EXPLOSÕES NA BIBLIOTECA

Categoria: Heterossexual
Contém 926 palavras
Data: 10/01/2026 09:30:37

Seria uma reunião acadêmica com minha orientadora. Custava-me concentrar no assunto da minha tese, se seu sorriso, seus belos olhos verdes, seus seios pontudos e suas coxas robustas me enleavam e prendiam completamente minha atenção. Ela me depositou em sua biblioteca, dizendo que participaria de uma banca on-line, e logo viria para conversarmos. Que eu fosse garimpando joias em seu acervo – a mais escrota interpretação da frase relampejou em minha mente, e minha rola se mexeu sozinha.

Conformado com a espera – porque pouco além disso poderia fazer –, comecei a percorrer os olhos pelos seus livros, mais ou menos arrumados nas estantes, alguns caídos pela mesa e cadeiras, outros mesmo no chão. Chamou-me a atenção um meio antigo, na capa amarela um desenho de mulher nua deitada de bruços: “Margem das lembranças”, de Hermilo Borba Filho. Jazia sobre um pufe, aberto. Colhi-o e passeei meus olhos pela página...

“Júlia serviu-me o café, tomamo-lo em silêncio, depois empunhamos os cálices de conhaque. Eu suava levemente, sem saber se o calor vinha das bebidas ou de dentro de mim. Ela pegou-me pela mão e levou-me a um desenho de mulher colocado ao alto do divã.

– Brinde pela minha juventude – disse, erguendo o cálice.

Bebemos devagar, em posição de sentido diante do desenho. Continuou:

– Não mudei muito, não é? Apenas, com a idade, engordei um pouco, mas o espírito é o mesmo. Devo ter o duplo da sua idade – acrescentou, sem transição.

Sentou-se no divã e eu fiquei em pé, olhando-a, na posição em que estava vendo o mais profundo do vale dos seios, de lá não conseguindo desviar a vista. Júlia sorria levemente e sempre me fitando desabotoou o vestido, abrindo-o, mostrando-me os seios pela metade, os seios róseos.

– Venha – disse.

Não me mexi, mas por seu olhar percebi que o lado esquerdo da calça denotava minha excitação. Ela estendeu o braço direito e seus dedos dedilharam uma carícia no meu membro, por cima da fazenda.

– Vá fechar a porta – falou.

Coloquei o cálice vazio em cima da mesinha e me dirigi para a porta, demorando-me na operação enquanto pensava na magnífica aventura que estava vivendo, naquela doação, as coisas me acontecendo sempre de modo agradável no terreno do sexo. Aquela mulher que excitava os homens só com o andar ia ser minha dentro de minutos, gemendo e falando como qualquer fêmea ardente. Quando me voltei, ela estava nua em cima do divã. Aproximei-me e comecei a despir-me lentamente, gozando cada instante, cada gesto, enquanto ela se contorcia um pouquinho, para aumentar minha excitação. Sentei-me ao seu lado, para tirar as calças, mas logo que o fiz ela pediu:

– Fique ainda um pouco em pé como estava.

Obedeci ao pedido. Ela me olhava todo, as narinas abertas, acariciando um dos seios, sempre em movimento.

– Há muito que não via um corpo jovem, o membro deste ângulo parece um guerreiro, como está arrogante... todo preparado para a luta... parece que tem vida própria... que está separado do corpo... ai... venha... meu Deus!...

Deitei-me ao seu lado e acariciei-a. Ela se grudava a mim como uma sanguessuga, mordendo-me, enterrando as mãos, falando, repetindo aquela linguagem sem palavras, na garganta, que as fêmeas excitadas falam. Mas deu um grito quando pediu:

– Venha! Penetre!

Foi uma foda selvagem. Enquanto eu prendia o gozo ela tinha um orgasmo atrás do outro, numa ânsia, em estertores epilépticos, uivando. Nunca vi uma mulher assim. Jamais uma buceta como a sua, suculenta, com o movimento o suco, batido, transformando-se em flocos muito alvos, como neve, como algodão, como sabão, em nossas pélvis, como o Danúbio no inverno, mas sem o frio. Era uma buceta cósmica e eu podia ver Deus sentado em seu trono no centro das carnes vermelhas, acolchoadas, de veludo, beatificamente regendo o chape-chape, desaparecido e substituído por Belzebu enviando labaredas que consumiam meu caralho, comandando as explosões de um vulcão que derramava lavas mais ardentes que todos os betumes ferventes dos infernos.

Quase atingindo o útero eu podia contemplar, à direita, a Ursa Maior, ao centro a Via Láctea, e, mais para a esquerda, as Três Marias, brilhando e transformando o pênis na cauda luminosa de um cometa plantada no corpo que eram os culhões trabalhando como turbinas de alguma estação sideral para alimentar aquele oco infinito e sugador na sua Floresta Negra, de árvores amarelecidas pelo outono, com musgos, liquens, cogumelos, trigo, joio, flores, frutos sazonados, entrava e saía como um eixo astral o meu carvalho...”

Meu próprio pau estava rígido rocha a lutar sob a calça; libertei-o e passei a acariciá-lo, os olhos de novo na página, adiante:

“E ali estava eu, Carvalho de origem, tronco de árvore contra floresta, tirando o ‘v’ do nome e me transformando, todo, no membro que inchava, ameaçava explodir, mas se continha à espera de outros orgasmos daquela buceta trituradora, daquela turbina, das mil bocas de que dispunha e que se aplicavam ao longo do tronco, cavando buraco, fazendo mossas, espremendo-o, comprimindo-o, da raiz à bolota, trazendo na longa viagem a seiva amarelada em grumos de vida que afinal se despejou naquele mundo, inundando-o, provocando desabamentos, quedas, relâmpagos, trovões, gêiseres, que se desfaziam contra as paredes do túnel, a torrente arrastando em sua corrida vertiginosa náufragos quase mortos.

E logo que tudo serenou, o espírito de Deus boiava sobre a face das águas.”

Júlia se misturava com a professora, que eu fodera e sobre a qual eu descansava meu corpo pulsante, ela também gemendo quase imperceptíveis grunhidos de satisfação. Minha lava derramava-se pelo pufe, gotejando sobre o chão, enquanto à porta da biblioteca assomava minha orientadora...

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