Um encontro inusitado me despertou do bloqueio criativo.

Um conto erótico de J. R. King
Categoria: Trans
Contém 3298 palavras
Data: 11/01/2026 09:38:16

Eu encarava o papel à minha frente enquanto meus pés tamborilavam incessantes. Há tempos minha rotina era essa tortura: demorava horas para pensar em algo, e quando vinha, escrevia algumas linhas, um parágrafo talvez, às vezes até uma folha. Mas quando relia, não estava tão bom, amassava e jogava fora, e o ciclo recomeçava.

Recostei-me na cadeira, esfregando os olhos já cansados, desviei o olhar para a janela, onde percebi que chovia. Há quanto tempo? Fiquei tão focada que não sabia dizer, mas estava forte e parecia que não iria parar tão cedo.

A taça de vinho repousava vazia sobre a mesa. Enchi novamente e tomei um gole longo, na esperança de que o álcool destravasse as ideias. Vã ilusão. Suspirei, cansada, minha cabeça latejava. Mais exaustivo do que escrever era querer escrever e não conseguir. Afastei-me, antes que arremessasse a máquina pela janela, e comecei a dar voltas pelo chalé.

— Se acalma, Lígia, — murmurei a mim mesma. — Você já passou por isso antes. Uma hora as ideias voltam. Elas sempre voltam. — Mas uma voz mais sombria dentro de mim retrucou, cheia de desespero: — Mas nunca demoraram tanto assim para voltar.

O sofá, de couro gasto, rangeu quando eu me sentei. Estava vencida, uma parte de mim — a parte teimosa — se recusava a desistir, enquanto a outra já aceitara que eu não levava mais jeito. Bebi mais um gole, o sabor encorpado desceu pela garganta, tentando afastar os pensamentos derrotistas.

— Você precisa relaxar. Só relaxar, — sussurrava. — Relaxar, — repetia, de forma incessante. Até que uma ideia surgiu, tímida, mas insistente. — Quem sabe…

Fui até o quarto, abri a mala e comecei a vasculhar, procurando em meio às roupas, bagunçando o que já não estava organizado, até encontrar o que procurava: meu vibrador predileto, de silicone rosa, com quinze centímetros, e um massageador embutido que sempre me estremecia.

— Talvez um pouco de prazer possa clarear meus pensamentos. — Segurei o objeto, senti seu peso familiar, enquanto um sorriso travesso tomava o meu rosto.

Voltei para o sofá, deixando o brinquedo sobre a mesa de centro enquanto desatava o meu robe. Meu corpo se arrepiou com o toque do ar gélido quando o cetim escorregou pelos ombros e caiu ao redor da cintura. Meus seios, grandes e pesados, pendiam sobre a barriga, com os mamilos intumescidos pelo frio e pela excitação.

Senti um calor subir o pescoço quando liguei o brinquedo. Zumbia baixo, preenchendo o silêncio. Deitei-me, abrindo as pernas devagar, e puxei a calcinha para o lado, expondo-me para o meu amante mais fiel. Pressionei a ponta contra os lábios, que mal se abriam em volta da gordura que insistia em se acumular. Meu corpo reagiu de imediato, soltei um suspiro baixo quando senti aquele tremor gostoso contra a pele. Meu sexo se lambuzou rápido, desci o brinquedo até a entrada e empurrei devagar, sentindo-o me abrir aos poucos e me preencher com uma pressão deliciosa.

Minha respiração se ofegava, os seios balançavam sutilmente a cada movimento dos quadris. Reclinei a cabeça sobre o encosto de braço e fechei os olhos, entregando-me completamente quando posicionei o massageador no lugar certo. Minhas costas arquearam ao senti-lo massagear meu clitóris. Deixava escapar gemidos cada vez mais graves, seguindo a vibração.

O prazer se intensificava, uma onda quente que começava entre minhas pernas e se espalhava pelo corpo. Meus pés se contraíram, agarrei o encosto do sofá com a mão livre. Meu cabelo espalhou-se em desordem sobre o couro, e pressionei os lábios com força, tentando abafar os suspiros que escapavam sem controle. O orgasmo se aproximava cada vez mais, podia senti-lo a segundos de distância.

Foi quando a porta se abriu em um rangido alto, e o barulho da chuva quebrou o transe. Em um susto, soltei um grito desesperado, o vibrador escapou das minhas mãos e eu me desequilibrei, caindo do sofá e batendo os quadris com força.

— Merda! — xinguei, sentia o coração bater forte, enquanto puxava o robe para me cobrir. O vibrador rolou pelo chão, ainda zumbindo, e o desliguei com um tapa desajeitado. Meu rosto ardia de vergonha.

Levantei-me, ainda cambaleante, ajeitando o cabelo, e me virei para a porta. Uma mulher empurrava uma mala grande para dentro do chalé. Era jovem, talvez com menos de trinta anos, vestia um casaco de lã pesado e um gorro de tricô, além de um cachecol que cobria metade do rosto. Ela me encarou, com a mesma surpresa que eu a encarava de volta. Quando tirou o cachecol, pude notar o seu rosto de traços finos, com sobrancelhas delineadas, lábios cheios e um pescoço longo, onde se destacava seu pomo.

— Perdão — disse a mulher. — Eu não esperava encontrar alguém no meu chalé.

— Seu chalé? — Franzi a testa, confusa. — Este é o meu chalé.

— Não, eu aluguei aqui para passar a semana. Veja — disse ela, tirando o celular do bolso do casaco e me mostrando a tela. Era uma reserva, com a data daquele dia, no mesmo chalé. Peguei meu celular na mesa e mostrei minha própria reserva, feita em outro site.

— O que fazemos? — Ela perguntou.

— Vou ligar para a administração e exigir explicações.

Digitei o número duas, três vezes, mas a tela mostrava a mesma mensagem: sem sinal.

— E agora? — ela perguntou, tirando o gorro e revelando os cabelos castanhos com mechas mais claras, caindo em ondas soltas até os ombros.

Olhei novamente pela janela, a chuva caía mais forte do que nunca.

— É melhor resolvermos isso pela manhã — respondi, resignada. — Está tarde, pode ficar aqui essa noite.

Ela me encarou por um momento, então sorriu, fazendo seus olhos brilharem. — Obrigada — respondeu, com a voz suave.

A mulher arrastou a mala até próximo do sofá com um suspiro cansado, e então despiu o casaco, colocando-o cuidadosamente sobre a poltrona. Com menos roupa, pude perceber seus ombros largos e os seios firmes, além de uma cintura lisa e invejável. Ela se sentou no sofá e me olhou com um sorriso tímido.

— Desculpe-me, não me apresentei — disse ela, estendendo a mão. Sua voz era doce, mas rouca. — Sou Jasmim.

— Prazer, Lígia.

Senti a maciez de sua pele contra a minha quando a cumprimentei, assim como seus dedos gelados. Levantei-me, pegando a garrafa sobre a mesa. — Você está congelando — comentei, enquanto enchia uma taça. — Um pouco de vinho vai ajudar a aquecer.

— Obrigada — ela segurou a taça com a ponta dos dedos, seus lábios deixaram uma marca sutil no vidro após tomar um gole.

Sentei-me novamente, ajustando o robe para cobrir melhor as pernas. Meu rosto ainda ardia, mas já estava mais calma. Quebrei, então, o silêncio:

— Só temos uma cama aqui. Mas posso dormir no sofá. Tem cobertores extras no armário, se precisar.

— Não, eu durmo no sofá — insistiu ela, com um tom gentil, balançando a cabeça. — Não se preocupe comigo. Já fico agradecida pela hospitalidade.

— Essas coisas acontecem — respondi, dando de ombros, embora ainda sentisse o peso do constrangimento.

— Você também veio para o festival?

— Que festival?

— O festival de música.

— Não.

— Veio passear?

— Na verdade, quase não saí do chalé desde que cheguei.

— O que faz aqui, então? — Ela inclinou a cabeça, intrigada.

— Sou escritora. Mas… estou passando por um momento complicado agora. Vim me isolar, fugir um pouco do mundo para focar na minha história.

— Uma escritora, é? Por isso a máquina de escrever? — disse ela e apontou para os fundos da sala, em direção àquele objeto que era minha penitência nos últimos meses. — Gosta de coisas vintages?

— Não, só gosto do desafio de escrever numa máquina antiga, estimula a minha criatividade.

— E tem funcionado?

— Ultimamente, não — confessei, a frustração voltou a apertar-me o peito. — Estou com um bloqueio criativo.

Jasmim tomou outro gole de vinho e perguntou:

— Que tipo de histórias você escreve?

— Romances. Quer dizer… na verdade, são mais intensas que romances.

— Intensas de que jeito?

— São… eróticas — minha voz saiu mais baixa, relutante. Não costumava contar isso às pessoas, mas havia algo na presença dela que me fazia sentir à vontade, mesmo que a conhecesse há apenas alguns minutos. — escrevo contos eróticos.

— Sério? — Jasmim soltou um risinho de surpresa, cobrindo a boca com a mão por um instante. — Que incrível! Nunca conheci uma autora erótica antes.

— Bom, nós existimos. Afinal, os contos não se escrevem sozinhos.

Ela soltou um riso leve e contagiante, fazendo-me acompanhá-la.

— Isso é muito legal, adoro ler contos eróticos. Mas… como você está com bloqueio criativo? Não é só escrever sobre suas experiências?

— Não é assim que funciona — senti um nó no estômago ao ouvir a pergunta. — Na verdade, não vivi sequer metade das histórias que escrevo.

— Como assim? É tudo inventado?

— Sim, a maioria… quase todas — admiti. — Por isso estou com dificuldades, não consigo criar novas histórias.

— Mas isso não faz as histórias perderem o sentido? Não tira a autenticidade?

— Autenticidade? — disse, repetindo para mim mesma, como se aquele conceito me parecesse estranho. — Escrever não se trata de relatar uma experiência de vida. Um autor não precisa falar só sobre o que viveu, pode escrever sobre o que quiser, desde que consiga transcrever com fidelidade sua história.

— Bom, se eu fosse escritora, não ia precisar inventar nada. Tenho bastante história para contar.

— É mesmo? — perguntei, erguendo uma sobrancelha, intrigada. — Que tipo de histórias?

— Todos os tipos, com todo tipo de gente. Eu amo viajar, já visitei todos os estados, e muitos países, e sempre vivi alguma aventura. É muito fácil para uma garota como eu encontrar esse tipo de experiência.

O jeito que ela dizia, com orgulho, me deixava fascinada. Não pude evitar a curiosidade, perguntei:

— Por que não me conta algumas?

— Eu poderia ficar a noite inteira contando.

— A gente não vai a lugar algum — retruquei, enchendo novamente as taças. — Por favor, adoro ouvir boas histórias.

— Por onde posso começar? — Ela se ajeitou no sofá e bebeu um gole de vinho, pensativa.

Jasmim foi contando suas histórias, cada uma soava mais excitante do que a outra, deixando-me presa a suas aventuras. Contou-me sobre um pescador que conhecera em uma cidade no nordeste, que lhe fodeu amarrada às cordas do navio. Depois, sobre um grupo de cinco universitários comemorando a formatura, que a levaram para o quarto do hotel. Quando ela tirou a roupa, eles ficaram acanhados, mas depois de chupar cada um deles, a timidez logo se esvaiu. Teve também a vez que, em um hotel-fazenda no interior, fez amizade com um casal de mulheres, que a convidaram para acompanhá-las em uma degustação de cachaças. Até que uma delas revelou que a real intenção do convite era ver sua esposa transar com outra, e assim ela o fez, enquanto a voyeur se masturbava em uma poltrona.

Ela exibia um sorriso sacana, demonstrando o quanto se divertia ao contar as histórias. Mas também notava certa malícia, como nos momentos em que pausava a fala, estudando a minha reação. Eu mantinha o olhar fixo, molhando os lábios de vinho entre um relato e outro, e pedia para prosseguir. Meu rosto ardia, mas queria ouvir mais. Suas experiências eram vívidas, tinham uma sinceridade que jamais conseguira imprimir nas folhas, e me frustrava.

Terminamos a garrafa de vinho e logo abri outra, estava inerte. Sem perceber, fui chegando mais perto, como se encurtar a distância fizesse as histórias mais íntimas. Nossos pés se roçavam, e Jasmim traçava desenhos irregulares com os dedos em meu antebraço, um toque que enviava um formigamento pela minha pele.

— Meu Deus, Jasmim. Você é como um livro erótico ambulante!

— Eu avisei que tinha muitas histórias — ela sorriu. — E ainda não contei nem metade.

— Talvez você esteja certa. Se eu vivesse tudo isso, não teria esse bloqueio.

— O que está esperando para viver, então?

— Um novo corpo, talvez — respondi, em um tom autodepreciativo. — É difícil quando você é… fora do padrão.

— Seu corpo não tem nada a ver com isso. É a sua atitude.

— Para você é fácil falar. É bonita.

— Lígia, olha para mim. Também sou “fora do padrão”, tudo tem a ver com sua confiança. E você deveria ter mais, afinal, é muito atraente.

Ela levou a mão ao meu rosto, acariciando minha bochecha. Não pude deixar de corar com o elogio, algo que não ouvia há tempos.

— Obrigada — respondi, tímida.

— Por que não escreve uma história sobre uma experiência real, só dessa vez?

— Talvez. Você pode me ajudar contando com mais detalhes alguma história sua.

Ela soltou uma risada, carregada de flerte, e se aproximou mais. Seu polegar — que acariciava minha bochecha — desceu até o queixo, tocando meu lábio.

— Posso te ajudar. Mas… pensei que você gostaria de ser a protagonista.

Senti meu corpo em chamas, catalisado pelo vinho e pelo toque. Seu olhar, fixo em mim, analisava cada reação, enquanto os lábios se curvavam em um sorriso encantador, agora, tão de perto, podia sentir seu hálito. Ela prosseguiu:

— Pensa bem: uma escritora tem um encontro inesperado com outra mulher em seu chalé, e após uma noite de prazer, o encontro destrava sua criatividade. Não parece uma premissa interessante?

— Parece mesmo — respondi. Meus lábios permaneceram abertos, convidativos. — Mas, se a história precisa ser autêntica, então não vou poder inventar a parte da noite de prazer.

— Tem razão — disse ela, deslizando sua mão até minha nuca, apertando firme minha pele, fazendo os pelos nos meus braços se eriçarem. — Talvez precise te ajudar nessa parte também.

Ela me puxou para si, nossos lábios se encontraram em um beijo ardente. Era quente e exigente. Sua boca se pressionava contra a minha, fazendo-me suspirar baixo. Sua língua me invadiu, puxou-me para uma dança lenta e provocante. Senti seu calor contra o meu, com suas mãos acariciando minha pele e desatando o nó do robe.

Jasmim desceu até o pescoço, plantando beijos que me faziam arfar. Os dedos tatearam meu corpo, explorando o que se escondia debaixo do cetim. Sua palma macia alcançou meu seio. Ela segurou firme, depois o indicador e o polegar pinçaram o mamilo, fazendo-me soltar um gemido manhoso.

Ela se afastou por um instante, como se me permitisse recuperar o fôlego. Se inclinava para trás, convidando-me a se juntar. Eu aceitei. Desfiz-me do robe, jogando-o ao chão, e a beijei, novamente. Seu corpo desceu até o encosto, e suas mãos exploravam minha cintura. Passei também a tocá-la. Com fome, desci direto às suas pernas, tateando o seu sexo, onde senti um arrepio ao senti-lo rígido.

— O que foi? — ela perguntou, notando o meu espanto.

— Nada. É só que… é algo novo para mim.

— Tudo bem, vamos devagar.

Jasmim abriu a calça, soltando os botões e descendo-a até se despir. Por baixo, vestia uma calcinha de renda rosa, onde sobressaía o volume. Ela a abaixou, e seu membro saltou em riste. Era pequeno e fino, sutilmente encurvado para a esquerda, mas gracioso. A glande avermelhada brilhava de desejo, e as bolas pendiam retraídas. Ver aquilo em uma mulher tão linda me encantava. Era diferente, incomum e excitante. Meus lábios se umedeceram só de antecipar o que faríamos, enquanto ela o segurava, exibindo-o para mim com orgulho.

— O que achou? — ela perguntou.

— É… tão bonito.

— Segura ele, então.

Jasmim pegou minha mão e levou até seu membro. Os dedos o envolviam com facilidade. A pele, morena e áspera, esticou-se quando, por instinto, comecei os movimentos. Lentamente, a carícia foi tomando forma, minha mão apertava firme, deslizando sobre o corpo em um vai-e-vem deliberado.

— Isso… bem devagar… tá me deixando cheia de tesão — dizia Jasmim, com a voz já entrecortada por suspiros. Ela levou a mão de volta ao meu queixo, esfregando o polegar nos lábios. — Usa a boca.

Sem hesitar, atendi ao seu pedido. Debrucei-me sobre suas pernas, aproximando o rosto. Observei por um instante, enquanto salivava. O pré-gozo, que emanava em gotas tímidas, espalhava-se sobre a cabeça, dando-lhe um brilho encantador. Pensei em todas as histórias que havia escrito até então, em como eu costumava retratar momentos como aquele, buscando inspiração. Decidi começar com a língua, subindo da base até a ponta, degustando cada centímetro. Ao chegar ao topo, circundei a glande, enquanto meus lábios formavam um círculo perfeito que a envolveu, abocanhando sua rola.

Eu engolia com facilidade, sentia seu sabor em minha boca, doce como mel. Os sons, molhados e intensos, preencheram o espaço entre mim e Jasmim. Sentia suas mãos me acariciando, percorrendo meus cabelos, enquanto ouvia seus gemidos. Minhas mãos subiram pelo seu corpo, levantando o suéter até despi-la. Seus seios revelaram-se, médios, com os bicos empinados e uma discreta cicatriz por debaixo. Quando os apalpei, senti a firmeza do silicone por debaixo da carne, uma sensação que contrastava com a maciez dos meus.

— Minha vez — ela anunciou, empurrando-me para trás e fazendo-me deitar sobre o sofá.

Ela se colocou entre minhas pernas, minhas coxas roliças pareciam engoli-la, mas seu olhar indicava desejo, de um jeito que não sentia de alguém por mim há muito tempo. Seu rosto desapareceu entre as minhas carnes e logo senti a língua me tocar, traçava movimentos rápidos em meu sexo, com seus lábios sugando o clitóris e me fazendo arquear as costas de prazer.

Quando levantou, sua boca e queixo brilhavam reluzentes, lambuzados com meu líquido. Ela limpou com o dorso da mão e me desferiu um sorriso safado, quando posicionava seu membro contra mim. Senti a ponta tocar a entrada, esfregando-se na fenda, abrindo caminho. Inspirei fundo, pois sabia que o próximo movimento me tiraria todo o ar. Nossos olhares encontraram-se uma vez mais, falavam bem mais do que nossas vozes eram capazes de expressar.

Foi quando empurrou, penetrando-me, não muito fundo, mas o suficiente para me estremecer. Senti o calor dos seus quadris tocarem os meus, e depois se afastarem, e logo após se encontrarem, novamente.

Ela me puxou para um novo beijo, agora mais obsceno, com seus lábios chupando minha língua, meus dentes mordiscando sua boca. Nossos corpos, entrelaçados, atritavam-se, misturando o suor. Sentia seus seios duros friccionando-se aos meus.

Jasmim aumentou o ritmo, seus quadris agora batiam, fazendo meu corpo inteiro balançar no mesmo ritmo. Minha perna esquerda apoiava-se em pé em seus ombros, enquanto a outra caía para o lado, apoiando-se no chão. Olhei para baixo e vi seu corpo me possuindo, nossos sexos produzindo um som úmido a cada estocada. Quando meus olhos subiram, reparei em sua expressão. Sua boca entreaberta, escapando gemidos, os lábios retorcidos e as sobrancelhas franzidas. Era puro êxtase.

— Ah… que boceta maravilhosa você tem — dizia Jasmim, provocando-me.

— Ai, que tesão! — eu respondia. — Você fode tão gostoso.

— Vem cá, quero sentir você sentando em mim.

Ela me puxou. Me fez sentar sobre seu colo. Meu corpo era maior, mais largo e mais voluptuoso, mas eu não sentia vergonha, pois percebia em seus gestos o genuíno desejo.

— Você é linda — ela me dizia, não “você tem um rosto lindo”, como estava cansada de ouvir, ela me apreciava por inteira. Quando sua boca encontrou meu peito, traçando pequenos círculos nas aréolas, senti não somente tesão, mas confiança. Uma destimidez que me permitia desfrutar do momento em sua completude, sem constrangimentos ou inseguranças.

Assim, sem pudores, comecei a balançar os quadris em um rebolado lento, sentindo Jasmim dentro de mim, massageando meu ponto mais sensível. Ela agarrou minha bunda e começou a subir e descer, ditando os movimentos. O ritmo acelerou, o sofá rangeu alto, abafado somente pelo som dos nossos gemidos. Não demorou muito para o orgasmo vir, inundando meu corpo como um tsunami, fazendo minhas pernas fraquejarem e a visão enturvar.

Jasmim continuou, com minha boceta ainda dormente, socando forte por mais alguns instantes, até gozar. Ela tirou no último instante, ejaculando em si mesma, não mais que algumas gotas translúcidas, enquanto eu me jogava ao lado, limpando o suor da testa.

— Aposto que você nunca escreveu algo tão delicioso assim — disse Jasmim, como uma última provocação.

— Não… jamais — eu tentava responder, mas perdia as palavras, embaralhadas pelo regozijo. Com muito esforço, as encontrei. — Isso é melhor do que qualquer história.

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