Em pleno domingo, deixei a cama antes das sete da manhã. Havia dormido pouco, porque Betão fodeu comigo até a meia-noite, mas acordei cheio de disposição para irmos à praia. Pela primeira vez, eu desfilaria na orla ao lado de um homem a quem podia chamar de marido. E pensar que, quando a gente ia tomar banho de mar com a minha mãe, eu só podia fantasiar que ele era o meu namorado.
Com cuidado para não acordar o meu amor, saí do quarto e fui me organizar para curtir o sol e o mar de Aracaju. Enquanto escovava os dentes, pensei em dona Leila. Ela havia me mandado várias mensagens e uns áudios longos; eu li por alto e não tive paciência para ouvir tudo. Ela também ligou três vezes, não atendi.
Quando ia colocar música para escutar durante o banho, decidi dar o play num áudio que o meu pai tinha mandado para a minha mãe e ela repassou para mim. Seu Ivaldo fez um longo discurso; já começou esculhambando comigo.
“Boa noite, dona Leila. A coisa é feia mesmo, é como a gente estava imaginando. Rafael está vivendo na safadeza com o vagabundo que você largou. Diz ele que estão casados. O grandão foi quem falou que um é marido do outro. Você acredita numa coisa dessas? Agora me diga: você se juntou com aquele filho da puta e nunca percebeu que ele só queria o nosso filho? Que mãe cega é essa? Você nunca ligou para nada, deixou o menino solto, está aí o resultado. Sabe-se lá o que o malandro vivia fazendo com Fael bem debaixo do seu nariz. Só não meto um processo nas costas dele, porque não tenho como provar, ia sair por mentiroso. Eu nunca gostei daquele vagabundo. E o seu filhinho está gostando de viver debaixo dos pés dele. Em vez de vir morar na minha casa, prefere ficar lá, virou uma empregadinha. Não duvido que, daqui a pouco, comece a usar saias, para agradar ao negão. O cabelo já está crescendo, está virando uma mulherzinha, uma putinha mesmo. É triste para um pai dizer isso de um filho. Fiz o que pude para ele tomar vergonha na cara, não teve jeito. E o fuleiro do Betão ainda me chamou para a briga. Repare se eu ia me rebaixar. Fael quer ficar com ele? Pois fique! É maior de idade, a vida é dele. Lavei minhas mãos. Já avisei a ele e agora aviso a você: quando não der certo lá, ninguém venha atrás de mim. Tenho mais nada a ver com essa história.
Seu Ivaldo nem disfarçava a alegria por não ter mais responsabilidade comigo. Mas ele estava jogando sujo demais. Acusar Betão de ter abusado de mim foi muita sacanagem. E ainda teve coragem de falar em abrir processo. Ele deve achar que eu sou um menino que não sabe gritar a verdade na frente de todo mundo. Quem merecia receber um processo era ele, para deixar de inventar mentiras.
Com uma mensagem dessas, Dona Leila devia estar até agora espumando de raiva. Acho que ela só não veio armar um barraco comigo e com Alberto porque a passagem de Boa Vista para Aracaju é muito cara. Não sei se o tal Osório está disposto a gastar tanto dinheiro com os problemas dela.
Eu não estava com medo da minha mãe, só estava com preguiça de ouvir baixaria. Eu e Betão não fizemos nada de errado. Ele levou chifre e foi trocado por um coroa, mas não partiu para a ignorância com ela. Agora ele tinha o direito de casar com uma pessoa que sabia lhe dar valor. E que culpa a gente tinha se essa pessoa era o filho dela? Eu e ele estávamos com a consciência tranquila. A gente não precisava provar nada para ela nem para ninguém.
Antes de entrar no box, sacudi os cabelos e mandei dona Leila para longe dos meus pensamentos. Domingo não era dia de procurar briga. Eu não tinha tempo para entrar numa discussão que poderia levar horas. Além disso, acho muito chato bater boca pelo celular.
Na segunda ou na terça-feira, eu ligaria para ela. A confusão ia ser grande, mas a bonita ia ter que se acostumar com a ideia de ser a sogra do ex-marido. Se ela pensasse bem, ia ver que essa história é até engraçada: todo mundo trocou de papel. Eu era enteado, virei marido e não tinha nada do que reclamar; muito pelo contrário.
Deixando minha mãe lá longe com o Osório dela. Tomei uma boa chuveirada. Nos sovacos, na pica e no meio da bunda, dei um trato caprichado. Betão adorava cheirar e beijar essas partes, eu gostava de andar sempre limpo e cheiroso para ele.
Com uma toalha presa na cintura, fiz o café e fui acordar Alberto. Sentado na beira da cama, passei as unhas na coxa dele, alisei as costas e soprei o seu nome perto do ouvido. Respirando fundo, ele ficou de barriga para cima e se esticou todo, mas continuou dormindo. Em vez de falar mais alto, decidi despertá-lo de um jeito bem gostoso.
Sem fazer barulho, cheirei os ovos dele, lambi o talo e dei uns beijinhos na ponta da pica. Estava meio grudenta, uma delícia. Fazendo bico com os lábios, puxei para a garganta. Mesmo mole, ela exigia respeito. Com a cabeça apoiada na coxa dele, mamei como se não tivesse mais nada para fazer na vida.
Eu estava tão concentrado em chupar, que me assustei quando uma mãozona pousou na minha cabeça. No mesmo instante, o caralhão endureceu e tapou a minha garganta. Se eu não fosse experiente na arte de mamar, teria morrido sem conseguir respirar.
O guerreiro já acordou armado para me abater. Esticando-se todo, ele passou uma perna sobre as minhas costas e ficou dando socadas profundas na minha garganta. Sentindo a picona pulsar em cima da minha língua, fiquei impressionado: eu casei com um cara maduro que era cheio de saúde.
No dia anterior, Betão havia botado para foder comigo duas vezes. À tarde, na lavanderia, ele me varou como se o mundo estivesse se acabando. À noite, na cama, depois de chupar a minha pica, ele arrombou a minha bunda e me deixou de novo com o cu cheio de porra. E já acordou com os ovos cheios de leite para me dar de mamar. O cara era garanhão mesmo.
— Rafa…
A voz arrastada era sinal de que a gala dele estava fervendo. Segurando minha cabeça com as mãos, ele fodeu a minha boca como se estivesse rasgando o meu cu. Pulsando muito, a mamadeira atirou os goles de leite grosso na minha garganta. Engasguei, mas tomei tudo: pura vitamina.
Fazendo carinho no meu cabelo, Betão só tirou a rola da minha boca quando teve certeza de que eu já havia tomado até a última gota. Com um bocejo de satisfação, ele se sentou no meio da cama e jogou os braços para o alto.
— Primeiramente, bom dia, Rafael.
Estávamos atrasados, mas continuei caído entre as pernas dele. Com a cabeça apoiada na sua virilha, fiquei namorando a rolona preta; minha paixão por ela não parava de crescer.
— Valeu, Rafa. Uma mamada é a melhor forma de acordar. Você está me deixando mal-acostumado.
Virando os olhos, dei um sorriso safado para o maridão. Depois cobri a chibata de beijos e fiquei roçando o rosto nos pentelhos aparados dele.
De olhos fechados e com as mãos atrás da cabeça, Betão se entregou a esse momento de prazer entre maridos. Quando se lembrou de que era domingo, assumiu o comando.
— Vamos cuidar, Rafael. Mais tarde, eu lhe dou mais pica. Agora deixe eu tomar banho, que o mar está esperando a gente.
Cheio de disposição, o macho se levantou. Mesmo vazia, a mamadeira deu uns pulos pesados e ficou batendo nas coxas. Quando ele partiu para o banheiro, fiquei rindo do balanço gostoso da sua bunda.
Enquanto Betão cuidava da sua beleza, arrumei a nossa cama, vesti a sunga e fiquei ouvindo música. Passando a toalha no alto da cabeça, ele voltou para o quarto. Ao olhar para mim, deu um assovio de aprovação.
— Sunguinha roxa… ficou lindão. Vai me dar trabalho na praia. O que vai ter de safado querendo passar a mão no que é meu… A sorte é que eu sei que você é só meu mesmo. Os otários que morram de inveja de mim.
A confiança de Betão em mim fortalecia a minha confiança nele. Quando ele pisasse na praia, muitas pessoas — mulheres e homens — ficariam babando, mas eu não tinha com o que me preocupar, porque tudo era meu. Assim como ele, eu me garantia.
Com o seu jeito tranquilo de quem não tem consciência do quanto é lindo, ele terminou de se enxugar e meteu o corpão numa sunga preta com uma listra amarela. Como um bom maridinho, botei a mão lá dentro e ajeitei a picona para o lado. Rindo dos meus cuidados, ele deu um beijinho na minha boca e um tapa na minha bunda.
— Vamos tomar café, Fael. Você já tomou sua mamadeira matinal, mas é bom a gente comer alguma coisa antes de sair.
Depois do café, vestimos bermudas e camisetas regatas, pegamos nossas coisas e montamos na moto. A rua estava cheia de gente, os fofoqueiros iam ter assunto para a semana toda. Dava para imaginar o que ficaram falando nas nossas costas. “Quando tinha mulher, o pedreiro da bundona não andava com ela para lugar nenhum. Agora que está com o veadinho filho dela, só vivem de moto pra cima e pra baixo.” Por mim, podiam falar até criar calo na língua; eu adorava andar na garupa do meu marido.
Sol forte, praia lotada. Ao lado da moto, ficamos só de sunga. Atraindo muitos olhares, um passou protetor no corpo do outro. De óculos escuros, saímos desfilando pelo calçadão e demos umas voltas na região dos lagos. Sentados num banco, ficamos conversando sobre algumas coisas que tínhamos para fazer durante a semana. Ao olhar o celular, Betão se levantou e estendeu a mão para mim.
— Bora ali comigo. Tem um pessoal do trabalho que também veio curtir a praia. Vamos lá dar um oi, coisa rápida.
Pegando na mão dele, levantei do banco. Sem soltar minha mão, ele começou a andar. Sentindo-me nas nuvens, empurrei os óculos para o alto da cabeça, para que todo mundo pudesse ver minha cara de felicidade por ter um maridão daqueles.
Os amigos de Alberto — cinco rapazes e três moças — olharam logo para nossas mãos unidas. Com um sorriso de garotão, ele fez as apresentações.
— Então, pessoal. Esse é Rafael, o carinha com quem eu casei. Vocês disseram que queriam conhecer, então está aqui ele.
Enquanto apertava a mão daquelas pessoas, eu ainda estava espantado com a naturalidade com que Betão estava vivendo sua nova história. Ele estava mostrando que a melhor forma de romper preconceitos é passar por cima e olhar para o mundo de cabeça erguida.
— Gostei de conhecer você, Rafael. Você e Betão formam um casal bonito demais. Dá para ver que estão passando muito bem, não é? Parabéns!
Foi uma das moças quem falou isso; e todo mundo soltou a gargalhada. Gostei daquele pessoal. Eu e Betão batemos bola com os caras e depois cada um tomou uma cerveja. Eu não bebi, nunca gostei muito. Mas não via mal nenhum nisso; sempre achei exagero a minha mãe dizer que Alberto vivia enchendo o rabo de cachaça. Ele só tomava sua cervejinha quando estava de folga, e não incomodava ninguém.
Quando nos despedimos do pessoal da obra, fomos dar um mergulho. Entre as ondas, brincamos feito meninos em lua-de-mel. Betão me colocou algumas vezes nos ombros e me jogou para a frente. A gente se pegou muito, teve até uns beijos de tirar o fôlego. Escandalizamos geral.
De volta à areia, Betão comprou quentinhas e refrigerantes a uma mulher que andava por ali. Sentados na sombra, a gente almoçou como se fosse um piquenique. A comida era simples, mas estava muito boa. De barriga cheia, ficamos conversando bobagens e olhando o povo andando pra lá e pra cá.
No meio da tarde, vestimos as bermudas, montamos na moto e pegamos o caminho de casa. Com o peito nu grudado nas costas suadas de Alberto e a bunda dele presa entre minhas coxas finas, não teve jeito: a pica endureceu. Parados num sinal, ele virou a cabeça para trás e levantou a viseira do capacete.
— Estou igual a você, Fael. Dê uma conferida aqui.
Sem me incomodar com os olhares de uma motoqueira que estava parada ao nosso lado, fiz o que ele pediu. O caralho dele estava lutando para se libertar da sunga e da bermuda. Meu marido era um pauzudo gostoso da porra.
Em casa, enquanto ele limpava a moto, arrumei as coisas, tomei banho e fui para a cama. Adoro ir à praia, mas sempre volto muito cansado e meio sonolento.
Eu estava cochilando, mas senti quando Betão se deitou ao meu lado. De banho tomado, ele me abraçou por trás, deu uns beijinhos no meu pescoço e ficou quieto. Ouvindo o barulhinho do ventilador, peguei no sono.
Quando abri os olhos, tudo estava escuro. Instantes depois, Betão respirou fundo, jogou uma perna sobre as minhas e ficou esfregando o rosto nos meus cabelos. Todo manhoso, rocei as costas no peito dele: foi o suficiente para despertar a fera.
Dobrando minha perna para a frente, Alberto passou a rola no meio da minha bunda. Rebolando devagarinho, demonstrei que acordei com vontade de sofrer. Passando um braço na frente do meu peito, ele me prendeu ao seu corpo e, girando os quadris, enterrou a estaca no meu cu.
Puta que pariu! Ser fodido de ladinho era tesão demais.
Betão ficou me comendo com calma, para a gente saborear, centímetro a centímetro, o entra e sai da pica na bundinha. Feito um menino manhoso perdendo as pregas, eu gemia baixinho e mexia a cintura, para provocar mais ainda o fodelão. Babando na minha orelha, ele acelerou as fincadas. Como se estivesse esfomeado, o meu cuzinho sugava e mordia a vara fazendo muito barulho.
A cada cravada, a tora girava lá no fundo. Ao ser puxada, parecia não querer desgrudar do meu cu. Sem ser tocada, a minha pica estava a ponto de gritar. Eu ia sujar o lençol, mas isso não era problema. Para essas coisas, existe máquina de lavar.
Como sempre acontecia, Alberto embruteceu de vez. Dobrando o braço na frente do meu pescoço, ele se jogou em cima de mim e aplicou umas chibatadas bem estaladas na minha bunda. A foda ficou muito agoniada, só não morri enforcado porque ele sabia o limite da força que podia empregar para me dominar. Era uma loucura, mas eu adorava ser varado como se estivesse sendo espancado.
Dando tapas na minha bunda, Betão saiu de cima de mim e me virou de frente. Eu já conhecia bem o meu macho: ele gostava de gozar olhando nos meus olhos. Ver meu sofrimento lhe dava mais vontade de arrombar o meu cu. Mal abri as pernas, ele enfiou o caralho e aplicou uma surra daquelas de me fazer gritar.
Na cama, eu dava ao meu macho todo o direito de botar para arrombar comigo. Mas eu também não era de apanhar quieto. No mesmo ritmo em que ele me currava, eu dava socos no seu peitão, arranhava suas costas e lhe dava tapas na bunda. Nossa trepada parecia uma briga de rua, mas era uma cena de muito amor entre o fortão e o magricelo.
— Agora, porra… gozar…
Betão sussurrou isso porque não conseguia segurar o tesão, mas minha pica achou que ele estava falando com ela. No mesmo instante em que o caralho dele liberou a gala no meu cu, a safada deu o primeiro espirro. Botei tanta porra para fora, que nossas barrigas ficaram grudadas.
A gozada de Betão foi tão forte, que ele quase adormeceu engatado comigo. Quando tudo voltou ao normal, ele se jogou para o lado e a pica escorregou para fora da minha bunda. Lá fora, a noite corria, no nosso quarto, não havia pressa. Depois de foder, era muito gostoso ficar namorando na cama, sentindo o cheiro de suor e gala.
Para finalizar o domingo, tomamos banho juntos e comemos cuscuz com calabresa frita. No sofá, eu sentado e ele deitado com a cabeça no meu colo, ficamos olhando besteiras no celular.
Minha mãe havia ligado mais vezes. Tive vontade de ligar logo de volta, mas era melhor falar com ela sem Betão estar por perto. A conversa tinha tudo para ser feia, eu ficaria envergonhado se ele ouvisse.
Como se captasse os meus pensamentos, Alberto perguntou se podia colocar uma coisa para eu ouvir. Já imaginando o que seria, balancei afirmativamente a cabeça. Suspirando fundo, ele tocou na tela do seu celular e a voz de dona Leila tomou conta da sala. Ela parecia estar no meio da rua, gritando com o ex-marido.
“Alberto, você não presta, não vale nada! Você é um vagabundo, um miserável, um veadão safado! Passou mais de cinco, seis anos me enganando. Você ficou comigo porque queria o meu filho. Só esperou ele ficar maior, pra arrastar pra cama. Ou será que já vivia fazendo coisas com ele às escondidas? De você, eu não duvido nada. Se eu souber que você aprontou com Fael quando eu ainda achava que você era homem de verdade, eu acabo com a sua vida. Você é um infeliz, um depravado, um perdido. Canalha! Por sua causa, nunca mais vou ter coragem de pisar na rua onde morei. Com que cara vou olhar para aquele povo? Na boca dos fofoqueiros eu virei a palhaça que se pegou com um negão achando que ele era macho e todo mundo já sabia que ele era uma bichona. É isso que você é, Alberto. Bichona! Veado! Digo e repito! Bi-cho-na! Ve-a-do! Gay-zão! Agora eu quero ver se você é homem pra vir calar a minha boca. Venha! O maior arrependimento da minha vida foi ter um dia me juntado com você, seu vagabundo. Eu sei que Fael está de cabeça virada, mas tenho fé que um dia ele vai ver que você não é futuro pra ninguém. Meu filho é novo, bonito e inteligente, não é para o seu bico não. Quando ele estiver formado e com um bom emprego, vai botar a cabeça no lugar. Eu vou rir muito no dia em que Fael arranjar um rapaz do nível dele e der um chute bem dado neste seu rabão que todo mundo quer passar a mão. E você gosta, não é? Vai ver que sempre viveu se abrindo para os machos na rua. Agora eu sei que você gosta de rapaz novinho, mas tinha que ser justo com o meu filho? Seu veadão safado, seu arrombado! Sua sorte é que eu não estou podendo ir aí, para cuspir tudo isso na sua cara. Aí era que você ia ouvir coisas. Você sabe que eu não tenho medo de ninguém. Eu ia arrebentar sua cara, ia desmoralizar você na frente de todo mundo. Canalha! Safado! Sem-vergonha! ”
A coisa foi feia, ainda bem que o barraco foi virtual. Dessa vez, minha mãe se superou; fiquei cansado de escutar tanta baixaria. Ela falou o que bem quis e ainda achou pouco. Eu fiquei triste e envergonhado por Betão. Por minha causa, ele ouviu coisas que nenhum homem gostaria. Passando a mão no seu cabelo cortado à máquina, perguntei o que ele havia respondido a esse tiroteio.
— Não dei corda. Mandei um áudio dizendo que a gente aqui estava em paz e desejei que ela vivesse muito bem com o tal de Osório. Minha calma deixou a mulher virada no raio, ela mandou outro áudio, repetindo tudo aos gritos, nem ouvi até o fim. Bater boca por mensagem é coisa sem sentido. Uma hora, ela cansa de mandar essas bombas e deixa a gente sossegado.
— Você está certo. Amanhã vou ligar para ela. Vou deixar que fale à vontade e depois direi que, independentemente de qualquer coisa, ela sempre será a minha mãe. Se ela cortar relações comigo, vou ficar triste, mas não poderei fazer nada.
— É melhor assim mesmo. Não vamos dar munição para uma guerra que não é nossa. Com o tempo, as coisas vão se ajeitando. O importante é a gente se manter firme na nossa história.
Colocando a mão no meu pescoço, ele fez com que eu baixasse a cabeça para ganhar um beijo na boca. Depois olhou nos meus olhos e revelou uma preocupação.
— Só tem uma coisa que sua mãe falou e me deixou triste. Ela disse que, um dia, pode ser que você faça comigo a mesma coisa que ela fez.
O brilho no olhar dele deixou meu coração apertado. Eu também tinha prestado atenção nessa parte. Fiquei ofendido por minha mãe achar que eu seria capaz de trocar Betão por qualquer homem. Diferente dela, eu sempre tive respeito por ele. E já o amava desde que ele era só o meu padrasto. Ele não tinha motivos para se preocupar com isso, mas eu fiz questão de mostrar que ninguém iria abalar a nossa história.
— Alberto, não ligue para essas besteiras. Eu já sou um homem, sei o que quero. Estou muito feliz por ser seu. Você é um marido incrível, muita gente queria estar no meu lugar. Acho que tem pessoas por aí achando que essa história é de brincadeira, mas nós dois sabemos que é verdade. É para sempre. É amor, eu sei. Eu confio em você. E você, Betão? Você confia em mim?
Muito sério, ele deu um beijo na minha mão e ficou olhando nos meus olhos, como se estivesse lendo a minha alma. Com sua voz muito grossa, ele não teve vergonha de mostrar que um gigante também tinha suas fragilidades.
— Eu confio em você, Rafael. Confio em nós dois. É amor de verdade. Precisou você surgir na minha história para eu ter coragem de viver como sempre quis. Mas eu sei que a vida é complicada. Você ainda vai fazer vinte anos, está na faculdade, vai conseguir um bom emprego, ter uma vida melhor, conhecer pessoas interessantes… Eu já estou indo para os quarenta, acho que não tenho muito para onde ir. Terminei o ensino médio aos trancos e barrancos, porque comecei a trabalhar cedo, para ter as minhas coisas. Eu não pude fazer tudo o que queria, mas quero ver você formado, crescendo na vida. Só não sei se vou conseguir acompanhar os seus voos. Sou um cara muito simples.
Era interessante pensar nisso: Betão também foi um rapazinho como eu era agora. Ele frequentou colégio, teve sonhos e sempre lutou muito para viver. Por trás daquele jeito de machão, existia um homem sensível, que precisava de carinho e de apoio. Passando a mão no seu peito, falei que ele tinha muito de que se orgulhar.
— Você é muito inteligente, Alberto. Você é um pedreiro de muito valor. Não é qualquer um que faz o que você sabe fazer. Tem gente que ainda pensa que quem trabalha em construção é pobre coitado, mas a gente sabe que não é assim. Você tem que se orgulhar muito da sua profissão. E você está certo: eu quero crescer muito na vida. Mas é com você que eu quero conquistar tudo. A gente vai comprar uma casa, um carro, nossas coisas. Vamos mostrar ao mundo que somos um casal incrível. Um casal do caralho mesmo. Agora, aperte a minha mão.
Fazendo cara de menino assustado, ele apertou meus dedos como se fosse quebrar os ossos. E deu o sorriso que eu tanto queria.
— Fael, você falou bonito demais! Você me jogou pra cima com tudo. Estou me achando o dono da porra toda. Com esse meu maridinho, estou feito na vida. Vem cá, dê um beijão.
Fazendo um contorcionismo, consegui deitar em cima dele. Antes de lhe dar a língua para chupar, mostrei o meu lado ciumento. Parece que ele não se olhava no espelho: além de ser um cara bonito de parar o trânsito, ele era um homem cheio de boas qualidades. Muita gente gostaria de ter um Betão na vida, mas esse era todo meu.
— É bom que todo mundo saiba que esse pedreiro lindo, inteligente, divertido e gostoso é só meu. Ninguém se atreva a mexer com o meu marido. Eu viro fera!
Mal acabei de falar, o maridão soltou uma gargalhada e comeu a minha boca. Deixando de lado os problemas, namoramos um pouco ali no sofá e depois fomos para a cama.
O domingo foi maravilhoso, agora era hora de dormir. Teríamos uma longa semana pela frente.
Na segunda-feira, depois que Alberto saiu para trabalhar, organizei as coisas da casa e fui ao supermercado. Quando voltei das compras, sentei numa cadeira da cozinha, respirei fundo e liguei para a minha mãe. Ela não atendeu, devia estar dormindo ainda. Como eu não podia me dar a esse luxo, fui organizar um trabalho para apresentar na faculdade.
Quase ao meio-dia, o celular tocou. Era dona Leila.
— Oi, mãe. Bom dia! Como a senhora está?
Falei com toda naturalidade do mundo, mas ela já partiu para a ignorância. Primeiro repetiu tudo o que meu pai tinha lhe dito; depois falou as mesmas coisas do áudio que tinha mandado para Betão; por último declarou que eu era um filho ingrato e perdido, que só lhe trouxe desgosto.
— Nunca esperei isso de você, Fael. Tomar o marido da sua mãe… que tristeza.
Foi uma chatice ouvir de novo a história de que eu estava virando a mulherzinha, a putinha, a empregadinha de Betão. Tive vontade de gritar que eu era o marido dele, mas consegui me controlar. Eu queria que ela entendesse que eu não era mais um menino; eu era um homem casado e merecia ser respeitado.
— Mãe, eu e Alberto só nos juntamos depois que vocês se separaram. Ninguém aqui aprontou com a senhora. Vamos parar com essas conversas, por favor.
Diante da minha calma, ela ficou meio atrapalhada. Em vez de parar e pensar, ela repetiu tudo o que tinha acabado de dizer e reforçou a parte que eu mais detestei.
— Você aprontou comigo, mas eu ainda sou sua mãe. Eu quero o seu bem. Um dia você vai ver que Betão é um homem sem futuro. Você está perdendo seu tempo com ele. Eu tenho fé que você vai encontrar um rapaz novo, de presença, capaz de lhe mostrar o que é viver bem. Você merece coisa boa, Fael. Abra o seu olho, meu filho. Não queira passar sua vida nas mãos de um homem que não tem nada pra lhe oferecer. Se não tomar cuidado, quando tiver o seu bom emprego, você vai acabar carregando aquele traste nas costas.
O ouvido estava ardendo de ficar tanto tempo grudado no celular. A cabeça estava zonza de ouvir tantas coisas absurdas. Eu estava indignado, mas respirei fundo e respondi com uma calma que surpreendeu até a mim mesmo.
— Eu e Alberto já estamos planejando o nosso futuro, mãe. A gente vai crescer junto. Estou muito feliz com ele e desejo que a senhora esteja feliz aí com o seu novo marido. Seu Osório parece ser gente boa, diga a ele que eu mandei um abraço.
Eu quase podia ver a cara de espanto da minha mãe. Mesmo desarmada, ela começou a dizer as mesmas coisas pela terceira vez. Aí eu tive que encerrar a conversa.
— Desculpe, mãe, mas eu preciso terminar um trabalho da faculdade. Tenho que pensar no meu futuro, não é? De minha parte, esse assunto está encerrado. Desejo que a senhora seja muito feliz aí. Se puder, deseje para mim as mesmas coisas boas que eu desejo para a senhora. Se precisar de alguma ajuda que esteja ao meu alcance, pode ligar. Estarei sempre aqui.
Eu falei com muita sinceridade; nunca seria capaz de desejar o mal à minha mãe. Mas não tive a pretensão de tocar no coração dela. Dona Leila não era gente ruim, mas era muito cabeça dura, achava que tudo tinha que ser como ela queria. Depois de um curto silêncio, ela se despediu num tom meio impaciente, mas sem ser de briga.
— Tá certo, tá certo, Rafael. Depois não diga que eu não avisei. Quando der tudo errado aí, pode ligar para mim. Apesar do que você fez, nunca vai deixar de ser a sua mãe. Eu me preocupo com você, meu filho.
— Obrigado, mãe.
Foi uma conversa cansativa, mas não foi tão chata quanto eu esperava. Manter a calma foi difícil, mas foi a melhor coisa que eu fiz. Minha mãe ficou desarmada por eu não ter respondido no mesmo tom. No que dependesse de mim, a gente não ia mais viver brigando. Eu estava feliz com o meu marido e queria que a bonita Leila fosse feliz com o marido dela.
Para relaxar a mente, coloquei música para tocar no celular e fui para a cozinha. Eram quase três da tarde, o bate-papo me roubou muito tempo. Às pressas, fiz uma macarronada caprichada. Comi um pouco e deixei uma parte para o jantar de Betão. Depois de revisar o trabalho, tomei banho, botei a bolsa nas costas e fui pegar o ônibus para a faculdade.
Meu grupo foi o terceiro a apresentar o seminário. Estava todo mundo tenso, mas deu tudo certo, a professora até fez elogios. Aproveitando uma pausa, o colega Wendel sentou perto de mim e puxou conversa.
— Parabéns, Rafa! Seu grupo deu show, você estava com o assunto todo na ponta da língua. E o fim de semana? Você e o seu marido curtiram muito?
É como dizem por aí. Está solteiro? Ninguém olha. Começou a namorar? Surge um monte de pretendentes. Casou? Todo mundo quer comer. Eu não queria ser chato com Wendel, mas precisava dar uma cortada definitiva nele.
— Foi ótimo, fomos à praia. Meu marido é um cara espetacular. Quando nosso domingo acabou, a segunda-feira já tinha começado.
Arregalando os olhos, ele abriu um sorriso cheio de intimidade.
— Aí, Rafa! Já vi que o seu domingo foi de festa. Foi à praia e nem me convidou. Da próxima, lembre-se de mim.
Que onda da porra era essa? O cara estava se convidando para andar comigo e com o meu marido. Eu só queria ver o riquinho Wendel sentado num banco da orla comendo uma quentinha de vinte reais. Ele seria capaz de dizer que isso era programa de mendigo. Para encerrar essa conversa, fiz minha cara de veadinho enjoado e dei outra cortada nele.
— Eu e Alberto nos casamos há pouco tempo, estamos em lua-de-mel. A gente curte ficar junto o tempo todo, só nós dois.
Felizmente, a professora entrou na sala e os trabalhos recomeçaram. Para mim, a conversa com Wendel já era finada, mas senti que ele ainda não tinha se tocado.
Quando a aula acabou, saí conversando com umas amigas e fui pegar o ônibus. Melhor hora da faculdade: hora de voltar para casa.
Encontrei Alberto com um caderno na mão, parecia um menino fazendo os deveres de casa. Ao me ver, ele foi logo se justificando.
— O macarrão estava ótimo, comi tudo. Se você estiver com fome, tem pão e queijo que eu trouxe da padaria. Quer que eu esquente um na frigideira pra você?
Em vez de responder, sentei no colo dele e lhe dei um beijo cheio de amor. Quando as bocas se soltaram, ele me mostrou o que estava escrevendo.
— Estou fazendo minhas contas, gosto de ter tudo anotado.
— Que letra bonita! Você é muito organizado.
Mordendo os lábios, ele voltou a escrever. Para não atrapalhar, fui tomar banho. Quando estava comendo um pão com queijo, recebi uma notificação no celular. Era do aplicativo do banco — fiquei sem graça.
Após lavar o que sujei, fui escovar os dentes e voltei para a sala. Betão tinha guardado o caderno e estava com as pernas abertas, indicando que o meu lugar era entre elas. Assim que sentei, ele botou a mão em cima da minha cueca e ficou apertando a pica. Isso me deixou todo manhoso, mas falei de um jeito sério.
— Alberto, você passou um dinheiro para a minha conta… E para fazer o quê?
Fazendo cara de desentendido, ele deu um aperto mais forte no meu pau e chupou o bico do meu peito. Fiquei todo mole, mas não me dei por vencido.
— Betão, o dinheiro…
Brincando de me foder, ele deu umas socadas para cima. Roçando o rosto no meu, falou como se fosse coisa sem importância.
— Se está na sua conta, é para você. Seu pai disse que não vai lhe dar mais nada, lembra? Não quero me meter nos seus assuntos com ele, mas eu já disse que você tem o meu apoio. É pouco, mas ajuda.
Para algumas pessoas, aquele dinheiro seria pouco; para mim, era muito. Eu me senti amparado, mas não achei justo dar mais despesa a ele.
— Betão, você já paga o aluguel, as contas, as compras. Estou vivendo às suas custas… é certo isso?
— Rafa, vamos parar? Conversa feia da porra. Aqui não tem essa coisa de viver às custas, a gente está casado. Ou será que você não está levando a sério? Será que toda vez que eu botar um dinheiro na sua mão, você vai ficar envergonhado? Rapaz, eu sou o seu marido. É assim mesmo, um ajuda o outro. Se fosse o contrário, você ia me deixar no sufoco?
Esses argumentos colocaram um ponto final na discussão. Era besteira mesmo eu ficar envergonhado. Por eu ser novinho e não trabalhar, o povo ia dizer que eu era o putinho dele, mas nós dois sabíamos que não era assim. A gente se respeitava muito e não tinha que se preocupar com o que os outros pensavam.
— Eu nunca deixaria você na mão, Alberto. Eu seria capaz de andar nu para lhe dar de vestir. Nossa parceria é forte, a gente vai viver se somando. Quando eu tiver o meu emprego, vai ser tudo pau a pau entre nós dois.
Essas frases fizeram com que ele sorrisse muito e me desse um monte de beijo. Quando eu pensei que a gente ia foder no sofá, ele determinou que estava na hora de ir para a cama.
— Vamos deitar, Fael? Hoje o trabalho tirou o meu sangue. Preciso de uma massagem daquelas que só você sabe dar. Pode alisar, puxar, apertar, espremer, bater… pode fazer a porra toda. Pegue com vontade, dê um trato em tudo.
Com o meu olhar de anjinho safado, fiz a pergunta que não queria calar.
— Até na pica, Betão?
Fingindo que não percebeu a malícia, ele se levantou do sofá. Enquanto respondia à pergunta, tirou a cueca e jogou em cima de uma cadeira.
— Na pica e na bunda. Tudo meu é seu, Rafael. Faça comigo o que você quiser.
Para não perder tempo, tirei a cueca e joguei sobre a dele. Dando uma mordidinha no lábio, agarrei o meu Betão por trás e o empurrei para a nossa cama.
Dessa vez, não vou contar como foi a massagem. Só direi uma coisa: foi foda.