O CLUBE DAS TERAPEUTAS - O início- PARTE 1/20

Um conto erótico de rapunzel
Categoria: Heterossexual
Contém 2973 palavras
Data: 12/01/2026 19:52:29

O CLUBE DAS TERAPEUTAS - O início- PARTE 1/20

Nota 1: Pessoal, resolvi começar uma “novel” razoavelmente extensa. Então, por favor, se gostarem deem o feedback com comentários do que estão achando e com sugestões. Prometo que vou ler todas!

Nota 2: Antes que você comece a ler, acho justo escrever um pequeno resumo do que se trata para que um leitor não inicie uma longa história cuja premissa ele não se interessar, logo a premissa dessa série é a seguinte:

# Premissa:

** Grupo de 5 terapeutas [3F, 2M] que se encontram mensalmente para “supervisão em grupo” na verdade criaram um clube secreto: eles compartilham detalhes íntimos de pacientes vulneráveis… e eventualmente começam a se envolver sexualmente com eles, competindo para ver quem consegue a “conquista” mais transgressora. Narradora é nova no grupo e aos poucos descobre e é seduzida pela dinâmica.**

… enfim, sem mais delongas, vamos começar essa história extremamente polêmica, com múltiplas camadas e muito muito excitante… pelo menos, prometo que eu tentarei!

Boa leitura!

——————————————————

**"TRAÍ MEUS PACIENTES: CONFISSÕES DE UMA TERAPEUTA NO CLUBE SECRETO MAIS DOENTE DE SÃO PAULO"**

**PARTE 1: O CONVITE**

***

A primeira vez que ouvi sobre o Grupo foi três meses depois de abrir meu consultório.

Março de 2025. Eu tinha trinta e um anos, CRP novo em folha, um consultório minúsculo na Vila Madalena dividido com uma nutricionista, e aquele idealismo irritante de recém-formada que ainda acredita que vai salvar o mundo uma sessão por vez. Seis pacientes fixos. Conta no vermelho. Síndrome de impostor me comendo viva toda noite antes de dormir. Você conhece a história—todo terapeuta iniciante passa por isso, ou pelo menos é o que eu tentava me convencer.

Eu tinha acabado de sair de uma supervisão particularmente frustrante com minha orientadora da pós, Dra. Judith, uma senhora de sessenta e poucos anos que passava metade da sessão me dizendo que eu estava "projetando demais" e "deixando os limites terapêuticos muito porosos". Tradução: eu me importava demais. Eu SENTIA demais. E aparentemente isso era um problema.

Estava na fila do Starbucks da Fradique Coutinho—sim, aquele clichê da terapeuta de Vila Madalena com MacBook e café de quinze reais—quando senti o toque no meu ombro.

—Isabela?

Me virei.

Dr. Marcelo Viana.

Puta merda.

O Dr. Marcelo Viana. Um dos psicólogos clínicos mais respeitados de São Paulo. Autor de três livros sobre psicodinâmica contemporânea. Palestrante em congressos internacionais. Supervisor credenciado. Professor da PUC por quinze anos antes de se dedicar só à clínica particular. Eu tinha assistido duas palestras dele durante a faculdade e saído de ambas meio apaixonada pela forma como ele falava—aquela combinação de inteligência afiada com carisma natural que faz você querer ser aprovada por ele.

Quarenta e oito anos. Cabelo grisalho nas têmporas, barba bem aparada, óculos de armação discreta. Camisa social azul clara com as mangas dobradas até os cotovelos, calça de alfaiataria. Corpo de quem faz pilates mas não é obcecado. Aquele cheiro de perfume caro que não é enjoativo—algo amadeirado, discreto, que fica na sua memória olfativa.

—Dr. Viana! —Minha voz saiu mais aguda que o normal, tipo fangirl encontrando celebridade. —Desculpa, oi, eu... eu assisti suas palestras na USP. Sobre transferência e contratransferência no setting contemporâneo.

Ele sorriu. Não aquele sorriso educado de "obrigado pelo elogio, tchau". Aquele sorriso de quem realmente te VÊ.

—Isabela Noronha. Sei quem você é. —Ele fez sinal pro barista que ia pagar o café dele e o meu. Antes que eu pudesse protestar, já tinha passado o cartão. —Vi sua defesa de mestrado ano passado. Sobre intervenções em casos de trauma complexo com abordagem relacional. Muito consistente.

Meu cérebro parou de funcionar por três segundos.

Ele tinha assistido minha defesa. O Dr. Marcelo Viana tinha ASSISTIDO minha defesa e lembrava do tema.

—Obrigada, eu... uau. Obrigada. —Peguei meu café com mãos meio trêmulas. A gente saiu da fila, ficou naquela zona ambígua perto da porta onde as pessoas fingem que vão sentar mas ficam em pé. —Tô surpresa que você lembra.

—Eu presto atenção nos bons trabalhos. —Ele bebeu o espresso dele, me observando por cima da xícara pequena. Contato visual direto, daquele tipo que te desarma. —E nos bons profissionais. Você abriu consultório recentemente, certo? Como tá sendo?

Eu podia ter mentido. Podia ter dito que estava ótimo, que os pacientes estavam chegando, que eu estava confiante e realizada.

Mas havia algo no jeito que ele perguntou—genuíno, sem julgamento—que me fez ser honesta.

—Difícil. —Ri sem humor. —Tô com aquela sensação constante de que não sei o que to fazendo. Tipo, eu SEI tecnicamente, eu estudei pra caralho, mas... sei lá. Solidão do consultório particular, sabe? É muito diferente de atender no estágio supervisionado onde tinha uma equipe, outros estagiários, supervisões em grupo toda semana. Agora sou só eu, sozinha, com pessoas derramando os traumas mais fodidos nas minhas mãos, e eu tipo... torcendo pra não cagar tudo.

Ele assentiu devagar. Como se cada palavra que eu disse fosse importante.

—A transição é brutal mesmo. A gente não é preparado pra isso na formação. —Pausa. —Você tem um grupo de supervisão ou tá fazendo individual?

—Individual. Com a Dra. Judith Almeida.

Algo passou no rosto dele. Rápido demais pra eu interpretar, mas estava lá.

—A Judith é competente. Muito ortodoxa, mas competente. —Ele terminou o café, jogou o copinho no lixo. —Olha, eu não sei se você teria interesse, mas... eu coordeno um grupo de supervisão clínica. Pequeno, cinco profissionais. A gente se encontra uma vez por mês pra discutir casos complexos, num formato mais... livre do que as supervisões tradicionais. Menos hierárquico, mais colaborativo. Uma espécie de intervisão, mas com alguma estrutura.

Meu coração acelerou.

—Sério? —Tentei não parecer desesperada. Falhei. —Eu adoraria. Tipo, adoraria mesmo. Como funciona?

—A gente se reúne sempre na última terça-feira do mês, oito da noite. Na minha casa, em Pinheiros. É um espaço mais informal, a gente pede comida, toma vinho, discute casos. A ideia é criar um ambiente onde dá pra ser honesto sobre os desafios reais da clínica sem aquela pressão de "fazer bonito" que existe nas supervisões formais. —Ele tirou o celular do bolso, mexeu na tela. —Posso te adicionar no grupo do WhatsApp? A próxima reunião é semana que vem.

—Pode. Sim. Por favor. —Passei meu número, ele adicionou ali mesmo.

Um segundo depois, meu celular vibrou. Notificação de grupo. "Supervisão Clínica - Grupo Março".

Cinco membros além de mim agora.

Ele guardou o celular, me olhou de novo com aquele olhar que parecia enxergar uns três níveis abaixo da superfície.

—Fico feliz que aceitou. Acho que você vai agregar muito. —Pausa deliberada. —E acho que o grupo vai te ajudar com essa sensação de solidão. A gente precisa de espaços pra ser humano, pra falar das merdas que dão errado, das vezes que a gente se perde na contratransferência e não sabe mais onde termina o paciente e começa a gente. Essas coisas que a supervisão tradicional não dá espaço.

Alguma coisa no meu peito se apertou. De alívio, eu acho. Ou de validação.

—Obrigada, Dr. Viana. Sério. Isso significa muito.

—Marcelo. —Ele sorriu de novo. —No grupo a gente não usa formalidades. Só nomes.

—Marcelo. —Repeti, testando a intimidade da palavra.

Ele acenou, começou a se afastar, então parou e virou pra trás.

—Ah, e Isabela? —Aquele olhar de novo. Penetrante. —Prepara uns casos interessantes pra semana que vem. O grupo gosta de desafios.

***

Semana que vem chegou rápido demais.

Terça-feira, 28 de março. Eu passei o dia inteiro ansiosa, tipo primeiro dia de aula. Troquei de roupa três vezes—primeiro um vestido (formal demais), depois calça jeans e blusa (casual demais), finalmente: calça preta de alfaiataria, blusa de seda cinza, sapato de salto baixo. Profissional mas não engessada. Passei maquiagem leve, prendi o cabelo num coque meio solto. Peguei minha bolsa de couro com caderno de anotações, caneta, celular.

O endereço que Marcelo tinha mandado no grupo era numa rua tranquila de Pinheiros, perto do metrô Fradique. Prédio antigo, bem conservado, portaria com porteiro que me deixou subir depois de confirmar pelo interfone. Quarto andar, apartamento 42.

Bati na porta às oito em ponto.

Marcelo abriu. Já estava mais casual—calça jeans escura, camisa branca de linho, sem sapato, só meia. Ele sorriu quando me viu.

—Pontualidade. Eu gosto. —Abriu espaço pra eu entrar. —Entra, fica à vontade.

O apartamento era... não era o que eu esperava. Eu tinha imaginado algo clínico, cheio de livros de psicologia, talvez diploma na parede. Mas era... acolhedor. Espaço amplo, pé-direito alto, decoração minimalista mas com toques pessoais—obras de arte contemporânea nas paredes, plantas, uma estante enorme com livros de psicologia MAS também ficção, filosofia, poesia. Sala de estar com sofás confortáveis em formato de L, tapete felpudo, mesinha de centro baixa já com taças de vinho e petiscos dispostos. Luz suave, música ambiente baixinha—alguma coisa jazzy que eu não reconheci.

Cheiro de vinho e algo assando no forno.

Tinha mais três pessoas já sentadas na sala.

—Galera, essa é a Isabela. Isabela, esse é o grupo. —Marcelo fez um gesto abrangente. —Aquela ali é a Helena.

Uma mulher de uns quarenta e cinco anos levantou do sofá pra me cumprimentar. Alta, cabelo preto liso e curto na altura do queixo, óculos de armação grossa e estilosa, roupa toda preta—calça, blusa de gola alta, blazer. Corpo magro, postura ereta. Mãos frias quando apertou a minha.

—Prazer, Isabela. —Voz grave, modulada. —Marcelo falou muito bem de você.

Sorri, tentando não parecer nervosa.

—Prazer. Obrigada por me receber.

—Ali é o Felipe. —Marcelo apontou pra um cara mais novo, sentado numa poltrona com a perna cruzada. Devia ter uns trinta e cinco, bonito de um jeito meio descolado—cabelo castanho claro bagunçado de propósito, barba rala, camisa florida aberta no primeiro botão, calça jeans escura, tênis branco. Ele me deu um sorriso largo, acenando com a taça de vinho.

—E aí, Isa! Posso te chamar de Isa? —Ele tinha aquela energia de pessoa que fala muito e rápido, gesticula, ocupa espaço. —Bem-vinda ao antro. Cuidado que a gente morde.

Ri, incerta se era piada ou não.

—E essa é a Camila. —Marcelo apontou pra uma mulher loira sentada na ponta do sofá, pernas cruzadas, taça de vinho na mão. Trinta e poucos, cabelo loiro no ombro ondulado, maquiagem impecável, vestido midi floral que marcava um corpo curvilíneo—seios fartos, cintura definida, quadril largo. Ela me olhou de cima a baixo antes de sorrir—daquele tipo de sorriso que mede quanto você é ameaça.

—Oi, querida. —Voz doce, quase infantilizada. —Senta aqui do meu lado, vai.

Sentei onde ela indicou. Marcelo me serviu uma taça de vinho tinto—algo encorpado, caro pelo gosto.

—O Daniel tá atrasado, como sempre. —Marcelo disse, sentando na outra ponta do sofá. —Mas a gente começa sem ele.

Bebi o vinho. Estava ótimo. Tentei relaxar.

—Então, Isabela. —Helena me encarou, aqueles olhos escuros e analíticos por trás dos óculos. —O Marcelo disse que você trabalha com trauma complexo. Que abordagem você usa?

E assim começou. Conversa profissional. Eu expliquei minha formação—psicodinâmica relacional com pitadas de teoria do apego, alguns conceitos de IFS (Internal Family Systems), foco em regulação emocional e ressignificação narrativa. Falei de dois pacientes (sem identificá-los, óbvio) que estavam me desafiando. Um com histórico de abuso sexual na infância que testava limites constantemente. Outra com borderline que ameaçava suicídio toda vez que eu tirava férias.

Eles ouviram. Fizeram perguntas boas. Ofereceram insights que realmente ajudavam.

Foi... revigorante. Exatamente o que eu precisava.

Então Felipe começou a falar da paciente dele.

—Tenho uma mina, vinte e nove anos, veio porque o marido deu ultimato tipo "faz terapia ou eu te largo". —Felipe girou o vinho na taça, estudando o líquido. —Ela tem histórico de traição compulsiva. Tipo, não consegue manter fidelidade por mais de três meses. Já traiu com catorze pessoas diferentes ao longo de seis anos de casamento.

Camila assentiu, interessada.

—E qual você acha que é a raiz? Esquiva de intimidade? Busca por validação narcísica?

—Provavelmente um pouco dos dois. —Felipe pausou. Então soltou, casual: —Mas sinceramente? Parte de mim acha ela gostosa pra caralho. Tá sendo foda manter neutralidade.

Silêncio.

Eu pisquei.

Espera.

Ele acabou de...?

Helena riu. Tipo, RIU alto.

—Felipe, você precisa parar de pegar paciente gostosa.

—Não é culpa minha se mulher em crise existencial fica mais atraente! —Felipe se defendeu, mas estava sorrindo. —É tipo... sei lá, a vulnerabilidade deixa ela mais...

—Comível? —Marcelo ofereceu a palavra, sobrancelha erguida, tom divertido.

—EXATAMENTE. —Felipe apontou pra ele. —Obrigado, Marcelo, você me entende.

Eles estavam... brincando? Rindo? Sobre sentir atração sexual por paciente?

Eu devia ter ficado chocada. Devia ter franzido o cenho, pensado "que falta de profissionalismo". Mas alguma parte de mim—aquela parte que a Dra. Judith sempre criticava por ser "porosa demais"—sentiu... alívio?

Porque eu JÁ tinha sentido atração por paciente. Por um paciente específico, homem de trinta e seis anos, olhos verdes, que falava sobre o casamento infeliz com uma intensidade que me deixava desconfortável de formas que eu não queria admitir. Eu nunca tinha FALADO sobre isso. Nem nas supervisões. Porque é tabu. Porque você não PODE.

Mas eles estavam falando. Abertamente. Como se fosse... normal?

Camila percebeu minha expressão.

—Isa, você tá bem? Tá pálida.

—Eu... não, eu tô bem. —Forçei um sorriso. —Só surpresa com a... franqueza.

Marcelo se inclinou pra frente, cotovelos nos joelhos, me olhando com aquela atenção total dele.

—A proposta do grupo é exatamente essa, Isabela. Honestidade radical. —Sua voz era suave, mas firme. —A gente passa o dia inteiro tendo que ser a versão sanitizada de nós mesmos pros nossos pacientes. Neutro. Continente. Espelho sem falhas. Mas isso é mentira, né? A gente SENTE. A gente tem contratransferência erótica, agressiva, de tédio, de repulsa. Isso não nos torna maus terapeutas—nos torna humanos. Ignorar essas reações é que é perigoso, porque aí elas vazam de formas que a gente não controla.

Ele fez sentido.

Perfeito sentido, na verdade.

—Então aqui... —comecei devagar. —A gente pode falar sobre essas coisas? Sem julgamento?

—Exatamente. —Helena confirmou, tirando os óculos pra limpar numa flanela que tirou do bolso. —Sem julgamento. Sem moralismo. Só exploração honesta do que acontece no espaço terapêutico de verdade.

A campainha tocou.

Marcelo levantou pra atender. Voltou com o quinto membro—Daniel, presumivelmente. Homem negro, alto, talvez quarenta e poucos, cabeça raspada, barba cheia, moletom de universidade americana e tênis. Ele acenou pra todo mundo, pegou uma taça de vinho, sentou no chão encostado no sofá.

—Perdi alguma coisa boa?

—Felipe tava confessando tesão na paciente casada. —Camila resumiu.

—De novo? —Daniel revirou os olhos, mas estava sorrindo. —Cara, você TEM que parar de atender em casa. Setting importa.

Eles continuaram conversando. Eu fiquei mais quieta, só observando. Ouvindo.

Felipe descreveu a paciente com mais detalhes—como ela sentava com as pernas cruzadas de um jeito que chamava atenção, o decote que ela usava nas sessões ("não é que seja vulgar, mas porra, peitos existem, sabe?"), o jeito que ela mordia o lábio quando falava sobre os affairs. Ele admitiu que tinha começado a fantasiar com ela fora das sessões. Que se masturbava pensando nela. Que estava considerando encaminhar ela pra outro terapeuta porque a situação tava insustentável.

E os outros... ofereceram conselhos. Não do tipo "você precisa parar, isso é antiético". Mas tipo "como gerenciar a contratransferência sem agir nela" ou "será que vale a pena explorar o que nela especificamente te atrai, que botão ela tá apertando em você".

A noite avançou. Mais vinho. Comida delivery—japonês. Risadas. Discussões profundas sobre teoria intercaladas com piadas sujas. Eles tinham intimidade real—não só profissional, mas pessoal. Camila e Helena tinham claramente alguma história, pelo jeito que trocavam olhares. Felipe fazia comentários sexualizados sobre praticamente qualquer coisa e ninguém se chocava. Daniel era mais reservado mas soltava umas observações afiadas ocasionalmente que faziam todo mundo rir. Marcelo orquestrava tudo com maestria sutil, direcionando conversas, fazendo pontes, garantindo que todo mundo fosse ouvido.

E eu... eu me senti incluída. Vista. Aceita.

Por volta das onze da noite, as pessoas começaram a ir embora. Helena saiu primeira, Daniel logo depois. Felipe e Camila ficaram mais um pouco conversando sobre um workshop de terapia de casais que iam dar juntos, depois também foram.

Sobrei eu e Marcelo.

Ajudei ele a recolher taças, pratos. Levei as coisas pra cozinha. Ele lavou, eu sequei.

—Então? —Ele perguntou, de costas pra mim na pia. —O que você achou?

—Foi... diferente. —Escolhi a palavra com cuidado. —Bem diferente do que eu esperava.

—Diferente bom ou diferente ruim?

Sequei a última taça, coloquei no escorredor.

—Diferente... honesto. —Pausei. —Eu gostei.

Ele desligou a torneira. Virou pra mim. Estava perto demais—aquele tipo de perto que você nota a textura da pele da pessoa, as pequenas linhas de expressão ao redor dos olhos, o movimento do pomo de adão quando engole.

—Fico feliz. —Ele disse, voz baixa. —Você tem um lugar aqui, Isabela. Se quiser.

Eu queria.

Deus, eu queria.

—Quero sim. —Sussurrei.

Ele sorriu. Aquele sorriso que tinha me fisgado no Starbucks uma semana atrás.

—Ótimo. Então a gente se vê mês que vem. —Ele deu um passo pra trás, quebrando a tensão. —Deixa eu te chamar um Uber.

No caminho de volta pra casa, olhando a cidade passar pela janela do carro, eu tentei entender o que estava sentindo.

Empolgação? Sim.

Pertencimento? Definitivamente.

Mas tinha algo mais. Algo sussurrando no fundo da minha mente, naquela voz irritante que eu sempre ignorava.

Algo não estava certo.

Não no sentido de errado—mas no sentido de... perigoso. Como ficar perto demais da beira de um precipício. Aquele frio na barriga que é meio medo, meio excitação.

Eu não sabia ainda o que era.

Mas eu ia descobrir.

**[FIM DA PARTE 1]

***

**continua na PARTE 2: "A PRIMEIRA CONFISSÃO"**

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Comentários

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Gostei da proposta e da escrita!! Ansioso pro próximo!!

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