Era quase meia-noite quando voltei pro apartamento. O calor de Fortaleza ainda grudava na pele mesmo com o vento do mar que eu tinha enfrentado na caminhada. Fumei um maço inteiro na praia, olhando o breu do oceano, tentando entender o que caralhos tinha acontecido dentro de mim naquela tarde. Raiva? Sim. Nojo? Também. Mas tinha outra coisa ali, uma pontada quente e suja que eu não queria nomear.
Quando abri a porta, o lugar estava escuro, só a luz da geladeira iluminando a cozinha quando eu a abri. Gabriele ainda estava lá, claro. Ela tinha dito que ficaria “cuidando da casa” até o dia seguinte. Peguei duas long necks geladas e uma garrafa de cachaça que a gente guardava pros fins de semana. Gritei da sala, voz mais baixa do que eu pretendia:
“Gabi, tá em casa? Vamos tomar umas.”
Ela demorou uns segundos, mas apareceu. Short jeans curtinho, regata larga que deixava o ombro de fora, cabelo solto e bagunçado. Parecia normal. Como se nada tivesse acontecido. Sentou do outro lado do sofá, pegou a cerveja que eu estendi sem dizer nada. Brindamos em silêncio. O primeiro gole desceu gelado e amargo.
Falamos merda por uns vinte minutos. Trabalho, calor, faculdade, qualquer coisa pra não tocar no elefante na sala. Mas depois da terceira cerveja e da primeira dose de cachaça direta no copo, o silêncio ficou pesado demais.
Olhei pra ela de lado.
“Eu vi vocês hoje à tarde.”
Ela congelou. O copo ficou parado no ar.
“Vi tudo. Você de quatro, o Carlos te comendo forte, os tapas na cara, na bunda… você pedindo mais. ‘Me enche’, você disse. Eu ouvi cada porra de palavra.”
O rosto dela mudou em câmera lenta: primeiro negação, depois pânico, depois uma mistura estranha de vergonha e desafio.
“Você tá louco? Ficou espiando? Seu doente—”
“Não vem com essa. Eu descrevo cada detalhe se você quiser. O jeito que você empinava, o som da mão dele na sua bunda, o gemido quando ele te chamou de putinha e você sorriu… quer que eu continue?”
Ela jogou o copo na mesinha com força. Líquido espirrou. Levantou-se, olhos marejados, mas voz firme:
“E daí? Ficou olhando a cena inteira e não fez nada? Seu tarado de merda.”
Aí explodiu.
Chamei ela de traidora, de vagabunda, de ingrata com o Lucas que era dez vezes melhor que aquilo. Ela devolveu na mesma moeda: disse que eu era hipócrita, que ficava de macho alfa mas tinha ficado parado feito estátua vendo tudo, que eu era patético. A gritaria subiu rápido. Empurrão daqui, empurrão dali. A mesinha lateral caiu. A garrafa de cachaça rolou pelo chão.
No meio da briga, bem no auge da raiva, ela parou de repente, respirando pesado, e soltou, olhando direto nos meus olhos:
“Sabe o que é pior, Diego? O Carlos já fodeu a Alice também. Há uns dois anos, numa viagem de trabalho que ela disse que era ‘só profissional’. Ela nunca te contou, né? Aposto que nem imaginava. Ele me contou uma vez, bêbado, rindo como se fosse troféu. E ela deixou acontecer. Igualzinha a mim.”
As palavras caíram como soco no estômago. Eu congelei por um segundo. A raiva mudou de direção, virou algo maior, mais sujo. Alice. Minha Alice. Com o Carlos. O “irmão” dela. O cara que eu chamava de brother.
“Você tá mentindo”, rosnei, mas minha voz saiu fraca.
“Pergunta pra ela quando ela chegar amanhã. Ou melhor… não pergunta. Vai doer mais do que você aguenta.”
As palavras dela ecoavam no ar, pesadas como chumbo. O silêncio que veio depois foi pior que qualquer grito. Ficamos os dois parados, a poucos passos um do outro, respirando como se o ar tivesse acabado. Olhares cravados. Nenhum piscava. Era como se o ódio tivesse virado uma corda esticada entre a gente, prestes a romper.
Eu avancei primeiro.
Segurei ela pelos braços, com força, dedos afundando na pele macia, e a joguei de costas no sofá. Ela caiu sentada, pernas abertas, olhando pra cima com aqueles olhos que misturavam medo e provocação. Subi em cima dela, joelhos fincados no estofado dos dois lados das coxas dela, prendendo o corpo pequeno sob o meu. Meu rosto a centímetros do dela.
“Você é uma vadia mentirosa”, rosnei, voz rouca, quase tremendo de raiva.
Ela riu na minha cara. Um riso curto, desafiador, que me fez ferver mais ainda.
“E você é um corno manso, Diego. O Carlos fodeu sua namorada e você nem desconfiava. Patético.”
O tapa veio rápido da mão dela — forte, estalado, acertando meu rosto. A dor ardeu, mas só alimentou o fogo. Segurei o pulso dela com uma mão, torci pra trás, imobilizando, e com a outra segurei o queixo dela, forçando ela a me encarar de novo.
Nossos rostos estavam tão perto que eu sentia o hálito quente dela, cheiro de cerveja e cachaça misturado com o perfume doce que ela sempre usava. Os olhos dela brilhavam — raiva, tesão, vitória. Os meus deviam estar iguais. O tempo parou. A gente ficou ali, se encarando como dois animais prontos pra morder, peito colado no peito, respirações sincronizadas e aceleradas. A tensão era palpável, elétrica, insuportável.
Foi ela quem quebrou primeiro.
Com um movimento brusco, se soltou do meu aperto e me empurrou com as duas mãos abertas no peito — não pra me afastar, mas pra me jogar de costas contra o encosto do sofá. Antes que eu pudesse reagir, ela veio pra cima, montou no meu colo e me beijou.
Foi selvagem. Animal. Dentes colidindo, línguas brigando por domínio, mordidas que deixavam gosto de sangue. Eu respondi na mesma moeda, puxando o cabelo dela com força pra trás, expondo o pescoço, e mordi ali, marcando. Ela gemeu na minha boca, um som rouco e faminto que ecoou direto no meu pau.
“Você é uma vadia do caralho”, rosnei contra os lábios dela, voz baixa e perigosa.
Ela riu de novo, baixo, no meu ouvido, o riso que me deixava louco:
“Então me trata como uma. Igual o Carlos trata a sua namorada.”
Não teve mais conversa.
Arrancamos as roupas na sala mesmo. Camiseta rasgada, short jogado no canto, calcinha preta voando. Levei ela pro quarto de hóspedes — o mesmo lugar onde tudo tinha acontecido horas antes. Joguei ela de bruços na cama, de quatro, exatamente como eu tinha visto.
O primeiro tapa na bunda ecoou alto. A marca apareceu na hora. Ela gemeu forte, empinando mais.
“Mais.”
Dei outro. E outro. Mais forte. A pele ficando vermelha, quente. Subi a mão e dei o primeiro tapa no rosto — firme, mas controlado. A cabeça dela virou. Ela virou o rosto de volta, olhos brilhando:
“De novo. Me bate como ele bate na Alice.”
Cada palavra era uma facada, mas também gasolina no fogo. Alternei. Bunda, rosto, bunda, rosto. Enquanto metia fundo, segurando a cintura fina dela com as duas mãos, puxando com força contra mim. Ela empurrava pra trás, pedindo mais, xingando, gemendo, uma mistura louca de súplica e provocação.
Em algum momento virei ela de costas. Pisei de leve no rosto dela enquanto ela continuava de quatro, o pé pressionando o queixo, obrigando ela a me olhar.
“Olha pra mim quando gozar, sua cachorra. Goza sabendo que a Alice já gozou pro mesmo pau.”
Ela gozou assim. Corpo inteiro tremendo, molhando lençol, coxas, tudo. Gritou meu nome pela primeira vez.
A noite virou bagunça. Fiz ela gozar mais vezes — cavalgando com raiva, de bruços com o rosto afundado no travesseiro enquanto eu puxava o cabelo, de lado com minha mão no pescoço dela (leve, mas firme), e por último de novo de quatro, tapas alternados até a pele arder e ela implorar pra eu gozar.
Quando chegou a hora, avisei rouco:
“Vou gozar dentro.”
“Me enche, porra… igual ele encheu a Alice.”
Enterrei até o fundo e gozei forte, sentindo ela apertar em volta de mim no último orgasmo dela. Tirei e ainda consegui gozar mais um pouco na cara — rosto, boca, queixo. Ela lambeu devagar, olhando pra mim com um sorriso cansado e safado:
“Você é bem pior que ele. Mas aposto que a Alice ia adorar saber.”
Caímos na cama. Suor, cheiro forte de sexo, álcool e culpa. Silêncio pesado.
Depois de uns minutos, com a respiração voltando ao normal, ela falou baixo, quase sussurrando:
“Não conta pra ninguém. Nem pra Alice, nem pro Lucas. Isso morre aqui… pelo menos por enquanto.”
Eu não respondi.
Ela se levantou, pegou a calcinha no chão, foi pro banheiro. Ouvi o chuveiro ligar.
Fiquei olhando pro teto, o peito apertado.
A Alice chega amanhã à noite. Gabriele vai embora depois de amanhã. O Carlos continua sendo o “melhor amigo” da minha namorada. E agora eu sei que ele já esteve dentro dela também.
Eu não sei se isso fica entre mim e ela. Não sei se consigo olhar pra Alice nos olhos sem imaginar o Carlos em cima dela. Não sei se consigo ver o Carlos de novo sem querer quebrar a cara dele. E o pior: uma parte de mim — uma parte bem escura — quer confrontar os dois. Ou pior ainda… continuar nessa merda, visto que eu também já me entreguei a essa loucura toda.
Continuo na parte 3...