Minha Irmã Viu Meu Nude e Agora Tudo Mudou - PARTE 6

Um conto erótico de nerdincestuoso
Categoria: Heterossexual
Contém 4179 palavras
Data: 28/01/2026 20:58:52

Valeu por todas as palavras gentis quando sei que tenho sido meio chorão/frouxo sobre tudo isso. Mas essa ATUALIZAÇÃO é ÓTIMA, eu prometo!

O relógio no meu monitor dizia 3:33 da manhã, o que parecia o tipo de piada que só o universo acharia engraçada: três horas e trinta e três minutos dentro do dia, e eu já tinha falhado em ser um ser humano normal. Deveria estar dormindo, deveria estar sonhando sobre estar despreparado pra uma reunião de trabalho ou sendo perseguido por um urso feito de pizza ou seja lá o que meu subconsciente geralmente conjurava. Em vez disso, tinha ligado o PC pra matar tempo com Reddit, MetaForge, e um zum de fundo de um podcast de Destiny 2 cujo único propósito real era fazer o silêncio menos opressivo.

Mas não conseguia parar de repetir: a Manda, se dobrando pro meu quarto, o suéter verde e aquela calça jeans nova, o jeito que o cabelo dela parecia que tinha acabado de sair de algum set de filme pra garotas bonitas que não sabiam o quão bonitas eram. O "te peguei," entregue com uma piscada, como se ela soubesse exatamente o que eu tava pensando. Como se ela tivesse engenheirado a coisa toda. Minha pele ainda formigava onde ela tinha esfregado hidratante na minha bochecha, e meu cérebro rodava o reel de destaques em câmera lenta infinita, me observando falhar em manter os olhos acima da linha do pescoço, observando ela sorrir como se fosse tudo um jogo.

Me mexi na cadeira da escrivaninha, aquela com os braços de couro falso descascando de muitas horas de streaming e auto-aversão, e scrollei com mais força. r/relationship_advice era um terreno baldio de "meu namorado disse isso, mas ele quis dizer?" e "ajuda, minha sogra é emocionalmente abusiva," e eu queria gritar com todos eles: pelo menos vocês não estão tentando decodificar se sua irmã mais nova tá fazendo uma pegadinha de um ano ou se vocês só estão perdendo a cabeça.

Qual era a jogada, mesmo? Dizer algo? Fingir que nada aconteceu? Fingir que ela não era a única coisa mantendo meu horário de sono em suporte vital? Tudo que sabia era que se não mantivesse minhas mãos ocupadas, ia espiralar, então fiz questão de organizar minha área de trabalho, limpar favoritos, qualquer coisa que arrastasse meus pensamentos pra longe do jeito que as coxas da Manda pareciam naquela calça jeans.

Às 4:18, tinha desistido de fingir. Coloquei um speedrun de Doom Eternal, peguei um energético da mini-geladeira, e deixei o brilho azul dos meus monitores queimar o resto da minha vontade de dormir. De vez em quando, olhava pro celular, esperando por uma mensagem, mas nada vinha. Me disse que isso era bom. Depois me disse que não me importava.

*Ela não vai mandar mensagem. Por que ela mandaria? Sou só o irmão idiota dela que não consegue manter a cabeça no lugar.*

Às 5:00 da manhã em ponto, saí do jogo, vesti roupas de academia, e desci as escadas. A casa tava perfeitamente silenciosa, o tipo de silêncio que te fazia hiper-consciente de cada respiração e batida cardíaca. O único som era o zum da geladeira e o gemido ocasional do sistema de aquecimento antigo.

Amarrei meus tênis, puxei um gorro surrado sobre o cabelo, e chequei o espelho. O cara me olhando de volta tinha o olhar vazio e privado de sono de alguém prestes a desmaiar, o que provavelmente era preciso. Fechei o zíper da jaqueta e apertei o botão da porta da garagem, encolhendo com o ranger mecânico ecoando pela casa.

A ida pra academia levou 10 minutos. Meu para-brisa tava coberto de orvalho, mas não me preocupei em limpar, só deixei o desembaçador explodir enquanto olhava pela pequena abertura embaixo. Estacionei embaixo de um refletor no estacionamento quase vazio e fiquei sentado por um segundo, o carro ligado. Minhas mãos agarraram o volante tão forte que os nós dos dedos doeram. Pensei em voltar, sobre só rastejar pra cama e dormir o fim de semana todo. Mas em vez disso entrei.

A academia às 5:15 da manhã era um cemitério hoje: ninguém na recepção exceto o mesmo cara velho no uniforme de zelador, fones de ouvido, acenando junto com seja lá que música de velho o fazia passar pelo turno. Um par de gêmeos bodybuilder tava fazendo levantamento terra na área de pesos livres, seus grunhidos ecoando pelas paredes de concreto. Fui direto pra fileira de esteiras, peguei a máquina menos grudenta, e comecei a correr num ritmo que mal contava como movimento.

Cada minuto era uma negociação: deveria continuar correndo, ou só desistir? Deveria mandar mensagem pra Manda? Deveria só aceitar que tava em queda livre, e nada ia se sentir normal de novo? Corri até meus pulmões queimarem, depois mudei pra bike, depois terminei com uma rodada de pranchas que fez meu core parecer que tinha sido incendiado por um time de ratos sádicos.

Tava de volta no carro às 8:00, suor congelando contra minha pele no frio da manhã.

Mandei mensagem tanto pra Manda quanto pra mãe no nosso chat de família.

eu: Academia feita. Indo na cafeteria no caminho pra casa, algum pedido?

mãe: Café com leite de baunilha, duplo. Obrigada!

manda: matcha latte se tiverem, se não café preto, nada estranho

manda: aliás, eles têm croissant de chocolate? pega o melhor

eu: entendido

A Grão Espresso já tava aberta, mas não ocupada ainda: metade das luzes ainda apagadas, as janelas com orvalho, o interior quente e úmido demais dos aquecedores zelosos. A barista de cabelo azul atrás do balcão, mãos envolvidas numa caneca maior que o rosto dela, lendo algo no celular.

Ela olhou quando entrei. "Ah, é você."

Tentei sorrir, mas saiu mais como exame dentário. "Tenho um pedido complicado hoje," disse, me arrastando até o balcão. "Americano grande, café com leite de baunilha, duplo; matcha latte, e—" apontei pro display. "O melhor croissant de chocolate que você tem."

Ela largou a caneca, guardou o celular, e começou a passar as coisas. "Sabe, você me deu ghosting." Ela disse levemente, mas os olhos dela rastrearam cada movimento que fiz.

Senti meu rosto esquentar. "É, desculpa por isso. Festas, parada de família. Você sabe como é." Mexi num pacote de açúcar. "Minha mãe gosta do café dela cedo."

Ela inclinou a cabeça. "É por isso que você sumiu? Drama familiar grande?" Ela socou o pedido na caixa registradora. As unhas dela eram curtas e pintadas de preto, descascadas nas pontas. "Nem um 'Feliz Natal' ou 'ei, não tô morto?'"

Meu cérebro tentou conjurar uma resposta que não fosse nem "Tô ocupado demais pensando nas coxas da minha irmã" nem "Sou emocionalmente atrofiado e você deveria me bloquear." Cheguei em, "Sou muito ruim com DM. Não quis dar ghosting."

Ela fez uma cara que dizia que tinha ouvido pior. "Não tô brava, só—" Ela deu de ombros, e ligou a máquina de espresso. "Você é um cara esquisito. Mas gosto do seu gosto em jogos. E... sabe. Outras coisas." Ela piscou os olhos pra mim, depois desviou, como se tivesse checando se eu pegaria a piada.

Não peguei, ou pelo menos fingi não pegar. "Valeu. Eu tento."

O chiado do vaporizador preencheu o vão. Ela pegou um croissant com a pinça, depois olhou pra cima. "Você ainda tá no Tinder?"

Dei de ombros. "Meio que. Dando um tempo."

Ela riu, baixo e arranhado. "É, eu também. É tudo catfish e caras que não sabem escrever." Ela passou a primeira bebida, depois a segunda, depois o saco de croissant, tudo com o mesmo toque praticado, quase flertante.

Teve uma pausa, depois: "Se você quiser, tipo, começar de novo? Ou só se encontrar pra um café que não seja entrega pra sua mãe?" Ela não soou desesperada, só factual.

Queria dizer sim, mas só de pensar nisso fez meu estômago revirar. "Talvez," disse, o que soou tanto como um "não" que quis me socar na cara.

Ela deu de ombros de novo, não ofendida. "Sem pressão. Se mudar de ideia, sabe onde me achar." Ela se apoiou no balcão, queixo na mão. "Manda feliz ano novo pra sua mãe."

"Vou mandar." Peguei a bandeja de bebidas, cuidadoso pra não derramar, e fui em direção à porta.

Quando saía, ela chamou. "Ei, Bruno?"

Parei, balanceei as bebidas no joelho.

Ela sorriu, mostrando os dentes. "Não se preocupa com isso. Já vi paus piores."

Quase deixei cair a bandeja.

*QUE PORRA. QUE PORRA ELA ACABOU DE DIZER.*

Do lado de fora, o vento me acertou como um tapa. Minhas orelhas tavam queimando, e não era do frio.

Coloquei as bebidas nos porta-copos e tentei respirar, mas a única coisa que conseguia pensar era como, mesmo quando apresentado com a possibilidade de uma interação normal com uma pessoa normal, não conseguia reunir nem o pulso mais fraco de interesse.

A única coisa que queria era chegar em casa, beber café, e descobrir que diabos tava acontecendo com minha irmã.

Acelerei pelas ruas vazias, nem ligando quando passei num sinal amarelo.

Quando cheguei na garagem, o saco de croissant tinha colapsado sob o calor dos lattes, e o carro todo cheirava a massa.

Consegui passar pela porta da frente balanceando as três bebidas e o saco de croissant num antebraço e digitando o código de segurança com o cotovelo, um truque que tinha aperfeiçoado desde o colegial. As luzes da cozinha tavam acesas, jogando grandes sombras geométricas contra a geladeira. A mãe tava no fogão, ainda em calça de pijama e um roupão grande e felpudo. Ela tinha duas panelas indo—batata hash numa, ovos e linguiças na outra—e tava se embaralhando entre elas num ritmo que reconheci como "tô estressada, mas tentando não mostrar."

Ela me viu e sorriu. "Ah, uau, você realmente sobreviveu à academia? E lembrou do café?"

Coloquei a bandeja na ilha e deslizei o café com leite de baunilha pra ela. "Até peguei o croissant pra Manda. Sou simplesmente incrível."

"Não vai longe demais," a mãe disse, pescando as batatas hash com uma espátula. "Você ainda tem dever de louça hoje à noite."

Abri a tampa da minha própria xícara e tomei um gole escaldante. A cafeína não tanto bateu na minha corrente sanguínea quanto detonou dentro do meu cérebro. "Sem problema."

A mãe empratou as batatas hash, depois se inclinou e abaixou a voz. "Então. Você e a Manda tão bem? Vocês dois têm estado esquisitos essa semana."

Não tava preparado pra isso. "Como assim?"

Ela deu de ombros. "Não sei, vocês só parecem... estranhos. Vocês dois. Achei que talvez tivessem brigado."

"Não brigamos," menti, e tentei parecer ocupado abrindo o saco de croissant.

A mãe não insistiu. "Bem, tenta ser legal hoje, tá? Ela tá realmente esperando por esse fim de semana."

Acenei, lutando contra o impulso de perguntar o que, exatamente, a Manda tava esperando.

Bem na deixa, a Manda entrou arrastando os pés do corredor, envolvida num roupão roxo enorme, cabelo espetado em todas as direções. Ela parecia uma líder de culto se líderes de culto também pudessem ser adoráveis. Ela olhou a comida, depois as bebidas, depois pra mim.

"Você pegou meu matcha?" ela perguntou.

Deslizei a xícara pra ela, depois segurei o croissant. "E o melhor croissant de chocolate, como requisitado."

Ela deu uma saudação pequena. "Muito obrigada, nerd."

A mãe terminou de empratar os ovos e linguiças, e sentamos na ilha, nós três nos nossos lugares familiares: a mãe na cabeceira, eu na esquerda, a Manda na direita. Era como cada sábado de manhã pelos últimos oito anos, exceto que dessa vez eu tava hiper-consciente de cada movimento, cada olhada.

A Manda rasgou o croissant, inalou metade em duas mordidas, e então começou a separar suas batatas hash em filas pequenas perfeitas, como se tivesse se preparando pra um teste de sabor. "Então qual o plano pro dia?" ela perguntou, sem olhar pra cima.

A mãe espetou uma linguiça no prato. "Pensei que podíamos ver aquele filme que você tava falando—qual era? Ainda Estou Aqui?"

A Manda riu. "É esse mesmo. Mas sim, é aquele. Dizem que é muito bom."

Observei as duas conversarem e senti uma pontada estranha—talvez nostalgia, talvez alívio de que ainda podíamos fazer isso, ser uma família, mesmo com toda a estática zumbindo entre meus ouvidos. "Que horas é a sessão?" perguntei.

A mãe checou o celular. "Primeira matinê é às 11:15. Podemos sair em duas horas. Bom?"

A Manda acenou, depois tomou um gole do matcha. "Eu pego o banho primeiro."

Observei a Manda terminar a comida, depois desaparecer de volta pelo corredor, provavelmente pra passar quarenta minutos no banheiro ligando a água quente o suficiente pra descascar tinta.

Depois que ela foi, a mãe limpou os pratos do jeito eficiente, sem-movimento-desperdiçado dela. Tive a sensação de que ela queria dizer mais, mas deixou pra lá. Talvez tivesse desistido de conseguir respostas de qualquer um de nós.

Fiquei sentado na ilha um tempo mais, tomando meu café e encarando o nada. Quando finalmente ouvi a porta do banheiro abrir, corri escada acima pra pegar um banho antes da água quente acabar. Tava exatamente cinco segundos atrasado. A água começou morna, mas quando terminei de passar shampoo, era uma cachoeira glacial completa, o tipo que faz seus mamilos recuarem pra sua caixa torácica e suas bolas considerarem desistir inteiramente.

*Ela fez de propósito. TEM que ter feito.*

Mas o frio fez o que devia. Limpou a névoa na minha cabeça, pelo menos por agora, e quando saí e me sequei, realmente me senti um pouco menos assombrado.

Vesti jeans e uma camiseta de show desbotada, depois mandei mensagem pra Manda:

eu: vc roubou toda a água quente?

manda: dormiu no ponto

manda: percebeu que também entupiu o ralo com meu cabelo, desculpa

eu: isso é um crime de guerra, sim eu limpei

Sorri. Pela primeira vez em dias, realmente queria sair. Mesmo que fosse só um filme, mesmo que fosse só uma chance de assistir minha irmã comer um balde inteiro de pipoca sozinha.

Me senti pronto. Pra quê, não tinha certeza. Mas tava pronto.

Saímos de casa uns bons trinta minutos antes do horário do filme, porque a mãe era uma madrugadora patológica que considerava "na hora" uma falha pessoal. A ida pro multiplex foi dez minutos de caos mal contido: a Manda comandou o Bluetooth e tocou uma playlist emo de 2007, que a mãe fingiu odiar mas secretamente cantarolou junto. Eu só dirigi, tomando os restos do meu café e tentando não pensar em quão perto tinha chegado de dizer sim pra barista.

O estacionamento tava meio vazio, os únicos outros carros agrupados perto da entrada. Dentro, o saguão era uma explosão de neon e o cheiro de fermento químico de manteiga artificial, e as únicas pessoas na fila eram dois pais de meia-idade em moletons de futebol e um bando de crianças da quinta série já empolgadas com Slurpees. A mãe foi direto pro balcão de concessões, me arrastando e a Manda na esteira dela.

Ficamos no balcão enquanto um cara adolescente entediado com bigode esfarrapado esperava a gente pedir. A mãe foi primeiro: "Três refris médios, uma pipoca pequena, e uma pipoca grande."

A Manda cortou, levantando um dedo. "Na verdade, dá pra fazer a pipoca grande pela metade, depois colocar manteiga e sal extras, e depois encher o resto e colocar ainda mais manteiga em cima?" Ela disse com a gravidade de uma cirurgiã fazendo um pedido na sala de cirurgia.

O cara piscou. "Ah, claro. Mais alguma coisa?"

Ela segurou um saquinho do pó de cheddar esquisito que vendiam no balcão. "E dá pra colocar tipo metade disso no meio? Não em cima. Vou fazer o resto eu mesma."

O cara olhou pra mãe pra confirmação, que só deu de ombros, e então começou a montar a pipoca mais customizada da história dos cinemas.

Quando tava pronto, a Manda abraçou o balde como um recém-nascido. "Perfeição," ela disse, inalando profundamente. "Tem que fazer assim ou o sabor fica todo errado."

Peguei os refris e a pipoca da mãe, e fomos pro caminho pra Sala 8, "Ainda Estou Aqui" em letras grandes na porta. As luzes tavam fracas, e o lugar tava quase vazio—talvez meia dúzia de outras pessoas, espalhadas em pares e trios, todos segurando lanches e celulares.

Achamos nossos assentos: Fileira E, bem no meio, comigo sanduichado entre a mãe e a Manda. A Manda imediatamente colocou o balde de pipoca no apoio de braço entre nós, depois jogou o moletom sobre o colo como um cobertor improvisado.

Os trailers eram infinitos. Comerciais de carro, anúncios de seguro, depois um PSA de cinco minutos de "Silencie Seu Telefone" que fez a mãe sorrir e a Manda revirar os olhos. O filme começou quinze minutos atrasado.

Pela primeira parte do filme, a Manda monopolizou a pipoca com as duas mãos, enfiando bocados e ocasionalmente lambendo os dedos com precisão deliberada e lenta. Sempre que tentava pegar um pouco, ela angulava o balde pra longe ou batia na minha mão. "Espera sua vez," ela sussurrou.

A mãe assistiu a tela com o olhar vidrado, meio-interessado de alguém que já tava mentalmente revisando a lista de compras. Eu observei a Manda. Não conseguia não observá-la: o jeito que ela mexia no assento, o ritmo dos lanches, as risadinhas pequenas nas piadas mais bobas do filme.

Cerca de um terço do filme, ela finalmente cedeu e me deixou pegar a pipoca. Coloquei o balde no meu colo, e por alguns minutos alcançamos de lados opostos, cuidadosos pra não tocar.

Mas então, numa das cenas mais lentas, a Manda se inclinou e sussurrou, "Essa parte é boa—olha as mãos dele."

Na tela, o personagem tava... Manda alcançou pipoca ao mesmo tempo, a mão dela roçando a minha, e em vez de se encolher, ela deixou ali, palma quente contra meu pulso.

Não me movi. Ela não se moveu. Nós dois só encaramos a tela, fingindo que foi um acidente.

*Isso não é acidente. Não pode ser. O que eu faço? QUE EU FAÇO?*

Alguns segundos depois, ela pegou o balde de volta. Dessa vez, quando alcancei, ela girou de modo que minha mão pousou diretamente na coxa dela, logo acima do joelho. Congelei, mas ela casualmente colocou a própria mão em cima da minha, ancorando no lugar.

Meu coração bateu tão alto que tinha certeza que a mãe ia ouvir. Mas a mãe tava dois assentos de distância da Manda, perdida no enredo ou nos pensamentos ou ambos.

A Manda deu um apertão pequeno na minha mão. Ela manteve ali enquanto continuava comendo pipoca, o balde balanceado no apoio de braço como um escudo. Depois de um tempo, ela começou a mover minha mão, guiando pra cima e pra baixo na coxa dela, às vezes tão perto da bainha dos shorts que as pontas dos meus dedos roçavam pele nua.

Pensei em puxar pra trás, mas não puxei. Só fiquei ali, deixando ela liderar, deixando ela fazer o que quisesse.

Em um momento, ela mexeu no assento e pressionou minha mão entre as pernas dela, prendendo ali. Esperava que ela risse, fizesse uma piada, mas ela só olhou pra mim, o rosto ilegível no piscar da tela, e acenou como se tivesse dando permissão.

Deixei minha mão ali pelo resto do filme. Ela nunca soltou.

*Isso tá acontecendo. Isso tá REALMENTE acontecendo. Meu Deus.*

Quando as luzes acenderam e os créditos rolaram, a Manda levantou e se espreguiçou, puxando o moletom pra baixo sobre os quadris. "Foi bem melhor do que eu esperava," ela anunciou pra ninguém em particular.

A mãe juntou a bolsa e o copo vazio. "Vocês dois são animais," ela disse, olhando o balde de pipoca dizimado.

A Manda sorriu. "Não é minha culpa, o Bruno comeu a maior parte."

Segui elas pra fora, pernas bambas, mente acelerada. No estacionamento, a Manda me deu um soco no braço, forte o suficiente pra doer. "Você tá bem?" ela perguntou.

Acenei, não confiando em mim mesmo pra falar.

No caminho pra casa, ninguém falou. A Manda encarou pela janela, mexendo no celular numa mão, a outra fechada no bolso do moletom. A mãe cantarolou junto com o que quer que tivesse tocando no rádio. Mantive as duas mãos no volante, nós dos dedos brancos, tentando repetir cada segundo das últimas duas horas.

De volta na cozinha, a Manda jogou o balde de pipoca vazio no lixo e anunciou, "Vou tirar um cochilo antes do jantar." Ela desapareceu escada acima, dois degraus de cada vez.

A mãe pendurou a jaqueta numa cadeira, depois virou pra mim. "Viu? Não foi divertido?"

Acenei, porque era mais fácil que explicar toda a bagunça na minha cabeça.

Fui pro meu quarto e fechei a porta, e por um longo tempo só fiquei ali parado, sem saber se deveria me sentir orgulhoso, assustado, ou só exausto.

Tudo que sabia era que algo tinha mudado, e não tinha volta.

O jantar foi uma reflexão tardia preguiçosa, a mãe enfiando a cabeça no meu quarto lá pelas seis e perguntando se tapioca tava "de boa, ou a gente quer pedir iFood?" Conseguia ouvir a Manda no corredor, então gritei "Tapioca tá perfeita," e a mãe brilhou, como se eu tivesse acabado de concordar em sediar as Negociações de Paz.

Ela montou elas com a eficiência de alguém que tinha feito mil antes: massa de tapioca, queijo, calabresa, mais queijo, frigideira quente, virar, cortar, pronto. Ela colocou num prato grande, adicionou uma tigela de molho de pimenta, e nos chamou pra sala. Comemos no sofá, assistindo algum drama policial nacional médio com sotaques tão fortes que perdi metade do diálogo.

A Manda pegou o lugar do meio, pernas cruzadas embaixo dela, mangas do moletom pendendo sobre as mãos. Ela devorou três tapiocas em cinco minutos, nunca olhando pra mim uma vez. Queria dizer algo—qualquer coisa—pra quebrar a tensão, mas era como se toda nossa comunicação secreta tivesse sido eliminada pelas luzes LED de emergência do cinema.

Assistimos dois episódios completos antes da mãe anunciar que tava "batendo numa parede." Ela enxaguou o prato, deixou o resto na pia, e abraçou a Manda boa noite. Quando virou pra mim, ela bagunçou meu cabelo. "Obrigada por ser um bom esporte hoje," ela disse.

Uma vez que ela tinha ido, esperei a Manda dizer algo, mas ela só se enrolou mais fundo no sofá, pernas encolhidas, celular nas duas mãos. Sentamos em silêncio, só o zum dos créditos e o baque distante da porta do quarto da mãe fechando.

Depois de um tempo, disse, "Manda. O que tá acontecendo com a gente?"

Ela não olhou pra cima. "Nada tá acontecendo. Você tá pensando demais."

Ri, mas foi oco. "Não tô pensando demais. Você pegou minha mão no cinema. Você fez todas essas paradas—"

"Bruno." Ela olhou pra cima, olhos frios e afiados. "Só. Deixa pra lá."

Tentei segurar o olhar dela, mas ela me derrotou, como sempre. Ela levantou, bocejou, e foi pras escadas. "Boa noite."

Esperei alguns minutos antes de seguir. Meu quarto tava escuro, frio, e a cama parecia tanto grande demais quanto pequena demais ao mesmo tempo. Me joguei nela, encarei o teto, e me perguntei se realmente tinha algo errado comigo.

Coloquei uma playlist, alguma merda indie triste que não ouvia há anos, e deixei preencher o silêncio. Cada música parecia ser sobre perda ou desejo ou não saber como dizer o que você queria dizer.

Devo ter apagado por uma hora. Não ouvi a porta do banheiro até ela clicar fechada, ou os passos suaves no carpete depois.

A Manda não bateu. Ela só apareceu na beira da minha cama, moletom oversized e um par de shorts de pijama azul marinho, pés descalços pálidos contra o carpete cinza. Ela olhou pra mim, depois pro espaço ao meu lado.

"Dá um espaço," ela disse, voz baixa.

Dei. Ela deslizou pra baixo das cobertas, se enrolando de lado então ficamos de frente um pro outro, joelhos quase tocando.

Por um minuto, só ficamos ali, o ar pesado com coisas não ditas. Depois ela estendeu a mão, enfiou uma mecha do meu cabelo atrás da orelha, e pressionou a testa dela na minha.

"Não faz perguntas hoje à noite," ela sussurrou. "Só fica aqui."

Acenei, não confiando em mim mesmo pra falar.

Ela fechou os olhos e se aproximou mais, os braços dela envolvendo minha cintura, a respiração dela suave e constante contra meu pescoço. Segurei ela de volta, uma mão traçando a linha da coluna dela embaixo do tecido, a outra enterrada no cabelo dela.

Não conversamos. Só respiramos, juntos, até a música acabar e o único som ser o zum do ventilador e o zum baixo das luzes da rua do lado de fora.

Em algum lugar no escuro, a Manda beijou minha testa. "Você é meu favorito, um nerd total, mas favorito," ela disse, e foi a coisa mais honesta que ouvi o dia todo.

Segurei ela mais forte, e me deixei dormir antes das perguntas alcançarem.

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