A Minha Melhor Amiga Sempre Foi Uma Gostosa e Só Eu Não Tinha Reparado - Pt. 2

Um conto erótico de Ramon66
Categoria: Heterossexual
Contém 2684 palavras
Data: 01/01/2026 04:26:15

Voltei a olhar a tatuagem. Era colorida e num lugar que eu considerava sexy, mas ela raramente usava até sandálias pra mostrar. As unhas dos pés estavam pintadas de preto, e notei um anel de prata no dedo do meio.

Sam tinha comentado uma vez que teve um namorado que gostava dos pés dela. Fiquei curioso se era por isso que ela tinha feito a tatuagem e usava o anel. Não querendo parecer que tava encarando, olhei pra cima.

Sam tinha terminado de comer e tava descansando a cabeça na árvore com os olhos fechados. Eu tinha falado sério; ela era bonitinha. Sam nunca usava maquiagem mas parecia não precisar. A pele era lisa e as bochechas tinham uma cor natural, e ela tinha os cílios mais longos que já tinha visto.

Esses cílios, junto com os olhões castanhos, ela usava pra me dobrar rapidinho, assim como fazia com o pai e os irmãos. A mãe dela tinha os mesmos olhos e sempre dizia pra Sam usar isso ao máximo porque era a única vantagem que uma mulher tinha. Ela também dizia que a Sam era bonita, mas Sam nunca acreditava.

Olhando pra ela agora, relaxada e com o rosto suave, pensei que a mãe dela tinha razão. Sam era bonita do seu jeito. Diferente da Júlia, que era linda de tirar o fôlego, Sam tinha uma beleza natural e...

Meu celular tocou, me tirando dos pensamentos. Olhei a tela e vi que era a Júlia. Levantei rapidamente, afastando uns passos da Sam pra atender.

— Oi, amor — falei, tentando não soar muito empolgado.

— Oi, baby! — A voz da Júlia era doce como mel. — Como tá indo aí? Conseguindo limpar tudo?

— Tá indo bem. A Sam tá me ajudando, então deve terminar logo.

— Sam? — Júlia riu do outro lado da linha. — Consigo imaginar. Ela não parece o tipo de menina que tem nojo de sujar a mão. Provavelmente nem precisou pensar que roupa usar. Ela se veste daquele jeito todo dia...

— Júlia. — Virei de costas pra Sam e abaixei a voz. — Já te pedi pra parar com isso. Por que tu sempre pega no pé dela?

— Por que você sempre defende ela?

— Porque ela é minha melhor amiga.

— Homem e mulher não conseguem ser só melhores amigos. Um dos dois sempre acaba querendo alguma coisa a mais.

— Sábia pra seus dezoito anos — falei.

— É verdade. — Ela suspirou. — Você anda com ela porque ela é tipo um dos caras, mas sem a atitude escrota, e ela anda com você porque... bom, ela prova meu ponto.

— Essa de novo? Qual é, Júlia. Já te falei que a Sam é só parceira.

— *Você* vê assim. Mas enfim, muito obrigada por me ajudar com isso, Bruno! O Dia da Terra cai no meio da semana, então esse sábado é a melhor chance que a gente tem pra fazer bastante coisa.

— De boa. — Sentindo movimento, olhei por cima do ombro e vi Sam calçando os All-Stars de novo. — E aí, que tu vai fazer hoje de noite? Minha mãe vai viajar daqui a pouco.

Sam levantou e colocando o boné virado pra trás, pegou o saco de lixo e foi em direção a outro monte de arbustos, deixando a mochila pra trás.

— Bom, como vai tomar boa parte do dia aqui, a gente pensou em aproveitar e fazer uma festinha, acender uma fogueira, dar um rolê, curtir um pouco.

— Sério? — Lembrando que o Robinho tava lá, senti mais que um frio na barriga. — E se eu der um pulo aí?

— Bom... — Júlia pausou, e o frio virou um nó no estômago.

— Bom o quê?

— Olha, Bruno, às vezes eu só quero sair com as amizades e, sabe, nem sempre ficar grudada no namorado.

— Como assim? — falei, levantando a voz e olhando de canto pra ver se a Sam tinha percebido, mas ela tava de joelhos puxando garrafas de cerveja de debaixo dos arbustos.

— Ei, não fica bravo, amor — Júlia ronronou. — Só quero relaxar com uma galera que não vejo há um tempo, beleza?

— Mas eu pensei...

— Agora, amanhã, por outro lado — ela disse, dando aquela risadinha —, corre um boato que meu namorado gostoso vai ter a casa só pra ele até o dia seguinte. Hmmm.

Meu ciúme foi rapidamente substituído por outro aperto, mas esse mais embaixo que o estômago.

— Sabe, Bruno, você tem sido tão fofo esperando por mim, acho que tá na hora da gente ficar bem mais perto.

— Tá? — Não foi exatamente suave, mas eu não conseguia pensar em nada além da Júlia na minha cama olhando pra cima com aqueles olhões azuis, o corpo nu dela se mexendo contra o meu.

— Tô sim, amor. Tenho umas coisas pra fazer de manhã, mas que tal eu aparecer lá pelas três?

— É, isso parece ótimo.

— Te vejo lá então, amor. — Júlia soltou um suspiro doce no telefone que fez meu pau latejar e completou: — Vou fazer valer cada segundo que você esperou.

Júlia não fazia ideia de quanto tempo eu tinha realmente esperado. Sorrindo igual idiota, falei:

— Tenho certeza que vai compensar e muito.

— Ah, vou sim, e tenho que te agradecer pela ajuda de hoje também, então vou ter que achar alguma coisa legal pra vestir e pensar num jeito de mostrar minha gratidão.

Eu tava duro feito pedra só de ouvir ela falando em vir aqui e tive que ajustar a bermuda em volta do pau dolorido.

— Bruno, falando na tua ajuda... Sabe que tá rolando uma competiçãozinha na escola pra ver qual turma consegue limpar mais esse fim de semana?

— Sei.

— Então, como você vai terminar cedo, será que dá pra passar naquele parquinho lá na Rua das Acácias?

— Hã, bom, eu tava pensando em... — comecei.

— Por favor, amor? Vou ficar muito grata.

— Bom, talvez...

— Vou te dar um agrado especial. — Ela deu aquela risadinha que deixa qualquer um de pau duro de novo.

— Agrado? — repeti. *Por favor, seja o que eu tô pensando!*

— Claro, eu imagino que se você vai limpar pra mim, eu deveria ficar toda suja pra você. — Ela suspirou. — Faz tempo que tô pensando em te chupar gostoso, isso seria uma boa recompensa?

— Eu... caralho, com certeza! — exclamei, sem me importar se soava igual moleque empolgado.

— É, amor, quer sentir esses lábios antes daqueles lábios? — Júlia riu. — Eu adoro chupar pau. Tomara que você retribua o favor, sabe, beijo por beijo.

— Seria o mínimo de justo — disse, tentando soar mais casual.

— Eu sou toda sobre justiça, Bruno. Mas só liguei pra dar um oi e ver como tava indo. Te vejo amanhã.

— Mal posso esperar — respondi. Mas ela já tinha desligado.

— Caralho. — Coloquei o celular de volta no clipe do cinto e me forcei a levantar.

Mantendo as costas viradas pra Sam, ajeitei o volume na bermuda e virando, peguei o pote cobrindo o sanduíche que sobrou e coloquei na mochila.

Joguei nas costas e tentei não deixar a mente viajar com pensamentos sobre o que o amanhã traria. Um boquete antes do sexo ia me tirar da bronca de ser rápido. Fiquei imaginando se a Júlia ia engolir ou cuspir, ou talvez gozar nos peitos incríveis dela.

Respirei fundo, tirando pensamentos da Júlia da cabeça. Precisava começar a ajudar a Sam antes dela começar a reclamar, e fazer isso sem um pau duro óbvio. Minha mente já no sexo oral, pensei no que a Sam tinha feito com a banana e me peguei imaginando se ela engolia? O lance da Sam era que se eu perguntasse, ela provavelmente responderia, e de forma bem crua.

Sam ficava puta quando era considerada um dos caras, mas ela mesma causava isso com o jeito que se vestia e a linguagem que usava. Alguns dos meus amigos e eu já debatemos se ela era uma tarada ou só papo. Pessoalmente, minha impressão era que ela seria selvagem na cama, mas não com qualquer um. Sam tinha ficado com dois caras que eu sabia e tinha namorado os dois por meses antes de dar.

— Ei! Ajudar é uma coisa, mas eu não vou fazer essa merda sozinha — ela gritou.

— Foi isso que tu disse pro teu último namorado? — brinquei. Uma checagem rápida mostrou que meu pau tava sob controle. Virei a tempo da resposta dela.

— Vindo do rei da punheta?

— Ri à vontade, Sam. Tu não vai poder fazer essas piadas depois de amanhã.

— Como assim? — Ela levantou do arbusto que tava na frente e limpou a terra do jeans.

— Era a Júlia. Ela vem aqui amanhã de tarde, e ela tá pronta.

— Ela tá sempre pronta — Sam rebateu, mas não sorriu. Em vez disso, ficou séria. — Tu tem certeza que ela não tá te zoando? Ela prometeu mês passado também, lembra? Daí do nada ela precisava fazer alguma coisa com os pais.

— Aquilo foi diferente. Ela me disse depois que tava só nervosa. Não, amanhã é o dia, Sam.

— Tu tem certeza que quer com ela, Bruno? Não acho que ela realmente gosta de ti.

— O que importa é que eu vou estar dentro dela. — Ri, fui até a árvore à direita e tirei uma garrafa de cerveja que tava enfiada num buraquinho.

— Engraçadinho, é exatamente essa atitude que tua mãe não quer que tu tenha.

— Não vem com essa! — Ela tava me irritando de novo. — Eu tô com a Júlia há seis meses. Ela se importa sim e ela quer sim.

— Tenho certeza que ela quer, Bruno. Tu é um cara bonito que trata ela melhor do que ela merece. Mas não acho que ela se importa.

— Óbvio que tu não acha. Tu não gosta dela.

— Não acho que tu se importa tanto com ela também.

— O quê?

— Tu gosta dela, mas tu ama ela? Toda vez que fala dela, é sobre como ela é gostosa, não sobre como ela é doce ou legal. Acho que tu só tá ficando tarado e não quer mais esperar.

— Eu me importo com a Júlia. — Não falei com tanta força quanto deveria.

Eu gostava da Júlia. Gostava muito dela, mas eu amava ela? Eu sabia o que era amor? Porra, eu tinha dezoito anos. "Gostar muito" tava perto o suficiente, e eu tinha sido certinho tempo demais. Além disso, talvez depois que transássemos isso levasse a gente pro próximo nível.

— Não acredito em ti. — Sam pegou uma latinha e jogou no saco. Suspirando, ela veio até mim. — Bruno, sei que tu tá cansado de eu te zoar, e desculpa.

— Tudo bem, Sam. — Dei de ombros. — É pra isso que servem os amigos. A gente zoa um ao outro, tu faz piadinha de virgem e eu faço piada de moleque.

— É, mas a questão é que eu te admiro por isso. De verdade.

— Admira? — Ergui as sobrancelhas esperando o final da piada.

— Admiro. Não tanto sobre o sexo, mas o fato de tu ter feito uma promessa de ser um certo tipo de homem, e tu é. — Ela colocou a mão no meu antebraço. — Esquece amanhã. Ela não é a certa.

— Ah, qualé! — Revirei os olhos. — Sabe de uma coisa, Sam? Talvez tu tenha razão que eu não tô perdidamente apaixonado, mas eu gosto dela e a gente tá junto há um tempo e... Talvez isso deixe a gente mais perto.

— Tu deveria amar a pessoa primeiro.

— E tu amava? — Joguei na cara dela. — Tu tava apaixonada por aquele babaca do Caio? Tava apaixonada pelo Diego?

— Não, mas eu nunca prometi que ia esperar e... — Ela balançou a cabeça. — Eu... me contentei, com os dois.

— Como assim? — perguntei.

— Se a gente vai conversar, vou pra sombra.

Sam sentou debaixo da árvore de onde tirei a garrafa e me juntei a ela, sentando na frente.

— Não me entende mal, Bruno. Tinha alguma coisa ali. O Caio e o Diego foram legais comigo, mas não era amor. Mas, bom, eu pensei nas duas vezes, pra que eu tô esperando? Um romance de novela das seis? Algum cara perfeito? Então decidi só me divertir. Acho que foi isso porque nenhum deu certo.

— Então tu sabia que não amava eles?

— Isso.

— Então qual é a porra do teu problema comigo e a Júlia? — falei, abrindo as mãos. — Tu tá sendo uma puta hipócrita.

— Eu... acho que tu tem razão, mas eu nunca planejei que fosse especial, e pelo menos aqueles caras eram sérios comigo. A Júlia tá te usando. É um jogo pra ela. Por que amanhã? O que ela tá fazendo hoje de noite?

— Ela vai... ficar lá na praia e sair com...

— O Robinho. Bruno, a Júlia tá dando pro Robinho.

— Tu...

— E tenho certeza que ela vai aparecer amanhã e transar contigo porque ela quer sim, mas seria só isso e tua primeira vez vai ser resto de homem e...

— Por que caralho tu se importa tanto? — gritei com ela. — Puta que pariu, Sam, dá um tempo e fica feliz que eu tô feliz!

— Eu me importo porque tu é bom demais pra isso, Bruno, e tem coisa melhor que ela por aí. Se nada mais, meninas tipo a Júlia tem aos montes por aí, mas tu queria que a primeira vez fosse especial.

— Vai ser.

— Então por que não esperar mais um pouco? Termina com aquela vadia e...

— Eu não vou esperar! Por que caralho tu acha que eu posso fazer tão melhor? Deixa pra lá. Não vou começar do zero e ficar me perguntando quanto tempo ia demorar com outra pessoa.

— Tu pode fazer melhor porque tu merece melhor. — Sam olhou pro chão e parecia estar tentando decidir o que dizer a seguir. Uma primeira vez pra ela.

Erguendo a cabeça, ela disse baixinho:

— Bruno, por fora, tu é um cara pra caralho de bonito, especialmente assim. — Ela bagunçou meu cabelo preto e grosso. — Gosto do teu cabelo assim, não daquele jeito que tu enche de gel na maioria das vezes. E quantas meninas te falam como esses olhos verdes são lindos?

Sorri. — Umas quantas.

— E tu jogou baseball e futebol. — Ela colocou a mão no meu braço e apertou. — Tu era um nerd magrelo quando a gente se conheceu. Agora olha pra ti.

Ri e fiz questão de flexionar o braço. — Eu malho.

— E tá bem óbvio, mas...

— Tu tá me olhando?

Quis dizer como piada, mas Sam disparou:

— Claro que não! Eu... eu não olho pra ti desse jeito. Eu só tava tentando... fazer uma observação.

Ela desviou o olhar, mas não antes de eu notar que ela tava corando, o que definitivamente era novidade.

— Tu tá corando?

— Não! Tô com calor! — Ela tirou o boné e limpou a testa.

— Nada, só bonitinha, lembra? — brinquei.

— Confia em mim, Bruno, eu sei que não sou gostosa. — Ela soou irritada.

— Ei! Eu tava brincando!

— Mas a Júlia é, e só pra constar? Nunca imaginei que tu seria o tipo de cara que vai só pela aparência.

— Eu gosto dela por outras razões.

— É, as duas enormes pulando pra fora da blusa dela. Tu é diferente perto dela, Bruno. Quando tá comigo e com o Jim e o resto da galera, tu é tu, e quando tá com ela, tu é... um babaca metido.

— Eu não sou!

— Tanto faz. — Sam levantou. — O ponto que eu tava chegando era que mesmo sendo bonito e popular, tu é um cara gente boa, e isso é bem raro na nossa idade. Essa é a melhor parte sobre ti, e por isso tu merece melhor. A Júlia é só uma vadia superficial.

— Tu é mais que isso e merece mais. Agora, eu te falei como me sinto e tu não liga muito, mas pelo menos eu disse. Espero que tu se divirta amanhã. — Ela pegou o saco e virou as costas pra mim, encerrando a conversa.

Pensei em me defender, mas por quê? Quando a Sam teimava, nada mudava a cabeça dela. Ela tinha feito um bom ponto sobre o quanto eu realmente me importava com a Júlia, mas eu não ia cancelar amanhã. Pela própria admissão dela, Sam não tinha sido super empolgada com os caras que tinha ficado. Ela ficou de boa. Por que eu não deveria ficar?

Pela próxima meia hora, nos movemos pelos arbustos e árvores em silêncio, exceto pelo som de garrafas e latas tilintando juntas.

[…]

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