Olá pessoal, me chamo Bruno e não seria meu primeiro conto neste site, em 2016 escrevi alguns e publiquei neste mesmo e confesso que fui ler um deles esses dias e que vergonha haha, mas vamos lá, o conto a seguir é totalmente ficcional e desenrolado da minha cabecinha, se trata de um conto homossexual, agradeço desde já aos leitores que optaram por ler S2 S2
Iremos acompanhar a história de Rafael, um homem de vinte e oito anos, solteiro, formado em Enfermagem e que atualmente reside na cidade de Uberlândia, MG.
Narração do próprio Rafael:
Bom, desde pequeno, sendo mais exato aos meus 11 anos, eu já sabia que sentia algo diferente por meninos. Não sentia vontade de vê-los nus, mas sim uma atração, e com o passar dos anos essa atração evoluiu. Assim, aos 15, eu já sabia que era gay. Sentia aquele medo que toda pessoa homossexual sente em relação a sair do armário.
Meus pais são pessoas que sempre moraram na roça e, sim, por apenas um detalhe: minha mãe é boliviana e ainda adolescente veio para o Brasil tentar uma vida melhor. Como ela veio parar aqui em Minas Gerais, não me perguntem, mas ela veio e conheceu meu pai ainda adolescente. Meu pai diz que assim que a viu em um semáforo pedindo ajuda em valores, se apaixonou e, quando foi conversar com ela e viu que era “gringa”, a vontade por ela só aumentou. Assim estão juntos há 35 anos.
Eu cresci na roça juntamente com meu irmão e minha irmã. Tive uma adolescência meio conturbada, devido a não saber lidar tão bem com meus sentimentos e ainda não ser assumido, o que tornou tudo mais complicado.
Mas aos meus 17 anos resolvi me assumir, mesmo morrendo de medo, e meus pais tiveram uma reação completamente diferente da que eu esperava: me apoiaram, e principalmente meu pai, que é um homem rústico e com conceitos antigos, me acolheu muito carinhosamente.
Minha mãe é uma diva e me tratou ainda mais com amor, e meus irmãos também foram bem atenciosos com minha escolha.
Pois bem, com 18 anos entrei na faculdade de Enfermagem e estudava na cidade de Uberlândia. Nessa época ainda não residia na cidade, mas pegava um transporte todos os dias para estudar. Então, no segundo semestre, me mudei para a cidade onde eu estudava para facilitar os estudos e, claro, arranjei um emprego durante o dia em uma das várias empresas de telemarketing que Uberlândia possui. Só quem trabalhou em telemarketing sabe o terror daquilo, mas me ajudou muito. Assim, trabalhei aos trancos e barrancos até me formar. Só quem estudou, fez estágio e ainda trabalhou sabe o que é essa fase, haha.
Bom, atualmente já me formei, realizei pós-graduação e trabalho em um hospital aqui na cidade. Sim, eu amo Uberlândia, mas sempre estou na casa dos meus pais na roça. Trabalho muito, pois amo o que faço. Ajudar e acolher pessoas que estão em estado frágil e fazê-las se sentir melhor me fornece uma sensação incrível.
Me considero um rapaz bonito. A propósito, vou apresentar minhas características físicas: tenho 1,73 m, cabelos pretos, pele branca e olhos castanhos claros. Todos dizem que eu sou o maior gato. Eu me acho bonito, de fato, tento ir à academia quase todos os dias. Digo quase porque tem semanas em que trabalho em vários plantões seguidos para ajudar na renda no final do mês — só quem mora sozinho sabe, hihi. Mas, concluindo, eu me acho bonito, não como os outros dizem; acho um tanto exagerado.
No meu local de trabalho há apenas eu e outro colega enfermeiro; o restante são todas enfermeiras e são excelentes profissionais. Por incrível que pareça, trabalhamos em um ambiente e equipe bem tranquilos e sem brigas. Geralmente em hospitais há bastante intrigas por parte da equipe hospitalar; quem já trabalhou em alguma sabe do que estou falando.
— O plantão está bem tranquilo hoje, né? Por se tratar de uma sexta-feira — disse Leila, enfermeira amiga de Rafael.
— Tá mesmo, né? Saí de casa até preparado psicologicamente, por ser sexta e o plantão da noite sempre aparecer alguma coisa complexa.
— Bom, o que você vai fazer amanhã? — perguntou Leila.
— Ah, eu vou arrumar minha casa e descansar.
— Mas é sábado, não quer sair?
— Não estou a fim, tô mais na vibe de ficar em casa mesmo, ainda mais que está marcando chuva. Eu quero dormir muito!
— Achei que ia sair com alguém amanhã — disse Leila.
— Alguém? Quem? — questionou Rafael.
— Ah, o Dr. Diego. Toda vez que você passa perto dele ele quase te come com o olho, e eu sei que ele te acha interessante. Eu sei que ele corta para os dois lados.
— Deixa de ser futriqueira, menina. Bom, ele sempre foi bem simpático comigo, mas ele namora uma menina. Sei porque sigo ele no Insta e direto ele posta foto com ela chamando de amor — disse Rafael.
— Hum, sei não… acho que ele queria mesmo era te “furar”, hahaha — falou Leila entre risos.
— Deixa de bobeira e vai fazer sua ronda, hahaha.
Bom, sendo sincero, eu acho o Dr. Diego um gato: um homem de 1,95 m, moreno claro, cabelo castanho, olhos amendoados e um sorriso FDP de lindo, capaz de chamar atenção até de outro homem hétero. Mas eu sabia que ele namorava e ainda namorava uma mulher, então sem condições de rolar algo.
Fui para o meu intervalo daquele plantão e fui direto para a copa, onde a gente fazia lanches e tal. E quem estava lá? Ele mesmo, o bendito doutor. Cheguei e o cumprimentei:
— Boa noite, doutor :) — disse com um sorriso simpático.
— E aí, Rafa, tudo joia? Como vai o plantão?
— Está sendo tranquilo e calmo, graças a Deus!
— Que bom, uai! Rafa, você deve malhar muito, né? Tem um corpão! — disse o doutor.
Por que ele disse isso? “Corpão”? Ele está olhando para o meu corpo? Analisando meu corpo?
— Ah, eu treino quando dá. Como estou sempre por aqui, vou à academia de três a quatro vezes na semana. Tento ser o mais constante possível.
— Bom, está funcionando, viu? Tá bem fisicamente, tô gostando, hein — disse o doutor, se levantando e saindo.
— Ah, obrigado ;) — foi só o que eu disse.
Ele saiu e me deixou sozinho e pensativo. Bom, não vou negar que já tinha percebido alguns olhares dele, mas esse papo de corpo foi a primeira vez. Mas, como eu disse, mesmo ele sendo um homem bonito e com status de médico, não rolaria nada entre nós.
Sentei para comer e abri o WhatsApp para responder um homem com quem eu estava conversando, que conheci no famoso Tinder. Um cara que parecia super simpático e bonito: Luan, o nome do digníssimo. Um homem de 33 anos, pele branca, cabelo preto, olhos castanhos escuros e estilo rústico — mas um detalhe: não assumido.
Eu já estava conversando com Luan havia uma semana e conversávamos bastante. Sabe quando você conversa com alguém e se sente bem, e seja qual for o assunto você continua a fim de conversar com a pessoa? Ele desde o início disse sobre sua condição de não ser assumido. Não nego que ele é um homem que me chama atenção. O mesmo tinha me feito um convite para ir ver o pôr do sol no dia seguinte em um morro.
Conversa via WhatsApp:
— E aí, vai aceitar meu convite amanhã? — perguntou Luan.
— Aiii, eu tenho que arrumar minha casa e tá marcando chuva, e não sei se vai dar! (eu queria ir sim, mas estava querendo dar uma de difícil).
— Ahhh, vamos, lindo, vai ser legal. E se chover, podemos ir em outro lugar. Prometo não te morder… a não ser que você queira! — disse Luan.
— Seu bobo, haha. Bom, eu aceito. Quer marcar um ponto de encontro? — perguntei.
— Nada disso, eu te busco às 16h30 na sua casa. Só me envia o endereço que eu te busco sem problemas.
— Tudo bem então :) — eu disse a ele.
Continuamos a conversar e ele estava meio pra frente. Eu sabia que poderia rolar sexo e não gostaria que rolasse logo de primeira, e confesso a vocês que estava meio com medo. Primeiro, era um cara que conheci em um app de relacionamento; nunca tinha visto ele, e eu tinha acabado de passar meu endereço. Poderia ser um psicopata — gente, sei lá, com tanto caso de assassinato de homossexual, vai saber… Mas já tinha passado e marcado com ele.
Voltei a trabalhar pensando no ocorrido com o Dr. Diego. Será que realmente ele estava me querendo? Comentei o ocorrido com a Leila, e ela ficou toda empolgada:
— Ele tá querendo te comer! Dá logo pra ele, bixa!
— Ei, me respeita! E outra: eu não vou dar nada pra ninguém. Não estou a fim de me envolver com ninguém do trabalho. Aqui é só relacionamento profissional.
— Fraca! Se fosse eu, já estava na cama dele! — disse Leila.
— Eu sei, sua oferecida! Vem cá, arranjei algo pra fazer amanhã.
— O quê? Plantar batata na sua varanda? Porque seus rolês ultimamente estão bem nessa vibe.
— Não, sua boba. Lembra de um rapaz que comentei com você que conheci no Tinder na semana passada? Então, ele me chamou para ver o pôr do sol em um morro amanhã.
— Vai dar pro agroboy no morro? Achei diferente, mas sem julgamentos — disse Leila, rindo.
— Eu não vou dar pra ele. Vamos conversar e ver se rola química pessoalmente. Às vezes no virtual é uma coisa e pessoalmente é outra.
— Você é cheio de frescura, amigo. Dá logo pra ele. Tenho certeza que ele quer te comer também. Aliás, se não parar com essas frescuras, vai continuar solteiro.
— Bonitona, eu estou solteiro por opção. Eu apenas me resguardo e não saio dando pra vários, como eu sei que você gostaria, caso não fosse casada.
— Daria mesmo. Aliás, quero até propor ao Marcos a gente abrir nosso casamento. Ter umas aventuras é bom — disse Leila com cara de sapeca.
— Ele vai é te dar umas porradas, hahaha.
Conversamos mais um pouco e depois voltamos a trabalhar. Não nego a vocês que eu estava meio que desejando transar com o Luan. Ele tinha uma cara de homem que transava bem, e eu estava havia cinco meses sem ficar com ninguém, então já viu, né? Hahaha.
Trabalhei por mais algumas horas, todo o tempo mantendo contato virtual com o agroboy no WhatsApp. Acreditam que ele ficava acordado até de madrugada só pra conversar comigo? Bom, possivelmente conversava com outros também, mas assim que eu mandava mensagem ele já visualizava. Possivelmente eu estava tendo bastante atenção, hahaha.
Logo chegou a madrugada e o movimento no hospital caiu muito. Estava na minha vez de fazer visita em alguns pacientes e, quando eu passava por um corredor totalmente vazio, o Dr. Diego veio ao meu encontro, segurou meu braço e me puxou para uma sala vazia.
— Tá tudo bem, Dr. Diego? Tá se sentindo bem? — perguntei, assustado.
— Sentindo algo eu até estou, mas nada de ruim.
— Que susto, do nada você me puxa assim.
— Rafa, se eu pedir algo, você me ajuda?
— Bom, se estiver ao meu alcance, eu ajudo sim.
— Gostaria de fazer uma surpresa de aniversário para minha mãe. O aniversário dela é no próximo fim de semana e gostaria da sua ajuda. A Leila me contou que você tem um ótimo gosto para esse tipo de coisa.
Pensei por alguns milissegundos e disse:
— Bom, eu sei fazer coisas simples, nada de extraordinário, mas sim, eu ajudo você.
— Ah, que bom! Vou te chamar no WhatsApp depois pra gente alinhar algumas coisas.
— Sem problemas ;)
— Desde já te agradeço, coisa linda — falou isso com um sorrisinho.
Ele disse isso e saiu. Putz! Do nada essa história aleatória. Pensei assim e fui procurar a Leila.
— Ei, mulher, que história é essa de você ter dito ao Diego que eu sou bom em fazer festinhas surpresa?
— Ai, ele veio perguntar se você era bom, e convenhamos que a senhora é boa em fazer essas coisas.
— Primeiramente, não me chama de senhora. E segundo, como eu vou fazer algo para uma pessoa que não conheço?
— Eu sei que você vai se sair bem. E outra, vai ter aquele homão perto de você, talvez ele fique até em cima de você e você em cima dele, hahaha.
— Mulher, não vai rolar nada entre eu e ele, já disse!
— Quero ver! — disse Leila entre risos.
Sendo sincero, eu não gostaria de estar nessa situação. Só falei sim para o Diego porque não sei dizer não. Espero que tudo dê certo.
Acabei meu plantão e fui para casa; isso já era sete da manhã de sábado. Cheguei em casa, procurei meus gatos para fazer um chamego neles, tomei um banho e deitei um pouco. Eu não sei vocês, mas, se deixar, eu passo horas no TikTok, hahaha.
Chega mensagem do Luan:
“Bom dia, lindo. Como você vai?
Fui dormir pensando em você e acordei assim.”
(Foto de visualização única
Bom pessoal esse é o primeiro capítulo, novamente peço desculpas pelos erros ortográficos e caso tenha ficado alguma parte confusa basta deixar nos comentários, lembrando que nós próximos capítulos teremos pontos de vista de outros personagens para um melhor desenvolvimento da história, desde já agradeço pela atenção e leitura S2