No meio da tarde, com a bolsa da faculdade nas costas, peguei um ônibus para o centro da cidade. Quando largasse o trabalho, Betão iria encontrar comigo numa loja de móveis e colchões. Estávamos casados há mais de três meses, havia passado da hora de comprar uma cama nova.
A nossa não era velha, mas tinha sido de outra história. Eu não via problemas em transar e dormir com o meu marido na cama em que antes ele fazia essas coisas com a minha mãe. Mas era compreensível que Alberto quisesse apagar do nosso relacionamento as marcas deixadas por sua ex-mulher.
— O perfume dela ficou no colchão, você não sente, Fael? Nós merecemos uma cama virgem, vamos deixar nela só o nosso cheiro.
Ele estava certo: amor novo, cama nova. Pensando no quanto seria bom realizar esse projeto, desci do ônibus numa das avenidas mais movimentadas do centro. Ainda não eram quatro horas, Betão só iria me encontrar depois das cinco. Eu saí mais cedo de casa porque queria comprar umas coisas sem que ele soubesse.
A lojinha que eu estava procurando ficava no segundo andar de uma galeria. Ao passar pela estreita porta de vidro escuro, eu me senti num parque de diversões que tinha a putaria como tema. Andando entre as prateleiras, ri muito de algumas coisas expostas à venda.
Ao bater de frente com um caralho de borracha maior e mais grosso que o meu braço, fiquei de queixo caído. A pessoa precisava ser muito corajosa e arrombada para conseguir sentar num monstro daqueles. Mas era assim mesmo: cada um com os seus fetiches e todo mundo gozando ao seu modo.
Alguns passos à frente, um susto: esbarrei numa boneca realística que tinha cara de quem só vive para chupar rola. No escuro, ela devia ficar parecendo uma noiva cadáver.
— Oi, meu bem. Eu me chamo Alice. Posso ajudar em alguma coisa?
Na minha distração, pensei que tivesse sido a boneca boqueteira quem falou comigo. Ao olhar para o lado, dei de cara com uma moça de carne e osso, bonita de verdade. A barba e o bigode dela combinavam com os cabelos longos e cacheados; o batom cor-de-rosa destacava o sorriso cativante e contrastava com o vestido vinho. Achei um luxo o visual daquela vendedora.
Sentindo-me em casa, falei o que desejava. Prontamente, a doce Alice me mostrou algumas peças. Comparando modelos e preços, escolhi uma vermelha com detalhes brancos. Já podia me ver com ela; ficaria muito lindo e apetitoso.
Elogiando o meu bom gosto, a vendedora falou como se já fosse a minha melhor amiga.
— Por que não leva também uma para o namorado? Será que ele não merece ganhar um presente?
Olhando para os seus olhos bem delineados de preto, pensei por um instante. Minha grana era pouca, mas eu não estava em petição de miséria. Além de ter a ajuda de custos da pesquisa, contava com a mesada que o meu marido me dava; podia muito bem comprar um presente para ele. Betão merecia isso e muito mais. Ele era um homem tão maravilhoso, que eu não ficava constrangido por estar vivendo às suas custas. Fazendo cara de rico, aceitei a sugestão de Alice.
— Querida, você me mostra umas peças tamanho G? O meu marido é grande.
Enrolando a ponta do bigode, a querida me deu um sorriso cheio de cumplicidade. Satisfeita por ter me convencido a gastar mais dinheiro, ela espalhou várias peças sobre o balcão. Escolhi uma amarela com detalhes azul escuro — Alberto ficaria escandalosamente gostoso com ela.
Permitindo-me gastar mais um pouco, falei que queria um creme para massagear pica. Sem demora, a experiente Alice pegou um gel e me explicou como usar.
— Basta colocar um pouquinho na palma da mão e ficar passando de mansinho, de baixo para cima. Aí você vai aumentando a pressão e dando umas puxadinhas bem sutis, como se quisesse fazer crescer. Brinque sem pressa, para você e o seu lover curtirem toda a intensidade do momento. É geladinho, mas dá um calor de-li-ci-o-so. Todo mundo que já comprou disse que esse gel deixa o man em ponto de bala. É a base de água, serve também como lubrificante. Arde, mas não queima. É gostoso de doer.
Eu tinha pensado em comprar essas coisas pela internet, mas não chegariam a tempo para a inauguração da cama. E não é que foi ótimo ter ido a essa loja? Vi produtos muito inspiradores, os preços foram bons e ainda conheci Alice, um amor de pessoa. Ao me entregar a sacola, ela garantiu que, com essas coisas, eu e o meu boy teríamos experiências inesquecíveis.
— Obrigado, Alice. Você é show. Depois eu volto aqui, para lhe contar como foi.
— Volte mesmo, meu anjo. Vou ficar esperando.
Gostei mesmo de Alice, mas era melhor ela esperar sentada. Falei só por falar. Qualquer pessoa que tenha juízo sabe que não é recomendável fazer propaganda do marido para quem quer que seja, principalmente para as amigas.
Ao sair da galeria, como se tivesse feito coisa errada, olhei para os dois lados da rua e guardei na bolsa da faculdade a sacolinha de papel. Na frente daquela embalagem, havia o desenho de um coração atravessado por uma flecha em forma de pica, dava para qualquer pessoa saber de onde eu vinha. A loja era boa, mas o dono era muito sem noção.
Assim que comecei a andar, Betão ligou para avisar que estava me esperando na frente da loja onde marcamos o encontro. A passos largos, eu me dirigi para lá. De longe, eu o vi. Com o jeans surrado e a camisa cinza da firma, estava um pecado de tão gostoso. Rindo de paixão, andei até ele.
— Está rindo de que, Rafael? Não diga que estou sujo. Tirei a poeira da roupa, renovei o desodorante e joguei água na cara. Acho que não vou passar vergonha aí dentro.
— Vergonha de quê? Você está ótimo, meu amor. Estou rindo de mim mesmo. Sabia que, às vezes, ainda acho incrível estar casado com você?
Sorrindo do meu jeito de menino deslumbrado, ele tirou a bolsa do meu ombro e pendurou nas suas costas. Não estava pesada, mas ele me considerava um rapaz muito frágil, sempre achava necessário me dar um alívio.
— Vamos entrar para resolver logo nossas coisas, Fael. Você ainda tem que ir para sua faculdade.
Em casa, tínhamos feito umas pesquisas na internet, por isso já sabíamos mais ou menos qual modelo comprar. Muito senhor de si, Betão se dirigiu a um representante de vendas.
— Boa tarde, amigo. Você pode mostrar uns modelos de cama box de casal? A gente quer um material robusto e confortável. Meu parceiro aqui é magro, eu sou fortão: dá pra ver a grande diferença, não é? Tem que ser um colchão que dê certo para os dois.
Sem deixar transparecer o que estava pensando sobre aquele casal formado por um maduro grandão e um novinho magrelo, o rapaz se apresentou — chamava-se Elton — e perguntou os nossos nomes. A partir daí, valeu-se de toda a sua lábia de vendedor.
— Então, Alberto, vamos considerar o seu peso para definir a densidade do colchão. Tenho três modelos que se encaixam bem no que você e Rafael desejam. Vocês tiveram sorte, está tudo em promoção na nossa loja. Garanto que os preços cabem com folga no bolso de vocês.
Só cai em conversa de vendedor quem quer, mas ele era simpático mesmo. Ouvindo suas explicações, analisamos umas cinco ou seis camas. Para ter uma melhor opinião, sentei em todas.
Elton disse que cama era igual a carro: a gente devia fazer um test drive. Por insistência dele, deitei em duas. Gostei, mas o plástico me incomodou. O cara queria vender de qualquer jeito. Só faltou sugerir que Betão escolhesse um dos colchões para foder comigo ali mesmo.
Após muitas conversas, escolhemos uma cama box alta, ampla e muito resistente. Sobre ela, eu e Alberto iríamos trepar sem medo de despencar e dormir como se estivéssemos nas nuvens.
Não era das mais luxuosas, mas achei caríssima. O valor foi dividido em dez parcelas no cartão, dava para Alberto pagar com tranquilidade. Ele era aquele tipo de pessoa que só compra uma coisa quando tem certeza de que cabe no bolso.
Muito satisfeito por termos fechado o negócio, o vendedor garantiu que a entrega seria no dia seguinte. Com um sorriso de quem vai receber uma merecida comissão, ele nos desejou felicidades.
— Parabéns, Alberto e Rafael. Vocês fizeram uma excelente compra. A partir de agora, suas noites serão muito mais prazerosas. Qualquer coisa, contem com o amigo aqui. Estou às ordens, pra tudo.
Apertando a mão dele, Betão encerrou a conversa.
— Valeu, seu Elton. Obrigado.
Já estava escuro quando saímos da loja. Muito apressado, tirei minha bolsa das costas de Betão e pendurei no ombro.
— Vou pegar o ônibus, não posso chegar atrasado à faculdade. Em casa, a gente conversa. Beijão, meu amor.
Como se fosse dar uma de marido que quer impedir o outro de estudar, ele me prendeu pelo braço.
— Que pressa é essa, rapaz? Calma. Eu vou deixar você na faculdade. Estou com dois capacetes, a moto ficou num estacionamento aqui perto. Vamos lá.
Quem tem marido motoqueiro, não sofre no trânsito. Com muita habilidade, o meu piloto abriu caminho nas avenidas congestionadas do começo da noite. Sem desafiar a morte, chegamos ao campus uns quinze minutos antes do início da minha aula.
Na frente do terminal de ônibus, descemos da moto e Betão prendeu na garupa o capacete que eu lhe devolvi. Quando ele ia montar de novo, peguei no seu braço e procurei o seu olhar.
— Adorei a nossa cama nova, Alberto. Estou muito feliz, você é um maridão. Nosso casamento é lindo demais.
Tocado por minhas palavras, ele tirou o capacete e mostrou o sorriso largo. Sem me importar com os estudantes que passavam por nós, eu lhe dei um abraço. Segurando na minha cintura, ele me deu um beijo. Quando terminamos a cena de filme romântico, eu não sabia mais onde estava.
— Vá lá, Rafael. Está na hora da sua aula. Estude bastante, meu amor. Mais tarde, a gente continua a conversa.
Com tranquilidade, ele colocou o capacete, montou na moto e arrancou entre carros e ônibus. Só comecei a andar depois que ele fez o retorno e passou novamente por mim, em alta velocidade. Saltitante, peguei o caminho da sala de aula.
Num intervalo, fui com as minhas amigas comer uma coxinha. Em pé na frente do trailer, entre uma mordida e outra, a indiscreta Mara espalhou a novidade aos quatro ventos.
— Fael do céu! Eu vi! Você chegou hoje na garupa de um motoqueiro bonitão, daqueles de parar o trânsito. E teve beijo! Muita gente ficou com inveja; eu, inclusive. Onde posso encontrar um homem daqueles? Também tenho o direito de passar bem e ser feliz.
Mesmo mastigando, comecei a rir. Minha amiga Mara era muito engraçada. Antes que eu engolisse o pedaço da coxinha, nossa colega Débora entrou na brincadeira.
— Eu também quero um bonitão daqueles só pra mim. Não sei se dou conta de um homem tão grande, mas encaro. Se morrer, morro plena e absoluta.
Débora e Mara, futuras profissionais em química industrial, gostavam de parecer duas perdidas, mas eram meio paradonas, viviam só para os estudos. Após mandar a coxinha toda para o bucho, compartilhei a minha alegria.
— Estou casado, gente. O nome do meu marido é Alberto, todo mundo chama de Betão. Estou muito feliz com ele, não quero outra vida.
Estávamos apressados para retornar à sala de aula, mas as meninas ainda tiraram um minuto para me aplaudir.
— Arrasou, Fael! Parabéns, amigo. Felicidades para você e o seu Betão. Um casal de estouro! Vocês quebram todos os paradigmas dessa sociedade hipócrita.
Rindo muito, fomos encarar a última aula da noite. Quando o professor terminou a apresentação de slides e nos desejou um bom descanso, saí apressado para pegar o ônibus, como era o meu costume. E, mais uma vez, o colega Wendel se colocou no meu caminho.
— Aí, Rafael! O motoqueiro não vem buscar você? Tem um pessoal comentando que você hoje chegou montado. Ouvi dizer que teve até cena de beijo. Essa, eu perdi.
Sem diminuir os passos, eu lhe dei uma encarada e mais uma cortada.
— O meu marido não tem tempo de ficar me levando de moto para todo lugar, porque ele trabalha muito. Mas, se eu precisar, ele não vai fazer corpo mole para vir me buscar aqui. Alberto sabe cuidar do que é dele.
Em vez de botar o rabo entre as pernas e ir na direção do estacionamento, Wendel me acompanhou até a entrada do terminal. E, de novo, ofereceu carona. Mais uma vez, não aceitei. O ônibus demorou a aparecer e já chegou lotado. Felizmente, consegui um lugar para sentar.
Em casa, tive um susto: não havia mais cama no quarto de casal. Antes que eu perguntasse, Betão fez os esclarecimentos.
— Eu já estava divulgando que tinha uma cama para vender. Um brother do trabalho se interessou e fechamos o negócio hoje à tarde. Ele veio buscar agora há pouco. Foi bom, porque o espaço vai estar livre quando a outra chegar. O chato é que vamos ter que arranjar um canto para dormir hoje.
Alberto era um homem muito prático. Fazendo carinho no seu peito, eu lhe dei um beijo e declarei não haver problema em passarmos uma noite sem cama de casal.
— Tem a minha caminha de solteiro e também esse sofá. A gente se ajeita lá e cá.
Dando uma pegada no bico do meu peito, ele falou num tom de marido autoritário.
— Nada de lá e cá, seu Fael. Ninguém aqui está brigado, a gente vai dormir junto. É só abrir esse sofá, que vira uma cama. Dá para nós dois.
— O senhor manda, seu Betão. Adorei a ideia, não ia mesmo conseguir dormir separado de você. Vou me organizar logo, para a gente se deitar.
Enquanto eu tomava banho, Alberto preparou o nosso ninho. Com o encosto puxado para a frente, o sofá virou uma cama bonitinha. Muito organizado, ele forrou com um lençol e colocou os travesseiros. Ficou bem acolhedora, boa para a gente brincar de casinha.
Quando eu ia ocupar meu lugar, Betão me agarrou pela cintura, baixou a minha cueca e caiu de boca na minha bunda. Como se estivesse num banquete, o esfomeado comeu a minha bunda, quase arrancou um pedaço.
— Morda mais… Bata, pode bater.
Respeitando o limite entre a dor e o prazer, ele fez o que pedi. Adoro quando o meu marido me pega para dar umas palmadas na bunda. E o melhor é que ele bate me xingando com carinho.
— Quer apanhar? Tome, safado. Putinho gostoso do caralho. Vai tomar no cu, seu pica.
Era um privilégio viver com um homem com quem eu me sentia seguro para realizar as minhas fantasias. Depois de me dar esse prazer, ele escancarou a minha bunda e meteu a boca no rego. Para que a língua pudesse ir fundo, abri as pernas, dobrei o corpo para a frente e fiquei me jogando para cima e para baixo.
Recebendo linguadas, o meu cuzinho começou a piscar. Percebendo que eu estava louco para levar rola, Betão se deitou de pernas abertas, pegou nos meus cabelos e levou minha cabeça ao meio das suas pernas. Com a boca cheia de água, chupei os ovos e passei a língua na costura do saco. O macho soltou um gemido de bicho. Para deixá-lo mais nervoso, puxei o caralho para a garganta e dei um banho de cuspe.
Jogando o rabão para cima, Alberto fodeu minha boca até a baba escorrer. Depois, dando mais tapas na minha bundinha, disse como queria me foder.
— Senta aqui, Rafa. Senta logo, vai.
Com os joelhos apoiados ao lado dos seus quadris, segurei nos ombros dele e comecei a descer rumo ao seu colo. Quando o cu engoliu metade do pau, ele deu uma socada crua para cima: o engate foi instantâneo.
— Eita pica! Doeu, porra.
Nessa noite, ele não estava para brincadeiras. Rebolando, fez o cacete alargar o meu cu e passou a meter sem pena. A cada cacetada, eu era atirado para o alto. Prendendo-me pela cintura, ele me fodia como se estivesse me castigando por eu ter despertado o seu tesão.
Cavalgando no pau, eu lutava contra a vontade de gozar. Para aumentar o meu tormento, Betão passou a me punhetar. Quando sentiu que eu estava sofrendo muito para não deixar o leite derramar, ele soltou a coitada da minha pica e falou com muito amor.
— Goze, Rafa… goze, rapaz. Goze gostoso para o marido.
Se o meu maridão autorizou, a minha pica obedeceu na hora. Como se fosse uma fonte, ela atirou jatos e jatos de porra para o alto. Foi tão gostoso, que eu quis morrer.
Empolgado por ter me feito gozar tanto, Betão se jogou sobre o meu corpo e me varou como se essa fosse a última coisa que faria na vida. Para conter sua fúria, agarrei-o pelo pescoço, mas ele estava fora de controle. Só me restou botar a bunda para mastigar o caralhão embrutecido.
— Vai, Betão… goze, amor. Me dê gala.
Meu pedido deixou o macho muito agressivo. Gemendo no meu ouvido, ele me aplicou umas chibatadas nervosas e deu a cravada final. Pulsando muito, a pica guerreira leitou o meu cu.
Só quando os músculos relaxaram, Alberto saiu de cima de mim. Com as pernas bambas, desci do nosso ninho e fui me limpar. Na volta, trouxe papel para recolher a gala que despejei na barriga dele. Abrindo um sorriso de macho bem servido, ele agradeceu por esse cuidado. Na nossa cama de brinquedo, não demoramos a adormecer.
Acordei antes de Betão. Quando ele despertou, eu já havia tomado banho e feito o café. Assoviando uma música que eu não conhecia, ele colocou o sofá em ordem, tomou uma chuveirada e se arrumou para ir trabalhar. Sentado para comer, ele me disse que voltaria para casa um pouco mais tarde..
— Quando largar o trabalho, vou dar um pulo no salão. Mandar passar a máquina neste cabelo e ver o que fazer na cara. Essa porra dessa barba nem enche nem some. Detesto esses pelos espalhados no rosto. Só se salva o bigode, mas estou enjoado dele e desse cavanhaque vagabundo.
Betão era um homem de poucos pelos. Rosto, peito, barriga e pernas eram lisos. Os sovacos, ele depilava. Na raiz do caralho, havia uma pequena moita, que ele trazia sempre aparada. A bunda era lisinha; no rego tinha uns pelinhos ralos. Eu adorava passar a mão na maciez da sua pele escura.
Após comer um prato de cuscuz com leite e tomar uma grande xícara de café, o pedreiro Alberto voou para o trabalho. Assim que ele saiu, comecei a faxina semanal. Quando estava organizando umas coisas no guarda-roupa, o celular tocou. Só parei para atender porque era minha mãe.
— Como a senhora está? Nunca mais a gente se falou… senti sua falta, mãe.
Falei com calma e sinceridade. Se estava procurando alguém para brigar, ela ligou para a pessoa errada. Por um instante, o celular ficou muda.
— Mãe , estou aqui. Tudo bem?
Com voz de quem acabou de acordar, ela disse que estava ótima, cada dia gostando mais da sua nova vida em Rio Branco. Depois perguntou como estavam as coisas em Aracaju e quis saber se eu já havia colocado a cabeça no lugar.
— Aracaju continua quente e linda. Minha cabeça permanece onde a senhora deixou e está funcionando bem. Estou dando conta dos estudos e cuidando das minhas coisas.
Eu queria compartilhar com ela o quanto era boa minha vida com Alberto, mas me contive. Podia imaginar o quanto devia ser difícil para uma mulher entender que o ex-marido só se tornou um homem feliz depois que casou com o filho dela.
— Rafael, e ele? Como está essa história que você e aquele sujeito inventaram?
Eu não queria falar, mas ela queria saber. Procurando as melhores palavras, relatei algumas coisas da minha vida de casado.
— Eu e Alberto estamos muito bem juntos. Ele dá muito apoio para eu estudar, quer me ver crescer. Agora que o meu pai não me dá mais nada, ele está arcando com quase tudo. Quando eu tiver um emprego, vou assumir minha parte. A gente planeja ter nosso canto, nossas coisas.
Para dona Leila, foi um espanto saber que o meu pai tinha cortado a minha mesada. No seu tom de briga, ela disse que ia ligar para ele e lhe dizer umas poucas e boas.
— Ivaldo é seu pai! Não importa o que você aprontou. Enquanto você estiver na faculdade, ele tem a obrigação de dar o seu dinheiro. Pois ele me aguarde! Ele bem sabe quem é Leila Maria.
A preocupação dela era muito sincera, mas eu não queria que ninguém brigasse por minha causa. Com muita diplomacia, tentei acalmar a onça.
— Vamos deixar isso quieto, mãe. Eu estou bem, estou me virando. Meu pai tem os problemas da casa dele, melhor deixar pra lá. Como ele mesmo disse, eu agora sou um homem casado, tenho que viver por conta própria. Alberto é um ótimo marido. Nas condições dele, estamos vivendo muito bem.
Só quando acabei de falar, percebi que usei umas palavras complicadas, mas não tinha mais o que fazer. Para camuflar a revolta, minha mãe falou num tom de quem dá conselhos.
— Fael, você é tão novinho para andar com essa conversa de que está casado. E ainda mais com Betão, um safado que tem idade para ser seu pai… e você chama de marido. Um homem que só tem a lhe oferecer um cantinho alugado e umas coisinhas compradas com sacrifício. Eu falo isso porque vivi aqueles anos com ele e nunca saímos do lugar. Foi sempre aquela vidinha sem futuro, porque dois pobres não têm como se ajudarem. É isso que você quer, meu filho? Eu sei que Alberto não maltrata você, ele não é desse tipo. Não vou mentir: ele nunca levantou a voz pra mim, muito menos a mão. Mas nunca me deu nem metade do que eu precisava. Você quer viver pra sempre com um pedreiro que não tem nem mesmo uma casa para morar?
Para minha mãe, antes do amor, precisava ter dinheiro. Eu entendia o pensamento dela, porque todo mundo quer viver bem. Mas ela precisava saber que um casal pode se somar para conquistar as coisas. Eu detestava sua mania de ver o meu esposo como um pobre coitado. O salário dele não era alto, mas dava para viver com dignidade. Ele me dava as coisas sem eu precisar pedir. Nossa vida era simples, mas a gente saía para se divertir, comer fora, transar em motéis… Dona Leila era muito injusta com o genro.
— Entendo seu modo de ver as coisas, mas eu sou diferente, mãe. Eu vou ter emprego, vou me somar a Betão e vamos conquistar muitas coisas juntos. E ele é jovem, só tem vinte anos a mais que eu. Somos dois rapazes, não tem essa coisa de que ele podia ser meu pai. É bom viver com um homem maduro, que conhece o mundo. Eu sei que é esquisito para a senhora falar sobre isso, mas eu e ele combinamos muito, a gente forma um casal bonito.
— Você está certo, Fael. Não gosto desse assunto, só estou falando porque você é o meu filho. Nunca criei problemas por você ser gay, mas não consigo ficar calada vendo você se perder nas mãos de Betão. Você está jogando fora os melhores anos da sua vida. Olhe para os seus colegas da faculdade; eu imagino que eles só pensam em andar para a frente. Será que só você vai ficar para trás? Será que, no mundo todo, não tem um rapaz novo para você se juntar e construir sua vida? Pense grande, Rafa. Escute os meus conselhos.
— Obrigado, mãe. Eu sei que a senhora quer o meu bem. Só peço que confie em mim e respeite o meu marido. Betão é o melhor para mim. Talvez, um dia, a senhora consiga ver isso.
Minha segurança e minha calma deixaram dona Leila cansada. Mudando o tom de voz, ela me contou uma novidade.
— Pela primeira vez, vou casar no papel. Isso mesmo, Rafa! Estou muito bem com Osório, ele é maravilhoso. O casamento vai ser simples, só no cartório. Depois vamos passar uma semana na Guiana, ele tem uns parentes numa cidade chamada Georgetown. Vai ser uma viagem rápida porque ele não pode ficar muito tempo longe dos negócios. Seu novo padrasto tem uma concessionária de carros em Boa Vista. Estou trabalhando com ele.
Fiquei surpreso e feliz. Parece que finalmente tinha surgido o homem certo para a bonita Leila Maria.
— Parabéns, mãe. Fico muito contente pela senhora. Desejo tudo de bom na sua vida de casada com o seu Osório. Felicidades.
— Obrigada, Fael. Um dia, vamos ver um jeito de você vir me visitar. Pode ter certeza de que Osório vai tratar você muito bem. Agora preciso desligar, depois a gente conversa. Cuide-se, mocinho.
— Beijão, mãe.
De volta à faxina, fique pensando nessa conversa. Uma coisa não estava ligada à outra, mas o casamento da minha mãe com o Osório simbolizava um ponto final na história dela com Alberto — mais do que ex-marido e ex-mulher, eles agora eram genro e sogra. Por caminhos emaranhados, nossa vida estava entrando nos eixos.
Quase meio-dia, o caminhão da loja parou na frente de casa. Quando abri o portão, o povinho da rua já estava nas calçadas. Percebendo os risinhos cheios de maldade, abri o portão para os entregadores entrarem. Com facilidade, eles levaram a base e o colchão para o quarto e montaram a cama no lugar que indiquei.
Assim que os rapazes saíram, fui fechar o portão. Ao bater o cadeado, ouvi uma gracinha.
— É cada coisa que a gente vê nessa rua… a moda agora é veado tomar o marido da mãe.
Deu vontade de mandar os desocupados irem tomar no cu, mas me controlei. Eu não queria descer ao nível daqueles infelizes. Para mostrar que não tinha medo, passei um olhar feio pela cara de todo mundo. Os vagabundos ficaram calados, devem ter achado que eu ia dizer a Betão.
Respirando fundo, bati o cadeado e fui terminar minhas coisas. Muito contente, forrei a cama com a colcha mais bonita e coloquei nela umas almofadas. Deixando tudo arrumado, tomei banho, comi e deitei no sofá. Ouvindo música, adormeci.
Quando abri os olhos, quase não reconheci o homem deitado no tapete. Betão estava com o rosto todo liso e o cabelo cortado num estilo diferente. Nas laterais e na nuca, passou a máquina; no alto e na frente deixou um pouco maior. Com esse novo visual, ele era um garotão prestes a fazer quarenta anos. Como se eu fosse seu filhinho, desci do sofá, deitei ao lado dele e coloquei a cabeça em seu peito.
Segurando na pica do meu lindão, adormeci de novo. Quando acordei, ele estava sentado no chão, com a minha cabeça no colo. Sorrindo para ele, eu me espreguicei e passei a mão no seu rosto.
— Não gostei, Alberto.
Brincando com os meus cabelos, ele arregalou os olhos. Depois de dar beijinhos no umbigo dele, eu me expliquei melhor.
— Não gostei de saber que agora vai ter ainda mais gente querendo tomar o meu marido. Ficou perfeito, meu amorzão; ficou cheio de estilo. Para ser modelo, só falta a passarela.
Colocando-me sentado em seu colo, ele me deu um beijo misturado com o sorriso.
— Modelo, eu? Um bicho feio desses! Só quem gosta desse negão aqui é você. E eu sou todo seu.
Sem preocupações, ficamos muito tempo namorando e conversando sobre nossa vida. Quando bateu a fome, Betão foi comprar uma pizza perto de casa. Aproveitei para tomar um banho rápido e me preparei para fazer a surpresa. Quando me vi no espelho, adorei. Mas fiquei inseguro: será que ele iria curtir?
Ao ouvir o barulho da moto, vesti um shortinho e uma camiseta. Fazendo cara de inocente, fui recebê-lo na sala. Enquanto comíamos a pizza, falamos sobre a cama.
— O quarto agora está do nosso jeito, não é, Fael? Cama das boas! A gente merece. Já estou de pau duro para pegar você em cima dela. Olhe aqui, para essa porra.
Sem fazer cerimônia, olhei para o meio das pernas dele. Fiquei tenso, parecia até que seria a primeira vez que eu iria lhe dar o cu. E minha pica também já estava dura, começando a arder.
Depois da pizza, escovei os dentes e fui para o quarto. Quando Betão entrou, eu estava em pé na frente da janela. Sem muita conversa, ele tirou a minha camiseta, abraçou-me por trás e ficou se roçando em mim. A tora dele estava muito inchada; mesmo presa na bermuda jeans, botava pressão contra a minha bunda.
Dando beijos e lambidas no meu pescoço, Betão baixou meu shortinho. Surpreso, ele passou a mão na minha pele e deu um passo atrás. Com minha melhor cara de putinho, virei de frente. Fiquei sem graça: ele estava muito sério.
— Como é o nome disso, Rafael?
Eu estava usando uma jockstrap das mais convencionais. Na sex shop tinha umas bem exageradas, mas preferi uma simples, só para fazer charme. Acho que eu iria cair na gargalhada se vestisse uma cueca enfeitada por tromba de elefante, mangueira de bombeiro, pinto de desenho animado, chifre de unicórnio e outras loucuras desse tipo. Imaginei que Alberto gostaria de me ver com a pica guardada e a bunda de fora, mas ele estava com cara de quem não curte certas invenções.
— É uma jockstrap, Betão… você gostou?
Cravando os dedos na minha bunda nua, ele ameaçou arrancar pedaços e me puxou para um beijo. Sua atitude me deixou confuso. Afinal, ele gostou ou não?
— Gostei não, Fael
Rindo da minha cara de espanto, ele me deixou feliz.
— Eu não gostei porque você não comprou uma para mim. Só pensou em você, não foi? Eu ia ficar gostoso pra caralho com a bundona numa fuleragem dessas.
O jeito como Betão dizia as coisas era muito divertido. Soltando uma gargalhada, mostrei que não me esqueci dele. Ao receber o presente, ele agradeceu com um beijo de me deixar sem ar e partiu logo para a fuleragem.
— Fique de costas, Rafa. Só vire quando eu mandar.
Foi difícil segurar a curiosidade, mas obedeci. Menos de um minuto depois, em vez de me autorizar a ficar de frente, ele grudou a bunda na minha e começou a requebrar. Gostando da safadeza, também fiquei girando a bundinha. Rindo muito, um virou de frente para o outro.
Albertão ficou mesmo um espetáculo com sua jockstrap. Dobrada à força para o lado, a rolona estava prestes a botar a cabeça para fora do pano amarelo. Quando ele deu uma voltinha para eu apreciar melhor, fiquei babando: emoldurada pelas tiras azuis, a bunda parecia ter ficado maior. Diante daquele monumento, qualquer pessoa ia querer pegar, cheirar, beijar, morder; mas só eu podia fazer isso. E fiz.
De joelhos, meti a cara na bunda do meu negão. Sem medo de suas reações, cobri de beijos, chupei e deixei marcas de dentes na carne dura. Quando me atrevi a passar a língua molhada no rego apertado, em vez de me reclamar, ele soltou um gemido rouco.
— Uh… porra!
Para me dar mais liberdade, o meu machão apoiou as mãos na pedra da janela, abriu as pernas e empinou a bunda. Guiado pelos mais loucos instintos, passei a língua no rego e dei um beijo molhado no cuzinho roxo. Lutando contra o tesão, ele passou a jogar a cintura de um lado para o outro. Feliz por nos permitirmos essa forma de prazer, fiz tudo o que quis com o anel fechadinho do meu marido: até tentei meter a ponta da língua, mas as pregas eram muito resistentes.
Sem me dar por vencido, testei com a ponta do dedo: tive quase certeza de que o grandão ainda era cabacinho. Pensar nisso jogou meu tesão para a estratosfera. Como se não estivesse aguentando receber tanto prazer no cu, ele deu uns golpes de bunda na minha cara e virou de frente. Segurando nas suas coxas, esfreguei o rosto no pacotão que a pica fazia na cueca.
Com uma mão, Alberto me agarrou pelos cabelos; com a outra, puxou o caralho para fora e socou de vez na minha boca. Olhando para cima, chupei no maior desespero. O cheiro e o gosto do meu homem mexiam demais com os meus sentidos. Eu perdia o juízo quando ele me botava para mamar.
Após foder a minha garganta, Betão me colocou em pé e meteu a língua na minha boca. Com esse beijo, quase gozei. Como se fosse me colocar numa guilhotina, ele cravou a mão no meu pescoço e me empurrou na direção da cama.
Estava na hora de inaugurar o nosso novo ninho de amor.
Deitado no meio da cama, tentei baixar a cueca, mas Betão não deixou. Com um olhar de marido mau, ele deu uma pegada forte no meu pacote e me arrancou um gemido agudo, de veadinho adolescente. Minha rola estava doendo muito, mas ia ter que continuar presa. Meu marido queria assim, eu adorava obedecer a ele.
Mamando nos meus peitinhos, ele tirou o seu caralho da cueca e o colocou para bater na minha pica aprisionada. Essa surra foi tão gostosa, que a minha cuequinha ficou toda babada, por dentro e por fora.
Depois de mamar, Alberto me virou de costas e deu tapas e mordidas na minha bunda. Quase me rasgando, ele usou as mãos para abrir o rego e meteu a língua no cu. Sem pedir licença, o safado enfiou o dedo.
— Betão! Ai…
— Você começou a brincadeira; agora vai ter que dar o cu, seu Rafael.
Fazendo o dedo girar dentro da minha bunda, ele se certificou de que eu estava no ponto de ser comido. Colocando-me de quatro, ele passou a baba da tora no meu rego e meteu de vez.
A cada fincada, ele me puxava para trás pelo cós da minha jock cor de pecado e dava um tapinha na minha bunda. Morrendo de tesão, eu ainda encontrava forças para aguentar aquele homão galopando nas minhas costas e para segurar a vontade de gozar.
Após uma enfiada violenta, Betão me colocou de frente e escancarou minhas pernas. Ajoelhado, ele enfiou de vez o caralho no cu castigado e botou para foder sem dó de mim. Dando tapas na bunda dele, eu o desafiei a me matar de prazer.
— Enfia tudo! Me dê pica! Me fode, porra!
Olhando nos meus olhos, ele despejou um pouco de cuspe na minha boca e empurrou a língua em cima da minha. Depois do beijo, ele se dobrou para trás e, sem parar de me foder, começou a surrar a minha pica aprisionada.
Eu não sabia se a gente estava gemendo ou chorando de tanto tesão. Ao perder o controle da foda, Alberto finalmente baixou a minha cueca. Agoniada, minha rola deu um salto para cima e ficou girando no ritmo das socadas que eu tomava no cu.
— Agora, Fael… vamos…
No desespero de gozar, unimos as bocas. A esporrada de Alberto foi tão violenta, que todos os seus músculos enrijeceram. O prazer de ter o cu galado me deixou com a pica doidona: sem espaço para pular, ela ficou pulsando e botou muita gala para fora.
Pela janela, o vento invadiu o quarto e nos refrescou. Unidos pelas bocas e pelo sexo, eu e Alberto esperamos que as batidas do coração voltassem ao normal. Ao sair de mim, ele pegou minha camiseta e limpou a porra que o meu caralho espalhou nas nossas barrigas. Havíamos acabado de tirar a virgindade da nossa cama, agora precisávamos tomar cuidado para não manchar o colchão.
Sem tirar as cuecas novas, mas com as picas libertas, eu e o meu marido nos encaixamos para dormir. Feliz com o sucesso da minha ideia tão simples, beijei o peito dele e apaguei o abajur.
Com o meu Betão, eu era feliz. Ele era o meu rei, eu era o seu príncipe. O nosso casamento seria para sempre.
E o tempo foi passando.
Dia após dia, eu me dedicava aos estudos, cuidava da casa e amava mais e mais o meu marido, que também me amava sem limites. Muitas pessoas ainda nos olhavam atravessado; achavam que, entre nós dois, havia apenas putaria. Para o povinho da rua onde morávamos, Alberto sempre seria o negão safado que enjoou de pegar mulher e passou a foder o enteado. E eu sempre seria o gayzinho depravado que tomou o marido da própria mãe. Era chato saber que vivíamos na boca dos desocupados, mas a melhor forma de calar os fofoqueiros era ignorá-los.
Frequentemente, minha mãe ligava para mim ou eu ligava para ela. O casamento com o Osório fez bem à dona Leila: estava menos briguenta e mais consciente das coisas do mundo. Ela estava feliz com o marido, mas não aceitava que eu estava feliz com o meu. Dizia sempre que não se conformava por eu estar casado com “o safado do Betão.” Eu ouvia calado e, no fim, reforçava que minha vida era perfeita com ele.
Meu pai passou meses sem dar notícias. No meu aniversário de vinte anos, o celular tocou no momento em que Alberto estava me presenteando com a pica dura entalada na minha bunda. Depois da nossa gozada, tomamos banho e voltamos para a cama. Só então vi que foi seu Ivaldo quem tentou interromper a foda. Com o leite do meu homem fluindo no meu corpo, eu estava muito leve e com os olhos pesados, por isso não quis saber de conversa chata: desliguei o celular.
No outro dia, retornei a ligação. Ao atender, seu Ivaldo me deu os parabéns, perguntou como eu estava e disse que iria transferir um dinheiro para mim. Falei que estava tudo ótimo, agradeci as felicitações e disse que não precisava mandar o dinheiro. Ele insistiu e achei melhor aceitar, afinal de contas ele era o meu pai.
Seu Ivaldo tinha uma vida difícil. Trabalhava num açougue há anos; com o salário suado, sustentava mulher e filha. Eu já era um homem, estava casado, não seria justo continuar lhe dando despesa. Mas senti que, dessa vez, ele mandaria dinheiro para mim de boa vontade.
— Está certo, pai. Obrigado. Vai me ajudar muito aqui.
Assim que encerramos a conversa, recebi a notificação do banco. O valor era pequeno, mas eu sabia que ele fez malabarismos nas contas para poder me dar. Eu gostava do meu pai, não queria viver brigando. Só ficava triste por ele não respeitar o meu casamento. Pelo menos, dessa vez, ele não falou mal do genro. Ele nem tocou no nome de Betão. E foi melhor assim.
No penúltimo semestre da faculdade, minha vida começou a mudar. Participei da seleção para estágio remunerado em uma empresa. Tinha duas vagas, eu conquistei uma e o meu colega Wendel ficou com a outra. A partir de agora, a gente passaria muito tempo junto, no trabalho e na faculdade. Eu só esperava que ele não ficasse com gracinhas para o meu lado.
O dinheiro não era muito, mas dava para algumas coisas. Quando começasse a receber, eu ia dar um alívio a Alberto, que vinha carregando a casa nas costas por todo esse tempo.
No domingo à noite, depois que um mamou o caralho do outro até extrair o leite, eu e Alberto ficamos conversando na cama sobre alguns projetos. Ele estava muito feliz por mim; quando propus assumir algumas despesas da casa, sugeriu fazermos diferente.
— Acho melhor você fazer uma reserva. Como esse estágio só vai ser um ano, é bom ter alguma coisa guardada para quando se formar. Até conseguir um emprego, você vai se ajeitando com o que juntou.
Meu marido era muito simples e muito sensato. Aceitei a sugestão, mas me dispus a colocar algumas coisas dentro de casa e disse que ele não se preocupasse mais em me dar dinheiro. Após pensar um pouco, ele apresentou mais uma ideia.
— Então, Fael, vou aproveitar essa folga nas nossas contas para resolver a troca da moto. Meu sonho é pegar uma grandona, de primeira mão, para a gente botar pose e ganhar o mundo. E você trate de tirar sua carteira, para revezar comigo no comando da nossa nova máquina.
Ele já havia me ensinado a pilotar, mas não dava para eu andar por aí sem habilitação. Mais uma vez, meu amorzão estava certo.
— Amanhã mesmo, vou tratar desse assunto.
Após puxar o lençol sobre nós dois, ele deu um beijo na minha boca e mostrou quem era que mandava.
— Amanhã, não. Amanhã é o seu primeiro dia no estágio. Você vai ocupar sua cabeça só com isso. No fim de semana, vamos tratar juntos da sua habilitação. Agora trate de dormir, para começar com garra sua vida de trabalhador.
Com o peito grudado nas minhas costas, Betão logo adormeceu. Mexendo-me com cuidado, guardei o caralho dele no meio da minha bunda. Era assim que eu gostava de pegar no sono.
Era assim que eu queria viver para sempre.
…
...
ÚLTIMA PARTE (Prévia)
A bolsa estava pesada, mas eu era forte o bastante para carregá-la no ombro. Ao abrir a porta, virei para trás e olhei a sala pela última vez. Morei ali por quase dez anos, agora estava indo embora, para nunca mais voltar.
Alberto alugou essa casa quando se juntou com a minha mãe. Entre aquelas paredes, por mais de cinco anos, ele foi o meu padrasto. Quando dona Leila nos abandonou, ele me levou para o quarto de casal e se tornou o meu marido. Ao longo de quase quatro anos de casados, eu virei outra pessoa.
Posso dizer que me tornei homem chupando a pica de Betão e lhe dando o cu. Fui feliz vivendo com ele nessa casinha, mas tudo chega ao fim. Sentiria saudades de muitos momentos, mas havia um futuro melhor à minha frente. Eu ia em busca daquilo que era meu. Estava formado, tinha um bom emprego, queria conquistar muitas coisas. Não era mais necessário morar na casa dos outros. Então, sem dramas, só me restava partir.
Fazendo minha cara de gayzinho metido a rico, joguei os cabelos para trás e dei um tchauzinho para as paredes da casa na qual nunca mais iria entrar. Com um sorriso de vitória, fechei a porta da sala e fui abrir o portão da área — para ganhar o mundo.
…
(Publicação completa na próxima semana.)