## PARTE 5 ##
**Júlio**
Quando uma colega de trabalho da Mariana ligou pra dizer que ela tinha desmaiado na conferência, larguei tudo e corri pro Hospital Sírio-Libanês. Encontrei ela numa enfermaria com quatro mulheres, sentada na cama.
Avancei pra abraçá-la, mas os braços dela ficaram soltos, descansando na cama ao lado do corpo.
Recuei e olhei pra ela. Estava composta e calma.
— O que houve, amor? Você desmaiou? Tá tudo bem?
Ela assentiu. — Tô bem. Mais envergonhada, na real.
— Como você tá se sentindo? O que o médico disse?
— Eles ainda não passaram. Minha pressão tá boa, nada nos sinais vitais. Até agora, só tomei um sedativo leve. Assim que o médico me ver, espero ter alta.
— Então o que tá acontecendo, Mariana? O que houve?
Minha esposa inclinou a cabeça pra me olhar diretamente no olho. — Depois.
— Depois? Depois o quê?
— Júlio, quando chegarmos em casa vamos ter uma conversa séria.
Congelei. Essas são palavras terríveis pra um marido ouvir dos lábios da esposa.
Tentei tirar mais dela, mas ela não cedeu. Estiquei a mão pra ela, mas ela cruzou os braços embaixo dos peitos e deitou a cabeça de volta no travesseiro. — Vou fechar os olhos agora. O médico pode demorar umas horas. Pode sentar aqui ou pegar um café. O que quiser.
Ela fechou os olhos e me deixou de fora.
~~
Três horas depois cheguei com ela em casa. Nossas interações no caminho poderiam ser descritas como "funcionais". Chamar o Uber, conferir o trajeto, dar boa noite pro porteiro, esse tipo de coisa.
O que quer que ela quisesse conversar, estava pesando na mente dela.
Ela foi direto pro nosso quarto, entrou no banheiro e fechou a porta. Esperei por ela na sala.
Eu estava morrendo de medo. Com o que caralhos ela tá preocupada? Quer dizer, a gente se dá super bem. Rimos juntos; somos absolutamente melhores amigos.
E o sexo é ótimo. Alucinante. Nunca estive com ninguém tão sexy e linda quanto a Mariana. Ela é tão gostosa que é quase impossível olhar pra ela sem gozar. Especialmente quando tá mostrando aquelas pernas incríveis. O que é basicamente o tempo todo. Geralmente mal consigo esperar pra enterrar nela no instante que a gente bate no colchão.
Então não pode ser isso. Tô indo muito melhor na cama com a Mariana do que com a Tânia. Aprendi bem minhas lições.
A porta do quarto abriu e a Mariana saiu. Estava vestida com calça de moletom larga e um blusão de manga longa. Meias grossas. O cabelo estava preso num rabo de cavalo severo. Sem maquiagem.
Decididamente nada sexy.
Sem me dar atenção, Mariana foi pro canto alemão da cozinha e sentou no banco estofado atrás da mesa. Sem dizer nada, chutou a outra cadeira pra eu sentar. Puxou os joelhos pro peito e abraçou as canelas. Um pacotinho apertado, Mariana descansou o queixo nos joelhos e me encarou. Essa era minha deixa. Acho.
Como um homem prestes a caminhar pro pelotão de fuzilamento, me arrastei até a cozinha.
Silêncio. Ela fixou um olhar de pedra em mim. O rosto era uma máscara sem emoção. Havia uma determinação de aço no fundo dos olhos da minha esposa que eu nunca tinha visto antes.
Esperei ela falar. Não demorou. — Tenho algumas coisas pra dizer.
Sentei na cadeira oferecida e descansei os antebraços na mesa. Mariana estava recostada no banco, sem vontade de fazer conexão.
— Sobre o quê, amor? — disse, temendo o pior. Talvez ela tenha alguma condição oculta. Minha mente ponderou as possibilidades. Será que não podia ter filhos? Isso mataria ela, eu sabia, mas passaríamos por isso. Como casal. Com certeza.
Com os olhos vacilantes, encontrei o olhar de aço dela. — O que tá passando na sua cabeça? Você tá bem? Por que desmaiou? Tem algo errado com você?
Ela respirou fundo e me avaliou. O olhar era frio e calculista. — Nos últimos meses, cheguei a acreditar que tinha algo errado comigo. Algo profundo e sério.
Ah, minha pobre bebê. Ela tá com câncer. Ah merda!
— O que...?
— Deixa eu falar. Por favor não me interrompa até eu terminar. Isso é difícil pra mim e preciso de espaço pra dizer isso direito.
— Tá bom.
Ela cruzou os braços embaixo dos peitos e soltou um suspiro profundo. Quando encontrou meu olhar, o rosto estava totalmente desprovido de emoção.
— Vou transar fora do nosso casamento.
— O quê? — Não conseguia acreditar. Minha Mariana? — Não, não vai — gaguejei. — Absolutamente não!
— O que eu acabei de dizer? — Mariana cuspiu. — Me deixa terminar ou saio por aquela porta hoje à noite. Se você disser mais uma palavra antes de eu pedir, vou pro hotel. Entendido?
Porra. Isso não pode estar acontecendo.
Assenti. Mas por dentro eu fervia.
Ela não vai foder outros homens. De jeito nenhum, porra.
— De novo, vou transar com outra pessoa. Provavelmente mais de uma. Saiba que te amo com todo meu coração, e se quiser salvar nosso casamento como eu quero, você vai concordar. Se me negar isso, nosso casamento acabou.
— Cheguei a essa decisão apenas horas atrás. Não tenho ninguém específico em mente, nem estive cortejando qualquer outro relacionamento fora do nosso casamento. Com quem quer que eu decida transar, será pra atender apenas minhas necessidades físicas. Que, como te expliquei muitas vezes, são extremas. Pra ser clara, terei múltiplos encontros. Pra minimizar o risco de apego emocional, transarei com qualquer homem individual apenas uma vez. A única pessoa com quem terei sexo repetido é você.
— Não sei quantos outros parceiros terei. Não sei quanto tempo isso vai durar, mas pode ser permanente. Quanto tempo isso dura depende de você.
— Esse é o ponto mais importante. Como isso se desenrola depende de você e de como você responde. Não vai adiantar nada espernear e reclamar e dizer Não. Porque vai acontecer. O que importa é o que você faz, não o que diz.
— Saiba que te amo. Você é muito querido pra mim. Valorizo cada momento nosso juntos. Somos melhores amigos. Ótimos parceiros de vida. Mas percebi que minha fé e confiança em você não são tão justificadas quanto pensei. Essa percepção foi um golpe enorme em tudo que achava que sabia sobre nós.
— Espero profundamente que você reaja e me faça não querer fazer isso. Mas Júlio, você me traiu.
Do que caralhos ela tá falando? Nunca nem olhei pra outra mulher.
Respirei fundo e compus minha resposta. — Não, não traí! O que...
— Para! — Mariana disse. — O que acabei de dizer? Você pode não ver, mas tô me sentindo muito emocional agora. Tô bem no limite da histeria, e se não me deixar botar isso pra fora, vou gritar. Vou quebrar alguma coisa, porra.
Meu coração se encheu de pavor. Recostei e cruzei os braços, encarando ela. Mas uma raiva branca fervia lá no fundo. Mariana não ia foder outros homens. Eu matava ela e o babaca com quem ela tentasse. NÃO vou sofrer essa humilhação só porque minha esposa quer vagabundear por aí. Quando for minha vez de falar, vou fazer ela entender. E aí, vou arrastar ela pro quarto e foder ela — como ela gosta de dizer mesmo? — foder ela até ficar estúpida.
Nem a Tânia nunca saiu comigo. Olha no que deu.
Com esses pensamentos, esperei minha vez de falar. Minha esposa vadia tinha a palavra. Quando ela terminar, vou limpar o chão com ela.
Mariana colocou as mãos na mesa. — Encontrei a Tânia ontem à noite. Sim, a sua Tânia. Tivemos uma conversa longa e boa. Uma conversa reveladora.
Ah merda. Os mundos colidem.
— Ela me explicou a verdadeira razão do seu casamento ter acabado. E sabe o quê, Júlio? Eu acredito nela. Porque faz sentido pra mim. Porque todas as peças se encaixam.
Ela colocou os pés no chão e se inclinou pra frente. — Então vou te perguntar. Preciso que me diga a verdade absoluta. Pode fazer isso por mim?
Os olhos dela perfuraram os meus. Não tinha como escapar daquele escrutínio revelador de alma. Assenti.
— Tudo bem. Júlio, você terminou com a Tânia porque ela era uma vadia que jogava no campo e não parava de dormir por aí fora do casamento? Foi por isso que seu casamento acabou? Você terminou o casamento porque ela não largava a vida de galinha?
O rosto da Mariana era uma máscara de controle. A Mariana amorosa e sexy tinha sumido. Esse era meu pior medo. A Tânia mora em Curitiba, pelo amor de Deus! Nunca imaginei que essas duas se encontrariam. Talvez eu consiga salvar isso.
Me inclinei pra frente e tentei pegar a mão da Mariana. Ela puxou. Fiz meu discurso mesmo assim.
— Então depois de um encontro curto com uma mulher que você nunca conheceu antes, uma mulher que demonstrou um longo histórico de mentiras e decepção comigo, o que você tá dizendo é que acredita nas palavras dela sobre as minhas. É isso que tô ouvindo? Nossa confiança um no outro é tão frágil que você acreditaria numa estranha numa conversa curta em vez do nosso último ano juntos?
Eu tinha deliberadamente moldado minha resposta pra não poder ser acusado de mentira. Mas ela viu através de mim.
— Não vem com papo furado, Júlio. Consigo ver o que você tá fazendo. Não nasci ontem. Confia em mim, já vi de tudo. Então vou repetir minha pergunta. E não quero evasivas. Não me responda com perguntas. Me responda direto e pense antes de responder:
— Você terminou seu primeiro casamento porque a Tânia estava dormindo por aí repetidamente pelas suas costas?
Isso tava ruim. Meu rosto estava quente e provavelmente vermelho vivo. Gotas de suor brotaram na minha testa. Mariana estava mirando em mim como uma promotora experiente num julgamento de homicídio.
Como qualquer esposa em qualquer lugar.
— Nada? Júlio?
Minha boca estava seca feito torrada. Desesperadamente procurei as palavras pra me salvar.
Ela não esperou. — Se essa continua sendo sua história, Júlio, vamos ligar pra Tânia aqui e agora. Vamos chegar no fundo disso. Sim, posso achar o número dela. Com a conferência de uma semana, ela provavelmente ainda tá na cidade. Sei pra quem ela trabalha. Posso pedir pra ela vir aqui se quiser pra gente conversar, nós três.
Ela era boa. Não conseguia dizer se estava blefando.
O problema era, eu acreditava que a Tânia aceitaria a oferta da Mariana. Nossa separação foi feia assim.
Desabei na cadeira. Tinha perdido, e a Mariana sabia. Mas ela ainda não vai foder outros homens. Isso é inegociável.
— Não precisa ligar pra ela — disse baixo.
— Me conta — Promotora Mariana disse secamente.
— Não tem muito o que contar, na verdade. A Tânia, como você viu, é uma mulher linda e vivaz. Eu não conseguia satisfazê-la. Não conseguia dar a estimulação sexual que ela parecia precisar constantemente. Não como você e eu. O relacionamento que a Tânia e eu tínhamos não era nada comparado ao que você e eu temos juntos. Amo transar com você, Mariana. É especial. Nunca estive com ninguém tão linda e sexy quanto você. É você. Só você. Somos tão bons juntos na cama, não acha?
Mariana me olhou como se eu fosse de Marte. — Cê tá brincando, né? Tá só fodendo com a minha cabeça, não tá? Ou é choque porque conheci sua ex e ela me contou a verdade sobre vocês dois? Você já começou armando uma mentira com suas perguntas, então não piora as coisas.
Agora isso me intrigou. — O que quer dizer, amor? Amo transar com você.
— Ou você é um idiota ou tá deliberadamente tentando me despistar. Não sei o que é pior.
Ela fixou um olhar de aço em mim. — Quantas vezes te disse que não estava satisfeita na cama?
Não tinha resposta pra isso.
— Quantas vezes te dei um boquete? E engoli, porra. Quantas vezes te pedi pra retribuir o favor? Você alguma vez me deu sexo oral?
Agora chegamos no ponto. — É isso? É tudo sobre sexo oral?
— Não insulte minha inteligência. Passei nossos seis meses inteiros juntos tentando fazer você me foder com paixão e amor. Te dei um curso de mestrado em dar prazer pra uma buceta e você se recusou a cuidar de mim. Você percebe que nunca, nem uma única vez tive um orgasmo sem ter que usar meus próprios dedos? Nunca pensou por que trago um vibrador pro nosso sexo? Acha isso normal?
— Isso não te dá uma pista? Deveria, porque conversamos sobre isso infinitamente. Você faz o marido paciente, ouvindo a esposa que reclama sem parar. Fica aí sentado ouvindo meu desabafo sobre não ter minhas necessidades atendidas. Assente e diz que vai melhorar, só torcendo pra discussão acabar pra poder voltar a assistir seu futebol, ou o que for. E ainda assim nada muda.
— Entendo que você é precoce. Ok, tudo bem. Isso pode ser uma limitação física, entendo. Mas você não se esforça. Tentei aumentar sua resistência com *edging*. Mas você resiste. Não quer parte nisso.
— Você se recusa a me dar prazer. Minha buceta é repugnante pra você. Não balança a cabeça! Você odeia fazer sexo oral, não odeia? E se me fodeu então, BOM! É como se seu próprio sêmen fosse uma substância imunda e nojenta que você nunca poderia tocar. Nem pensaria em descer em mim depois de ter bombeado uma carga dentro de mim. Pensaria?
Bom, dã. Quem pensaria?
Mariana cruzou os braços embaixo dos peitos. — EU ENGULO ISSO, JÚLIO. Mas você não chega perto da minha buceta depois que transamos.
— E ainda assim você continua sem noção. Esquece sexo oral. Você não me aquece; vem pra cima de mim frio, enfia seu pau em mim, bombeia algumas vezes, depois goza. Tira e vai dormir. É assim que se trata uma puta de esquina, Júlio. Talvez devesse procurar um envelopezinho na mesa de cabeceira toda noite. Porque é assim que você me faz sentir na cama. Me fode fria, depois dorme. E eu fico, com o quê? Meus vibradores e dildos? Que uso quase toda noite depois que você termina, como você sabe.
— A pior parte é que você simplesmente não se importa. É tão doloroso pra mim que te digo — não, te IMPLORO pra ir devagar, cuidar de mim, mas você nunca faz. Usa os dedos em vez da boca — não me importo. Mas você não faz nada por mim. Só posso concluir que você não me ama o suficiente pra me dar o que quero, o que preciso. Você não se esforça nem um pouco. Não tenta, e isso me diz que você não me ama.
Ah merda. Aí está. Ela jogou a carta do "Você não me ama".
— Mas eu posso, amor. Posso te dar o que você quer. Por favor, me dá outra chance. Vou compensar.
— Tá dizendo que pode de repente se importar com minhas necessidades, mesmo depois de todas as vezes que implorei pra me chupar, ou me foder direito? Tá dizendo que porque vou transar com outros homens, você de repente acordou pras minhas necessidades? É isso que tá me dizendo?
— Mariana, tô dizendo que posso fazer melhor. Tô pedindo uma chance pra provar. — Estiquei a mão pra ela e dessa vez, ela deixou eu pegar. — Por favor, querida. Deixa eu provar que você não precisa de outro homem na sua cama.
Mariana ficou em silêncio. Olhou nos meus olhos, aparentemente repassando as opções. Abruptamente, minha esposa levantou. — Ok, tudo bem. Vamos lá. Agora mesmo. Me mostra que se importa comigo.
Ela virou e foi pro quarto.
Não conseguia acreditar. Ela quis dizer agora mesmo.
Levantei e me arrastei pro quarto. Todas as coisas que ela tinha me dito sobre chupar buceta e dar prazer pra ela com um aquecimento sexy passaram pela minha cabeça. Tinha que fazer isso. Tinha que ganhar ela de volta. O pensamento dela fodendo outro homem cortava meu coração como uma garra de tigre.
A verdade é, não gosto de fazer sexo oral. É sujo. É de onde ela faz xixi. É onde meu pau esteve. É onde eu gozo. Se ela realmente me amasse, entenderia. Se me amasse, não me pediria isso.
Quando entrei no quarto, Mariana estava deitada na cama, nua. Porra, ela é linda. Só queria deitar em cima do corpo de estrela pornô dela e enfiar meu pau na xereca dela.
Amo ela desesperadamente. Isso devia ser o suficiente. Por que minha esposa não entende isso?
>> Continua!!!