O bar estava lotado naquela noite de sábado, o ar denso com o cheiro de cerveja derramada, frituras quentes, perfume e suor. A turma do time de Luiz Felipe tinha invadido o lugar para comemorar a virada épica no campo, 6 a 4, uma vitória suada que ainda ecoava nos gritos e risadas altas. Eu, Gustavo, estava sentado na mesa, bebendo meu refrigerante, tentando não olhar demais para Luiz Felipe. Mas era impossível resistir aquele charme, beleza e sorriso contagiante.
Luiz Felipe estava do outro lado da mesa, já sem o uniforme do jogo, usava uma camiseta branca que colava no peito largo, os músculos das coxas se contraindo toda vez que ele se mexia na cadeira. Os cabelos encaracolados castanhos estavam úmidos do banho rápido que ele tomou no vestiário, e os olhos mel brilhavam sob a luz neon do bar. Ele ria de algo que Romário disse, mas seus olhares voltavam para mim. Constantemente. Cada vez que nossos olhos se cruzavam, era como um choque elétrico descendo pela minha espinha. Eu sentia o calor subindo, o short bege claro que eu usava, de tecido leve e um pouco apertado não ajudando em nada a disfarçar o volume que crescia só de imaginar as mãos dele na minha pele.
Ele se inclinou para frente, fingindo pegar um amendoim da tigela no centro da mesa, mas o joelho dele roçou o meu por baixo da madeira. Seria de propósito?Não sei, mas sentir aquele simples toque da pele dele contra a minha, meu corpo reagiu instantaneamente. Um arrepio, uma pulsação insistente. Eu mordi o lábio, tentando me concentrar na conversa, mas minha mente vagava: imaginava nós dois escapando para o banheiro escuro do bar, ele me prensando contra a parede fria, a boca devorando a minha enquanto as mãos grandes deslizavam por dentro da minha camiseta azul clara, apertando, explorando...
_ Ei, Gusta, você tá bem?
Manu perguntou baixinho, sentando ao meu lado. Ela estava linda como sempre, com um top decotado e short jeans que realçava as curvas, o cabelo solto caindo pelos ombros. Seu namorado, meu irmão Edu, estava do outro lado, bebendo com Romário, os dois já meio altos, rindo alto das piadas homofóbicas que ainda ecoavam do jogo.
_ Você parece... tenso.
Eu forcei um sorriso.
_ Só cansado do jogo, Manu.
Ela ergueu uma sobrancelha, desconfiada. Seus olhos foram de mim para Luiz Felipe, que nesse exato momento me olhou de novo, lambendo os lábios devagar enquanto bebia da garrafa. Meu coração disparou. A tensão era palpável, como uma corda esticada prestes a romper. Ele se levantou, veio até mim sob o pretexto de pedir outra rodada, o corpo roçando o meu ao passar. Senti o cheiro dele, suor misturado com sabonete e seu perfume masculino, inebriante.
_ Quer vir comigo para me ajudar a trazer as bebidas, Tavinho?
Murmurou, com sua voz grave, mascula, baixa o suficiente para só eu ouvir. O apelido soou como um carinho, só ele me chamava assim.
Antes que eu pudesse responder, um assovio ecoou belo bar, olhei em direção a porta do bar e ela entrou. Milena. Alta, curvilínea, com um vestido vermelho colado que mal cobria as coxas, o decote generoso exibindo mais do que escondendo. Cabelos pretos longos, maquiagem pesada, um sorriso predatório nos lábios pintados. Ela era conhecida no bairro — provocante, sem pudores, sempre em cima dos caras bonitos como Luiz Felipe. E ela veio direto para ele.
_ Luizão! vi sua vitória épica de virada, parabéns!
Disse ela, voz melosa, jogando-se na cadeira ao lado dele como se fosse dona do lugar. As mãos dela foram direto para o braço dele, apertando os músculos com unhas vermelhas.
_ Você tava incrível no campo hoje. Todo suado, todo... homem.
Ela sorriu, inclinando-se para frente, os seios quase roçando o braço dele. Luiz Felipe sorriu educado, mas não se afastou. Ele era doce demais para ser rude, mas aquilo... aquilo incomodava em mim como uma facada.
Ciúme. Puro, ardente, irracional. Eu tentei disfarçar, virando o rosto. Me levantei e fui até o balcão, pedindo as cervejas e meu refrigerante com a voz firme. Mas meu estômago se revirava. Imaginei ela o beijando, as mãos dela no corpo que eu desejava tanto, e senti uma raiva quente misturada com desejo frustrado. Quando o barman colocou as bebidas no balcão, senti uma presença atrás de mim, um braço forte se estendeu pegando algumas bebidas.
_ Eu te ajudo.
Disse Luiz Felipe falando com seus lábios quase que colados em meu ouvido. Voltamos para a mesa, mas Milena ainda estava la e não fazia a menor questão de esconder o porque ela estava la quase que sentando no colo do meu amor, conversando tocando se esfregando nele e por mais que eu tentasse disfarçar o ódio que eu sentia transbordava de meus olhos.
Manu notou. Claro que notou.
_ Ei, relaxa - Sussurrou ela, a mão no meu ombro de novo, um toque amigo que me ancorava. - Ela é só uma vadia qualquer. Ele não tá interessado, olha pra cara dele.
Mas mesmo assim, Milena continuou: inclinou-se mais, sussurrando algo no ouvido dele, a língua roçando a orelha por acidente ou não. Luiz Felipe riu, desconfortável, mas não a empurrou. Meu peito apertou.
A noite piorou quando um cara bêbado, alto e desleixado, cambaleou até nossa mesa. Ele fixou os olhos em Manu, ignorando a presença de Edu completamente, que estava a poucos metros da gente conversando em pé com Romario.
_ Ei, gata, você é linda pra caralho. Quer dançar? Ou quem sabe a gente vai pra um canto mais quieto?
Disse o bêbado com sua voz arrastada, a mão estendendo para tocar o braço dela.
Edu explodiu na hora. Meu irmão era assim: pavio curto, especialmente depois de umas cervejas e ao lado de Romário, que o instigava como um demônio no ombro.
_ Que porra é essa, seu filho da puta?
Berrou Edu, aproximando-se de uma vez, os músculos do braço loiro inchando sob a camisa vermelha escura. Romário riu alto, de pé ao lado dele.
_ Vai, Du! Mostra pra esse otário quem manda!
O bêbado nem teve tempo de reagir. Edu o agarrou pela gola, socando o rosto dele com um punho fechado. O bar virou caos, gritos, mesas virando, cerveja voando. Romário entrou na briga, chutando o cara no chão, os dois descarregando a raiva com violência. Manu gritou para eles pararem, mas Edu estava cego de ciúme e violência, o cavanhaque suado, os olhos injetados.
Eu me afastei, coração batendo forte, mas meus olhos voltaram para Luiz Felipe. Ele tinha se levantado para apartar, mas Milena ainda estava grudada nele, usando o tumulto para se encostar mais. O ciúme queimava, mas a tensão entre nós não tinha sumido, só se transformado em algo mais urgente, mais perigoso. Amigos do bêbado que eram do time adversário que haviam perdido o jogo entraram na pancadaria, Luiz Felipe me olhou e arregalou seus olhos, ao perceber um homem vindo furioso em minha direção.
Assustado peguei uma cadeira para me defender, mas foi em vão o bêbado logo segurou, puxou com violência me tomando a cadeira e a atirando longe, eu em uma tentativa de auto proteção estendi os braços espalmando as mãos e fechando os olhos quando escuto um soco e um grito, Luiz Felipe , meu amor meu príncipe encantado veio em meu socorro, infelizmente enquanto me ajudava a levantar do chão me perguntando se eu estava bem, foi acertado na cabeça com por uma garrafada que quebrou em sua cabeça. Luiz Felipe tonteou, mas foi defendido por meu irmão Eduardo que chegou na voadora acertando o agressor de meu amado.
Percebi que Luiz Felipe estava com a cabeça sangrando, gritei para meu irmão para me ajudar a tirar Luiz Felipe dali, já colocando o braço do meu amado sobre meus ombros. Eduardo queria continuar brigando, mas ao ouvir o grito de Manu que me ajudava levar Luiz Felipe para fora veio ao nosso encontro gritando seu escudeiro Romário que veio também xingando, gritando e dando o dedo para os outros enquanto saia do bar.
Autor: Mrpr2