[AVISO AOS LEITORES]: Este capítulo ficou muito maior do que eu esperava porque, na prática, eu juntei dois capítulos em um só. A parte sexual do capítulo está concentrada na primeira metade enquanto a segunda parte avança o enredo.
[AVISO AOS LEITORES]: Publiquei este capítulo e "Quem Vai Comer a Advogada Evangélica? - Capítulo 12" ao mesmo tempo.
CRONOLOGIA: Os eventos narrados aqui vão de 27 de julho de 2025 (domingo) a 30 de julho de 2025 (quarta-feira).
Olá a todos. Eu me chamo Rogério. Atualmente, estou com 28 anos e sou casado há quatro anos com a Jéssica. Esta série conta nossas desventuras no prédio onde moramos, onde alguns vizinhos e vizinhas (e os nossos melhores amigos) parecem querer testar nosso amor. Quem puder ler os primeiros capítulos, só procurar pela série.
A Jéssica tem 26 anos, é médica e tem o corpo esculpido por horas de academia e uma disciplina invejável. Ela tem 1,71, pele amendoada e lindos cabelos castanho-claro. Barriga tanquinho, seios e bundinha pequenos, mas bem proporcionais ao seu corpo escultural. Não temos filhos ainda, mas isso está no nosso radar depois que os dois trintarem.
A minha melhor amiga, Lorena, acabou de se mudar para o apartamento ao lado do nosso. A Lorena tinha 27 anos e era minha amiga desde que nos entendemos como gente. Éramos tão próximos que ela havia sido madrinha do meu casamento com a Jéssica. Ela tinha se tornado sócia da empresa da minha família depois de formada e, com isso, trabalhávamos juntos no mesmo ambiente. Ela era morena de praia, magra, seios pequenos e bundinha redondinha e empinadinha, além de um belo par de coxas. Estava solteira e, segundo ela, muito bem assim.
No capítulo anterior, a Jéssica saiu com um grupo de amigas que aparentava terem objetivos ocultos.
Era o começo da tarde do domingo. Eu descia com o Érico e o Carlos em direção ao campo society do condomínio com a bola debaixo do braço, pra batermos uma bolinha, suar um pouco e rir de nada.
O campo estava vazio. Claro, eu tinha reservado aquele horário pra me divertir um pouco com os meus amigos (que sobraram). Os outros estavam na churrasqueira, que ficava perto da piscina. Lá, um grupo de homens em roda, com latinhas na mão e risadas altas cercavam o Enéias como se ele fosse o rei deles.
Seguimos direto pro campo sem parar pra dizer pra eles. Não daria essa satisfação ao Enéias. Mas ao passarmos, notei uma movimentação atrás de nós. As risadas cessaram e alguém largou a grelha. Pessoas levantando e passos.
— Ô, Rogério! — alguém gritou de longe. — Nós vamos jogar também!
Eles se aproximaram em bloco, invadindo o campo. Quando vi, já estavam em volta de uma galera inesperada. Pensei que viriam uns três, não todos. Mãos batendo no meu ombro, comentários atravessados, aquela empolgação meio invasiva de quem não foi convidado, mas se sente à vontade.
— Claro — respondi, sorrindo. Nunca tive problema em dividir. Era só futebol, afinal. — A ideia era essa mesmo.
No meio da muvuca, senti a bola sair da minha mão. Demorei alguns segundos pra perceber e começar a procura-las com os olhos. Quando dei por mim, o Enéias estava se afastando da roda, andando tranquilo até o meio do campo, como se fosse o líder e com a minha bola na mão.
— Beleza, então — disse ele em voz alta, assumindo o comando. — Pedro, você é o capitão do outro time.
Aquilo me incomodou mais do que gostaria de admitir. Respirei fundo. Eu sabia que ele queria que eu perdesse a cabeça e não ia dar esse gostinho pra ele.
O Enéias e o Pedro começaram a escolher os times. Nomes indo e vindo. Risadas. Olhares atravessados na minha direção. Quando percebi, os dois times tinham sido completados, mas eu tinha sobrado.
— Pera aí — disse, sabendo que tava caindo na armadilha. Minha voz saiu firme, sem subir o tom. — Eu reservei a quadra. E essa bola é minha.
O burburinho mudou de tom.
— Ih, começou — alguém falou.
— Lá vem o chororô — outro riu.
O Enéias virou devagar, com aquele meio sorriso que usa quando quer humilhar.
— Tudo tem que ser do jeito do riquinho, né? — disse ele. — Sempre o dono da bola. Sempre o maioral.
— Não é isso — respondi, mantendo o tom firme. — É só respeito às regras. Se você quer jogar com seus amigos, reserve o campo.
— Regras? — Ele soltou uma risada. — O riquinho que quer comprar todo mundo agora tá querendo falar em regras?
Ele se aproximou até ficar de frente pra mim. O corpo projetado e o peito inflado pra enfatizar que era mais alto, mais largo e mais forte. A clássica coreografia da intimidação.
— O que você vai fazer se eu não te der a bola? — perguntou Enéias, fazendo questão de projetar o corpo pra cima de mim. — Vai querer brigar comigo? Vai querer me bater?
Ele chegou ainda mais perto.
— Porque eu não sou fraco que nem o Maurício, não.
— Gente, pra quê isso... — ouvi o Érico atrás de mim.
— Deixem disso, Enéias, Rogério — tentou Carlos. — É só um jogo.
Eu respirei fundo de novo. Sabia exatamente o que podia acontecer se fossemos brigar, como ele queria. O Enéias não duraria um minuto inteiro. Seja em pé na trocação ou se eu pusesse ele no chão. A guarda dele era inexistente, o equilíbrio ruim, a agressividade toda desorganizada. Ele não fazia ideia do quão sortudo era se lutasse contra mim, que ainda tentaria me segurar. Se fosse a Lorena, ele estaria no chão em segundos depois de encostar um dedo nela.
Justamente por saber tudo isso que eu não podia fazer nada. Uma luta contra o Enéias seria um espancamento unilateral. E, conhecendo o Enéias, era bem possível que fosse exatamente isso que ele quisesse. Se vencesse, me humilharia. Se perdesse, tinha uma plateia inteira pra pagar de vítima e fazer um B.O. contra mim.
— Eu não quero brigar — respondi, olhando direto nos olhos dele. — E não vou brigar.
Alguns riram.
— Banana — murmurou alguém.
— Bundão — completou outro.
— Eu só quero respeito — continuei. — Nunca reclamei de você ter tomado a churrasqueira. Nunca fiz caso disso. Mas hoje fui eu quem reservou a quadra. E a bola é minha.
— Ih, olha o chorão — alguém disparou, em tom de deboche. — Tá chorando até hoje que não foi macho suficiente pra garantir a churrasqueira.
Foi quando o síndico Alberto apareceu, saindo do meio da multidão e se posicionando entre o Enéias e o Pedro. Ele estufou o peito, como se ficar ao lado de homens mais fortes também o tornasse maior.
— Como síndico, eu posso mudar as regras — anunciou, alto o suficiente pra ser ouvido por todo mundo. — E a partir de agora, a reserva tá no nome do Enéias. Ele vai ter prioridade na quadra e na churrasqueira sempre que quiser.
Os homens do Enéias começaram a aplaudir. Assobios, urros, carregados de álcool e coragem emprestada.
— Ouviu essa, seu riquinho de merda? — gritou alguém. — Chora mais alto!
Senti a mandíbula tensionar, mas mantive o rosto neutro. Relevei. A maioria ali tinha passado a manhã inteira bebendo. Muitos já estavam claramente bêbados. Fazia meses que o Enéias vinha alimentando aquela narrativa contra mim. Era mais comportamento de manada do que ódio contra mim. E quase nenhum deles, isoladamente, era especialmente babaca.
Mesmo assim, um lado meu não resistiu em contar. Com Alberto, Pedro e Enéias, eram 12. Se eu quisesse, dava. Bastava o Érico e o Carlos ajudarem trancando o portão pra nenhum fugir que eu dava conta.
Recobrei meus pensamentos e voltei a me segurar.
— Tudo bem — disse, por fim. — Eu só quero a minha bola de volta.
Estendi a mão, firme. O Enéias respondeu com um sorriso debochado.
— E se eu não quiser dar?
Olhei pra ele, sabendo que todos me olhavam, e respondi com a mesma calma controlada que vinha segurando desde o começo:
— Então, a gente vai continuar exatamente onde está agora. Ninguém vai jogar porque os dois vão continuar aqui parados no meio da quadra.
O Enéias se empertigou, mas não respondeu com palavras. Em vez disso, girou o corpo e arremessou a bola com toda a força para fora. Ela passou por cima do alambrado e desapareceu em direção à rua, do lado de fora do condomínio.
Triunfante, ele se virou devagar pra mim, o peito estufado, os olhos brilhando de raiva e prazer.
— E agora? — perguntou. — O que você vai fazer agora?
— Agora, ninguém mais vai jogar aqui — respondi, com calma. — Graças a você.
Alguns resmungos surgiram atrás dele.
— Eu posso ir lá fora pra ver se consigo pegar a minha bola de volta — continuei. — E depois vou com o Érico e o Carlos jogar no campo que inauguraram na praça.
Aquele campo não tinha comparação com a quadra society do condomínio. Ele tinha surgido depois da última reforma na praça: dimensões de campo de futebol de verdade, gramado novinho em folha, ainda lisinho, sem buracos nem remendos. Era melhor de jogar em tudo. Mais espaço, mais corrida, mais jogo. E, além disso, ficava fora do condomínio, o que significava fora dos domínios do Alberto. E ainda poderia bater uma bolinha com os vizinhos de outros prédios e não com o povo que vivia orbitando a churrasqueira do Enéias.
O Enéias não queria se dar por vencido.
— Se você for tentar jogar, a gente vai também. Não pense que pode fugir como o covarde que é.
— Se você quer tanto disputar comigo, que seja. Vamos jogar lá.
O burburinho diminuiu.
— Mas vamos fazer direito — continuei. — Uma partida de futebol completa. 11 contra 11 por dois tempos de 45 minutos. No campo da praça, que é neutro e um juiz de outro prédio.
Alguns olhares se cruzaram.
— Quem ganhar fica com o direito de usar a churrasqueira e o campo society — completei.
O Enéias deu uma gargalhada.
— Vai ser divertido humilhar o riquinho babaca na frente da esposa-troféu dele.
Mencionar a Jéssica foi golpe baixo.
— Que dia fica melhor pra você? — perguntei. — Eu quero te vencer em campo quando você não estiver meio bêbado e nem exausto de plantão. Eu quero ganhar de forma justa na frente de todo mundo. Pra você parar de chorar por coisas imaginárias e começar a chorar por algo de verdade.
O rosto do Enéias ficou vermelho. Ele deu um passo à frente, mas o Pedro colocou a mão no peito dele, segurando.
— Seu filho da-
— Enéias — cortou Pedro, segurando mais forte agora.
Ele respirou pesado, os punhos cerrados.
— Quinta-feira — cuspiu ele. — Próxima quinta.
— 20 horas — respondi. — Dá tempo de todo mundo chegar.
O Enéias me encarou querendo resolver tudo ali mesmo.
— Fechado.
— Próxima quinta-feira, 20 horas — conclui. — Cada um leva quem quiser. Desde que tenha pelo menos 11 jogadores.
— Combinado.
Antes que pudéssemos falar algo, o Enéias levantou a voz de novo.
— Mas já deixo o aviso — disse olhando em volta. — Quem jogar no time do Rogério nunca mais pisa nas minhas churrascadas. Nem em resenha nenhuma comigo.
O efeito foi imediato. Um empurra-empurra discreto começou, gente tentando se posicionar mais perto do Enéias. Uma fila invisível por aceitação. Só duas pessoas não foram pro lado dele.
— Eu jogo com você — disse Érico, baixo e com medo.
— Qualquer pessoa teria mais medo da fúria da Jéssica que da do Enéias... — brincou Carlos.
Do lado do Enéias, algumas risadas encabeçadas pelo Pedro.
— O nerd beta e o velho corno brocha — riu Pedro. — Começou bem seu time pegando esses dois imprestáveis que não serviriam nem como nossos reservas.
Nenhum dos dois quis rebater as acusações.
— Tá bom — disse, olhando de novo pro Enéias. — Quinta-feira, na praça.
Agora, era pela minha honra e pelas dos meus amigos.
Horas depois, depois de passar parte da tarde fora com o Carlos pra acalmar os nervos e comprar uns presentes, eu aproveitei que a Jéssica estava dormindo pra arrumar tudo na cozinha. Perto das 20h, estava tudo pronto. A mesa estava posta, as velas alinhadas e os talheres ajeitados.
Do quarto, a Jéssica surgiu no corredor com o cabelo meio bagunçado, camiseta larga, cara de quem tinha acabado de acordar de um cochilo profundo.
— Amor, tô bem melhor agora — disse ela, a voz ainda um pouco rouca. — Estou 100%!
Me senti aliviado. Ela tomado uns analgésicos fortes no dia anterior, sábado, que tinham uns efeitos colaterais ruins nela. Tinha passado boa parte do sábado e do domingo com o raciocínio lento, daqueles que demoram pra lembrar a fórmula de Bhaskara.
Ela veio andando até a mesa, observando tudo.
— Nossa! — Ela sorriu. — Que presteza é essa, senhor Rogério?
— Achei que você merecia — sorri muito orgulhoso.
A Jéssica não pensou duas vezes em dar meia-volta pra tomar um belo banho, se arrumar toda e usar um dos meus vestidos dela favoritos. Quando empolgada assim, ela era rápida. Pouco mais de 20 minutos, quando voltou falando:
— Hoje é o aniversário da nossa primeira transa.
Ela estava com o raciocínio 100% mesmo, o efeito do remédio passara.
— Sim! — Fui até o aparador. — Como sempre, tenho dois presentes. Um romântico e um safado.
— Primeiro, o safado — pediu Jéssica, mordendo os lábios.
Entreguei. Ela abriu a caixa e, quando viu as algemas eróticas, o sorriso cresceu.
— Isso vai combinar perfeitamente com nossas noites em que sou sua putinha submissa — Ela mordeu o lábio, excitada.
Entreguei então a outra caixa. Ela abriu e viu os brincos. Nada chamativo demais, mas elegantes. Ela passou os dedos por eles antes de me olhar.
— São lindos, amor... — disse, com a voz suave. — Você sempre acerta.
Sentamos pra jantar. Ela apreciou meus esforços culinários, como sempre. Mas eu ainda tinha um assunto pra resolver com ela.
— Amor, sinto que nessas últimas duas semanas eu te deixei um pouco em segundo plano.
Ela largou o garfo devagar e me olhou, atenta.
— Então eu queria corrigir isso. Quero que você seja a prioridade máxima das minhas noites essa semana inteira. Todo dia. Só não posso na quinta. — Resolvi deixar pra explicar a história da aposta depois da janta.
Ela riu.
— Justo.
— Fora isso, eu topo qualquer programa. Qualquer coisa que você quiser fazer.
Ela ficou mexendo a comida no prato, avaliando as possibilidades.
— Sabe, faz uns cinco anos que eu não assisto Crepúsculo.
— O primeiro filme?
— A saga inteira — corrigiu. — Pois eu vou querer assistir os cinco abraçadinho contigo. Um filme por noite.
— Se isso te fizer feliz, podemos emendar com outras sagas e filmes que você queira.
Ela sorriu, satisfeita.
— A sua companhia vale muito mais que o filme.
A gente voltou a comer, quando a campainha tocou. Eu fui até a porta, mas não tinha ninguém.
O corredor estava vazio. Só deu tempo de ver, pelo canto do olho, a porta da escada se fechando. Quem quer que tivesse tocado a campainha, tinha saído correndo pra lá. Foi quando vi no chão um embrulho simples com um cartão impresso “Para Jéssica”.
— Olha isso... — disse, entregando o pacote pra ela.
Ela abriu. Era um livro, “Mulheres que Correm com os Lobos”, de Clarissa Pinkola Estés. Nenhum dos dois entendeu o contexto do presente.
— Gente... Que aleatório — suspirou Jéssica.
— Você já ouviu falar? — perguntei.
— Não... — respondeu, pensativa e intrigada.
— Veio sem cartão — observei. — Misterioso.
Ela passou a mão pela capa, pensativa.
— Lobas... — repetiu Jéssica, olhando de novo pra capa do livro. — Ah! Isso me lembrou de uma coisa que eu devia te contar.
Eu me ajeitei na cadeira.
— Ontem à noite, eu saí pra jantar com a dona Ângela, a Odete, a Andréia e mais algumas moradoras daqui. E foi incrível. Sério. A gente conversou por horas. Elas tiveram uma ideia espetacular: a Confraria das Lobas.
Eu fiquei em silêncio, deixando ela falar. A Jéssica gesticulava, animada, os olhos brilhando.
— Um grupo de mulheres fortes, independentes — explicou. — Pra troca de ideias, debates, apoio. Nada de fofoca, nada de competição boba. Totalmente voltado pra amizade feminina. Eu achei incrível!
— Essa Confraria das Lobas tem a ver com esse livro? — perguntei.
Ela franziu a testa.
— Então, não. Quer dizer, acho que não. Em momento nenhum, nenhuma delas mencionou esse livro. Nem esse, nem outro. Pelo menos, não me lembro. Ontem, eu estava muito avoada.
— Você lembra do outro significado do termo “lobas” quando relacionado à mulheres de meia-idade?
Ela me olhou na hora, já sabendo onde eu queria chegar.
— Rogério, isso é um termo machista! — disse, com um suspiro —Eu sei que chamam de lobas as mulheres acima dos 40, 45, que dão em cima de homens mais jovens. Mas isso não tem nada a ver com o ideal delas. É justamente o oposto disso. É uma ressignificação do tempo. É sobre união. É sobre sermos uma matilha unida.
— Tá. Só tô perguntando.
Ela não resistiu em jogar o pedaço de papel do embrulho na minha cabeça.
— Qual a diferença dessa confraria pra turma da academia? — perguntei. — Pra mim, parecem a mesma coisa. Um grupo de mulheres fodas e que se unem pra serem mais fodas juntos.
— Na verdade, nenhuma — respondeu, com um sorriso meio sem graça. — No máximo, que a turma da academia tem umas mulheres que acham certo trocar nudes de homens e nós meio que viramos mais um grupo político dentro do condomínio e não falamos muito sobre nós mesmas. Pra ser sincera, eu queria levar parte das mulheres da academia pra essa confraria também e...
Ela parou no meio da frase. O rosto mudou. Não drasticamente, mas o suficiente pra eu perceber. Ela ficou alguns segundos em silêncio, olhando pro nada.
— Talvez, você tenha um pouco de razão em ficar com o pé atrás — disse devagar. — Afinal, é uma confraria foi criada pela Odete. A Odete nunca tem um plano que não leve a sexo, mesmo que seja só no passo 323. E eu tava meio aérea por causa do remédio. É bom, eu tomar um pouco de cuidado.
— Eu acho que vale olhar com atenção.
Ela assentiu.
— Eu vou ler esse livro. Talvez tenha algo nele. E vou tirar minhas próprias conclusões. E descobrir quem me deu ele.
Uma hora depois, a gente já tava no sofá. Aninhados do jeito que só a gente sabia ficar. A cabeça dela apoiada no meu peito, minhas pernas esticadas. Peguei o controle.
— Antes, você tem que prometer uma coisa — interrompeu Jéssica antes de eu dar o play. — Promete que não vai bancar o chato que fica procurando defeito no filme.
— Prometo.
— E promete que não vai deixar seus pensamentos intrusivos vencerem de novo.
— Quando exatamente eu deixei meus pensamentos intrusivos vencerem? — perguntei.
— Lembra do mês passado, quando a gente parou de assistir série junto? — respondeu, me encarando com raiva. — A gente tinha começado “The Great”. No meio piloto, a Catarina ficou nua e apareceu a bunda dela em tela. E, na mesma hora, você falou...
Ela mudou o tom, imitando perfeitamente:
— “MEU DEUS! É IDÊNTICA À BUNDA DA LISANDRA!”
Eu nem precisei lembrar dos tapas e socos que levei àquela noite por um comentário impensado. A Jéssica os repetiu só de lembrar. A noite que assistimos “The Great” foi quando aprendi que apenas a Jéssica poderia falar da bunda da Lisandra. Embora, ela falasse daquela raba toda semana, com um misto de inveja, admiração e um pouquinho “em outro mundo, eu me afogaria de cara nessa bunda”.
— Lembro sim... Lembro muito bem... — murmurei, após o nono tapa e o quarto soco de brincadeira.
— O pior é que a bunda da Lisandra é ainda maior e mais gostosa que aquela.
Eeeeeeeeeeeeee... o comentário semanal sobre os glúteos da nossa amiga, check.
Eu não falei nada. Absolutamente nada. Não queria apanhar nem de brincadeira. Ela me encarou, esperando algo. E sorriu.
— Passou no teste.
Ela se deitou de lado, apoiando a cabeça no meu colo.
— Eu te amo — disse, simples.
— Eu também — respondi, passando a mão no cabelo dela.
Apertei o play e a música inicial de “Crepúsculo” começou a tocar.
Aquela noite estava apenas começando. Eu tinha aproveitado um bug do sistema e reservado a sauna do condomínio com exclusividade pela madrugada do domingo pra segunda. Era errado fazer sexo em um local público? Era. Mas era esse proibido que nos atiçava. E, bem, íamos fazer num local público trancado por dentro e com umas duas portas de distância de qualquer enxerido.
Deixamos tudo pronto e saímos do apartamento perto das 23h30. Usamos umas roupas normais, nada que chamasse atenção. Bermuda, camiseta, vestido e chinelos. As toalhas iam dobradas dentro da mochila, junto com o cartão que dava acesso à sauna. Sentia uma empolgação boba no peito, mistura de excitação e cumplicidade.
— Nervoso? — perguntou Jéssica baixinho, já no elevador.
— Animado!
Ela sorriu de volta, tão empolgada quanto eu com essa pequena pegadinha.
Demos sorte. O elevador estava vazio e não cruzamos com nenhum morador ou vizinho. Atravessamos o hall, passamos pela área externa e chegamos à Torre-B sem esbarrar em ninguém. O lugar parecia deserto. Tudo indicava o crime perfeito.
Na porta, primeiro verificamos se estava tudo vazio lá dentro. Pela janela da porta, a única coisa estranha eram as luzes acesas, mas o corredor parecia vazio. Entramos logo pra não dar bobeira do lado de fora. Com o meu cartão, tranquei do lado de dentro pra evitar que alguém de fora entrasse.
Fomos direto pra sauna. Nenhum dos dois pensou em checar os vestiários. A sauna estava desligada, cheirando a madeira limpa e vapor antigo. Fechamos a porta da sauna sem trancar e ali mesmo começamos a nos despir, meio atrapalhados. Era diferente tirar a roupa num lugar público, mesmo reservado. Tirei a camiseta, depois a bermuda. A Jéssica levantou o vestido. Quando ficamos nus, frente a frente, já estava começando a ficar com o pau duro.
Me aproximei, puxei a Jéssica pela cintura e a gente se beijou ali mesmo. Um beijo longo, entrelaçando nossas línguas. As mãos dela subiram pelas minhas costas.
Foi quando a porta abriu.
Nos viramos quase por instinto e o coração disparou na hora que vimos o Antônio parado na porta da sauna, com os olhos arregalados e a boca entreaberta. Praticamos demos um pulo de susto.
— Puta que pariu! — dissemos os três.
Meu primeiro impulso foi dar um passo à frente, pra tampar a minha esposa com meu corpo. A Jéssica reagiu tão rápido quanto eu. Ela se virou de lado, cruzou os braços na frente do corpo de forma instintiva, pra tampar seus seios e buceta. Daquele jeito, embora ele visse meu pau meia-bomba balançando, não ia ver nada da Jéssica que não tivesse visto na piscina ou numa praia.
— Ô, Antônio, a gente pode explicar tudo — disse, com a voz firme, mesmo sentindo o rosto corar.
— A gente achou que tava sozinho... — continuou Jéssica, num tom mais baixo.
Dava pra notar um desconforto estampado no rosto do Antônio. Ele se virou de costas, como que pra mostrar boa vontade. De que ele era um tarado voyeur tentando nos espreitar.
— Desculpem — começou ele, encarando a parede. — Eu tava no vestiário, tomando banho. Quando fui sair a porta tava trancada, aí ouvi uns barulhos vindos daqui e...
Senti um misto de alívio e irritação. De certa forma, a culpa era minha. Se eu tivesse sido menos afoito e checado os vestiários, poderia ter me livrado do Antônio enquanto a Jéssica se escondia e voltado pra sauna depois disso.
— Se vocês abrirem a porta pra mim, eu me visto e vou embora agora. Juro que vou fingir que nada disso aconteceu e não conto pra ninguém.
Comecei a considerar as hipóteses. Ele mal deve ter visto o corpo da Jéssica e se virar pra trás denotava certa integridade. Eu já formulava uma resposta quando ele continuou:
— Mas, também podemos fazer outra coisa.
Ok. Alerta de tarado. Meu estômago revirou.Isso podia acabar num escândalo. Meu estômago revirou.
— Eu sei que é loucura — continuou ele, rápido, como se tivesse percebido que sua última frase era bem problemática. — Mas eu gosto de assistir. Só assistir. Se vocês... se vocês curtirem plateia, eu juro. Dou minha palavra de honra. Não vou tocar em vocês, não vou chegar perto. Vou só assistir e bater uma. Todo mundo se diverte. E eu juro, de novo, que não vou contar pra ninguém, nunca.
— Não! — comecei, sentindo o tom subir — Nem pensar! Isso não faz o menor sent-
— Antônio, espera um pouco lá fora, por favor — interrompeu Jéssica. — E fecha a porta. Eu preciso falar com o Rogério a sós.
Aquilo me pegou completamente desprevenido.
O Antônio hesitou um segundo, depois assentiu. Ele saiu e fechou a porta da sauna, nos deixando a sós.
— Você tá falando sério? — perguntei na hora, sem disfarçar o choque. — Tá pensando mesmo em deixar o Antônio assistir a gente transando?
Ela respirou fundo antes de responder. Sua vergonha e timidez eram palpáveis.
— Você lembra do que te contei na terça? Sobre as garotas da turma da academia votarem sobre um nude de um homem e eu votei a favor porque tava curiosa pra ver o instrumento do ex-pausudo de uma amiga?
Lembrava sim. Lembrava da expressão de culpa que ela sentia. De como ela se sentia baixa por ter cedido à curiosidade e a um proto-tesão pra ver um caralho e, só depois, se colocando no lugar da pessoa. Do medo que ela tinha de que o Enéias ou outro colega vazasse alguma foto dela, conseguida sabe-se-lá como, no grupo de putaria do hospital ou mesmo em grupos só de homens no condomínio.
— Lembro.
— Eram do Antônio — revelou, sem rodeios. — Eu não sei se ele sabia que a Letícia ia distribuir as fotos do pau dele pra todas as amigas. Mas não foi culpa dele eu ter visto, eu ter votado “sim”. A culpa foi minha. Aquilo me fez me sentir um lixo humano.
— Jéssica... — comecei, mas ela levantou a mão.
— Eu tô morrendo de timidez só de pensar nisso — continuou ela. — Mas talvez, se nós deixarmos ele me ver... “assim”... pode ser uma forma de igualarmos as coisas. De ficarmos quite. De ele me perdoar.
— Eu não gosto disso — falei com honestidade. — Não gosto nem um pouco. Mas entendo o que você tá sentindo.
— Eu só vou fazer se você quiser e se sentir à vontade — disse ela. — Eu só consigo considerar isso porque é com você. Porque você tá aqui comigo, me apoiando. E, bem, se ele tentar qualquer coisa, você quebra ele.
Apesar da tensão, não consigo segurar o riso nessa.
— Você tem um pesadelo com isso na quinta — lembrei. — Se, ao fazermos isso, você voltar se sentir bem consigo e passar uma borracha, por mim, tudo bem. E, bem, dessa vez você vai ver o instrumento dele de forma 100% consensual. Digo, não vai ter close, mas vai ser ao vivo e com a permissão dele.
Dessa vez, foi ela que não segurou o riso.
— Eu... Eu lembro daquele seus pequenos fetiches de exibição. Pode fazer como fez com o seu Arnaldo naquela vez. Pode me exibir todinha, abre a minha buceta e mostra ela todinha. Usa e abusa mesmo.
— Amor, você odiou isso daquela vez.
Depois daquela transa em que nos exibimos pro seu Arnaldo, ela pediu pra eu nunca mais fazer isso, não sem falar com ela primeiro. Parte do exibicionismo dela com o seu Arnaldo era uma vingança perene contra meu ato impensado de exibir ela durante nossa transa. “Você quer que o vizinho veja minha nudez? Quer se sentir um comedor e ganhar tapinhas nas costas? Pois agora ele vai me ver nua sempre eu tiver vontade! (E, quando você me deixar com raiva, o que é quase a mesma coisa)”.
— Dessa vez, eu quero que você faça isso. Eu quero que você seja como a Letícia foi com ele, dizendo que eu sou gostosa e boa de cama. Eu quero que as condições sejam igualadas — respondi. — E, bem, é a tua chance de ouro de fazer esse fetiche de novo numa situação controlada.
— Meio controlada.
— Controlada. Se ele levantar, tu derruba ele em seguida.
Não seguramos o riso.
— Você quer isso mesmo?
— Quero.
Eu respirei fundo, esperei a autorização dela, abri a porta e chamei o Antônio. Ele entrou devagar, ainda evitando olhar direto pra gente. A Jéssica já tinha pego a toalha e a enrolado no corpo.
— A gente topa — disse Jéssica. — Com algumas condições. A primeira é você provar agora que tá sem celular.
— Eu estou só de toalha — lembrou Antônio.
Ela se virou de costas. O Antônio entendeu que eu ia “verificar”. Ele abriu a sua toalha e, PUTA QUE PARIU, QUE CARALHO ENORME! ENTENDI PORQUE A JÉSSICA VOTOU SIM!, girou mostrando pra mim que estava completamente pelado sem a toalha.
— Ele passou — disse eu, pra Jéssica se virar de volta.
— Segundo, você promete que não vai contar isso pra ninguém! — continuou Jéssica.
— Prometo — respondeu, sem hesitar.
— Terceiro, promete que vai ficar a pelo menos dois metros de mim e não vai tentar me tocar.
Ele apontou para um dos bancos da sauna mais no canto.
— Eu vou ficar sentado ali o tempo todo. Prometo não tentar tocar nenhum dos dois.
— O Rogério é faixa preta de jiu-jítsu — completou ela. — Se você tentar qualquer coisa, ele te detona.
— Eu não vou tentar nada — respondeu Antônio.
Ela o encarou, tentando analisar sua honestidade. Então, acreditou. Depois, me olhou uma última vez, buscando confirmação silenciosa. Eu assenti.
Só então, a Jéssica respirou fundo e deixou a toalha cair, deixando o Antônio ver o seu corpinho nu. Ela tinha seios pequenos e durinhos, com biquinhos rosas que apontavam para cima. Uma bundinha, empinadinha e perfeita, que combinava suas coxas torneadas e sua barriguinha tanquinho. Além de uma bucetinha apertadinha e de pelinhos ralinhos.
O Antônio arregalou os olhos vendo o corpo nu da minha esposa, mas cumpriu sua parte do acordo e se sentou num canto mais afastado.
Após um momento de hesitação por parte da Jéssica, em que ela esperou ele se sentar e nos assistir em silêncio, ela aproximou e nos beijamos apaixonadamente. Nos abraçamos com o beijo e uma das mãos já foram pros seus seios pra apalpa-los.
Da sua boquinha, fui descendo por seus pescoço, chupando ele com vontade. Desci com pros seios, enquanto uma das mãos apalpavam sua bundinha. Continuei descendo até sua bucetinha, que comecei a chupar. Ela estremeceu, gemeu e, com suas mãos, me apertou contra seu ventre.
— Você é bom mesmo! — comentou Antônio, cuja rola, mesmo ainda escondida pela toalha, crescia lentamente. Ele apontou pra toalha. — Posso?
Assenti com a cabeça e ele removeu a toalha, fazendo com que todos ficassem nus no recinto. A Jéssica não resistiu de curiosidade em ver a rola ao vivo. O pau dele era mesmo gigantesco, mesmo ainda meio bomba. Dava pra ver a expressão de surpresa e excitação no rosto dela. Logo, ela se recobrou e voltou a me beijar.
Ela se sentou no chão, e eu a seguiu, me colocando entre suas pernas. Comecei a beijar suas coxas e fui subindo. Beijei e chupei as suas coxas, a virilha, a bucetinha, a barriguinha até chegar mais uma vez nos seios. Não resisti em dar uma bela mamada em seus peitinhos lindos. Segurava os dois com as mãos e lambia os biquinhos, beijava, chupava.
Enquanto eu mamava, a Jéssica gemia, com uma mão acariciando os meus cabelos e a outra explorando meu corpo. Ela se deitou de barriga para cima, com as pernas abertas, enquanto eu continuava sugando os biquinhos durinhos do seios e descia uma das mãos pra sua bucetinha encharcada. Ela respondeu abrindo mais as pernas.
Deslizei minha boca do seio até a barriguinha, passei a língua no umbigo e fui descendo com beijos até o interior das coxas, enquanto acariciava seus seios. Abri bem as pernas dela e dobrei seus joelhos, deixando-a em posição de frango assado.
— Olha isso, Antônio! Que bucetinha linda.
Com meus dedos, abri a bucetinha dela pra que ele visse em detalhes. O Antônio arregalou os olhos. Também pudera, a bucetinha da Jéssica era apertadinha e lisinha, com lábios chamativos mas pequenos e bem rosadinha por dentro.
Antônio sorriu e puxou a cueca para baixo, exibindo a rola para Jéssica que arregalou os olhos e abriu a boca, colocando a mão na frente.
— Jéssica, posso...? — pediu Antônio, apontando pra própria rola. Ela entendeu que ele queria saber se ela se importava dele bater punheta pra nudez dela.
— À vontade, desde que não se aproxime e nem tente nada — respondeu Jéssica.
Olhando direto pra Jéssica, o Antônio ficou alisando a rola, a deixando mais dura.
— Sua buceta é muito linda, Jéssica. Sempre imaginei como ela era quando te via na piscina.
Olhando fixamente pro Antônio masturbando o próprio cacete, a Jéssica voltou à posição de frango assado pra que ele visse sua bucetinha toda lisinha.
Enquanto o Antônio continuava a se masturbar, olhando fixamente pra bucetinha da minha esposa, a Jéssica começou a alisar a sua bucetinha em desafio, olhando pro Antônio punhetando para ela. Um lado meu teve ciúmes. O outro lembrou que esses olhares dela eram parte do “espetáculo” e ela tinha feito o mesmo com o seu Arnaldo anos atrás.
Mas, por um momento, confesso que fiquei com a minha rola dura, olhando a cena da minha esposa se exibindo prum cara pausudo. Logo, o Antônio acelerou tanto que gozou olhando pra bucetinha da minha esposa. A Jéssica começou a sorrir.
— Amor, você estava certo — disse ela, em tom de falsa ingenuidade. — Nem todo mundo tem a sua resistência...
Que safada! O plano dela era fazer o rapaz se empolgar e queimar a largada logo pra que ele não ficasse de pau duro durante toooooda a nossa transa.
— Amor, vamos ensinar o Antônio como se agrada uma mulher pela noite toda? — disse ela e entendi o recado.
Me abaixei entre as suas pernas e lambi o mel que encharcava a buceta da minha esposa, que me agarrou pelos cabelos me puxando para cima da sua bucetinha, querendo mais. Gemia feito louca.
Mudamos de posição. Mandei ela ela sentar na minha cara pra eu chupar sua bucetinha melhor. Ela fez isso e tive a visão do paraíso, com a sua bucetinha e o cuzinho em cima do meu rosto. Logo, passei a chupar tudinho. Pra provocar, ainda deu umas mordiscadas.
Ela pegou o meu cacete e começou a me chupar. Enquanto se recuperava da sua gozada, o Antônio assistia o nosso 69. Ele estava ao mesmo tempo excitado e sem forças pra demonstrar isso.
Eu e a Jéssica passamos um tempo assim, com ela chupando o meu pau e eu chupando aquela buceta todinha. A Jéssica dava uns chupões molhados e babados no meu pau. Ela enfiava o meu cacete todo na boca e ainda brincava com as minhas bolas. Eu ia chupando a buceta dela e, com os dedos, brincava com a entrada do cuzinho.
Com meu pau totalmente duro, encerrei meu 69 com a Jéssica. Me ajoelhei na frente dela e o coloquei na entradinha de sua buceta. Brinquei um pouco, colocava só a cabecinha e tirava, esfregava o pau nela.
— Bora, Rogério!
— Você quer?
— Quero!
— Então, pede!
— Mete em mim, amor vai... Mete...
Devagarinho, fui enfiando tudo dentro dela, que gemia e pedia mais. Parei de enfiar e tirei um pouco. Fiz um vai e vem bem lento, colocando cada vez mais, até que acostumasse com meu cacete. Era mais uma performance pra nossa plateia, mas ela entendeu a ideia e seguiu junto.
Comecei a foder a sua bucetinha com vontade. A cada estocada, o seu corpinho lindo era empurrado para trás, os peitinhos durinhos vibrando conforme eu a comia. Ela gemia alto. Também era performática.
Continuamos assim um pouco, até que pedi que ficasse de quatro. Ela obedeceu na hora. Posicionei-me entre suas pernas e voltei a foder sua bucetinha. Enquanto eu ia metendo, ouvíamos o barulho das minhas coxas batendo na bundinha dela, enquanto era empurrada para frente com as bombadas. A Jéssica gemia com vontade e pedia por mais.
Depois de um tempo, mudamos de posição de novo. Deitei no chão e a Jéssica sentou em cima de mim e começou a cavalgar. Ela foi se empolgando e quicando cada vez mais forte no meu pau. Eu respondia dando tapas na bundinha dela. A cada tapa, ela passava a cavalgar mais rápido e com mais força. E, assim, ela atingiu um orgasmo.
Depois que ela se recompôs, mudamos de posição mais uma vez. Ela ficou por baixo e eu fui metendo no papai-mamãe mesmo. Aos poucos, fui me ajoelhando e passei a meter com força. Nisso, ela me puxou de volta pra ela, me abraçou e passou a arranhar minhas costas. Isso me fez começar a bombar mais forte ainda, mais rápido. Os dois estavam gemendo alto, quando mais forte eu estocada, mais ela arranhava minhas costas. Fomos nesse ritmo, os dois já banhados de suor, até que ela soltou e gritou:
— Eu vou gozar! Eu vou gozar!
Ouvindo isso, me incentivei a continuar dando o meu máximo nas estocadas. Não demorou muito pra ela se tremer e soltar um gemido ofegante. Havia atingido o segundo orgasmo. Ela se deixou deitar toda no chão. Precisava de um tempinho pra se recompor.
Quando sentiu ela estava bem de novo pra recomeçarmos, vim por cima dela mais uma vez, coloquei o pau na entradinha da sua buceta e comecei a enfiar com cuidado. Mas a Jéssica tinha outras ideias.
— Enfia logo de uma vez só, vai!
Eu a segurei pela cintura e meti meu pau inteiro para dentro em uma estocada forte. Ela suspirou alto e comecei a enfiar com vontade mais uma vez. Dentro da distância de segurança, o Antônio tinha se recuperado e voltado a tocar uma punheta nos assistindo.
Eu metia com vontade naquela bucetinha. Olhava praquela aquela bundinha redondinha e perfeita e não resistia em dar umas apalpadas e tapinhas. Já estávamos banhados de suor, os dois corpos quase grudados, o som do impacto suado entre eles ecoando na sauna e cobrindo o barulho da punheta do Antônio.
Eu e a Jéssica passamos um bom tempo assim, fodendo naquele ritmo. Os dois indo cada vez com mais força, dando o nosso melhor. Depois de segurar ao máximo, senti que não podia mais aguentar.
— Vou gozar!
— Goza dentro! Enche a minha bucetinha de porra!
Continuamos fodendo com toda a força até que meu corpo todo estremeceu. Gozava soltando jatos e mais jatos dentro da bucetinha da minha esposa, enquanto urrava de tesão. Enquanto recebia toda aquela porra dentro de si, a Jéssica gemendo junto comigo.
Caímos no chão, exaustos. Porém satisfeitos. Tirei o pau de dentro e toda aquela porra começou a escorrer pela sua bucetinha, melando a madeira do chão. A porra escorria no meu pau, na buceta dela, nas pernas dela, em todo canto.
— Puta que pariu... — Ela gemeu baixinho. — Puta que pariu... Isso foi...
Fazia tempo que não caprichávamos em um orgasmo assim. Depois de nos recuperarmos um pouco do gozo, paramos pra olhar na direção do Antônio. Ele estava com a barriga toda suja de porra, além de ter porra no chão perto de onde ele tava. Ele tinha gozado junto conosco, aparentemente.
Depois disso, nós os olhamos e decidimos descansar um pouquinho e nos recuperar melhor dessa trepada intensa.
Estávamos todos nus e deitados em cantos separados da sauna, com a certeza de que a noite ainda estava na metade e ninguém queria acabar aquilo logo. O descanso foi providencial pra renovarmos as energias. Não havia mais aquela timidez inicial entre nós, todos estavam bem mais à vontade com a nudez de todos.
Permanecemos assim por quase hora, conversando por uns deliciosos momentos. Falamos sobre a nossa transa. O Antônio estava admirando com a nossa união e o meu vigor, assim como a nossa cumplicidade e carinho. Nisso, o Antônio teve coragem de perguntar.
— Rogério, você é bi?
— Não — respondi com naturalidade.
— Ele é jessicassexual — brincou Jéssica. — Você pode colocar qualquer outra mulher nua na frente dela que ele não se anima, não.
— Essa foi boa.
— Acredite, eu já vi acontecer. Três vezes. E tinha uma mulher bem mais gostosa que eu no meio.
— Cara, isso que é amor, hein?
— Mas e você, Antônio? — hesitei pra não ser invasivo. — Mal pergunte, mas você é bi?
— Sim. Digo, eu acho.
Ele baixou a cabeça pensativo, parecia confuso consigo mesmo. Bem, estávamos tão íntimos que pensei em ajuda-lo.
— Se quiser se abrir conosco, estamos aqui pra isso.
— Então... Eu gosto de mulheres, mas descobri há pouco tempo que gosto de dar a bunda pra homens — começou. — Eu nunca comi um homem, mas adoro comer o cuzinho de mulheres. Quero experimentar comer um homem, mas não sei como descobrir se um homem é hétero, gay ou bi. E se ele tá interessado em mim. Isso tudo é novo.
— Entendo... — disse Jéssica. — Então, o que você sente quando nos vê? Digo, quando você entrou, assumimos que você fosse hétero porque só sabíamos do teu namoro com a Letícia. Então, o Rogério ficou nu na sua frente o tempo todo...
— Posso ser absolutamente sincero?
— À vontade. Estamos entre amigos.
— Achei os dois igualmente tesudos. Enquanto vocês transavam, eu me imaginei fodendo a tua xoxota quando você mostrou pra mim siriricando, me imaginei metendo no teu cuzinho, Rogério, quando você ficou de costas pra mim e deu pra ver direitinho, me imaginei dando o meu cuzinho pra ti quanto te comendo a Jéssica de quatro e vi o quanto ela tava sentindo prazer com isso. Eu tive vontade de experimentar. Experimentar com os dois, entende?
— Entendo perfeitamente — respondeu Jéssica.
— Obrigado. É a primeira vez que sou chamado de tesudo por um homem. Normalmente, ouço muito “riquinho”, “frangote”, “chorão”, “beta”. É bem refrescante um elogio sincero. — Fiquei pensativo, em silêncio, por um tempo. — Então, você não conhece nenhum homem que seja bi e que te atraia pra experimentar, certo?
— Sim.
— Acho que conheço um amigo que é gay e está solteiro. Ele é inteligente e muito, muito bom em matemática. É daqueles caras bonitos e sarados de academia. Tem uns 27 anos e...
— Amor, você quer tomar outra advertência do RH por bancar o cupido dos seus funcionários de novo? — interveio Jéssica.
— É só a gente apresentar eles longe dos olhos do RH — respondi, brincando, mas lembrando do sermão que levei ao tentar juntar o Vinícius com a Lisandra.
— Ia ser uma boa conhecer ele. Digo, sem compromisso — respondeu Antônio. — A gente pode conversar de boas e, se rolar, rolou.
— Eu vou falar com... — comecei, sendo interrompido pela Jéssica.
— Amor, deixa que eu falo com o Rodolfo na terça. Te conhecendo, você vai tomar uma suspensão do RH por não saber escolher as palavras.
Nós três rimos disso e continuamos a conversar. À medida que o tempo foi passando e os corpos foram se recuperando, nos animamos de novo. O meu pau deu sinais de vida e o do Antônio também.
— Vamos pro round 2? — perguntou Jéssica.
— Bora! — dissemos ambos ao mesmo tempo, nos posicionando. Eu me aproximando dela e ele se sentando na distância segura.
— Que posição você quer assistir desta vez? — perguntou Jéssica, no ápice da sua ousadia.
— Ele pode comer o teu cuzinho? — pediu Antônio. — Eu adoro anal e seria legal assistir.
Me peguei imaginando um monstro daquele tamanho arrombando cuzinhos? Devia ser 8 ou 80, no sentido de que a pessoa iria amar ou odiar ser enrabada(o).
— Na verdade, eu e o Rogério nunca... Digo, eu nunca... — Jéssica estava bastante enrubescida e parecia que tínhamos voltado ao constrangimento inicial.
— Não, não. Entendi já — interveio Antônio, tentando apagar o incêndio logo. — Mas se um dia vocês quiserem... você sabe... Eu sou bem experiente em sexo anal. Posso ajudar com dicas, tirando dúvidas ou orientando de longe.
A Jéssica ficou ainda mais enrubescida e decidi dar um jeito logo nisso antes que o Antônio se enforcasse.
— Que tal de quatro, querida? — sugeri. — É próximo o suficiente.
Ao ouvir isso, a excitação da Jéssica voltou. Ela gostava bastante daquela posição. O Antônio se posicionou pra poder assistir.
A minha esposa ficou de quatro no chão e eu me ajoelhei atrás dela, beijando aquela bundinha redonda e aproveitando pra brincar com aquele buraquinho rosado, quente e apertadinho que ainda me era proibido. Abri as nádegas dela com as mãos e dei uma lambida no cuzinho, lambi bastante, molhando de saliva, e empurrei a língua para dentro dela. Jéssica gemia e empinava a bundinha para mim.
Ela sabia que eu queria comer o cuzinho dela, mas torcia pra que eu tivesse um mínimo de noção pra que nossa primeira vez fosse em um lugar mais íntimo, reservado e, principalmente, sem plateia orientando como fazer.
Apontei a cabeça de meu pau na entradinha da sua bucetinha e fui enfiando aos poucos. De onde o Antônio estava, ele devia ter visão privilegiada da buceta da Jéssica se dilatando ao receber o meu pau lentamente. Fui enfiando aos poucos, cm a cm, não só pelo prazer que isso me dava, mas pra que ele pudesse assistir, como em câmera lenta, e bater sua punheta.
Aos poucos, ela foi recebendo o caralho todo até o talo. Sua bucetinha estava muito molhada e isso facilitava a minha vida. Quando minhas bolas bateram na entradinha, ela empinou mais o rabinho e comecei a socar devagarinho.
Fui metendo assim, fodendo a bucetinha dela de leve no começo, como ela gostava. E aumentando aos poucos. A Jéssica gemia e pedia por mais, mais forte. Seus peitinhos balançavam no ritmo da foda. O Antônio ficou nos observando excitado e acelerou a punheta no mesmo ritmo das minhas metidas.
Eu continuava dando socando na sua buceta, arrancando dela gritinhos de prazer. Ela pedia por mais e eu me empolgava dando tapinhas na sua bundinha. Continuamos fodendo nesse ritmo por mais um tempo, até eu perceber que ela estava prestes a gozar e, quando o momento chegou, tirei o pau e enfiei de uma vez toda a minha força. Ouvimos o barulho do choque dos nossos corpos, seguido pelo gemido gutural da Jéssica.
Ela caiu de bruços no chão, por um instante. Deixei ela se recompor, enquanto olhava praquela bundinha que tanto queria enrabar. Não resisti e dei uns tapinhas na sua bundinha.
— Ai, ai, ai... calma... — disse ela, com uma voz chorosa.
Coloquei as mãos dela em suas próprias costas, separei mais suas coxas, arrumei o pau na porta da bucetinha e voltei a enfiar. Fui enfiando cada vez mais fundo. Comi com gosto aquela bucetinha apertada, que só eu conhecia de verdade.
Quer dizer, eu e o vibrador que ela comprou depois de uma viagem de duas semanas que precisei fazer a trabalho. Mas o vibrador não conta, né?
Continuei bombando dentro aquela buceta com tudo o que eu tinha. Ficamos um tempão fodendo assim, pesado, com o barulho do choque dos nossos corpos ecoando na sauna, ela gemendo e gritando. Ela tendo orgasmos e eu segurando o meu.
Levantamos e joguei ela na parede. Ela empinou aquela bundinha, levantei uma perna dela e voltamos a foder. Continuamos nessa posição por um tempo. Voltamos pro chão, com ela de quatro e eu metendo a valer dentro daquela buceta. Continuamos metendo ali, enquanto ela gritava pra eu gozar logo.
O Antônio assistia e batia punheta. Eis que uma estocada forte e enfiou meu pau com tudo dentro dela. Foi algo tão tesudo que fez o Antônio e a Jéssica gozarem quase ao mesmo tempo.
— Puta que pariu, puta que pariu, puta que pariu... — gemia alto a Jéssica.
Continuei enfiando meu pau até o talo por mais algum tempo até anunciei que ia gozar.
— Goza dentro! — pediu Jéssica.
Eu a segurei pelos ombros, para que ficasse imóvel, e voltei a bombar cada vez mais forte.
— Está quase... Quase... Vou gozar!
Dizendo isso, a agarrei com força, urrando. E comecei a jorrar meus jatos de porra dentro da bucetinha da minha esposa. Era tanta porra quanto da primeira gozada, parecia que eu tinha dado tudo de mim e esvaziado dentro dela.
Caímos exaustos no chão, em silêncio e ofegantes. Levou quase uns dez minutos pra nos recuperarmos.
Era um momento estranho. Estávamos os três recuperados de nossos orgasmos e satisfeitos. Nus, suados e relaxados. E, de alguma forma, mesmo depois do orgasmo passar e a nossa mente voltar a pensar melhor, ainda estávamos sem vergonha da presença do Antônio.
Aquela tinha sido a segunda maior loucura sexual que já fizemos na vida. Na verdade, era a maior. Porque dessa vez era em um ambiente público. Mesmo assim, fomos nos recobrando e conversando de boas. Como se nossas genitálias não estivessem à mostra.
Eu observava o Antônio. Ele tinha cumprido o que prometera, mas mesmo assim, uma parte de mim continuava alerta. Confiança não se construía numa noite. E, pra falar a verdade, nem sei se ainda confiava no seu Arnaldo depois que a dona Ângela descobriu a verdade.
O Antônio se virou pra mim num momento.
— Rogério, é verdade aquele lance de você ser faixa preta de jiu-jitsu?
— Sim. Treino há anos.
— Então, foi assim que você neutralizou o Maurício tão fácil?
— Artes-marciais é como a Força pros Jedi — filosofei. — Só podemos usá-la pra conhecimento e defesa. Nunca pra atacar.
— Então, o teu dojo não é do tipo que tem encrenqueiro não, né?
— Não — respondi, intrigado.
— Você pode me inscrever nesse dojo? — pediu. — Ou, sei lá, você poderia me dar umas aulas? Nem que fosse pra eu aprender o básico. Sempre quis aprender, mas só sei um tanto de tae-kwon-do e judô.
Ele parecia confiável, mas as aulas era uma boa oportunidade de ficar de olho nele e do meu antigo sensei checar seu caráter.
— Olha, Antônio. Aula particular, eu não posso te dar. Mas posso ir contigo no dojô do meu mestre e da Lorena. Ele costuma dar aulas inaugurais aos sábados de manhã. Podemos ir no próximo sábado e, se você gostar, se inscreve.
— Sério? — disse ele, animado. — Eu topo essa fácil.
— Jiu-jitsu ensina muita coisa além de luta.
A Jéssica olhou pra mim com um daqueles sorrisos silenciosos que diziam tudo que eu precisava saber. Ela também queria que eu adotasse o “mantenha os amigos por perto e os homens que viram sua esposa pelada mais perto ainda, só por garantia é sempre melhor confiar fiscalizando”.
Gente, estamos falando da mulher que levou quase sete anos pra parar de desconfiar da Lorena, que é uma irmã pra mim. Ela vai desconfiar do Antônio por algumas décadas.
Nos levantamos pra irmos ao vestiário, tomarmos um merecido banho. Pela primeira vez, Antônio e Jéssica ficaram frente a frente, nus, a “apenas” quatro passos de distância.
— Antônio, me diz uma coisa — começou Jéssica. — Digamos que eu hipoteticamente tivesse, sem querer querendo, visto algumas fotos íntimas suas... Só hipoteticamente, claro... Você considera que esta noite nos deixa quites?
— A Letícia te mostrou uns nudes meus com close no meu pau, né? — perguntou Antônio, adivinhando a charada que a Jéssica praticamente telegrafara pra ele.
Ela se enrubesceu e isso foi praticamente uma confirmação.
— Cara, obrigado por me contar... Isso explica muita coisa louca que aconteceu na última semana... — Antônio levou a mão ao queixo, pensativo. — Agora, o comportamento das mulheres deste prédio fez sentido...
— Eu... Eu...
— Estamos quites, Jéssica. Relaxa. — Antônio sorriu. — Só me promete não mandar pra ninguém, pra que isso não vaze além deste condomínio, e tá tudo bem entre a gente.
— Obrigada...
A Jéssica soltou um sorriso genuíno, que o Antônio entendeu como felicidade, mas que eu sabia que queria dizer “eu vou caçar todos os celulares da turma da academia e apagar essas fotos de cada um!”. O coitado não conhecia o conceito da Jéssica de “relaxar sua consciência”...
— Eu queria aproveitar e dizer uma coisa — disse Antônio falou, olhando pra Jéssica. — Você é muito bonita, muito bonita mesmo. Eu prometo que nunca vou tentar nada contigo, mas não podia não te elogiar. Você é uma das mulheres mais incríveis que já vi.
Tempos depois, quando ela soube que o Antônio disse isso mesmo tendo comido a Milla horas antes, ela teve vontade de dar uma voadora na loira da Torre-B dizendo “Chupa essa, feiosa!”.
— Obrigada — respondeu ela, tranquila. — Você também é bonito e atraente. Espero que encontre logo uma namorada ou namorado.
Eu sabia que o Antônio estava numa fase de “aproveitar a solteirice e se entender melhor”, mas a Jéssica era 100% do tipo “ser feliz é igual a arrumar alguém e se aquietar (fodendo essa pessoa todos os dias)”.
Depois, ele se virou pra mim.
— Você também é bastante bonito, Rogério. Tem um corpo nota 10. E vocês dois juntos são incríveis.
Ele hesitou antes de continuar.
— Eu adoraria fazer sexo com vocês dois. Com os dois juntos, quero dizer. Rogério, eu toparia ser comido ou te comer. O que você se sentisse mais à vontade — confessou. — Mas sei que vocês são monogâmicos e respeito isso. Não vou encher o saco de vocês quanto a isso, e sei que nunca vai acontecer. Mas achei que seria honesto da minha parte que soubessem que acho os dois tesudos.
— Obrigada.
— Obrigado.
— Se um dia, algo como esta noite acontecer de novo, eu espero que eu esteja com uma mulher ou um cara pra que seja uma transa a quatro. Tipo os dois casais transando sem haver trocas. Só compartilhando o momento e o lugar.
O coitado do Antônio não sabia que isso ativava gatilhos recentes na Jéssica.
— Deixa quieto, Antônio... É melhor pararmos no auge...
Ele assentiu, sem frustração.
— Justo. Acho que tava exagerando e imaginando coisa demais. Desculpe.
Ela riu, feliz por ter cortado uma segunda dona Ângela de sua vida.
— Melhor irmos — falei. — Já é quase 2h30 da madrugada. Já brincamos demais com a sorte.
Fomos para os vestiários. Só lá, descobrimos esse brilhante erro de projeto dos chuveiros serem compartilhados. Tomamos os banhos a três, comigo no meio, pra Jéssica se sentir mais à vontade. Enquanto a água quente caía sobre mim, pensava no risco que tínhamos corrido e em como tudo podia ter dado errado.
Nos vestimos e saímos silenciosamente da sauna. Primeiro, o Antônio. Contamos cinco minutos e depois nós dois saímos no meio da madrugada.
Parecia ter sido o crime perfeito. Infelizmente, não sabíamos que o síndico tinha colocado uma câmera na sauna esperando por um momento como esse, em que um casal resolvesse transar lá...
Teríamos evitado muitas dores de cabeça, se tivéssemos descoberto logo que uma certa pessoa ligou pro zelador Zé Maria logo às 6h30 da manhãzinha e solicitou que ele interditasse a sauna pra uma limpeza geral. Essa pessoa também pediu sigilo absoluto sobre o que ele encontrou lá e que tipo de coisa precisou limpar.
A manhã seguinte foi calma até a hora do almoço, quando almocei com Lorena e Rebecca, como era a nossa tradição. Eu estava com meu clássico de arroz, feijão, frango grelhado e salada. À minha frente, as minhas duas amigas conversavam entre uma garfada e outra.
Peguei o celular, mesmo sabendo que aquilo só ia me irritar mais. Abri o grupo de WhatsApp dos moradores e rolei a tela pra quando eu e o Enéias anunciamos a partida e chamamos os demais moradores a se juntarem aos nossos times.
[Enéias]: “Último aviso. Quem fechar com o time do Rogério, não pisa mais em nenhuma churrascada minha. Nem resenha, nem cerveja depois do jogo. Escolham bem.”
Rolei mais um pouco.
[Antônio]: “Eu topo jogar no time do Rogério. Ei, @Rogério, eu jogo de atacante no time da universidade desde o primeiro semestre. Pode contar comigo!”
O Antônio foi o único a querer ficar no time, entre todos daquele grupo. Com ele, ainda faltam sete jogadores só pro time titular. Eu nem conhecia o Antônio tão bem assim, mas naquela atitude ele ganhou um bocado de pontos de respeito comigo. Já os outros...
[Alberto]: “Enéias, se ainda tiver vaga, posso compor elenco. Nunca joguei, mas ajudo no que precisar.”
[Leandro]: “Conta comigo, Enéias! Tô voltando na quinta de manhã. Posso ser qualquer coisa, até reserva. Só não me tira das resenhas, brother.”
[Assis]: “Fala, Enéias! Se precisar de mais um pra completar, tô à disposição. Vamos humilhar aquele riquinho de merda e depois comemorar na churrasqueira.”
Ler aquele desfile de homens se ajoelhando perante o Enéias me deixava com um gosto amargo na boca.
— Meu Deus — murmurou Lorena, lendo as mensagens. — Quanto mais velho o cara, menos dignidade parece que sobra neles.
— As pessoas se dobram muito fácil quando alguém oferece pertencimento — comentou Rebecca, baixo.
A Rebecca mexeu na comida, pensativa, e depois soltou algo que parecia estar preso desde que essa conversa toda pipocou no grupo de manhã.
— Me sinto péssima por pensar isso, mas fico aliviada que o Maurício esteja machucado. — Ela fez uma pausa curta, os olhos baixos. — Ele iria se candidatar pro time do Enéias só pra te afrontar. Nem sabe jogar. Ia ser pra se vingar mesmo.
— E o Jonas? — perguntou Lorena, casualmente apoiando o cotovelo na mesa. — Ele respondeu alguma coisa? Time Rogério ou time Enéias?
Peguei o celular e mostrei pra ela o que ele fez.
— O Jonas saiu do grupo. Na hora que o Enéias mandou o ultimato, ele aproveitou que agora dá pra sair sem notificar ninguém e vazou pra não se comprometer com ninguém.
A Lorena não pareceu surpresa ao ouvir isso.
— Espertinho — comentou e deu um risinho quase maligno.
A Rebecca se ajeitou na cadeira, o semblante ficando um pouco mais firme.
— A Jéssica marcou uma reunião da turma da academia pra hoje de noite no apartamento da Eliana. A gente quer ajudar vocês quatro.
— Eu, Jéssica, Lorena, Eliana, Natália, Carolina, Sarah, Letícia e Andréia confirmaram. Você pode até ter sido abandonado pelos “amigos” — disse Rebecca, olhando direto pra mim —, mas não está sozinho.
— Bendito sois vós entre as mulheres — disse Lorena, quebrando o clima do jeito dela. — Olha essa escalação, Rogério. Isso sim mete medo.
Eu finalmente sorri de verdade.
— Se não der pra ganhar no futebol, pelo menos eu sei que tô no time certo.
Horas depois, ainda na segunda, pouco depois das 20h, eu estava no sofá recapitulando mentalmente como estava a situação do meu time. Por enquanto, no condomínio, eu tinha conseguido o Érico, o Carlos e o Antônio. No hospital, a Jéssica tinha conseguido o Miguel e o Wagner.
De um mínimo de 11 jogadores, nós tínhamos conseguido 6. Nesta altura, o Enéias tinha 30 candidatos pra selecionar no time dele. Enquanto eu pensava onde arrumar metade de um time em três dias, o adversário devia estar se divertindo com a minha dificuldade.
Meia hora antes, enquanto eu desci pra falar com o seu Geraldo, o seu Arnaldo passou lá em casa e se ofereceu para jogar. Ele admitia que não tinha físico, mas tinha experiência e não queria ver o pessoal me zoando no WhatsApp. Mas a Jéssica vetou imediatamente. E nem foi pela transa a quatro ou qualquer problema que ela tivesse com a dona Ângela. Era um veto de saúde.
A Jéssica me contou que tinha acesso aos prontuários da dona Ângela e do seu Arnaldo, fornecidos por eles mesmo. O nosso vizinho tinha histórico de doença coronariana, angina estável. Ele podia se exercitar em coisas leves: caminhadas até um pouquinho de sexo esparsado.
Mas no ritmo do futebol, mesmo uma pelada amadora, a Jéssica dizia que qualquer coisa além de 20 minutos era um risco inaceitável. Ele era seu vizinho, pai do seu segundo melhor amigo e o segundo homem que mais a viu pelada na vida. Ela não podia deixar ele se arriscar e o mandou pra casa. Ela estava certa. O jogo não valia esse risco.
Foi quando a Jéssica apareceu, vinda da cozinha, com uma bacia grande de pipoca e camiseta larga. Ela colocou a bacia na mesa de centro e se sentou ao meu lado, puxando as pernas pra cima do sofá.
— Amanhã, vou falar com meus funcionários — comentei. — Não é possível que não consiga, pelo menos, uns quatro lá. O Vinícius vive dizendo que é um bom goleiro.
— O Vinícius? — Ela deu um sorriso malicioso. — Deixa ele comigo. Sei como incentivar ele...
Ela balançou a cabeça, rindo.
— Você já pensou em completar o time com mulheres?
— Como?
— A turma da academia tava falando sobre isso mais cedo — explicou. — A Natália e a Eliana jogavam futsal direto na época da faculdade. Parece que até torneio entre cursos elas jogaram. A Letícia tava nesse mesmo time até o ano passado. A Sarah, a Lorena e a Carolina entrariam pra completar o time. Eu sou um zero a esquerda, mas se estivermos perdendo de 7 a 1, eu posso chutar os ovos do Enéias. A vitória moral será nossa.
Eu realmente não tinha considerado completar o time com mulheres.
— Eu não tenho problemas em jogar bola com vocês — respondi. — Na verdade, seria um sonho jogar futebol contigo.
— Agora vem o “mas”.
— Eu tenho receios em arriscar vocês. O Enéias vai botar um time muito físico, deve escolher os melhores do prédio e até colocou um zagueiro com fama de carniceiro. Por mais que eu não queira parecer sexista, diferença de físico existe. Eles vão pra cima dos mais fracos, vão catimbar muito.
— Você realmente acha que o ÉRICO tem um físico melhor preparado pra 90 minutos de correria que a Natália? — perguntou Jéssica.
Ela me olhou quando silenciei.
— Ou você não tá querendo pôr umas mulheres no time por medo do Enéias e os papagaios de pirata dele começarem a rir da tua cara.
— É pedir muito eu ter uns dez amigos com quem pudesse contar? — me defendi.
— Você quer amigos em quantidade como aqueles que você tinha na época da Milena? — retrucou Jéssica, com um golpe que ela mesma percebeu ter sido baixo demais. — Desculpe... Eu...
— Tudo bem... — Eu precisava recuperar o clima imediatamente. — Hora de assistirmos “Lua Nova”.
Ela se ajeitou mais perto, puxando a bacia de pipoca pro colo e encaixando o corpo no meu. Passei o braço em volta dela.
— Ah — disse ela, já com o controle remoto na mão. — Só lembrando que você prometeu que não faria piadinhas sarcásticas sobre vampiros, lobisomens ou triângulos amorosos.
Antes dela apertar o play, a campainha tocou.
Abri a porta e era a Sarah. Ela estava de regata preta, daquelas fininhas, colada no corpo e ostensivamente sem sutiã. O tecido marcava tudo, acompanhando o desenho dos seios de um jeito que parecia feito de propósito. O jeans justo abraçava o quadril dela, desenhando coxas firmes, cintura estreita.
Ao lado, o seu Raimundo parecia o contraste ambulante. Magro, calvo, com uma postura de quem já foi mais imponente e ainda faz questão de agir como se fosse. O olhar dele tinha um brilho esperto.
— Boa noite, Rogério — disse Sarah, animada. — A gente tá atrapalhando?
— Não, claro que não — respondi, abrindo mais a porta. — O que houve?
— Você ainda tá precisando de jogadores pro time?
— Tô, sim.
O sorriso dela ficou quase vitorioso. Antes que eu pudesse completar qualquer raciocínio, ela puxou o seu Raimundo pelo braço, trazendo ele pra frente como se estivesse apresentando um troféu.
— Então pronto. Arrumei um voluntário.
Não era possível...
— Sarah... O seu Raimundo tem 73 anos.
— E daí? — rebateu ela, automática.
O seu Raimundo nem me deixou responder.
— Velho eu posso até estar, mas fraco, não — disse ele, inflando o peito magricela — Joguei muita bola entre os anos 70 e 90. Várzea, campeonato de bairro. Até troféu eu tenho de campeão e artilheiro eu tenho.
Foi aí que senti um arrepio por uma presença aterrorizadora atrás de mim. Eu virei o rosto só um pouco e vi a Jéssica em pé, braços cruzados, olhar mortalmente focado no seu Raimundo.
— O senhor ainda está proibido de pisar neste apartamento — disse ela, num tom mortal demais pra ser saudável.
O seu Raimundo abriu a boca pra responder e fechou de novo. A Sarah franziu a testa, completamente perdida.
— Gente, o que tá acontecendo?
Eu não podia dizer que o seu Raimundo tinha comido a Lorena em nossa cama e que a Jéssica nunca o perdoou depois de achar restos de esperma no colchão que não eram meus depois de três dias. Eu e a Lorena tivemos um trabalhão comprando um colchão novo e o subindo escadas acima.
— Nada demais — intervi. — O seu Raimundo derramou leite na ca... no chão da cozinha e a Jéssica pegou raiva dele desde então.
A Jéssica não desmentiu. Apenas o encarou com um jeito que me deu ainda mais medo. A Sarah olhou de mim pra Jéssica, depois pro Raimundo.
— Tá. Mas ele pode voltou? — ela voltou ao assunto.
— Sendo bem sincero, eu fico preocupado com a saúde dele — falei. — Não quero menosprezar o senhor, mas o senhor já tem 73 anos e não se exercita com frequência. O máximo que eu me sentiria seguro seria te deixar como reserva. Só entra se acontecer alguma emergência muito grande.
— Vocês subestimam demais os velhos — respondeu seu Raimundo. — Eu subo escadas melhor que muito cara de 30.
— Subir escada não é a mesma coisa que levar um carrinho do Enéias — respondi, apontando os riscos. — O Amarildo da Torre-B vai estar no time dele. Quer se arriscar?
Amarildo era um cinquentão que tinha sido um jogador profissional décadas atrás e tinha fama de ser um zagueiro carniceiro.
— O Amarildo???? — reagiu seu Raimundo, que parecia conhecer do futebol das antigas. — O Enéias é louco? Isso deveria ser um amistoso!
O seu Raimundo suspirou, resignado.
— Reserva ainda é jogador. Pode contar comigo na quinta, mesmo se eu não entrar.
A Sarah suspirou, mas acabou assentindo.
— Tá bom. A gente se fala então.
Quando fechei a porta, ainda ouvi o seu Raimundo falar no corredor:
— Ainda posso te dar aquela massagem que você prometeu se eu jogasse?
— A gente vê isso depois, Raimundo — respondeu, Sarah desconversando — Vou falar com o Érico primeiro, tá?
Voltei pro sofá e a Jéssica imediatamente se aninhou em mim, encaixando o corpo no meu como se nada no mundo fosse mais importante do que aquele espaço compartilhado. Passei o braço em volta dela, sentindo o cheiro familiar, o calor, aquela sensação de casa que sempre me desarmava.
— Isso me lembra o Senhor dos Anéis — murmurei.
— Você quer que o seu Raimundo seja aquele velhinho barbudo de branco.
— Não. Mas a parte que o Gandalf diz que tudo que nos resta é a esperança dos tolos.
— Sou feliz em ser uma tola — respondeu Jéssica, beijando meu peito por cima da camiseta.
Os minutos passaram e o filme avançava. Mais perto do final, meu pensamentos intrusivos venceram sem querer.
— Essa Volturi loira... — Apontei pra TV. — Ela lembra a Lisandra. Se eu visse as duas lado a lado, juraria que são irmãs.
A Jéssica virou o rosto pra mim na hora.
— Não tem nada a ver.
— Tem um pouco...
— São duas branquelas loiras — cortou ela, firme. — É a única semelhança que vejo em ambas.
— Tá bem, você venceu.
Ela sorriu satisfeita, acomodando a cabeça no meu ombro, enquanto o filme seguia.
A terça foi um completo caos até o começo da tarde. Se as coisas tinham começado bem comigo e o Carlos completando o time com o pessoal do meu escritório e da faculdade dela, elas degringolaram quando a Lisandra e a Jéssica apareceram na empresa.
Aquilo foi um caos absoluto e só acabou uns 15 minutos atrás, quando a Lisandra saiu com a Jéssica e o Vinícius pra almoçar. Não sem antes a Lisandra dar o grito com mais nojo que ouvi na vida.
Foi quando, ali pelas 13h30, no corredor, perto da saída, que eu dei de cara com o Jonas. A camisa estava meio amarrotada, um pouco de suor no cabelo e o cabelo meio fora do lugar.
— Jonas? — chamei, o assustando com a minha voz. — O que você tá fazendo aqui?
— Ah, Rogério! Estava te procurando! Eu vim falar com você.
— Mas você já tá indo embora.
— É... — desconversou. — Eu não te achei, aí desisti e tava indo. Sabe como é, se não me atrasaria pra próxima aula.
— Bem. Estou aqui. Pode falar.
Ele respirou fundo, como se estivesse prestes a anunciar uma tragédia pessoal.
— É sobre a partida... — disse, abaixando um pouco a voz.
Eu esperei.
— Eu... — ele engoliu seco, exageradamente. — Eu vou jogar no seu time. Contra o time do Enéias.
Ele falou aquilo como se estivesse se oferecendo para um sacrifício ritual.
— E desculpa o sumiço. Eu juro que não queria ter sumido. Foi uma confusão de dias, de horários. Mas eu quero jogar, sim. Quero ajudar. Se tiver alguma posição que a pessoa sofra menos... Lateral? Volante?
Eu quase ri, mas me segurei.
— Jonas, eu agradeço mesmo — respondi. — De verdade. Mas eu fechei o time hoje.
Pelo rosto dele, parecia que tinha salvado um parente dele.
— O time tá fechado?
— Sim. O Carlos falou com um colega de faculdade de vocês, o Everaldo. Ele vai ser o décimo primeiro.
A transformação foi imediata. Os ombros do Jonas relaxaram, o rosto se abriu num sorriso de orelha a orelha.
— Graças a Deus — exclamou ele, olhando para cima. — Graças a Deus e ao Carlos.
Ele juntou as mãos, em falsa devoção.
— Eu vou acender velas pra ele hoje. Pro Carlos realizar todos os sonhos dele. Todos.
— Jonas, você pode ficar como reserva... — comecei a dizer.
Mas ele nem ouviu. Já tinha se afastado o mais rápido que pode, quase fugindo. E saiu antes que eu pudesse completar a frase.
Fiquei alguns segundos parado, tentando entender por que aquilo tinha parecido tão urgente para ele. No fim, dei de ombros. O Jonas sempre foi esquisito.
Voltei pro meu escritório e vi a Lorena fechando a porta da sala dela, bolsa no ombro. A roupa estava um pouco amarrotada demais para alguém que passa o dia sentada, e o cabelo, normalmente preso de forma prática, estava solto, meio desalinhado.
— Vai fugir sem se despedir? — perguntei.
Ela se virou e sorriu, de quando estava cansada e satisfeita ao mesmo tempo.
— Terminei todas as pendências do dia — explicou. — Vou tirar o resto da tarde no banco de horas.
— Luxo — comentei. — Vai fazer o quê?
— Parkour — respondeu. Faz tempo que não pratico.
Ela tinha ido semana retrasada, mas tudo bem. Ela reclamava há anos que era sem graça fazer essas coisas sozinha.
— Cuidado pra não quebrar nada — falei, meio automático.
— Relaxa — disse ela, abrindo a porta do corredor. — Não sou eu que preciso tomar cuidado...
Ela saiu, e eu fiquei ali, parado, olhando para a porta fechada sem entender se ela ia ter companhia ou não.
Horas depois, por volta das 18h10, me encontrei com o Érico e o Carlos no hall do condomínio. Os dois estavam com roupa de academia. O Carlos, como sempre, parecia minimamente organizado até pra suar. Camiseta limpa, tênis alinhado. O Érico parecia um pouco mais largado, mas animado, misturando empolgação com insegurança.
— Qual o plano de vocês dois? — perguntei.
Ele passou o braço pelos ombros do Érico, meio professor, meio treinador.
— Intensivão de três dias. — Carlos aponto pro Érico. — Eu, Natália, Sarah, Letícia, Rebecca e Eliana vamos treinar esse rapazote o máximo que der até depois de amanhã.
— Todo mundo tá dizendo que eu tô muito sedentário e que não vou aguentar um tempo desse jeito — disse Érico, envergonhado.
— Mas vocês sabem que três dias não fazem milagre — falei, mais honesto do que pessimista.
— Eu sei, mas é o que dá pra fazer — Érico deu de ombros.
O Carlos assentiu.
— Exatamente. Não dá pra virar atleta, mas ele não passar mal.
Ele deu um tapinha mais firme no ombro do Érico.
— Bora. A gente já perdeu tempo demais aqui. E você precisa aproveitar cada minuto porque a gente tem que voltar antes das 19h.
— Antes das 19h? — estranhou Érico. — Eu posso passar a noite toda na academia.
— A Sarah mandou que eu te entregasse em casa até às 18h55 pontualmente.
O Érico suspirou, como se estivesse completamente derrotado. Eles se afastaram, conversando baixo, e eu subi montando a escalação na minha cabeça.
O Vinícius era o goleiro. Wagner podia ser zagueiro. O Everaldo corria bem, podia ser um ala. Eu ficava de volante. Não era bom de bola, mas era esforçado. O Carlos seria o meio. Ele tinha visão de jogo, passe curto, inteligência. Mesmo sendo mais velho, podia ser um meia à moda antiga. Miguel e Antônio no ataque. Os nossos dois melhores. Eu não fazia ideia de onde colocar o Érico ainda.
Cheguei em casa pra preparar a janta da minha querida esposa e assistirmos “Eclipse” mais tarde. Sobre esse filme, gostaria apenas de dizer que eu e a Jéssica discordamos do final e, na minha opinião, teria sido bem melhor se tivessem mostrado a batalha contra os vampiros malignos em vez do triângulo amoroso.
Tudo parecia ir bem. Então as coisas pioraram bastante nas 24 horas seguintes. Na quarta, pouco depois das 18h, eu tinha perdido dois titulares e tinha 26 horas pra suprir esse problema.
De manhã, o Miguel tinha mandado mensagem:
[MIGUEL]: “Mudaram minha escala enquanto eu tava fora. Agora, tenho plantão quinta à noite. Foi mal, irmão.”
Respirei fundo, frustrado, mas não era culpa dele.
[ROGÉRIO]: “Obrigado por tudo mesmo assim =)”
[ROGÉRIO]: “Boa plantão.”
Na hora do almoço, foi a vez do Carlos mandar más notícias:
[CARLOS]: “A Natália foi com o Everaldo pra emergência. Ele tropeçou em bolas de gude no corredor da faculdade e arrebentou os dois joelhos.”
O que diabos acontecia nos corredores daquela faculdade?
À tarde, veio o complemento:
[CARLOS]: “Everaldo de muleta por uma semana.”
Pronto. Menos dois.
Isso tudo tinha acontecido mais cedo e agora, eu estava tentando não pensar nisso. Parte de mim já estava considerando que, no fundo, sempre soube que as chances estavam a favor do Enéias desde o começo.
Foi quando a campainha tocou e fui atender. Era a Sarah, junto com o Roberto, o marido da dona Marieta.
A Sarah usava uma regata branca e um short jeans. A regata esticava sobre os seios de um jeito que deixava claro que estava sem sutiã. Os seios, grandes, se acomodavam livres, vivos, desenhando a regata, até mesmo relevo mais escuro dos mamilos. Um dia, ainda ia perguntar porque ela resolveu que aquela era a semana da regata sem sutiã.
O seu Roberto tinha estatura mediana, uns 50 anos, era gordinho, calvo em cima com o cabelo branco nas laterais.
— Oi, Sarah, olá senhor Roberto — respondi, ao me recuperar do susto.
— Fiquei sabendo que você ainda tá precisando de jogadores pro time — disse Sarah, que então puxou o Roberto pra frente. — Consegui outro voluntário.
— O Roberto? — deixei escapar, antes de conseguir filtrar. — Mas deve ser um jogo bem puxado...
— Ele mesmo — disse Sarah, sorrindo. Então, ela se virou pro Roberto. — Seu Roberto, o senhor espera só um pouquinho no corredor? Eu preciso falar uma coisa rapidinho com o Rogério.
— Claro, claro — disse Roberto, num tom baixo, quase sem vontade própria.
A Sarah sorriu fofinha pra ele, entrou no meu apartamento, fechou a porta e seu semblante mudou imediatamente. Ela me colocou contra a parede com ódio e cansaço no rosto. Levantou o dedo indicador, bem perto do meu rosto.
— Você vai aceitar o Roberto no time — disse Sarah, ameaçadora o suficiente pra não precisar elevar a voz.
— Sarah, olha...
— Não — cortou ela. — Você não faz ideia das coisas que eu tive que ver, tive que fazer e tive que prometer pra conseguir esses dois voluntários.
Ela chegou um pouco mais perto. A Sarah que eu conhecia nunca tinha falado comigo desse jeito e tive certeza de que ela me espancaria se continuasse a negar.
— Você vai aceitar o Roberto e ele vai ser titular desse maldito time.
Eu abri a boca pra responder, ainda tentando organizar uma resposta não fosse suicida.
— Eu não tenho tempo pra discutir — interrompeu ela antes que eu falasse. — Eu tô atrasada pra um jantar com uma amiga e só tenho uma hora pra me arrumar. Você vai sorrir, acenar, dizer sim pro Roberto no time e não complicar a minha vida. Entendido?
— Entendido.
O rosto dela se iluminou, voltando ao semblante natural dela.
— Ótimo.
Abrimos a porta do apartamento e ela saiu pro corredor como se tivéssemos falado sobre o clima.
— Seja muito bem-vindo ao time, senhor Roberto — falei, sorridente.
— Obrigado, Rogério — disse, apático. — Agradeço muito a oportunidade.
— Já jogou bola antes?
Ele coçou a nuca.
— Joguei... Algumas décadas atrás. Mas minha esposa disse que o futebol não está na Bíblia. E se não está na Bíblia, é coisa do demônio. Aí eu parei de assistir... e jogar... tem mais de 20 anos.
Eu pensei mil coisas. Falei uma só.
— Quinta, às 20h.
— Estarei lá.
Depois que eles se despediram, olhei pelo lado bom de que só faltava mais uma vaga no meu time.
Horas se passaram e, por volta das 21h30, eu estava no sofá com a Jéssica aninhada em mim, a cabeça dela apoiada no meu peito, o corpo encaixado no meu. Uma perna dela descansava sobre as minhas, e eu passava o braço em volta dos ombros dela. Na televisão, assistíamos “Amanhecer – Parte 1”.
Não lembrava que tinha uma parte do filme que se passava no Brasil. Tive vontade de perguntar pra Jéssica se a autora tinha morado aqui ou só visto em folhetos turísticos. Mas preferi não quebrar o clima tranquilo e amoroso entre a gente.
A Jéssica estava feliz. Dava pra sentir isso no jeito relaxado dela, no dedo desenhando distraidamente círculos na minha camiseta.
— Amor, considerando que o jogo é amanhã, e se a gente fechasse logo a maratona hoje? A gente assiste os dois “Amanhecer” agora e pronto. Aí, você fica livre amanhã.
Eu já imaginava que ela fosse sugerir isso em algum momento.
— Tá, mas com uma condição: dessa vez eu posso reclamar da luta final.
Ela fez uma careta imediata.
— Ah não, Rogério... — reclamou. — Aquela luta final foi a única coisa que você gostou na franquia inteira.
— E me senti enganado por ser uma visão do futuro — argumentei. — Quatro filmes de preparação praquilo desde que falaram dos Volturi. Ela deveria ser canônica.
Meu Deus! Eu decorei o que eram os Volturi. Isso seria o equivalente da Jéssica saber o que era um mandaloriano.
— Para com isso. A graça é exatamente tudo ser resolvido na conversa. No livro nem tem essa briga.
— Tá bom. Eu fico quieto.
E fiquei. Assistimos. Eu engoli comentários, e o tempo foi passando. Quando percebi, já estávamos na “Parte 2”. Perto da meia-noite, com a batalha final se desenrolando na tela, meu celular vibrou.
[JONAS]: “ROGÉRIO!!! <emoticons de foguinho>”
[JONAS]: “Soube que o Miguel caiu fora amanhã. Se ainda tiver vaga, eu jogo no lugar dele. Faço QUESTÃO!”
[JONAS]: “E já aviso: vou no ataque. Porque comigo é assim! O meu esquema é 0;0;10 ATAQUE TOTAL. Sem medo do adversário e muito menos do amanhã!!! <emoticon de gargalhada> <emoticon de bola>”
Fiquei alguns segundos olhando pra tela, tentando conciliar aquela empolgação com o Jonas que eu conhecia. Não era o vocabulário e o tipo de coisa que ele escrevia, mesmo que tivesse bêbado. Parecia até outra pessoa teclando no lugar dele.
[ROGÉRIO]: “Valeu, Jonas. Com você agora sim fechei os 11. Time completo.”
[JONAS]: “Então fechado. Amanhã, eu vou estar lá e vou dar tudo de mim. E jogo pra ganhar.”
O Jonas realmente estava empolgado. Era até estranho pra um cara que fugiu a semana toda e, agora, queria jogar no ataque. Como se não soubesse que vai enfrentar o carniceiro do Amarildo, pra quem do pescoço pra baixo é canela, na zaga adversária.
— Que foi? — perguntou Jéssica, sem tirar os olhos da TV.
— Completei o time — respondi, guardando o celular. — O Jonas se ofereceu pra jogar.
Na TV, a batalha terminava. A Jéssica assistia, satisfeita. E quer saber? Eu também estava feliz. Porque amava aquelas horinhas com ela.
— Semana que vem, bora de “Jogos Vorazes”? — sugeriu ela.
— Só se for com você.
A noite terminava no tom romântico de Vênus prenunciava a guerra de Marte que viria na noite seguinte.
TIME DO ROGÉRIO:
Vinícius; [Nome], Wagner, [Nome] e Roberto; Érico, Rogério, [Nome] e Carlos; Jonas e Antônio.
Reservas: Raimundo, Jéssica, Natália, Letícia, Sarah, Carolina, Rebecca, Eliana, Tatiana e Andréia.
TIME DO ENÉIAS:
[Nome]; [Nome], Amarildo, [Nome] e Leandro; Gilmar, [Nome], [Nome] e Pedro; [Nome] e Enéias.
Reservas: Assis, Arnaldo e basicamente metade dos homens da Torre-A.
PRAZO PARA O FINAL DA APOSTA ENTRE JÉSSICA E LUCÉRIO: 2 semanas.
Pois bem, leitor. No próximo capítulo, será contado o que a Jéssica fez de segunda a quinta de manhã e o que ela aprontou com Lucério, Miguel e Vinícius.
A causa das seguidas mudanças ideias do Jonas será explicada em “Quem Vai Comer a Advogada Evangélica? - Capítulo 13”.
O recrutamento dos jogadores na empresa do Rogério e que Lisandra e Jéssica causaram na empresa será narrado em “Eu, a esposa gostosa do meu chefe e os vizinhos deles - Parte 03”.
O recrutamento dos jogadores no hospital e quem sabotou o Miguel será contado em “Eu, minha amiga gostosa e os vizinhos dela - Parte 04”.
O que a Sarah fez e prometeu pra recrutar seu Raimundo e Roberto será explicado em “Eu e Minha Esposa Pulamos a Cerca... E o Caos Explodiu - Parte 12”.
O treinamento do Érico pra sair do sedentarismo será mostrado em “Passando a Vara nas Vizinhas. Ou Não. - Capítulo 16”.
Coloquem nos comentários para o que vocês torcem que aconteçam nos próximos capítulos. Em breve, teremos a continuação.
PERGUNTAS:
I) Quem entregou o livro pra Jéssica? (dica: as dicas de sua identidade foram dadas em outro conto)
II) O Antônio merece uma segunda vez, seja como voyeur, seja numa transa a quatro?
III) Quem merece ganhar a partida: Time Rogério ou Time Enéias?
Os próximos capítulos serão:
(CAPÍTULOS ENTRE SEGUNDA A QUARTA)
* Apostei que Faria Aquela Médica Certinha Virar Minha Putinha - Parte 04
* Passando a Vara nas Vizinhas. Ou Não. - Capítulo 16 (Carlos/Eliana)
* Eu, minha esposa e nossos vizinhos – Parte 20 (PoV Jéssica)
* Quem Vai Comer a Advogada Evangélica? - Capítulo 13 (PoV Jonas)
* Eu, a esposa gostosa do meu chefe e os vizinhos deles - Parte 03 (PoV Lisandra)
* Eu, minha amiga gostosa e os vizinhos dela - Parte 04
* Eu e Minha Esposa Pulamos a Cerca... E o Caos Explodiu - Parte 12 (PoV Sarah)
NOTA DO AUTOR 01: Sim, eu postei esse e o capítulo do Jonas juntos por receio de possíveis polêmicas em ambos.
NOTA DO AUTOR 02: Eu devo tirar uma folga de uma semana ou duas pra descansar porque esses dois capítulos foram bem exaustivos, levaram muito mais tempo e esforço do que pensava. Foi partes da sexta e do sábado, o domingo quase todo e as noites de segunda a quinta. Basicamente, todo o tempo livre de uma semana inteira. Terminei na força do ódio. Um ritmo pesado desse é ruim pra mim. Vou passar a focar capítulos menores, de 6 a 7 mil palavras pra não acontecer algo assim novamente.
NOTA DO AUTOR 03: O próximo capítulo tem que ser o Lucério 04, que vai prenunciar uma chacoalhada no status-quo da história.