazer. Gemendo e levando fortes estocadas do meu cacete, a minha namorada evangélica anunciou o gozo com um forte gritou. Ela estremeceu o corpo, se arrepiou toda e se soltou na cama.

Aproveitei pra sair de cima dela e puxei a Eliana pra que se deitasse sobre a Rebecca. Uma sobre a outra passei a chupar as duas alternando cu e buceta duplamente. Quando as duas estavam loucas por mais, me afastei e forcei a junção dos corpos para que as bucetas se tocassem.

As duas entenderam a mensagem.

Elas se olharam em silêncio. Eu ali só observando conversando em silêncio, decidindo se ultrapassariam essa fronteira hoje. A Eliana estava propensa. Se fosse em nossos ménages, ela queria sentir outra mulher, ser esfregada, ser chupada e chupar uma buceta. Mas a Rebecca já tinha sido aos seus limites naquela noite e, mais uma vez, disse:

— Não... Hoje não... Por favor...

A Eliana respondeu acariciando o rosto dela e ficando de quatro na cama pra eu meter em sua bucetona com força. Dava tapas na bunda da Eliana várias vezes, do jeito que ela amava. Ela rebolava no meu pau em troca. A Rebecca assistia e mandava eu socar forte dentro da amiga. Eu obedecia e não levou muito tempo, socando daquele jeito até a Eliana gozar mais uma vez.

Pedi uma espanhola nos seios enormes da Eliana pra poder gozar gostoso. Empolgada com a ideia, a Eliana logo se ajoelhou na cama e obedeceu, colocando meu pau no vale entre seus peitões. A Rebecca ajudou, segurando os peitos dela. Senti que o gozo estava chegando.

As duas me olharam e pediram para eu gozasse sobre elas. Deixei a Eliana punhetar o meu cacete entre os seus seios mais algumas vezes, tomei uma distância e o gozo veio abundante despejando sobre elas. Tanto a Eliana quanto a Rebecca receberem a porra sobre os corpos. Ao todo, foram quatro jatadas fortes, que eu direcionei metade pra cada uma.

Caímos exaustos na cama. Quando nos recuperamos, fomos nos limpar e tomar uma ducha no banheiro, um de cada vez. Elas voltaram cheirosinhas e de banho tomado, dormindo ao meu lado na cama.

E, cara, a gente realmente precisava de uma cama maior.

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Olá, leitores. Eu sou a Eliana. O Carlos já me apresentou no começo do capítulo, mas eu preciso continuar a narrativa do capítulo no lugar dele a partir daqui. Tomara que não se incomodem.

Era segunda de manhãzinha. Normalmente, eu conseguia acordar de madrugada e voltar pro meu apartamento. Mas desta vez, talvez por saber que o Leandro nem estaria em casa, acabei dormindo no apartamento do Carlos a hora certa. Por volta das 6h, a Rebecca já tinha ido e eu continuava na cama. Ele disse que nenhum dos dois conseguiu me acordar, por mais que tentassem. Que merda!

Por sorte, eu tinha me preparado pra isso e deixado mudas de roupas no guarda-roupa do Carlos. Pra todo tipo de ocasião que precisasse sair de lá correndo. Então, simplesmente peguei uma roupa de trabalho lá e fui na cara e coragem pro elevador. Calça social de alfaiataria, cinza-escura, justa o suficiente para desenhar minhas coxas quando eu me movia. Camisa branca de tecido leve, abotoada até onde o bom-senso mandava, mas que insistia em marcar o volume dos meus seios quando eu respirava fundo. O sutiã sustentava tudo no lugar, deixando o colo contido. Salto médio.

Quando a porta do elevador abriu, meu estômago afundou. O Jonas tava lá. Na hora, tive medo dele olhar para mim e perceber que eu tinha dormido no meu apartamento porque estava no andar errado. E ele ainda poderia deduzir que era o andar do Carlos.

— Bom dia, Eliana — disse Jonas, feliz demais e cantarolando demais pra prestar atenção no número do andar.

— Bom dia, Jonas — respondi com aquele sonho encantador que uso raramente, pra terminar de distrair ele.

Enquanto o elevador descia, o Jonas continuava cantarolando feliz da vida. Ele deve ter tido uma noite tão boa quanto a minha. Não sabia que ele e a Cinthia ainda eram tão apaixonados.

— Que música é essa? — Não resisti em perguntar.

— Não reconhece? — brincou Jonas, só o vi tão bem-humorado assim por uma semana naquele ano todo. — É “Raindrops Keep Fallin On My Head”. A música da cena do Peter Parker todo sorridente e feliz da vida em Homem-Aranha 2.

— Não lembro do Peter sorridente em Homem-Aranha 2 — estranhei. — Ele tava o filme todo preocupado com a Gwen.

— Não. Eu tô falando do Aranha 2 do Tobey Maguire. Esse que você tá lembrando é o da nova geração, do Andrew Garfield.

— Na verdade, o do Andrew Garfield é o da minha geração.

Ele me encarou em silêncio e pude ver o momento em que a felicidade começou a esvair do rosto dele.

— A geração do Andrew Garfield já está nos 30?

Olhei pro meu antigo professor em silêncio e não resisti a uma última trollada pra destruir seus sonhos e esperanças.

— Na verdade, o pessoal que está se formando agora na faculdade já são todos da geração Tom Holland.

O Jonas me olhou em desespero silencioso, como se tivesse se descoberto um ancião dos tempos pré-cabralinos. Pensei em lembrar que a diferença entre o último filme do Maguire e o primeiro do Holland não dava 10 anos e não 40 como ele parecia pensar, mas era o tipo de informação que a Sarah me ensinou pra irritar a Carolina quando ela tava indo fundo demais em suas análises de Tolstói.

— O calendário ainda está todo desconfigurado por causa da última greve? — perguntei, mudando de assunto por piedade.

— Nem me fala. O semestre atual deve acabar no começo de novembro. Sem férias em dezembro e janeiro. Por causa dessa greve, só vamos normalizar tudo quase em 2027.

— Imagino.

— Eu queria férias de verdade. Não essa coisa improvisada e separada de todo mundo.

Dei um sorriso compreensivo. Lembrava do Carlos reclamando da mesma coisa. Por causa desse calendário diferente, nós dois e a Rebecca tínhamos dificuldade em conciliar agendas de férias.

— Também ando pensando em férias — confessei. — Queria muito um final de semana no frio. Gramado, Petrópolis, Campos do Jordão...

— Olha só — comentou Jonas, interessado. — Está com cara de roteiro de casal. Você e o Leandro estão bem já?

Por dentro, quase ri. A única esperança que tinha de viajar com o Leandro atualmente era a esperança de tola de que uma viagem de conciliação ainda seria possível.

— Estamos conversando melhor — menti com naturalidade. — Ele anda cheio de compromissos no trabalho, eu também. Fica difícil achar uma data que funcione pra nós dois.

O Jonas assentiu, satisfeito com a resposta. O elevador chegou ao estacionamento. Saímos cada um pro seu caminho, quando notei ele parado olhando confuso pra sua vaga vazia e se virando pra portaria.

— Aconteceu alguma coisa — intervi.

Ele diminuiu o passo e se voltou pra mim.

— Ah, nada demais. Tinha esquecido que tinha combinado com a Cinthia que ela ia usar o carro esta semana porque o dela tá no conserto.

Assenti, mas aquilo me incomodou um pouco. Algo não se encaixava. Ele tinha acabado de sair do próprio apartamento, onde vivia com a Cinthia. Presumivelmente, acordavam por volta da mesma hora e tomavam café juntos. Como ele tinha esquecido que tinha deixado o carro com ela?

— Vou pra portaria chamar um Uber — concluiu ele, já se despedindo.

Olhei para o relógio quase por reflexo e fiz contas rápidas. O campus não ficava perto do prédio da Petrobras, e o caminho não era simples. Ainda estava cedo, cedo o suficiente para chegar no horário se tudo colaborasse. Mas aquele horário era uma roleta russa de congestionamentos. Dois pontos críticos, pelo menos. Hesitei.

Mas fiquei com pena dele. Não devia ter destruído seus sonhos e esperanças no elevador.

— Jonas — chamei, antes que ele se afastasse demais. — Eu posso te dar carona, se quiser.

— O campus não é meio longe do prédio da Petrobras? — respondeu, surpreso.

Ele estava certo. O Carlos só tinha aula às 10h. Seria uma excelente hora pra Letícia aparecer e ela dar carona pra ele. Mas eu já tinha oferecido...

— Eu sei — respondi, com um sorriso rápido. — Mas conheço uns atalhos. E vou chegar cedo de qualquer forma.

— Bom... Se você diz, só me resta agradecer à gentileza.

Entramos no carro, coloquei o GPS pro campus e fomos seguindo, comigo internamente torcendo pra tudo dar certo. No começo, o trânsito ainda parecia cooperar.

— Que calor — comentou Jonas, olhando pela janela. — Final de julho, teoricamente inverno, mas parece verão.

— Pois é. Este inverno foi mais simbólico que tudo.

— Esse clima me dá saudade de praia — disse ele, sorrindo. — De alugar uma casa de praia e aproveitar um fim de semana.

Olhei rapidamente para ele antes de voltar os olhos para a pista.

— Ué, por que você simplesmente não vai à praia?

— Praia lotada me cansa. Aquela muvuca, gente demais, música alta, gente correndo, vendedor passando a cada dois minutos... Não consigo relaxar.

Por esse ponto de vista, concordava com ele. Mas era só procurar uma praia menos turística.

— Gosto de praia, mas confesso que também fico meio impaciente com excesso de gente. Parece que a gente vai pra descansar e sai mais cansada do que chegou.

— Exatamente — continuou ele. — Por isso eu prefiro algo mais controlado. Tipo alugar uma casa de praia e passar um feriadão com alguns amigos. Algo mais íntimo, mais tranquilo, com privacidade.

— Parece bem melhor mesmo — comentei. — Dá pra curtir sem aquela sensação de estar disputando espaço o tempo todo.

O Jonas assentiu, animado com a própria ideia.

— Eu e a Cinthia, inclusive, estávamos olhando umas casas no Airbnb. Pensando em alugar uma no médio prazo. Mas tem que ser uma casa boa: piscina, vários quartos, churrasqueira, acesso fácil à praia...

— Ambicioso — brinquei, sorrindo.

— Um pouco — admitiu ele. — Ainda não sabemos se setembro ou outubro.

— Primavera já começando, né? Deve ser uma época ótima. Talvez a casa saia mais em conta.

— E não seria só pra nós dois — continuou ele. — A ideia é chamar uns amigos também.

Houve uma pequena pausa antes de ele continuar:

— Se a gente conseguir marcar, você toparia ir?

A pergunta me pegou desprevenida. Até pensei em justificar que era mais uma pessoa do frio, mas seria uma mentira deslavada demais pra quem se bronzeava na piscina do condomínio todos os domingos.

— Ah, iria sim. Gosto desse tipo de programa. Com muitos amigos.

O Jonas me olhou desconfiado.

— Ah, duvido que você fosse — comentou, entre brincando e sério demais. — Você me dá a sua palavra de que vai?

Por um segundo, achei graça. O Jonas era sério demais às vezes. Soava quase solene demais, como se estivéssemos selando um pacto antigo. Era um brincalhão, então entrei na onda. Fiz cara de exageradamente compenetrada, e, pensando com a imagem do Carlos na cabeça, respondi:

— Eu dou minha palavra de honra e juro pelo amor da minha vida que, se você e a Cinthia realmente marcarem esse final de semana na praia e, pelo menos, uma amiga minha topar isso, eu irei sim! E que um meteoro caia na minha cabeça e daquele que amo se eu ousar quebrar essa palavra.

Ele pareceu surpreso e quase sem graça.

— Não sabia que você tinha essa veia dramática.

— Você não faz ideia do quão troll eu posso ser quando quero — ri, relaxando um pouco.

Seguimos conversando sobre coisas leves: trabalho, aulas, prazos que nunca respeitavam horários humanos. O trânsito começou a engrossar aos poucos, mas nada fora do esperado. Quando estacionei próximo ao prédio do departamento de engenharia elétrica, o relógio marcava 7h35.

— Eliana, obrigado mesmo pela carona. Salvou minha manhã. — disse Jonas, soltando o cinto. — Se tiver algo que eu possa fazer pra retribuir o favor, é só me procurar.

— Imagina — respondi. — Foi tranquilo.

Enquanto ele se afastava, eu dirigia pra fora do campus pensando em todas as pessoas que conhecíamos poderiam ter dado essa carona. A Alessandra ainda tava namorando um BYD, mas só ia comprar mais pra frente. Mas tinha a Letícia, a Natália, o Antônio e até o Carlos! Mas eu, no meu impulso automático de ser útil e legal com as pessoas, tinha assumido uma contramão inteira sem pensar.

— Idiota — murmurei pra mim mesma.

No caminho pro trabalho, o trânsito mostrava sua verdadeira face. Tentei atalhos, mudei de faixa, fiz o que dava pra fazer com o que tinha, mas ao chegar no trabalho, tinha me atrasado quase 15 minutos.

Horas depois, cheguei ao restaurante self-service pouco antes do meio‑dia. Usava uma blusa de tecido leve, marfim, que desenhava meus ombros e deixava a marca discreta do sutiã aparecer sob a luz. A calça de alfaiataria, bem ajustada na cintura e nos quadris, realçava minhas curvas de um jeito elegante e era completada pelo salto médio.

O Everton já me esperava numa mesa de canto, com seu bigode de sempre. O uniforme azul da borracharia estava limpo, a camisa um pouco folgada sobre a barriguinha de chope. As mangas arregaçadas deixavam à mostra os braços morenos e peludos.

— Demorei? — perguntei, apoiando a bolsa na cadeira.

— Eu quem chego cedo demais.

Nós já estávamos naquele ponto confortável de quem se via uma vez por semana. Desde que descobrimos que o trabalho dele ficava perto do prédio da Petrobras, combinamos de almoçar juntos toda segunda. Escolhi uma carne grelhada, legumes, um pouco de arroz integral. Ele, como sempre, foi direto no strogonoff.

Enquanto comíamos, notei alguns olhares cruzando a nossa mesa. Imagina o que pensavam: “O que essa mulher dessas faz com um cara desses?”. Em beleza, idade, postura, roupa, em tudo parecemos de mundos diferentes. Mas, curiosamente, isso não me incomodava. Pelo contrário. Eu me sentia muito mais em paz almoçando e papeando com o Everton do que dentro do meu próprio apartamento, convivendo com a sombra do Leandro.

Nós, de certa forma, tínhamos um relacionamento meio íntimo. Eu só mantinha contato com três homens com quem havia transado: o meu marido Leandro, o meu grande amor Carlos e o Everton... que era o Everton. Era estranho, por um lado era esquisito pensar em nós como simples amigos. Mas por outro, nos víamos como bons amigos.

Bem... Éramos bons amigos que, um dia, voltariam a foder quando o Carlos e a Creuza tivessem vontade de uma transa a quatro (ou a cinco, não posso esquecer a Rebecca). Eu sabia que isso iria acontecer um dia. Pode ser quando eu voltasse de viagem ou daqui a quatro anos. Mas enquanto eu pensava nisso como um drama inevitável, o Everton parecia bem nem aí. Ele tava lá pra papear e contar novidades. Amigo mesmo.

Então, pensei em desabafar com ele desta vez.

— As coisas continuam estranhas lá em casa. Não existe mais conversa entre eu e o Leandro. Só distância e silêncio. Um clima pesado. Ele viajou e só deixou um recado. Estou cansada disso.

Ele terminou de mastigou em silêncio antes de soltar, sem rodeios:

— Então, você devia se divorciar do Leandro e ficar logo com o Carlos.

Congelei por meio segundo.

— Você não mede as palavras mesmo, né?

— E eu tô errado?

— Não é tão simples assim.

— Pra mim é — continuou Everton. — Você ama o Carlos. Ama tanto que quis entender o mundo dele, aceitou dividir ele, conhecer novas pessoas, conviver com a Rebecca. E quando você fala dele, seus olhos brilham. Já quando você fala do Leandro, só vejo cansaço.

— Eu não queria admitir isso em voz alta — murmurei. — Se eu largar o Leandro e me mudar pro apartamento do Carlos, vai ser um escândalo no condomínio. As pessoas vão falar, julgar...

— Talvez falem mesmo, mas elas não pagam as contas de vocês.

Pensei em comentar brincando que tanto eu quanto o Carlos éramos funcionários públicos concursados, então todos pagavam nossos salários com impostos, mas seria uma piada fora de lugar.

— É a sua felicidade. E a do Carlos. E a da Rebecca — continuou ele. — No fim, isso diz respeito só a vocês três. Principalmente a vocês três.

— Eu tenho medo. Medo de como as pessoas vão me enxergar. Medo de ser vista, taxada como a vadia do prédio.

— Se você está deixando de viver sua vida por medo do que os outros pensem, então eles já venceram.

Fiquei sem resposta.

— Você merece viver o que te faz feliz. Não o que determinaram pra ti.

Olhei para ele, com um sorriso triste, mas sincero.

— Você é a pessoa que mais torce por mim e pelo Carlos. Sabia disso?

— Claro que sou — ele riu. — Faço tudo pra ver uma roupa chique de padrinho de casamento.

— Bobo — respondi, rindo um pouco e segurando a mão dele sobre a mesa. — Obrigada. De verdade.

— Sempre, minha querida. Sempre.

E então a conversa foi mudando de tom. Falamos do nosso final de semana, da mudança da Odete, de churrasco. E de algo que precisava avisar ele sobre nossas segundas.

— Everton, semana que vem eu não vou conseguir almoçar contigo. Vou viajar pra Macaé nesta quarta e devo passar uns dez dias embarcada numa plataforma.

Ele levantou as sobrancelhas na hora, visivelmente empolgado.

— Em plataforma? Daquelas no meio do mar mesmo?

— Sim.

— Que legal! Não sabia que você trabalhava com isso! Nunca conheci ninguém que trabalha nisso de verdade.

— Eu costumo ir uma ou duas vezes por ano, no máximo.

Ele me observava como se eu tivesse acabado de revelar um superpoder escondido. Fazia tempo que alguém não demonstrava curiosidade genuína pela minha profissão. Na verdade, se eu fosse contar nos dedos, só lembrava claramente de dois homens assim: Everton e Carlos. No caso do Carlos, era como um acadêmico que passou a vida nas salas de aula querendo saber como é o estado-da-arte da ‘vida real’. Já no Everton era um fascínio e curiosidade de quem só conhecia esses lugares pela televisão.

— Que tipo de coisa você faz lá?

— É uma visita técnica programada — expliquei. — A gente vai fazer inspeções de segurança, verificar alguns equipamentos, checar medições de pressão, vazão, avaliar estruturas e também uma auditoria em certos processos.

— É perigoso lá?

— Sempre tem risco, mas tudo é extremamente controlado. Eu vou passar quase o tempo todo vestida com EPIs. E a plataforma tem protocolos rígidos, treinamento constante, plano de evacuação, bote, helicóptero de prontidão...

Ele me olhou bem impressionado.

— Você é muito foda, sabia?

— Exagerado — respondi, porque pra mim, visitas na plataformas eram uma parte chata do trabalho, não uma grande aventura.

— Quando você tiver lá, manda umas fotos pra mim?

Assenti na hora.

— Mando sim.

Nossa conversa continuou. Contei de uma vez em que vi golfinhos perto da plataforma. Ele ouviu como quem escuta uma história de filme. Por fim, terminamos de comer. Era hora da despedida.

Nós nos levantamos quase ao mesmo tempo e demos um abraço apertado e sincero.

— Manda um abração pro Carlos por mim.

— E você manda um meu pra Creuza.

— Pode deixar.

— Só não combino um jantar nós quatro porque sabemos que aqueles dois não iam se controlar em querer estender o jantar — brinquei.

— E a gente ia se controlar? — brincou ele.

Respondi com um sorriso e voltei pro prédio da Petrobras. Pensava que era esquisito às vezes. O Everton era meu amigo, confiava nele. Mas também sabia que ele não hesitaria em me comer na primeira oportunidade que todos os envolvidos tivesse aprovado e consentido mais uma troca.

Infelizmente, nem todo mundo era como o Rogério, o Jonas e o Érico...

Pois bem, leitor. No próximo capítulo, uma das minhas namoradas vai perder a virgindade anal fazendo amor comigo. Qual delas?

Algumas questões que gostaria que os leitores respondessem nos comentários:

1) A Eliana foi/está sendo ingênua demais com Jonas e Everton ou, dado o comportamento de ambos, ela estava apenas sendo legal?

2) A Fernanda deve ser uma nova amante ou uma rival?

E uma pergunta mais detalhada:

3) Vocês iriam se interessar por uma versão alternativa, inicialmente não-canônica, da cena da sauna entre Carlos, Jonas e Letícia que termine em sexo entre os três, com cenas bi?

Dependendo da receptividade da ideia, posso fazer essa cena (e reescrever os diálogos pra torná-los mais adequados e menos ofensivos). Seria menos complicado que um capítulo normal porque teria no máximo 1/3 do tamanho normal. E, dependendo do sucesso do capítulo, eu canonizo ele substituindo a versão que está no capítulo.

Coloquem nos comentários para o que vocês torcem que aconteçam nos próximos capítulos. Em breve, teremos a continuação.

Os próximos capítulos serão:

(ARCO DO FINAL DE SEMANA)

* Quem Vai Comer a Advogada Evangélica? - Capítulo 12 (PoV Jonas)

* Eu, minha esposa e nossos vizinhos – Parte 19 (PoV Rogério)

.

.

(ARCO DE SEGUNDA A QUARTA)

* Apostei que Faria Aquela Médica Certinha Virar Minha Putinha - Parte 04

* Eu, minha esposa e nossos vizinhos – Parte 20 (PoV Jéssica)

* Quem Vai Comer a Advogada Evangélica? - Capítulo 13 (PoV Jonas)

* Eu, a esposa gostosa do meu chefe e os vizinhos deles - Parte 03 (PoV Lisandra)

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Foto de perfil genéricaAlberto RobertoContos: 122Seguidores: 287Seguindo: 0Mensagem Em um condomínio de classe média alta, a vida de diversos moradores e funcionários se entrelaça em uma teia de paixões, traições e segredos. Cada apartamento guarda sua história, no seu próprio estilo. Essa novela abrange todas as séries publicadas neste perfil. Os contos sempre são publicados na ordem cronológica e cada série pode ser de forma independente. Para ter uma visão dos personagens, leia: Guia de Personagens - "Eu, minha esposa e nossos vizinhos"

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