O castigo dos sentidos

Um conto erótico de Corno da Fah
Categoria: Heterossexual
Contém 638 palavras
Data: 04/01/2026 20:31:37

Castigo dos Sentidos

A tarde havia sido úmida e pesada, o calor abafado do apartamento parecia ecoar a tensão que pairou no ar depois da discussão. Clara ficara de lingerie na sala, esperando, enquanto Ricardo escolheu a bola com os amigos. A gota d'água. A humilhação final. Ele voltou tarde, com cheiro de suor e cerveja, encontrando-a sentada no sofá, com um sorriso frio nos lábios.

"Você prefere o suor de homens a mim, Ricardo? Tudo bem. Vou te dar um espetáculo de suor."

Ele tentou se desculpar, balbuciou, mas ela já havia planejado cada movimento. Com uma força que surpreendeu a ambos, ela o empurrou para a cadeira de madeira pesada da cozinha. Usando cordas de seda que ele nem sabia que ela tinha, amarrou-o firmemente, pulsos e tornozelos presos à estrutura sólida. Ele estava sentado, imóvel, um trono de vergonha.

"Você perdeu o direito de me ter hoje, Ricardo. Mas não de me testemunhar."

O telefone dela tocou. Um único toque. Minutos depois, a campainha. Lucas entrou, um amigo de confiança, com um olhar excitado. Clara o recebeu com um beijo profundo, línguas se entrelaçando, as mãos dele agarrando suas curvas por cima do tecido fino. Ricardo nada podia fazer, ela escolheu e o acordo deles é simples, obediência total dele no quesito safadeza.

De suas costas, tirou uma venda de cetim preto. "Se você não valoriza a vista, será privado dela."

A escuridão desceu sobre ele. O mundo se reduziu a sons, cheiros e sensações tácteis amplificadas de forma insuportável.

O primeiro som foi o beijo molhado, profundo, seguido pelo gemido baixo de Lucas. "Caralho, Clara, você tá incrível..."

"Chupa-me, Lucas. Deixa meu marido ouvir como se faz direito."

Ricardo ouviu o som de roupas deslizando pelo corpo, o sussurro da lingerie caindo no chão. Ouviu a respiração ofegante de Lucas, os gemidos abafados de Clara, o som úmido, lascivo, de uma boca explorando um corpo molhado. Ela gemia, gemidos altos, teatrais, destinados a ele.

"Isso... assim... você é muito melhor que ele", ela suspirava entre um gemido e outro.

O barulho dos corpos se movendo. O sofá rangendo de forma ritmada, brutal. A cabeça de Ricardo girava. Cada estalido do móvel, cada baque de corpo contra corpo, cada palavrão gutural de Lucas era uma facada. Ele podia quase visualizar: as costas dele arqueadas, as pernas dela envolvendo sua cintura, os seios balançando. A imaginação, alimentada apenas pelos sons, era mais torturante que qualquer imagem.

"Vou gozar, Clara... onde você quer?"

"Dentro. Enche esta buceta que meu marido negligencia."

O grito abafado de Lucas, o gemido longo e estremecido de Clara, o silêncio pesado que se seguiu, apenas cortado pela respiração ofegante. Ricardo estava suando, tremendo, com lágrimas quentes escorrendo por baixo da venda. A mistura de humilhação, excitação involuntária e raiva era um turbilhão.

Passos se aproximaram. O cheiro deles invadiu suas narinas: sexo, suor, ela. As cordas foram soltas. Suas mãos livres tremiam. A venda, porém, permaneceu.

"Mãos e joelhos, Ricardo. Agora."

Ele obedeceu, cego, rastejando no chão até suas mãos encontrarem seus pés descalços. O cheiro era intenso, doce, ácido, íntimo e alheio.

"Limpa a bagunça que você causou. Chupa. Chupa até eu gozar de novo."

Ele hesitou. Um tapa firme e quente atingiu sua face.

"Agora!"

Sua língua tocou sua própria esposa, mas o gosto era diferente. Era o gosto da traição, da submissão, da sua própria impotência. Era salgado, amargo, com o semente de outro homem ainda nela. Ele engolia, soluçava, enquanto ela gemia acima dele, não mais por prazer, mas por poder.

"Você aprendeu a lição, corno?", ela sussurrou, apertando sua cabeça contra ela.

Ele não respondeu. Apenás lambeu, limpou, submeteu-se. A escuridão era total. E naquela escuridão, ele entendeu que o castigo não era pelo que ele tinha feito, mas pelo prazer que ela descobriu em fazê-lo.

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Comentários

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Que bom que voltou. Saudades das suas histórias. Como ficou a situação com o Gustavo?

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