Uma Chance de Carreira (episódio 1)

Um conto erótico de Subrcrys
Categoria: Sadomasoquismo
Contém 1127 palavras
Data: 08/01/2026 22:13:53

Uma Chance de Carreira

(episódio I – versão densa, integral)

Terminei a formação em estética num ano ingrato.

Havia diplomas a mais, vagas a menos, e uma sensação constante de que quem procurava trabalho tinha de aceitar ser visto como descartável. Ainda assim, eu sabia o que queria. Não era um salão qualquer. Queria um grande centro. Um lugar onde os clientes fossem exigentes, onde o erro tivesse consequências, com toda a certeza só teria alguma pequena chance se me deixasse humilhar, submeter-me aos pés de muitas ou muitos. Onde o serviço fosse levado ao limite da perfeição.

Sempre tive uma inclinação particular pelos pés. Não apenas técnica. Atenção. Cuidado. O gesto certo, a pressão exata. Sabia que, num espaço sério, isso poderia ser um diferencial.

Foi por isso que o anúncio me chamou de imediato a atenção.

Pédicure e manicura. Grande centro de beleza. SPA para pés.

A vaga era específica para o SPA.

Respondi no mesmo dia.

A entrevista ficou marcada para as onze da manhã. Cheguei quase uma hora antes. Não por ansiedade apenas, mas porque sabia como funcionava aquele mundo: quem chega cedo, espera. Quem espera sem reclamar, talvez seja notado.

Deixei o meu nome na receção e sentei-me.

Vestia-me de forma deliberadamente modesta. Uma saia simples, um pouco acima do joelho, sem ousadia. Peito coberto. Um ar quase funcional, como se já estivesse pronta para servir. Nos pés, sapatos Mary Jane, saltos médios, fechados. Nada que chamasse a atenção. Nada que distraísse.

As onze passaram.

O meio-dia também.

Às treze horas, o corpo começava a ressentir-se da espera, mas eu mantinha a postura. Sabia que levantar-me para perguntar podia ser interpretado como impaciência. E impaciência não contrata ninguém.

Às treze e quinze, vi passar uma funcionária com um ar mais humano do que o resto do espaço. Esperei que estivesse suficientemente perto e chamei-a com cuidado, quase em tom de desculpa.

Expliquei-lhe a situação. Ela ouviu, inclinando ligeiramente a cabeça, como quem já conhece aquele cenário.

— Tiveste pouca sorte hoje — disse. — Faltam duas das mais experientes do SPA. E a única que atende as clientes mais exigentes acabou de sair. Disse que ia ao médico.

Hesitou um segundo.

— Na verdade, recusou-se a atender uma cliente habitual. Uma senhora muito… particular.

Enquanto falávamos, passou por nós a responsável de recursos humanos, Dona Júlia. A funcionária olhou para mim, depois para ela.

— Talvez esta jovem… — começou.

Dona Júlia não respondeu. Seguiu em frente e sentou-se atrás do balcão da receção, expressão fechada.

Foi nesse instante que a porta principal se abriu.

A mudança no ambiente foi imediata.

Entrou uma senhora de presença incontornável. Não era apenas bem vestida. Era consciente de o estar. Vestido vermelho escuro, corte perfeito, maquilhagem impecável sem ser ostensiva. Nos pés, sandálias brancas de salto alto, limpas ao ponto de refletirem a luz.

Atravessou o espaço sem hesitar.

— Qual é a minha sala hoje?

A pergunta foi simples. A resposta, automática.

— Sala três, Dona Bianca.

Uma funcionária apressou-se com uma bandeja. Chá, pequenos cuidados, pedidos de desculpa pela espera.

— Espero que isso fique resolvido de imediato — disse Dona Bianca, sem elevar a voz. — Não tolero esperas.

Enquanto ela seguia para o corredor, senti que algo se movia atrás do balcão. Dona Júlia pensava rápido. Eu, resignada, levantei-me e comecei a caminhar em direção à saída. Não queria atrapalhar.

— Flávia!

A voz veio atrás de mim. Era a funcionária carinhosa. Clara.

— Vem depressa. A Dona Júlia vai dar-te uma oportunidade. Se conseguires satisfazer a cliente da sala três, ficas.

Não houve conversa sobre salário. Nem contrato. Apenas necessidade.

Dona Júlia apontou-me uma bata.

— Veste isto. Esta é a nossa melhor cliente. Extremamente exigente. Se a perdemos, perdemos faturação. Entra e faz tudo o que ela quiser.

Fez uma pausa curta.

— Entras?

— Entro.

A porta da sala três fechou-se atrás de mim com um som seco. Não devia ter soado tão definitivo, mas soou.

O espaço era amplo, de luz baixa, cuidadosamente pensada. Cheiros quentes, envolventes. Tudo ali dizia que o tempo tinha outro ritmo. Dona Bianca estava sentada numa poltrona elevada, as pernas cruzadas com precisão quase geométrica. As sandálias ainda calçadas. O pé direito balançava lentamente, denunciando impaciência controlada.

Não me olhou de imediato.

— Estás atrasada — disse, sem acusação. Apenas constatação.

Expliquei-me. Ela suspirou.

— Sempre há imprevistos. Mas eu exijo excelência. Aproxima-te.

Aproximei-me. Cada passo parecia demasiado audível.

— Nome?

— Flávia.

— Formação?

— Estética. Pédicure e podologia.

Ela levantou finalmente o olhar. Avaliou-me como se eu fosse parte do mobiliário que podia ou não servir ao propósito.

— Gosto de pés — disse. — Mas não suporto mãos inseguras.

Preparei-me para iniciar o procedimento como mandam as regras. Ajoelhei-me, puxei o recipiente próprio e comecei a enchê-lo com água quente, testando a temperatura com cuidado.

— Não estás preparada para me servir…

Parei.

— Sirva-me já. De joelhos.

Levantei o olhar. Aquilo contrariava tudo o que aprendera.

— Aqui — continuou — eu mando. E pago.

Fechei o recipiente. Voltei-me para ela.

Desapertei as sandálias lentamente. Coloquei-as alinhadas no chão, quase por instinto. Os pés pousaram frios, firmes. Sentei-me na cadeira baixa à sua frente.

As mãos tocaram com cuidado. Demasiado cuidado.

— Estás tensa — observou. — Quem serve não traz o mundo consigo.

Respirei. Ajustei-me. Continuei.

O tempo começou a dissolver-se. Havia silêncio. Avaliação constante. Quando terminei a primeira parte, mantive-me imóvel.

Ela descruzou as pernas.

O pé passou rente aos meus lábios. Um contacto breve, quase acidental. Voltou a cruzar, mas deixou desta vez o pé encostado ali, sem pressa.

Não disse nada.

Entendi.

Inclinei-me. Primeiro com receio, depois com dedicação silenciosa. Beijei, ela consentiu, emitindo um comentário, pensei que não entendias , comecei a lamber cada milímetro dos dois pés. Não havia técnica ali. Havia aceitação e submissão O som que ela foi fazendo confirmou. Ainda continuou

__ perece que encontraste a tua função. Aprecio isso.

Quando terá ficado satisfeita, com o pé que estava livre, deu-me um ligeiro empurrão acertando-me no ombro.

Afastei-me, convencida de que terminara.

— O saco.

Mandou que o abrisse. Retirei um par de botas. Brancas, lindas por sinal.

— Usei-as ontem. Quero-as tratadas. E as sandálias também.

Peguei num pano, fui imediatamente corrigida, com a língua!

Executei tudo com rigor absoluto, lambendo tudo, cada detalhe.

Quando terminei, Dona Bianca levantou-se e questionou, não te despedes com reverência?

Reparei que ainda não tinha as sandálias apertadas, de joelhos e com a cabeça junto aos seus pés, apertei as correias das sandálias, beijando junto da sola até que D Bianca achasse suficiente.

— Tens falhas — disse. — Mas tens algo raro. Submissão inteligente.

Saiu.

Minutos depois, a direção entrou, tensa. A voz dela ecoou do corredor:

— A jovem serve. Podem contratá-la. Desde que não lhe deem asas.

Soube então que aquela não fora apenas uma entrevista.

Tinha sido a minha iniciação.

E aquela fora, sem dúvida, a minha chance de carreira.

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