Uma puta dama - parte 6

Um conto erótico de Beto (Por Mark da Nanda)
Categoria: Heterossexual
Contém 3765 palavras
Data: 28/01/2026 21:56:36

Agradecimentos a nossa querida Ida que sutilmente, com seu jeito doce, me convenceu a lhe enviar uma previa deste capitulo e o devolveu a mim corrigido.

Me senti no ginásio, sendo corrigido pela minha professora de Português.

Periga eu fazer isso novamente, Ida. Vai facilitando minha vida, vai? Depois nao reclama.

Brincadeiras à parte, obrigado pela ajuda.

E vamos seguir.

Forte abraço,

Mark

Olhei para as minhas mãos e vi apenas o meu copo. Fiquei bebericando meu uísque, ainda sem saber o que fazer: confrontar Helena enfim, ou simplesmente dar-lhe as costas? Afinal, ela estava acompanhada, de outro. Foram minutos de um breu existencial, até que senti um toque em meu ombro. Suspirei fundo, vestindo a minha melhor máscara de “tudo bem”, tentando não afetar a Annie e falei:

- Já era hora...

Imaginei que fosse Annie, mas, quando subi o meu olhar, senti como se o mundo todo parasse, porque ali, parada ao meu lado, com o olhar de quem havia visto ou ainda via um fantasma, estava ela: Helena.

[CONTINUANDO]

- Beto!? Mas... o que você está fazendo aqui?

- Eu poderia te fazer a mesma pergunta, Helena. Afinal, pensei que você tivesse vindo para cá para um evento profissional... Ou será que há mais do que algo profissional envolvido, hein?

Ela se calou por um instante. Sua mão tremia levemente sobre o meu ombro, enquanto ela aparentemente decidia se me acariciava. Vi em seus olhos a dúvida. Vi que ela temia ser rechaçada. Talvez ela estivesse certa. Talvez eu recusasse o contato após ter sido “bloqueado” por ela, afinal, se ela não queria contato comigo, seria justo pensar que eu também não o quisesse:

- Não vai responder? – Perguntei, tentando quebrar aquele silêncio constrangedor.

Ela rapidamente olhou ao seu redor e deu uma respirada profunda, com os olhos fechados, encarando-me em seguida:

- Não foi isso o que eu perguntei. Eu só queria saber o que você está fazendo aqui... em Viena...

- Ué!? É uma cidade linda, um ótimo destino para se turistar. Talvez seja isso que você esteja fazendo aqui neste clube, não é? Turistar... – Falei de forma controlada mas ácida.

Peguei meu copo de uísque e dei uma longa golada, olhando para algum ponto à minha frente.

Helena puxou a cadeira da Annie e se sentou, olhando diretamente em meus olhos:

- Calma, ok? Eu sei que precisamos conversar, mas acho que este não é o melhor ambiente e...

- Precisamos!? – Eu a cortei, colocando o meu copo sobre a mesa com mais força do que seria necessária: - Estou tentando conversar com você há dias e você tem inventado desculpas atrás de desculpas para me evitar. Chegou até ao cúmulo de me bloquear...

Ela piscou rapidamente os olhos, atordoada com a obviedade da colocação:

- Porra, Helena, eu sou o seu marido. – Pigarreei, porque uma emoção repentina me atingiu: - Talvez nem seja mais, mas até o divórcio ser homologado, estamos casado e o mínimo que eu mereço é respeito!

Helena arregalou os olhos e se encostou na cadeira. Uniu as duas mãos sobre o colo e encolheu-se discretamente no assento, tudo isso sem tirar os olhos de mim, olhos que começavam a ficar marejados. Foi um silêncio de poucos segundos, mas a intensidade foi tão grande que qualquer palavra que fosse dita por qualquer um dos dois, faria o outro chorar. O silêncio acabou sendo a melhor resposta.

Ela desviou o olhar rapidamente para uma direção qualquer. Vi a tensão nos lábios travados, ela se controlando para não morder o inferior como sempre faz quando ficava nervosa, talvez para não estragar a maquiagem. Depois, me olhou meio de lado, encarando-me por fim:

- Você... tem todo o direito de estar bravo. Peço que me desculpe. Eu realmente fui muito má sucedida nessa decisão. – Ela respirou fundo, se controlando: - Mas você concorda que aqui, no meio desse clube, com essas várias pessoas, não é o melhor lugar para conversarmos, não concorda?

Apesar de bravo, eu sabia que ela tinha razão. Eu não conseguiria perguntar tudo o que queria naquele ambiente, mesmo porque eram grandes as chances de eu me descontrolar em algum momento e gritar ou discutir. Balancei afirmativamente minha cabeça:

- Ótimo! Quer sair comigo agora para conversarmos? Podemos ir ao meu hotel ou no seu. – Ela desviou rapidamente o olhar, raciocinando algo: - Vamos ao seu. É melhor...

- E por que não ao seu? – Perguntei feito uma criança intencionada apenas em contrariar.

- Minha quarto deve estar bagunçado e...

- O seu quarto deve estar bagunçado... – Repeti, calando-a: - O seu quarto... num hotel 4 ou 5 estrelas, deve estar bagunçado, Helena? Que porra de desculpa mais esfarrapada é essa?

- Credo, Beto, você parece que está a fim de arrumar briga mesmo comigo. O que está acontecendo? Não confia mais em mim?

Dei uma risada seca, magoada e ainda balancei negativamente a cabeça. A resposta surgiu na ponta da língua, e eu sabia que iria magoá-la. Então, mesmo sem pensar direito, saquei meu celular e acessei a maldita mensagem que recebi dela quando estava dentro do avião, prestes a decolar do Brasil para a Europa. Coloquei o celular à frente dela que não entendeu de imediato o que eu queria:

- Minha resposta está aí... – Falei, pegando o meu copo de uísque.

Helena pegou o meu celular e começou a ler a mensagem. Conforme lia, seus olhos se arregalavam mais e mais, a tensão ficando estampada em seu rosto. Notei que sua boca começou a ficar aberta também, um horror tomando conta de seu semblante. Quando terminou de ler, me olhou como se eu fosse uma mistura de Fred Kruger, Jason, e outros tantos monstros, preste a ataca-la:

- E aí? Algum comentário?

Ela abriu a boca e a fechou, sem nada dizer. Respirou profundamente e olhou novamente a mensagem, cabisbaixa, ombros caídos, profundamente consternada:

- Beto... eu...

E se calou:

- Você? – Resmunguei, encarando-a com sangue nos olhos, apertando o meu copo como se o pobre fosse culpado de algo.

Ela inspirou o ar e por fim o expirou longa e lentamente, os olhos semicerrados, buscando algo que eu não podia imaginar o que era: paz? Coragem? Talvez nada:

- Você não entende...

E se calou novamente. A única diferença é que agora repousou meu celular sobre a mesa, a meio caminho de mim e dela:

- Se eu não tiver perdido a minha capacidade de interpretação de textos, que por sinal sempre foi muito boa, o que eu entendi desse texto é algo que eu nunca imaginei que você me faria.

- Não é isso. Tem tanta coisa envolvida... tanta coisa...

- Ok. Então, me explica.

Ela me encarou e agora eu vi medo, mas estranhamente não parecia ser medo de mim. Ainda assim, mesmo que ela pudesse estar sendo chantageada ou ameaçada, eu precisava saber, entender, para poder ajuda-la, nem que fosse a última coisa que eu faria como seu marido:

- Eu não posso...

- Não pode ou não quer?

- As duas coisas. Eu não quero te envolver, por isso não posso contar. Só te peço que confie em mim e...

- Para! Pode parar... – Eu a interrompi, mão espalmada e levantada: - Se você queria viver uma vida dupla, sei lá por qual motivo, por que me enviou essa maldita mensagem, Helena? Para me deixar nervoso? Ou em pânico, imaginando que você possa estar sendo chantageada?

Quem respirava profundamente agora era eu, porque havia levantado a minha voz e vi que estava a ponto de perder o controle:

- Ou é por algum sadismo seu que eu não conhecia? Sei lá... Talvez um prazer mórbido de saber que eu sabia que estava sendo traído?

Ela novamente abriu a boca, mas não conseguiu dizer nada, novamente se retraindo. Uma lágrima desceu por sua face, enfim, traçando o caminho de seus olhos até o queixo:

- Ok. Aqui não é o melhor lugar. Onde prefere conversar? No meu hotel, ou no seu?

Foram segundos de silêncio, nos quais eu podia ouvir seu poderoso e analítico cérebro trabalhar, procurando respostas, formulando hipóteses, tomando decisões:

- Em nenhum.

- Como é que é?

- Desculpa, Beto, mas não dá. – Levantou-se, ficando ao meu lado e repousando a mão em meu ombro, baixando-se para quase ficar do lado do meu rosto: - Eu te amo demais e não posso...

Novamente ela se calou, fechando o olho brevemente:

- Só não posso. Com você, não...

Helena deu um passo para se afastar de mim, mas eu segurei a sua mão e me levantei, ficando de frente para ela. Estávamos novamente próximos, embora tão, tão separados:

- Helena, fala comigo. Eu posso te ajudar.

Ela sorriu. O sorriso mais triste que já vi alguém dar na minha vida. Ela tocou o meu rosto gentilmente e me deu um beijo na face, antes de dizer:

- Não, meu amor. Você não pode. Ninguém pode.

Ela desvencilhou a sua mão da minha e começou a andar na direção da mesa em que estava antes:

- Helena! – Pedi, mãos espalmadas, braços ligeiramente abertos como se oferecesse um abraço.

Mas ela não o quis.

Ela nem olhou.

E seguiu.

- Beto? – Ouvi a voz da Annie: - Era ela?

Apenas balancei a cabeça, confirmando:

- Conversaram? Já sabe o que está acontecendo?

Agora balancei a cabeça em negação:

- E por que não conversaram?

- Porque aquela, Annie, não é a minha mulher. Não mais...

Nem seria necessário dizer que eu havia broxado para qualquer possibilidade mais intimista com qualquer mulher naquela noite.

Deixei Annie em seu prédio de apartamentos e voltei para o hotel. Não havia mais o porquê de eu permanecer ali em Viena. Na minha visão, tudo havia acabado. Estava claro como o dia: Helena havia feito uma escolha que, boa ou mãe, ética, moral ou não, me excluía.

Decidi tentar antecipar minha volta para o Brasil no dia seguinte, porque ficar ali já não era mais necessário. Não preguei o olho durante a noite toda.

Na manhã seguinte, tomei um reforçado café da manhã e tentei remarcar minha passagem. Não consegui em virtude das várias conexões que teria que fazer. Apenas obtive uma promessa de que, com muita sorte, eu poderia retornar em 2 ou 3 dias. De nada isso me adiantaria, a minha volta seria em 4 dias. Então, simplesmente desisti.

Passei o dia deitado na cama do hotel, de cueca e uma imensa sensação de vazio:

- Quer saber? Foda-se! – Disse para mim mesmo no meio da tarde.

Eu iria confrontar a Helena e, ou ela conversaria tudo comigo, ou eu daria um belo show em sua convenção. Se o problema dela vinha do trabalho, talvez uma demissão a libertasse, pensei.

Levantei-me e troquei de roupas. Peguei meu carro e segui direto para o local da convenção. Ao tentar entrar, vi que minha credencial havia sido cancelada. Tentei obter uma justificativa, mas a única resposta que me deram era sobre uma “questão documental”. Eu não tinha como discutir aquilo, afinal, eu sabia como havia conseguido a minha credencial.

Saí do local do evento e montei campana à frente, sabendo que uma hora Helena teria que sair. Quando eram 19:00, as pessoas começaram a sair, uma verdadeira multidão. Vi quando o CEO do Brasil, Richard, surgiu, com um pequeno grupo de pessoas, mas sem Helena. Ele passou ao meu lado sem me reconhecer, o que era previsível, pois havíamos nos visto pouquíssimas vezes.

Aguardei então a saída dele, Mr. Bronson. Certamente, Helena estaria com ele. Entretanto, algum tempo depois, o movimento de pessoas começou a diminuir, diminuir, até cessar. Fui até o balcão e perguntei se ainda havia alguém no salão, mas me informaram que não, pois a convenção desse dia já havia se encerrado.

Eu não havia visto Helena sair, nem mesmo o tal do Mr. Bronson. E de duas, uma: ou eles saíram por alguma porta lateral, que eu sabia pouco provável, pois um homem como o Mr. Bronson somente sairia acesso principal; ou eles nem estiveram na convenção. Essa última hipótese fazia a minha testa coçar.

Peguei meu carro e fui para o hotel em que Helena estava hospedada. Entrei e fui direto ao balcão de atendimento, me apresentando e solicitando o número do quarto dela:

- Quem, senhor? – Perguntou-me o atendente.

- Mrs. Camargo, Helena Camargo.

Ele olhou no computador e após verificar a tela por bons segundos, me encarou:

- Não há ninguém com esse nome hospedada conosco, senhor.

- Como não? Eu sei que ela está hospedada aqui para uma convenção empresarial. Sou o marido dela. Acabei de chegar do Brasil.

O atendente me encarou por um segundo e pareceu se convencer de que eu dizia a verdade. Olhou novamente o computador e depois me pediu licença, dizendo que conversaria com seu superior. Ele foi e demorou bons minutos, voltando com um senhor de cabelos grisalhos e postura austera. Cumprimentou-me e acessou o computador, olhando dados detidamente:

- Lamento, senhor. Mas não há engano algum. Não temos nenhum senhora chamada Helena Camargo hospedada conosco.

- Não tem agora. Mas tiveram até hoje ou ontem? – Insisti.

Ele voltou a olhar para a tela e depois para mim:

- Lamento, mas não. Nunca tivemos nenhuma senhora Helena Camargo hospedada conosco.

Eu sabia que ele estava errado. Ou talvez não, afinal eu nunca viera ali para verificar se Helena estava realmente hospedada naquele hotel. Eu já não sabia mais em quem acreditar, mas uma dúvida surgiu de imediato:

- E Bronson? Há algum Mr. Bronson hospedado aqui?

- Senhor, é política do hotel não dar informações sobre nossos hóspedes.

- Por favor, sei que estou sendo inconveniente, mas é uma situação de vida ou morte. Minha esposa pode estar em perigo, senhor... – Olhei em seu crachá: - Isaac.

Ele me encarou por um instante e balançou a cabeça afirmativamente. Olhou para a tela do computador e após alguns segundos, perguntou:

- O primeiro nome?

- Do Bronson?

- Isso.

Eu não sabia, nunca soube. Aliás, nunca imaginei que seria necessário saber o primeiro nome dele:

- Não sei. Conheço ele apenas como Mr. Bronson. Ele é um cara alto, forte, usa um grande bigode...

- Lamento, senhor, mas preciso do nome completo. Atualmente, temos 3 Bronson hospedados, 2 deles casados.

- Deve ser o solteiro... – Resmunguei: - Ele é divorciado. Deve ser esse.

Mais alguns segundos de atenção à tela:

- Lamento. Ele fez o “check out” hoje de manhã.

- Mas... não pode ser. A convenção ainda não terminou...

Agradeci a ajuda dele e me despedi. Quando entrei no carro e dei a partida, uma ideia surgiu: “E se ele se cadastrou como casado, apresentando Helena como sua esposa?”. Eu estava procurando o Bronson errado!

Voltei ao hotel e pouco antes de chegar ao balcão vejo uma figura, sair de um elevador: Bronson. Dei dois passos na sua direção, mas outra ideia surgiu: se eu o confrontasse, os seguranças do hotel me colocariam para fora e eu perderia o efeito surpresa. Fingi estar lendo algo sobre o balcão e o vi passar distraidamente por mim, indo até o balcão:

- Boa noite, Mr. Bronson. – Disse um atendente.

- Por favor, minha esposa não está se sentindo bem. Vocês poderiam providenciar um jantar leve para ela? Uma sopa, seria o ideal.

- Gostaria que o médico do hotel a examinasse, senhor?

- Não acho necessário, mas um analgésico seria bom. Poderia providenciar?

- Claro, senhor. A sua suíte é a...

- Presidencial.

- É claro, senhor.

Ele deu uma meia volta e retornou pelo mesmo caminho. Aguardou brevemente o elevador, entrou e sumiu de vista.

Olhei para o atendente que preparava o pedido dele e cochichei:

- É esse o cara!

Ele me encarou rapidamente, olhou para os lados e para a tela do computador:

- Bradley Bronson.

“Bradley!? Que nomezinho mais fru-fru!”, pensei em silêncio. Pelo menos agora eu sabia 2 novas informações: o nome completo dele; e sua suíte. Olhei para o atendente que franzia a testa:

- Estranho... Tem outro!

- Outro... O quê?

- Outro Bradley... Bronson... A menos que haja um erro de digitação, também tem um Bradley Bronson II.

- Na mesma suíte?

- Não. Na 14-B. – Ele então me encarou: - Mas é tão boa quanto a presidencial, somente perdendo no quesito tamanho total.

Batuquei um instante no balcão de atendimento e olhei ao meu redor. Sozinho. Então, encarei o rapaz:

- Quem vai entregar o remédio na suíte?

- Um funcionário do hotel, senhor. Por quê?

Tirei 3 notas de € 100,00 e estiquei em sua direção:

- Nããão.

- Mas por que?

- Não posso, senhor.

- Mas o serviço vai ser realizado. Eu te garanto. Eu mesmo irei fazê-lo.

- Senhor, eu não posso!

Tirei mais 2 notas e vi seus olhos brilharem:

- Tem certeza? Pense bem... Você estará ajudando a proteger uma mulher vulnerável e ainda ganhará algo com isso.

Ele olhou para os lados. Ninguém. Entretanto, olhou para cima, chamando a minha atenção para uma câmera. Empurrou o dinheiro na minha direção:

- Lamento, senhor.

Peguei o meu dinheiro e enfiei no bolso, irado, prestes a fazer uma cena, meu intuito inicial guardado para o centro de convenções. Entretanto, o rapaz foi se posicionar no outro lado do balcão e me encarou, fazendo um sinal para eu ir até ele. Entendi de imediato: um ponto cego.

Ele esfregou o dedão com o indicador e lhe passei o dinheiro:

- Em 5 minutos, você me segue, discretamente, à distância.

Concordei e fiquei aguardando ele cuidar de seus afazeres. Decorrido o tempo, vi que ele saiu de trás do balcão e seguiu por um corredor. Fui atrás. Vi que ele entrou numa porta e fiz o mesmo. Ele escolhia um uniforme:

- Esse deve te servir. – Passou-me um e disse: - Vista-o que vou pegar uma bandeja com o remédio.

Segui sua orientação e aguardei. Em minutos ele trouxe a bandeja, o remédio e um tipo de recibo:

- Pegue o elevador de serviço e vá até o 15º andar. A suíte presidencial é a única do andar. Não sei o que você vai fazer, mas se for somente se certificar se a sua esposa está ou não lá, seja discreto, entregue o remédio e pegue a assinatura no recibo. Depois me devolva.

Fiz tudo o que ele mandou. Subi até o 15º andar me sentindo o próprio Ethan Hunt, interpretado pelo Tom Cruise. Só que, a meio caminho, uma dúvida surgiu: e depois que eu estiver lá, faço o quê? Pego a Helena pelo braço e a trago comigo? Dou uns cascudos no Mr. Bronson?

- Foda-se! – Falei para mim mesmo.

Cheguei ao andar e saí. Olhei ao meu redor e só vi uma porta de acesso, guardada por dois seguranças. Aproximei-me e me identifiquei como funcionário, trazendo um remédio solicitado pelo Mr. Bronson. Eles anuíram, dizendo que já estavam a minha espera. Abriram a porta e eu entrei.

O primeiro espaço era um amplo hall de entrada. Ninguém. Ouvi sons vindos do final de um corredor. Fui até lá, pé ante pé, discretamente, e o que vi não podia ser mais absurdo: uma verdadeira orgia! Havia 3 homens e umas 10 mulheres, pelo menos. Dos homens, 2 estavam vestidos. Meio vestidos, na verdade, pois só usavam cuecas. O outro estava nu em pelo, de pé, sendo chupado por 2 jovens mulheres, prostitutas certamente ou modelos, quem sabe.

Discretamente, analisei todas as mulheres, Helena não estava ali, o que me trouxe um certo alívio. Mas o Mr. Bronson também não estava, sinal de que ele podia estar em outro ambiente com ela, com a minha Helena.

Eu não conseguiria passar daquele ponto sem ser notado, pois a orgia ocorria no que parecia ser a sala principal da suíte presidencial. Respirei fundo e me fiz ser notado. Um dos homens meio vestido se aproximou e após eu me identificar e dizer o porquê de estar ali, se dispôs receber o medicamento. Seria o fim do meu plano. Aleguei que precisaria da assinatura do hóspede e apesar dele resmungar, aceitou chamar o Mr. Bronson.

Esse homem sumiu por um corredor e segundos depois, retornou, com ele, Mr. Bronson. Ele se aproximou de mim sem sequer olhar no meu rosto. Certamente para ele, eu fosse um simples ninguém. Pensei que meu plano daria com os burros n’água, mas mudei de ideia ao ouvi-lo dizer:

- Vou dar esse negócio para a minha cadelinha. E vocês tomem jeito: quase arrebentaram ela toda ontem. O cu dela, nem sei se vai fechar novamente. Acho que vou ter que pagar uma cirurgia para ela...

“Helena!?”, imaginei a cena e não consegui me conter mais:

- HELENA!? – Gritei, assustando a todos.

Sai correndo na direção do corredor de onde ele surgiu. Como um louco, fui abrindo todas as portas, uma por uma. Nem eram tantas assim, somente 3, mas abri todas, até encontrar uma morena praticamente desfalecida sobre a cama do último cômodo. Aproximei-me correndo, imaginando que o pior tivesse acontecido com Helena, mas quando tirei seus cabelos de sobre o rosto:

- Mas... você não é a Helena?

Não me lembro de mais nada. Só de uma pancada e tudo ficar escuro. Quando acordei, estava algemado a uma maca. Olhei ao meu redor e vi uma enfermeira que veio até onde eu estava. Ela olhou nos meus olhos e mediu meus batimentos cardíacos:

- Onde estou?

Sem resposta. Insisti:

- Pode me dizer onde estou, por favor?

- No hospital.

- E como cheguei aqui?

- Os policiais virão explicar tudo.

Assim que ela saiu, um grupo de 5 homens entrou: 3 deles uniformizados e 2 de terno. Os uniformizados ficaram próximos à porta, enquanto os demais se aproximaram de mim:

- Können Sie mich verstehen? – Disse o primeiro, o mais alto deles, em alemão.

Como não entendi nada do que ele falou, fiquei em silêncio, apenas o encarando. O outro então disse, em inglês:

- Consegue me entender?

Acenei positivamente:

- Ótimo! O senhor está preso por ter invadido uma suíte no hotel Versailles. Está ciente disso?

Eu, como advogado, sabia que havia cometido um crime, talvez mais. Mas eu não seria burro de confessar. Antes que eu pudesse pedir a assistência de um advogado, bateram à porta. Os policiais uniformizados atenderam e abriram passagem. Entraram então mais 3 homens, todos sérios, bem vestidos, de terno e gravata. Um deles anuiu com um movimento de cabeça para um dos outros:

- Vocês... todos vocês... para fora! – Disse o que aparentava ser mais velho, talvez o chefe dos policiais.

Um dos que parecia ser investigador perguntou algo em alemão, talvez o que estava acontecendo, e foi escorraçado pelo chefe. Não entendo alemão, mas sei quando alguém é escorraçado.

Ficaram apenas os 3 que entraram por último. Os dois mais jovens se aproximaram:

- Dr. Roberto Camargo?

- Sim, sou eu.

- Sou o agente Godfree e este é meu colega, agente Hans. Somos do FBI. E o senhor está preso.

OS NOMES UTILIZADOS NESTE CONTO SÃO FICTÍCIOS E OS FATOS MENCIONADOS E EVENTUAIS SEMELHANÇAS COM A VIDA REAL SÃO MERA COINCIDÊNCIA.

FICA PROIBIDA A CÓPIA, REPRODUÇÃO E/OU EXIBIÇÃO FORA DO “CASA DOS CONTOS” SEM A EXPRESSA PERMISSÃO DO AUTOR, SOB AS PENAS DA LEI.

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Foto de perfil de Mark da NandaMark da NandaContos: 336Seguidores: 711Seguindo: 28Mensagem Apenas alguém fascinado pela arte literária e apaixonado pela vida, suas possibilidades e surpresas. Liberal ou não, seja bem vindo. Comentários? Tragam! Mas o respeito deverá pautar sempre a conduta de todos, leitores, autores, comentaristas e visitantes. Forte abraço.

Comentários

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Muito obrigado Mark e também meus agradecimentos a Id@.

Agora sabemos de quem era o B da tattoo Mr Bradley Bronson.

Nem terminei de ler e já estou ansioso para o próximo.

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Retiro tudo que escrevi em defesa da Helena, inclusive profissionalmente, ela está metida até o pescoço desde sempre, não tem como não, sendo conivente ou participativa com tudo, inclusive com as surubas igual a da suite, lamentável, mas não tem salvação para a Helena, no clube não foi uma escolha durante a conversa com o marido, foi consequência por toda a sujeira que ela está envolvida, olha que é coisa pesada, envolvendo o FBI que precisa da autorização do governo do país que esteja atuando, acho que a Annie entra nesse balaio de alguma maneira como filha do Chanceler, agora a lição que fica é que o Beto é um azarado dos melhores kkkkkkkkk

Mas devo confessar que a atitude da Helena no Clube me frustou bastante, mesmo que ela não se envolva nas surubas, mesmo que ela esteja sendo chantageada profissionalmente somente, coisa que agora eu deixei de acreditar, pois claramente ela não consegue se defender de assédio como deveria, mas jamais ela poderia não falar nada após ler a mensagem, que o Beto finalmente mostrou, simplesmente fugiu covardemente, com toda certeza não queria esse tipo de atitude por parte dela, uma personagem porreta destruída, acho que só tem uma saída para a Helena, ela ser uma infiltrada emprestada ao FBI, uma verdadeira Mata Hari Tupiniquim kkkkkkkk

Mas continua muito bom demais da conta.

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ainda bem que só leio o final... o resto só morre

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Nao entendo uma pessoa entrar em uma parada desse porte e não contar com o marido, incompreensivel para minha modesta inteligência, porque por mais que ela tivesse a intenção de proteger ele, ela acabou se tornando cumplice de outras pessoas e deixando ele totalmente a deriva.

esse sentimento para um homem de verdade é pior que a propria morte.

Com o meu romantismo aflorado aqui eu torço muito para que o Mark dê um final feliz e digno ao casal.

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Se tudo se confirmar como está se anunciando, fica difícil uma reconciliação, vamos esperar, mas agora só torço para o interesse da Annie pelo Beto, ser verdadeiro, pois esse negócio da Helena ficar falando que ama o Beto é falácia, quem ama não passa tanto tempo enganando, deixa o cavalo da pessoa andar, pois sabe que o dito amor é quebrado por mentiras e enganação. Mas vamos ver.

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Puta merda Mark, que porea é essa, que loucura, haja coração cara acho que você está realmente determinado a nos matar só pode.

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A Helena daqui está tão misteriosa quanto a Helena do Zodíaco. A trama vai se revelando. Helena está trabalhando junto ao FBI. Kkkk

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Parei de trabalhar temporariamente só para ler este capítulo. Muito bom mesmo. Manteve o mistério com mais elementos. E Helena deve estar sendo muito chantageada para fazer o que fez. Mas o que será? Não dá para saber. Ou ela tem vergonha ou tem medo que algo muito grave aconteça ao Beto.

Acredito que o Beto, por um senso de justiça, deve tentar salvar Helana dessa enrascada, mas... depois disso, é papo para divórcio mesmo.

Ela poderia ter aberto o jogo com o marido e não o fez.

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Boa meu irmao Carlos

Acredito que Helena deva estar protegendo o marido e por isso nao falou nada

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Ela tá protegendo o marido e pode até ama-lo de maneira torta, pois a mentira e a enganação está enraizada nas atitudes dela, basta ver o que falou para o Beto quando leu a mensagem.

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Boa meu Irmao Sensatez

Repara que ela iria para o hotel dele e pensou e disse que nao queria mais e logo em seguida disse amá-lo, eu reparei que ela nao quer envolver o marido.

O conto esta bom e o Mark esta postando todo dia , acredito que a Helena deva estar ajudando o fbi a desmascarar os caras .

Vamos aguardar rs

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