These Boots Are Made For Walkin'

Da série Ester
Um conto erótico de Ester
Categoria: Trans
Contém 2020 palavras
Data: 12/01/2026 15:13:15

Alberto e Patrícia

Essa história se passa antes do procedimento de mudança de sexo, eu era jovem e ainda vivia na minha cidade e não mulher poderosa do últimio conto que contei para vocês, as coisas eram diferentes… Eu tinha um namorado, Alberto.

Na época eu era um garoto afeminado, de cabelos cacheados longos, olhos intensamente verdes, uma das poucas meninas trans totalmente assumidas com o apoio dos pais, embora a maioria das pessoas não compreendessem isso, por simplesmente não quererem.

A irmã da minha mãe por motivos religiosos nunca me aceitou, ela era ríspida, grossa e a maioria dos amigos dela, se recusava inclusive a me dirigir a palavra, quando nos encontrávamos na rua… Também tinha a vizinha Dna Elvira, muito próxima dos meus pais, que sempre dizia que transexual é falta de surra.

A vida não era e não estava fácil… Ao menos tinha meus pais e meu namorado, fazia pouco tempo que estava namorando, mas Alberto era tudo para mim, exceto… Que ele não era bom para mim, entenda, um bom amigo nem sempre é um bom namorado, mas eu ainda não tinha aprendido isso só que ia aprender.

Alberto era um péssimo namorado, esse era um ponto terrível que eu tinha que entender, ele dizia que me amava, mas continuava aprontando, continuava mentindo, continuava apostando, continuando a brincar e apostar com o meu coração, enfim, foi um péssimo namorado.

Mas… Um maravilhoso amigo e estou disposta a defender isso sobre ele para sempre… Mas ele é um cafajeste que não se importa com sua parceira, ou parceiro, ou seja lá quem ele está fodendo no momento e o que diga considerar que a pessoa é…

Aquele dia a gente estava juntos no rinque de patinação, eu estava sorridente, felizinha, me achando o próprio Yuki Katsuki patinando no gelo com tudo o que eu sabia, com anos de prática, não esportiva, mas eu não precisava fazer acrobacias para me sentir livre e feliz. Alberto patinava comigo e eu não deixava de reparar nele.

Lindo, com um sorriso lindo, um olhar lindo, um homem perfeito, como eu conquistei tal perfeição eu me perguntava constantemente, na verdade, me perguntava devido ao fato que eu ainda não me sentia bem com o meu corpo, porque quer saber, eu sou bonita para um caralho, mas não achava na época, porque não gostava do meu corpo.

Mal percebia o quanto ele já tinha traços femininos que só eu não me dava conta.

Muita gente me confundia com menina, com muita frequência e não eram só as roupas, mas… Cidade pequena, muita gente do bairro sabia, suficiente para ser difícil para mim, para deixar a vida difícil para mim, de vez em quando escutar provocações na rua, de machistas em bar, ou dos evangélicos.

Engraçado como o ‘amor de deus’, têm a capacidade de tornar as pessoas tão más, tão crueis, não é atoa que tanta gente confunda amor e ódio, ou que amor e ódio seja para tantos duas faces da mesma moeda, porque na religião ele é, ao menos na cabeça de um montão de pessoas.

Recentemente eu estava tendo um problema específico e o nome desse problema era Patrícia… Uma ‘amiga’ minha, quer dizer não sei se coloco ou não as aspas, principalmente hoje em dia que tenho uma cabeça toda diferente, mas naquela época, eu ficava completamente desolada.

Eu volto de devolver meus aparelhos e meus amigos estão sentados próximos, ela está um pouco próxima de mais do meu namorado, eu me aproximei e sentei no colo dele dando um beijo, que arranca uma reação automática de todo mundo, eu dou risada tímida, mas marquei território.

Aí saímos para comer, foi o André, que me puxou para trás, enquanto a gente caminhava, eu estava nesse dia de calça cargo, e uma blusinha levinha toda folgada, mas que deixava a barriga de fora, isso escondia a falta dos seios, que estavam crescendo mas é um processo lento, ao mesmo tempo que valorizava minha barriga e minha cintura já bem marcada.

“Você precisa pegar leve com o Beto Ester.”, eu olho para ele por alguns segundos, “Como assim pegar leve?”, “Poxa você não vê que está rolando um clima entre ele e a Patrícia?”, “André ele é meu namorado.”, ele fica um pouco sem jeito, mas fala assim mesmo, “Ester, ele precisa de uma buceta de vez em quando também.”, eu fico de queixo caído olhando para ele.

Viro as costas e aperto o passo…

Comemos como o planejado, mas arrumei uma desculpa para ir para casa, saindo do shopping, meio apressada, meio chorando, quando sinto o Beto me puxar pela mão já do lado de fora, “Me larga.”, “Calma gata, o que houve.”, “André.”, não precisava falar mais nada, ele sabia muito bem o tipo de coisa que o Adré falava.

“Ester não cai na pira dele.”, “Não é só ele, Beto, é você também. Você está afim da Paty?”, ele fica sem eito, olha em volta, “Poxa Ester ela mexe comigo, mas a gente está junto não está?”, “Estamos? Eu não vou ser trocada de novo e ficar te esperando.”, ele me beija e me desarma na hora…

Ali eu sabia que ia acontecer de novo, ele ia ter um caso com uma garota e eu ia voltar para ele quando ele se cansasse dela de novo… “Vem eu te levo para casa.”, nós fomos para a moto dele, eu abracei ele apertado, a verdade é que ao menos ele voltava para mim, era com isso que eu contava… Mas deveria?

Quando a gente chega na casa dele, ele guarda a moto, eu ainda estou desgostosa, ele me beija de novo, suas mãos passeiam por meu corpo me enlouquecendo, eu acabo suspirando e me entregando aos seus toques toda submissa, “Você não deveria brincar comigo assim…”, eu sussurro entre beijos e suspiros.

“Você sabe que sou seu, você não deveria se importar.”, ele responde beijando meu pescoço, sua mão já dentro da calça, alisando minha bunda de fio dental, me arrancando gemidos e suspiros. Ele me encosta na parede e baixa a minha calça, me deixando só com o fio dental azul clarinho de rendinhas.

Me dando beijos na barriga, eu desisto de argumentar não vou conseguir, ele puxa minha calcinha, coloca meu pau na boca, me arrancando reação, me fazendo gemer, depois sobe e me beija, antes de me levantar pela cintura e eu colocar as pernas ao redor da cintura dele, com ele já tirando a camisa.

voltamos a nos beijar, ele delicadamente me deita no chão, de franguinho assado, ele tira a própria calça e começa a alisar meu cu com o dedo, depois com lubrificante e o dedo, me arrancando gemidos enquanto continua me beijando com a mão por baixo da minha bunda.

Sinto o pau dele me invadir e me arrancar um gemido alto, de dor e prazer, mas que no segundo seguinte, se transforma em puro prazer, rebolando enquanto ele me fode, sentindo os olhos lacrimejando a boca aberta em um gemido contido, mal sai os gemidos enquanto ele me fode cada vez mais intenso.

Arqueio minhas costas e gozo, sentindo meu corpo todo se contorcer e ele goza também me enchendo por dentro, eu olho para ele, sorrio, toda excitada, ele me vira de bruços e me invade de novo, dessa vez não dói, só prazer, puro prazer, tremendo inteira, gemendo, empurrando a bunda para cima para ele ir mais fundo, mais forte, socando tudo dentro do meu corpo.

Depois disso fomos tomar um banho, é incrível como ele semper me domina, no banho, enquanto tomamos banho juntos, “Um dia Beto, você vai ver eu colocar minhas botinhas e passar por cima de tudo isso.”, ele dá risada, uma risada de cafajeste, uma risada de quem duvida que um dia isso vai acontecer, apostando contra isso.

Dois dias depois soube que ele e Paty estavam juntos, a questão é que, arrumar uma foda é fácil, um namorado, nem tanto, eu estava chorando no quarto, minha mãe veio falar comigo, falar que eu precisava superar esse boy, que ele não era para mim, enquanto outras pessoas diziam para meus pais, que sofrer era bom, que talvez, eu percebesse que eu precisava de uma garotA.

Foi minha prima que me tirou dessa confusão, me levou para SP, onde eu fiquei um tempo com ela, uns poucos meses, mas fiz fuvest e para minha surpresa, minha chance de passar era boa, precisava levantar os documentos, porque quando pedissem deveria estar tudo pronto, voltei para a casa dos meus pais para isso.

Após três meses, Beto e Patrícia já estavam namorando firmes, os meninos pareciam mais satisfeitos com ele com uma mulher do que comigo, ao mesmo tempo que me incentivavam a encontrar um ‘Cara legal que te mereça’, homens são criaturas complexas…

Mas eu tinha algo a fazer e fiz, levantei todos os documentos, um dia eu estava em casa, sozinha, quando bateram na porta, atendi e era Beto, de novo, “Oi Beto.”, eu respondo e mal consigo conter meu sorrisinho, mas dentro de mim, sinto que algo mudou, só não digo nada.

“Ester desculpa, eu… Eu fui um babaca.”, eu concordo sinalizando com a cabeça. “De novo.”, ele dá uma risada sem jeito, sua clássica risada de cafajeste, “Pois é de novo, é que eu e a Paty temos algo legal, mas eu não queria que você ficasse com raiva de mim.”, ele veio terminar de forma permanente eu pensei na hora.

“Eu não estou com raiva de você, ou chateada, ou qualquer coisa.”, (dessa vez se tivesse esperado, talvez, ele não voltasse nunca), eu pensava comigo mesma. “Então podemos continuar amigos?”, eu sorrio e falo genuinamente para a pessoa que como eu disse, nunca foi um mau amigo, só um péssimo namorado. “Claro que sim.”.

Eu sofri de verdade, mas eu já tinha para onde ir, um local onde nunca ninguém me viu como menino, onde ninguém me viu nascer e um lugar onde sem dúvida, existiria um homem para chamar de meu… Mas sabe como é fofoca, no dia da minha viagem Beto apareceu em casa tudo já arrumado as malas no carro do meu pai.

“Ester você está mesmo indo embora.”, eu fiz que sim com a cabeça, “Não pode, eu não quero perder minha menina de olhos verdes.”, eu dou uma risada ferida e tímida, “Eu não sou mais sua.”, “Ester eu poderia ir com você.”, “Mas eu não quero você comigo.”, ele parece confuso e um pouco ferido, mas é visível que ele entende minha situação, ele sabe como me tratou nos últimos anos.

“Desculpa Beto, mas eu te disse que um dia eu ia colocar minhas botas e caminhar por cima de tudo isso.”, ele me abraça e me beija um último beijo de despedida e eu permito, fecho os olhos com as mãos no peito dele, toda entregue, “Eu vou sentir sua falta.”, sussurro.

“Eu também vou loirinha, espero que me perdoe.”, “Eu já perdoei seu bobo, só não posso viver assim, aqui não é meu lugar.”, ele sorrio e fez carinho nos meus cabelos, me acompanhou no carro do meu pai e nos despedimos com mais um beijo antes de eu entrar na área restrita para quem está com o bilhete na mão…

E lá, eu encontraria alguém, que teve o melhor de mim, o melhor que Beto nunca conseguiu…

“This boots are made for walkin’

And that’s just what they ‘ll do

One of these days, these boots are gona walk all over you.”.

=== === === … … … FIM … … … === === ===

Esse é um conto do desafio pirata 2 musica, mas também é um conto da Ester, se alguém quiser saber o que acontece depois, a história continua na série dela, começando da espera do ônibus na rodoviária. ;)

Mas muitas aventuras esperam essa menina do interior gaúcho na sua chegada a SP uma grande capital com outro títimo eque não têm perdão para inocência, breve um novo capítulo dessa série que estava parada.

Muito obrigada, se chegaram até aqui, por favor votem e comentem.

A música do conto, "These Boots Are Made For Walkin'", é uma música de Nancy Sinatra.

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Foto de perfil de Dani Pimentinha CDDani Pimentinha CDContos: 29Seguidores: 90Seguindo: 21Mensagem Sou cd sou trans, sou queer, não consigo mais me definir por rótulos, sou ela, dela para ela, por escolha e preferência, não sou operada, não sei se faria, mas sou feminina, delicada, ousada, dane-se o mundo, dane-se o que pensam de mim, sou Dani.

Comentários

Foto de perfil de Ryu

Mais uma canção que eu não conhecia e passei a conhecer. O desafio está me ajudando a enriquecer culturalmente

Quando li a letra , interpretei que o “these boots are gonna walk all over you” apontava para uma vingança, uma atitude mais dura, quase um acerto de contas. Por isso, confesso que imaginei um desfecho diferente.

Ainda assim, o final mais tranquilo que você escolheu funcionou muito bem e deu elegância para o final do conto .

Interpretar um texto as vezes pode ser dificl, interpretar a letra de uma musica mais ainda, quando esta em outra língua, mais difícil ainda.

As botas normalmente estão relacionadas ao empoderamento / independência / autoconfiança das mulheres.

Mas talvez: these boots are gonna walk all over you, se refira a machucar o ego do parceiro que não soube dar valor à sua companheira e mentiu e enganou e achou que a mulher ainda assim continuaria com ele.

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Foto de perfil de Dani Pimentinha CD

Sim, na letra da música ela literalmente troca ele por outro.

“And now some one else is getting all your best”

E depois mais embaixo

“ I just found me a brand new box of matches, yeah

And what he knows you ain't had time to learn”

Ai eu tirei essa interpretação de estou te deixando por uma vida melhor.

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Foto de perfil de Dani Pimentinha CD

Além disso no conto:

“Não sou eu que sou a pessoa errada, o mundo é que está errado”

Ela reencontra esse boy e ainda tem uma recaída por ele.

Portanto a vingança hard não cabia nem na personalidade dela que é mais dada a perdões dolorosos e submissão por instinto.

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Se enganar por querer ser feliz, quem nunca. Sofrer e ser trocada, não será a primeira nem a última. Mas sempre existe uma vida diferente a frente, requer coragem pra acertar e errar até descobrir um amor de respeito, verdadeiro é maís impossível.

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Foto de perfil de Dani Pimentinha CD

Sim, as vezes só falta a coragem de mudar tudo, exatamente por que muitas vezes o horrível conhecido é melhor do que o medo de se machucar com o desconhecido.

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Listas em que este conto está presente

Desafio Pirata 2 Música
Desafio proposto pelo autor Ryu. Tag: “desafio-pirata-2-musica” sem as aspas.