Oiii pessoal, segue o segundo capítulo, espero que gostem ;)
Mensagem de Luan (WhatsApp):
Luan: Bom dia, lindo. Como você tá?
Dormi pensando em você… acordei assim.
(foto de visualização única)
A foto mostrava ele deitado na cama sem camisa e com o pau marcando a coberta.
Fiquei alguns segundos olhando para a tela antes de responder.
Rafael: Bom dia… você já começa assim logo cedo?
Luan: Começo do jeito que tô me sentindo.
Rafael: Perigoso isso.
Luan: Perigoso é você me deixar curioso o dia inteiro.
Rafael: Haha… você é direto demais.
Luan: Prefiro ser direto do que fingir. Quero te ver hoje.
Rafael: Vai com calma, viu…
Luan: Prometo tentar. Mas não garanto nada
Rafael: Bobo… ainda tá de pé 16h30?
Luan: Acho que 16:30 tá muito cedo ainda, pode ser por volta das 17:30
Luan: Em ponto. Quero te ver hoje.
Rafael: Tá bom então :)
Rafael suspirou
Suspirei, bloqueei a tela e fiquei olhando para o teto por alguns segundos.
Pouco depois, outra notificação fez o celular vibrar.
Luan: Já imaginando você aí, escolhendo roupa…
Rafael: Na verdade eu tô deitado ainda haha, para se não você vai me deixar nervoso.
Luan: Nervoso ou animado?
Rafael: Um pouco dos dois.
Luan: Gosto disso.
O celular vibrou de novo, agora com outro nome.
Diego.
Diego: Bom dia, Rafa. Desculpa chamar cedo…
Conseguiu descansar?
Rafael: Bom dia, doutor. Um pouco, sim mas ainda nem dormir.
Diego: Queria já ir pensando na surpresa da minha mãe.
Rafael: Bom, oque ela gosta? Oque gosta de fazer?
Diego: Ela é Simples, não precisa ser nada extraordinário
Rafael: Podemos fazer uma surpresa com um álbum de fotos, tipo fotos antigas de vocês, oque acha?
Diego: Muito bom, gostei
Rafael: que bom!
Diego: Mais tarde eu te chamo para podermos combinar melhor
Rafael:Ok :)
Rafael encarou a tela.
Dois homens.
Dois convites.
Dois caminhos.
Guardei o celular e fiquei alguns segundos sentado na beira da cama, tentando entender aquela mistura de nervosismo e expectativa que apertava meu peito. Luan mexia comigo de um jeito diferente. Talvez fosse o jeito direto, talvez o mistério de não ser assumido, talvez só o fato de alguém me desejar com tanta clareza depois de meses sozinho.
Levantei, arrumei a casa sem nem perceber direito o que fazia. Troquei a roupa de cama, lavei a louça, varri o chão — tudo como se eu estivesse tentando organizar também a bagunça dentro de mim.
De vez em quando, meu pensamento fugia para o Dr. Diego. Aquele “coisa linda” ainda ecoava na minha cabeça. Não era nada, eu sabia. Ou talvez fosse… mas eu não queria me permitir ir por esse caminho.
Terminei as tarefas por volta das onze da manhã e fui dormir um pouco, na verdade nem conseguir dormir, levantei tomei outro banho e me arrumei, uma roupa leve e chinelos, o celular vibrou anunciando que Luan estava chegando.
Meu coração disparou.
Olhei-me no espelho mais uma vez. Nada de exageros eu queria parecer eu mesmo.
Quando desci e vi o carro parado na rua, senti um frio na barriga. Luan estava dentro do carro apenas com o vidro aberto e quando me viu olhou diretamente para mim, com aquele jeito meio confiante, meio tranquilo.
Por alguns segundos, nenhum de nós disse nada.
Ele sorriu.
— Você é ainda melhor ao vivo.
Senti meu rosto esquentar.
— Para… você fala isso pra todo mundo.
— Não falo. Só quando é verdade.
Abri a porta do carro e entrei. O silêncio que se instalou era carregado de expectativa. Não era desconfortável — era intenso.
— E então — ele disse, ligando o carro —, pronto pra ver o pôr do sol comigo?
— Acho que sim — respondi, ainda meio sem acreditar que eu estava ali.
Enquanto a cidade ficava para trás, eu olhava pela janela tentando acalmar meus pensamentos. Não sabia exatamente o que ia acontecer naquele morro, nem se aquilo ia virar algo mais… mas, pela primeira vez em muito tempo, eu estava me permitindo sentir.
E isso, por si só, já era assustador e excitante ao mesmo tempo.
O carro subia devagar pela estrada estreita, e quanto mais a cidade ficava pequena atrás de nós, mais eu sentia aquele aperto gostoso no estômago. Luan dirigia com uma mão no volante, a outra apoiada perto da minha perna, sem me tocar — mas perto o suficiente para eu perceber.
O céu começava a mudar de cor quando chegamos. Tons de laranja, rosa e roxo se misturavam.
— Eu te disse que valia a pena — ele falou, desligando o carro.
Descemos e caminhamos até algumas pedras grandes. O vento batia leve no rosto, e por um instante eu só fiquei olhando o horizonte, tentando guardar aquela imagem.
— Você sempre traz pessoas aqui? — perguntei.
— Não — ele respondeu. — Só quando eu quero impressionar alguém.
Olhei pra ele de lado.
— E eu devo me sentir especial?
— Deve.
Ficamos em silêncio por alguns segundos, lado a lado. O clima não era pesado, mas era carregado de expectativa.
— Você parece diferente hoje — ele disse.
— Diferente como?
— Mais… presente. Como se estivesse aqui de verdade, não só de corpo.
Sorri de leve.
— Talvez eu esteja.
Ele se aproximou um pouco mais.
— E o que você veio buscar aqui, Rafael?
Não era uma pergunta simples. Não com aquele jeito que ele me olhava.
— Não sei — respondi com sinceridade. — Talvez… alguma coisa que me faça esquecer um pouco do resto.
— Eu também — ele murmurou.
O vento soprou mais forte, e eu senti o braço dele encostar no meu. Dessa vez, nenhum de nós fingiu que foi sem querer.
Eu virei o rosto devagar. Ele estava perto. Perto demais para ser só casual.
Por um segundo, pensei em me afastar.
Mas não me afastei.
E naquele instante, no alto do morro, com a cidade brilhando lá embaixo, eu tive a sensação de que estava prestes a atravessar uma linha que talvez não tivesse volta.
Luan ficou me encarando por alguns segundos, como se estivesse me lendo. O vento batia forte, mas eu mal sentia. Ele se aproximou primeiro, invadindo um pouco o meu espaço, sem pedir licença.
— Você me olha como se estivesse esperando alguma coisa —eu disse, baixo.
— Talvez eu esteja.
Um canto da boca dele se levantou num sorriso discreto.
— Então não olha assim.
Ele levou a mão até meu queixo e ergueu meu rosto de leve. O toque era firme, seguro, muito diferente da dúvida que eu tinha visto antes.
— Fica difícil resistir.
E então ele me beijou.
Não foi um beijo hesitante. Foi direto, quente, como se ele já tivesse decidido aquilo muito antes. Eu senti o impacto na hora — o jeito que a boca dele se encaixou na minha, o corpo dele se aproximando.
Por alguns segundos, só existia isso.
Quando ele se afastou, ainda estava perto demais.
— Aqui é alto, Rafa — ele murmurou. — Ninguém vê a gente daqui.
Seu olhar era intenso, quase desafiador.
Ele passou o polegar de leve pelo meu lábio, como se quisesse sentir de novo o gosto do beijo.
— Não confunde as coisas — ele disse. — Eu sei o que estou fazendo.
Mas, mesmo dizendo isso, havia algo nos olhos dele que traía:
não medo… mas risco.
E ele gostava disso.
Luan ficou em silêncio por alguns segundos depois daquele último beijo. A mão dele ainda estava na minha cintura, quente demais para ser casual. Ele desceu os dedos um pouco, testando o limite, como quem pergunta sem usar palavras.
— Rafa… — a voz dele saiu mais baixa. — Vem cá.
Ele me puxou para mais perto, nossos corpos quase colando. Eu senti o quanto ele estava diferente agora, mais tenso, mais urgente. O jeito como ele respirava já não era o mesmo.
— Aqui não — eu disse, meio sem fôlego.
— Por quê? — ele sussurrou, encostando o rosto no meu pescoço, sem ainda me beijar. — A gente tá sozinho… ninguém vai ver.
Aquilo me arrepiou inteiro. Não porque eu não quisesse — eu queria —, mas porque eu sabia que, se deixasse, não teria volta.
— Luan, para — falei, segurando o braço dele. — Não assim.
Ele parou, mas não se afastou.
— Você não sente? — perguntou, com uma mistura de frustração e desejo. — Eu tô ficando maluco aqui.
— Eu sinto — respondi, olhando nos olhos dele. — Justamente por isso.
Ele fechou os olhos por um instante, como se estivesse lutando contra algo dentro dele.
— Você não faz ideia do quanto eu quero você agora.
— E você não faz ideia do quanto isso pode machucar depois — retruquei.
Ele abriu os olhos devagar.
— Então você tá me rejeitando?
— Não. Eu tô te respeitando mais do que você tá se respeitando agora.
Houve um silêncio pesado entre nós. O vento soprou, trazendo o barulho distante da cidade lá embaixo, lembrando que o mundo existia além daquele morro.
Luan finalmente se afastou um pouco, passando a mão no rosto.
— Merda… — murmurou. — Eu sempre faço isso. Eu vou até onde dá… e depois entro em pânico.
— Eu não quero ser só um lugar pra você fugir — falei, com calma. — Nem alguém que você esconde.
Ele me olhou de um jeito diferente, mais nu do que qualquer toque.
— Você tá complicando tudo.
— Ou talvez eu esteja sendo a primeira coisa honesta que você sentiu em muito tempo.
Ele não respondeu. Só ficou ali, perto demais para ser distante, longe demais para ser seguro.
E naquele momento eu percebi: com Luan, o perigo não era só se envolver.
Era o quanto ele queria… e o quanto ainda não conseguia.
O silêncio entre nós depois daquilo era quase mais alto do que qualquer palavra. Luan ficou olhando para a cidade lá embaixo, com as mãos nos bolsos, como se estivesse tentando recuperar o controle.
— Desculpa — ele disse por fim, sem me encarar. — Eu me empolgo…
— Eu percebi — respondi. — Mas eu não tô bravo.
Ele virou o rosto para mim, meio surpreso.
— Não?
— Não. Só… eu preciso saber onde estou pisando com você.
Ele respirou fundo.
— Eu queria ser diferente — admitiu. — Queria poder te beijar na frente de todo mundo, segurar sua mão, essas coisas simples. Mas eu ainda não consigo.
— Entendi
Um sorriso triste apareceu no rosto dele.
— Porque você tá me fazendo querer tentar.
Aquela frase me atingiu de um jeito inesperado.
Ficamos ali mais um tempo, sentados lado a lado, sem nos tocar. Mas era curioso como, mesmo sem contato, parecia que havia algo nos ligando. Às vezes o braço dele roçava no meu de leve, e nenhum dos dois se afastava.
— Quer ir embora? — ele perguntou. — Já tá começando a esfriar.
— Quero — respondi. — Mas não porque foi ruim.
Ele me olhou de lado.
— Foi bom demais, né?
— Foi… complicado — eu disse, sorrindo. — E intenso.
Ele riu baixo.
— Você gosta de coisa difícil, pelo jeito.
No caminho de volta até o carro, ele caminhava de mim, mas sem encostar. Quando chegamos, ele abriu a porta para mim — um gesto simples, mas cheio de cuidado.
Antes de eu entrar, ele segurou minha mão por um segundo.
— Rafa… eu não sei o que isso vai virar. Mas eu não quero que seja só uma noite no morro.
Meu coração apertou um pouco.
— Então começa não me tratando como um segredo.
Ele não respondeu na hora. Só apertou minha mão de leve.
— Vou tentar, isso precisa de tempo.
E, pela primeira vez desde que o conheci, eu senti que aquela promessa talvez fosse real.
O carro parou em frente ao meu prédio. As luzes da rua refletiam no para-brisa, e por um instante nenhum de nós dois se mexeu. Era estranho como, em tão pouco tempo, aquele silêncio já parecia íntimo demais.
— Chegamos — ele disse, sem muita convicção.
— É.
Eu destravei o cinto devagar, como se isso estivesse encerrando algo maior do que uma simples corrida de carro.
Antes que eu abrisse a porta, ele falou:
— Rafa…
Olhei pra ele.
— Eu… gostei de hoje. Mesmo com toda a confusão.
Dei um meio sorriso.
— Eu também. Mesmo sem saber no que isso vai dar.
Ele assentiu, os olhos presos nos meus por um segundo a mais do que o normal. Não houve beijo, não houve toque. Só aquela coisa suspensa no ar, que parecia mais intensa justamente por não se concretizar.
— Boa noite — ele disse.
— Boa noite, Luan.
Saí do carro e fechei a porta com cuidado. Dei alguns passos em direção ao prédio, mas ainda sentia o peso do olhar dele nas minhas costas. Só quando o carro arrancou é que o frio da noite realmente me atingiu.
Entrei, subi, larguei as chaves na mesa e me joguei no sofá, com o coração ainda acelerado. Era estranho como uma parte de mim queria sorrir e outra queria se proteger.
Meu celular vibrou.
Dr. Diego.
“Oi, Rafa. Desculpa a hora. Estava pensando em você. Como você está?”
Olhei para a tela por alguns segundos, sem responder.
Luan ainda estava na minha cabeça.
O toque que não aconteceu.
A promessa que não foi feita.
Respirei fundo.
O passado batendo à porta…
justo quando algo novo começava a se abrir.
Aceitei a mensagem e deixei o celular de lado, mas não consegui me concentrar em nada. A lembrança do Luan dirigindo até minha casa, o toque rápido na mão, aquele olhar que parecia perguntar se eu queria ficar… tudo isso insistia em aparecer, mesmo com o Diego ocupando a tela do meu celular.
Respirei fundo e tentei organizar meus pensamentos. A verdade era que parte de mim queria ir até o Diego no domingo, gostaria realmente de ajudar, mas passa a ideia na minha cabeça que essa "surpresa" pode ser algum pretexto.
Ao mesmo tempo, Luan estava ali, na minha cabeça, impossível de ignorar. Cada gesto, cada palavra não dita, me lembrava que ele ainda tinha espaço em mim — um espaço que Diego parecia disposto a invadir com insistência.
Abri o WhatsApp novamente e digitei rapidamente:
Rafael:Ok, domingo então. Que horas você quer que eu vá?”
A resposta veio quase imediatamente:
“
Diego: Que ótimo!
Por volta das 15h, assim temos tempo de montar tudo com calma. Te espero!”
Diego:Podemos tomar alguma coisa, claro se você quiser'
Rafael: Eu sou fraco para bebida, acho melhor não.
Diego:Tudo bem, lindo!
O coração bateu mais rápido. Nada nas mensagens mencionava diretamente qualquer outra intenção, mas algo me dizia que ele queria mais do que só organizar o presente da mãe.
Fiquei alguns minutos no sofá, olhando para o celular, tentando me convencer de que o domingo seria só sobre o álbum de fotos da mãe do Diego.
Mas eu sabia que não seria só isso.
Diego me chamava de um jeito que me deixava alerta, mas também me irritava. Ele tinha uma namorada —. E mesmo assim, olhava para mim com aquele sorriso provocador, aquelas mensagens que insinuavam mais do que podiam.
Ele queria diversão.
Eu não.
E mesmo que quisesse, não seria com ele.
Respirei fundo e joguei o celular de lado.
Luan ainda estava na minha cabeça. Impossível ignorar. Cada gesto, cada toque que não aconteceu, voltava como se fosse uma provocação silenciosa.
O toque rápido na minha mão. O jeito que segurou minha presença como se dissesse: “Não sou só desejo, eu me importo”.
Meu corpo reagia sem que eu quisesse admitir. Cada lembrança do Luan era quase tátil: a curva dos ombros, a força contida nos braços, o jeito como se inclinava pra perto, o calor dele sem nem encostar.
Era tentador. Era perigoso. E mais do que tudo, era real.
Olhei para o celular de novo. As mensagens de Diego pareciam irreais diante disso. Tudo que ele queria era uma distração, um jogo, e eu não queria ser parte disso.
Luan… Luan era diferente. Ele fazia meu corpo e minha mente reagirem, me deixando vulnerável de um jeito que eu não tinha sentido antes.
Fechei os olhos e respirei fundo.
Era domingo que eu teria que enfrentar Diego, ajudar com o álbum de fotos, e, no fundo, cada minuto perto dele seria uma luta para não imaginar Luan ali comigo — muito mais próximo, muito mais intenso, muito mais impossível de ignorar.
E quanto mais tentava me convencer de que podia ignorar, mais meus pensamentos fugiam para o que poderia acontecer se Luan estivesse ali.
A tensão era quase física. Cada lembrança do toque dele me deixava inquieto, como se estivesse esperando por algo que ainda não podia ter.
Peguei o celular e comecei a digitar para o Luan. Não queria parecer desesperado ou carente, mas também não conseguia me segurar. Precisava sentir que ainda havia alguma conexão entre nós.
Porque, por mais que eu tentasse negar… eu estava começando a gostar dele.
E droga, aquele homem me fazia perder o controle só de pensar nele.
Enviei a mensagem e fiquei olhando para a tela, o coração acelerado, imaginando se ele sentiria a mesma falta que eu sentia…
Bom, segundo capítulo entregue hahaha, espero que gostem e vou tentar fazer um cap por dia, aqui na vida real e sou enfermeiro de verdade hahaha então é corrido, qualquer dúvida ou sugestão só deixar nos comentários;)