Conto elaborado a partir da sugestão de Dan e Nandinha. Boa leitura
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"Você já tentou não pensar em um elefante rosa?" Danilo perguntou, os dedos dele traçando círculos lentos na palma da mão de Nandinha enquanto ela fingia não notar o volume crescente na cueca dele. O quarto estava quente demais para setembro, o ventilador só empurrava o ar úmido de um lado para o outro, e ela sentia cada gota de suor escorrendo entre seus seios pequenos — tão pequenos que sempre cabiam inteiros na boca dele, algo que ele adorava lembrá-la toda vez que a beijava ali.
Nandinha soltou um riso curto, mentindo: "Não estou pensando em nada". Mas sua perna já se esticara sozinha, o pé descalço roçando a panturrilha dele, sentindo os músculos tensos mesmo em repouso — magros, mas prometendo mais. Ela imaginou Danilo com ombros que enchessem portas, coxas que a levantassem como se ela fosse leve demais, e uma pressão entre as suas pernas respondeu antes que ela conseguisse disfarçar.
Ele puxou ela de repente, fazendo-a cair de lado sobre ele, e o cheiro dele — calor, sabonete barato e algo agridoce — invadiu suas narinas enquanto sua boca encontrava o pescoço dela. "Mentira", ele murmurou, e ela sentiu os dedos dele deslizando por baixo da blusa, encontrando o mamilo duro que traía seus pensamentos. O toque dele era familiar, mas havia uma urgência nova ali, como se ambos soubessem que aquela noite seria diferente.
E então ela fez o movimento que sempre adiava: agarrou o pulso dele e guiou sua mão para baixo, passando do umbigo até a borda da calcinha. "Transforma-me", ela sussurrou, e a respiração dele cortou quando seus dedos encontraram o calor úmido que os aguardava. Nandinha sentiu o corpo dele endurecer sob ela, não só de excitação, mas de algo mais profundo — o tipo de desejo que remodela ossos, que reescreve carne. E quando ela encostou os lábios no ouvido dele e acrescentou "Eu te transformo depois", o gemido que ele soltou não foi só de prazer. Era promessa.
Os dedos dele se perderam nela enquanto os próprios seios reagiam, inchando lentamente contra o peito dele, pesados e quentes como se estivessem cheios de algo mais que sangue. Ela arqueou as costas quando sentiu os mamilos escorregando contra o suor dele, cada movimento fazendo os novos contornos do corpo dela se afirmarem — quadris mais largos já pressionando suas coxas, coxas mais grossas se abrindo para acomodar a palma dele. "Está vendo?", ele rosnou, e a voz dele estava mais grave, como se o próprio ar estivesse sendo espremido por músculos em expansão.
Danilo sentiu as próprias costas se arqueando contra o colchão, os tendões esticando com um estalo silencioso enquanto sua altura se reorganizava. Ele tentou se concentrar no gosto salgado do pescoço dela, mas a pressão na cueca já era insuportável — não só pelo tamanho, mas pela forma como o corpo dela agora se moldava contra ele, como se cada curva nova fosse feita para recebê-lo. Quando ela finalmente deslizou a mão por dentro do elástico, encontrou não o familiar, mas algo que fez seus dedos hesitarem antes de se fechar em torno da espessura pulsante.
E então veio a primeira gota — leite escorrendo dos seios dela direto no abdômen dele, quente e espessa, enquanto sua própria primeira carga jorrava entre os dedos dela sem chegar sequer perto de onde ambos sabiam que acabaria. Nandinha riu, um som rouco e vitorioso, quando percebeu que a barriga dele já começava a inchar levemente, não de líquido, mas de músculos se recompondo em tempo real. "Vai demorar", ela avisou, mas ele já estava puxando ela para cima, mostrando que entendera perfeitamente: essa noite seria longa, e nenhum dos dois reclamaria.
O corpo dela deslizou sobre ele como se já conhecesse cada centímetro do novo contorno — os quadris largos agora encaixando-se perfeitamente entre suas coxas em expansão, enquanto seus seios pesados balançavam acima do rosto dele, pingando leite em sua boca aberta. Danilo engoliu avidamente, sentindo o sabor doce e terroso enquanto suas próprias costas arqueavam contra o colchão, a coluna vertebral estalando silenciosamente para acomodar os centímetros extras. Nandinha soltou um gemido quando a largura dos ombros dele forçou seus braços a se abrirem mais, como se o espaço entre eles estivesse sendo redefinido a cada segundo.
Ele a virou de repente, sem esforço — como se o peso novo dela fosse insignificante — e Nandinha arqueou as costas quando sentiu a primeira pressão real entrando nela, muito mais fundo do que qualquer memória poderia sugerir. "Caralho", ela gritou, não de dor, mas de espanto, as unhas cravando-se nos músculos dorsais dele que agora formavam vales profundos sob sua pele esticada. Danilo respondeu com um rosnido, não mais humano, enquanto suas mãos enormes envolviam a cintura dela, os polegares se encontrando sobre o umbigo já levemente protuberante — um prenúncio do que estava por vir.
O ritmo começou lento, quase cerimonial, como se ambos quisessem saborear cada transformação mútua: ela sentindo cada centímetro a mais preenchendo-a de maneiras novas, ele registrando cada curva mais macia sob seus dedos agora desproporcionais. Mas quando o segundo orgasmo dela chegou, arrastando consigo uma nova onda de leite dos seios e um pulsar úmido entre as pernas, Danilo percebeu que o tempo era relativo — porque seu próprio corpo agora respondia em cascata, cada contração dela espremendo dele não só prazer, mas volume, até que a barriga dela começasse a arredondar-se visivelmente entre eles.
Nandinha arregalou os olhos ao sentir o peso líquido acumulando-se dentro dela, não como algo estranho, mas como uma extensão natural do próprio corpo — seu útero acomodando cada jato com um espasmo que a fazia gemer mais alto. "Está vendo como você me cabe toda agora?", ela ofegou, as mãos escorregando pelos ombros monstruosos dele, os dedos mal conseguindo se encontrar atrás das costas. Ele respondeu com uma risada rouca que mais parecia um rugido, enquanto suas coxas, agora largas como troncos, mantinham as pernas dela abertas num ângulo que antes seria impossível.
A cama gemeu sob eles quando Danilo finalmente permitiu-se perder o controle, seus quadris batendo contra os dela com um impacto que fazia o leite respingar do peito dela no queixo dele. Nandinha gritou quando sentiu a próxima leva inundando-a, desta vez trazendo consigo a sensação distinta de algo deslocando-se dentro dela — não dor, mas uma pressão profunda que elevou seu prazer a um território novo. Ela olhou para baixo e viu a própria barriga agora arredondada como se estivesse grávida de gêmeos, a pele esticada e brilhante de suor refletindo a luz fraca do quarto.
O cheiro do sexo misturava-se ao do leite e do suor, criando um aroma que era quase animal, primitivo, e Danilo enterrou o rosto nos seios dela como se quisesse se afogar naquela essência. Nandinha agarrou os cabelos dele, sentindo os músculos das costas contraindo sob seus dedos em ondas que coincidiam com cada nova pulsação dentro dela — como se seus corpos agora falassem uma língua que só eles entendiam. E quando ela finalmente arqueou para trás, oferecendo a barriga inchada ao toque dele, ambos sabiam que aquela era apenas a primeira fase de uma noite que reescreveria todos os limites.
Algo mudou no ritmo dele — não era mais sobre força ou profundidade, mas sobre precisão. Cada movimento agora era calculado para espremer mais um jorro de leite dela, para encher mais um centímetro do útero que já pulsava sob sua pele esticada. Nandinha sentiu os dedos dele afundando na carne macia de seus quadris, tão largos agora que suas coxas formavam vales úmidos onde o suor deles se misturava. Não havia mais diferença entre onde um corpo terminava e o outro começava — só uma massa de músculos, curvas e líquidos que se moviam em sincronia.
E então veio o momento que nenhum dos dois esperava: quando Danilo, sem aviso, levantou-a como se ela não pesasse mais que um travesseiro, suas costas enormes arqueando-se contra o teto enquanto ele a empurrava contra a parede. Nandinha gritou quando sentiu o impacto — não da madeira contra suas costas, mas da nova posição permitindo que ele a penetrasse num ângulo que fez seus olhos revirarem. A barriga dela balançou entre eles, pesada e cheia, e quando ele finalmente a olhou nos olhos, Nandinha viu nele uma expressão que nunca tinha visto antes: puro espanto diante do que haviam se tornado.
Ela riu então, um som rouco e triunfante, enquanto seu corpo respondia com mais um jorro de leite que escorria pelo peito dele, misturando-se ao suor. "Ainda não acabou", ela sussurrou, e sua voz estava diferente — mais grossa, mais encorpada, como se seu útero inchado afetasse até as cordas vocais. Danilo respondeu com um gemido que mais parecia um rugido, seus músculos tremendo sob a pele enquanto ele a prendia ainda mais forte contra a parede, como se quisesse fundi-la ao reboco. Nandinha sabia que quando o sol nascesse, tudo voltaria ao normal. Mas agora, naquele quarto úmido e escuro, eles eram o que sempre tinham desejado ser — e mais. Muito mais.
O movimento dele mudou de novo — não era mais sobre força ou velocidade, mas sobre algo mais primitivo. Cada estocada agora trazia consigo um pulso líquido que fazia a barriga dela balançar grotescamente, como se estivesse cheia de algo vivo. Nandinha olhou para baixo e viu a própria pele esticando ainda mais, tão tensa que quase brilhava sob a luz fraca. Ela sentiu o momento exato em que seu útero finalmente cedeu, acomodando o volume com um espasmo que a fez gritar — não de dor, mas de um prazer tão intenso que beirava a agonia. Seus dedos afundaram nos ombros dele, sentindo os músculos pulsando sob sua pele como corações extras.
Danilo inclinou a cabeça para trás, seu pescoço agora tão largo que suas veias saltavam como cordas sob a pele, e soltou um grito que ecoou pelas paredes do apartamento minúsculo. Nandinha sentiu-o pulsando dentro dela, mas desta vez não era só sêmen — era como se cada jato trouxesse consigo um pedaço do desejo dele, materializando-se em carne e osso dentro dela. Sua barriga inchou mais um pouco, empurrando contra o peito dele com um peso quente e úmido. "Você está me engravidando de verdade", ela gemeu, e havia um tom de incredulidade na voz, como se nem ela acreditasse no que estava dizendo — mas seu corpo sabia. Seu corpo sempre soubera.
E então, quando ela achou que não poderia mais, veio a última transformação: seus seios começaram a latejar, não com dor, mas com uma pressão nova, e antes que ela pudesse avisar, um jato forte de leite quente atingiu o rosto de Danilo, escorrendo por seu queixo e pescoço como um riacho branco. Ele riu — um som rouco e triunfante — e inclinou-se para frente, lambendo os respingos dos seus lábios enquanto continuava a movimentar-se dentro dela, cada movimento agora espremendo mais leite dos seios dela, mais líquido do útero inchado, até que o chão debaixo deles ficou molhado e pegajoso. Nandinha agarrou-se a ele, sentindo os músculos dele contraindo-se em ondas sob suas mãos, e soube que aquela noite ainda não tinha acabado. Nem de longe.
Ela sentiu o momento em que ele começou a crescer de novo — não em altura ou largura, mas em algo mais visceral: suas veias saltando sob a pele como mapas de rios inchados, seu coração batendo tão forte que ela podia senti-lo pulsando contra seu próprio peito. E então, sem aviso, ele parou — completamente parado — e ela arregalou os olhos quando sentiu algo novo dentro dela: não apenas espessura ou comprimento, mas uma pulsação diferente, como se seu corpo estivesse aprendendo a se adaptar em tempo real. "Não para", ela suplicou, mas sua voz era apenas um sussurro rouco, perdido no som da respiração ofegante dele. Ele não precisava de palavras — seus corpos já estavam conversando há horas.
A cama gemeu quando ele finalmente caiu sobre ela, não com peso, mas com uma presença avassaladora — sua pele quente e úmida colando-se à dela, seus músculos tremendo como se estivessem sendo esculpidos ali mesmo. Nandinha fechou os olhos e sentiu o útero contraindo-se em resposta, como se estivesse tentando moldar-se em torno dele, e então veio a última onda: um jorro tão forte que ela sentiu a própria barriga esticando-se ainda mais, sua pele agora tão tensa que doía — mas doía de um jeito bom, como músculos depois de um treino intenso. Ela olhou para baixo e viu-se irreconhecível: seu corpo agora uma curva perfeita de gravidez avançada, seus seios escorrendo leite sobre a pele dele, seus quadris tão largos que suas coxas mal se tocavam.
Danilo enterrou o rosto no pescoço dela, respirando fundo o cheiro deles — suor, sexo, leite e algo mais, algo que não tinha nome. "Amanhã", ele murmurou, e ela sabia o que ele queria dizer: amanhã tudo voltaria ao normal. Mas agora, naquele instante suspenso entre a loucura e a realidade, eles eram mais do que dois corpos — eram um experimento vivo de desejo puro. Ela riu, um som rouco e cansado, e puxou ele mais perto, sentindo a barriga deles colando-se, quente e úmida, como se nem mesmo o ar pudesse separá-los agora.
Nandinha sentiu os músculos dele contraindo-se em espasmos involuntários, não mais de prazer, mas de exaustão — mas mesmo assim seu corpo continuava reagindo, crescendo, mudando. Ela olhou para baixo e viu o próprio umbigo agora protuberante como um botão apertado, a pele tão esticada que quase translúcida, revelando veias azuladas sob a superfície. Quando ele se moveu dentro dela, ela sentiu o líquido acumulado balançando como um mar interior, cada onda batendo contra as paredes do útero com um peso que a fazia gemer.
Ele levantou o rosto para olhá-la, e Nandinha viu seus olhos — ainda os mesmos, mas cercados por um rosto que já não era totalmente humano. "Quer mais?", ele perguntou, e a voz dele estava diferente, como se saísse de um peito muito maior. Ela hesitou — não por medo, mas pela pura impossibilidade física do que ele estava sugerindo. Mas então ela sentiu os músculos pélvicos dele contraindo-se de novo, preparando-se para mais uma carga, e soube que não havia volta. "Até não caber mais", ela respondeu, e sua voz era um sussurro rouco, quase irreconhecível.
Danilo sorriu então, um sorriso que esticou demais os lábios, mostrando dentes que pareciam mais afiados. Ele a puxou para cima, sentando-se contra a cabeceira da cama, e Nandinha sentiu-se sendo empalada novamente, desta vez num ângulo que fez seus olhos revirarem. A barriga dela balançou entre eles, grotescamente grande agora, e quando ele começou a mover-se de novo, ela sentiu o líquido dentro dela espirrando com um som úmido e obsceno. "Vai doer", ele avisou, mas ela já estava rindo — porque doía sim, mas doía como o desejo mais profundo, como a realização de um sonho que nem sabia que tinha.
Os dedos dele afundaram na carne macia de seus quadris, tão largos agora que suas coxas formavam vales úmidos onde o suor deles se misturava. Nandinha sentiu os músculos dele pulsando sob a pele como corações extras, cada contração empurrando mais volume para dentro dela. Quando ela olhou para baixo, viu a própria barriga distendendo-se ainda mais, a pele tão esticada que quase translúcida, revelando veias azuladas sob a superfície. Ele segurou-a pela cintura, levantando-a e abaixando-a como um peso humano, e cada movimento trazia consigo um novo jorro que fazia sua barriga balançar grotescamente.
O cheiro no quarto agora era quase animal — suor, leite azedo e o aroma acre do sexo. Nandinha arqueou as costas quando sentiu os músculos pélvicos dele contraindo-se de novo, preparando-se para mais uma carga, e soube que não havia volta. Quando a onda veio, ela gritou — não de prazer, mas de espanto, porque sentiu algo dentro dela cedendo, acomodando o impossível. Sua barriga inchou mais um pouco, empurrando contra o peito dele com um peso quente e úmido, e ela olhou para baixo, vendo-se irreconhecível: seu corpo agora uma curva perfeita de gravidez avançada, seus seios escorrendo leite sobre a pele dele.
Danilo enterrou o rosto no pescoço dela, respirando fundo o cheiro deles — como se quisesse gravar cada detalhe antes que tudo se desfizesse. Ela sentiu os dedos dele afundando na carne macia de seus quadris, tão largos agora que suas coxas mal se tocavam, e então, sem aviso, ele parou. Completamente parado. Nandinha arregalou os olhos quando percebeu: seus músculos já não tremiam de prazer, mas de exaustão. A pele dele estava pegajosa de suor, seus ombros largos afundando-se levemente, como se o próprio ar agora pesasse demais.
Os primeiros raios de sol começavam a filtrar pelas cortinas baratas, e foi então que ela sentiu — uma contração leve, quase imperceptível, como se seu útero estivesse aprendendo a voltar ao que era. O leite nos seios dela parou de escorrer de repente, e ela olhou para baixo, vendo a própria barriga diminuir ligeiramente, como um balão perdendo ar devagar. Danilo soltou um gemido rouco quando seus músculos começaram a recuar, não em espasmos, mas num movimento lento e contínuo, como maré baixando.
Ele a puxou para perto então, não com força, mas com uma urgência nova — como se soubesse que tinham apenas minutos antes de voltarem a ser quem eram antes. Nandinha encostou a testa no peito dele agora menos largo, sentindo o coração acelerado dele batendo contra seu rosto, e pela primeira vez naquela noite, não pensou em elefantes rosas. Pensou só nisso: na forma como a pele dele ainda cheirava a sal e a algo que era só dele, mesmo quando tudo o mais já começava a desaparecer.
Os seios dela doíam agora — não da plenitude leitosa de antes, mas de uma espécie de saudade física, como se cada glândula lembrasse o peso que já tiveram. Ela sentiu Danilo encolhendo entre suas pernas, não em tamanho, mas em presença, e quando ele se mexeu dentro dela, já não era a mesma coisa. Era só ele de novo. Só Danilo. A barriga dela contraiu-se então, não com um espasmo de prazer, mas com uma cãibra estranha, e ela sentiu o líquido acumulado escorrendo para fora numa corrente morna que manchou as coxas dele.
Ele riu, um som rouco e cansado, e puxou-a para um abraço que era mais consolo que paixão. "Voltamos", ele murmurou, e a voz dele já estava mais próxima do normal — ainda grossa, mas não mais aquele rugido animal de antes. Nandinha olhou para baixo e viu o próprio corpo desinflando devagar, como um bolo saindo do forno, a pele antes esticada agora formando pequenas pregas macias sobre seu ventre. Tentou lembrar como tinha sido — o peso, a plenitude, a sensação de estar cheia dele de maneiras que desafiavam a física — mas já estava escorrendo entre seus dedos como areia.
O ventilador parou de repente, como se também tivesse cansado, e o quarto ficou em silêncio — só a respiração deles, agora mais lenta, mais humana. Danilo passou uma mão pelo rosto dela, limpando o suor da testa, e ela percebeu que seus dedos já não eram mais aquelas garras enormes de antes. Eram só dedos. Seus dedos. Ela agarrou um deles e levou à boca, mordendo-o levemente, como fazia sempre que queria provar que ele era real. Ele sorriu, e era o mesmo sorriso de sempre — um pouco torto, um pouco cansado, totalmente dele. "Amanhã", ele disse, e ela sabia que não era uma promessa. Era só uma possibilidade.