FORA DO ESQUE [11] ~ MOTEL COM LUCAS E FELIPE

Da série FORA DO ESTOQUE
Um conto erótico de Rodrigo
Categoria: Gay
Contém 1462 palavras
Data: 28/01/2026 20:42:12

Autossabotagem é uma coisa complicada, não é algo que você escolhe conscientemente. Não é uma decisão racional que você toma de manhã e pensa: "Hoje vou me fuder." É mais sutil. É mais perverso, é aquela voz interna que te convence de que você merece sofrer. Que você não é digno de coisa boa. Que o único amor que você vai receber é aquele que você paga. E Lucas Gabriel era meu gatilho.

Gatilho de compulsão. Gatilho de rejeição. Gatilho de autodestruição. Eu estava fissurado nele. Obcecado. Com um hiperfoco doentio que consumia cada pensamento, cada respiração, cada segundo do meu dia. E quando a gente é rejeitado, parece que a gente gosta mais. É um paradoxo cruel: quanto menos alguém te quer, mais você quer essa pessoa. Quanto mais ela te ignora, mais você persegue. Quanto mais ela te humilha, mais você se submete. Porque, no fundo, você acha que não merece melhor. Você acha que aquilo é o máximo que você pode ter. E você se contenta com migalhas.

No dia seguinte à festa da Billy, acordei com o peso na consciência. O que eu tinha feito era patético. Abordar o Lucas daquele jeito. Bêbado. Desesperado. Oferecendo dinheiro como se ele fosse mercadoria. Eu tinha me humilhado, e pior: tinha sido rejeitado. Mas não tinha mais nada a ser feito. O que passou, passou, então procurei alívio onde sempre procurava: na comida e na fantasia. Depois de comer desesperadamente, cheguei em casa e abri o notebook, assisti vídeos, li contos, toquei uma punheta. Gozei. Me senti vazio e então dormi.

Algumas semanas se passaram, tentei entrar nos trilhos novamente. Foquei no trabalho. Nos treinos com o Lucas Maia, eu estava emagrecendo. Devagar. Mas estava.

Cinco quilos a menos. Roupas mais folgadas. Rosto menos inchado, Lucas Maia comemorava cada pequena vitória. E aquilo me dava um pouco de esperança.

Um pouco, porque no fundo, eu sabia que mudar o corpo não mudava a mente. E a minha mente continuava doente.

Falei com meu amigo sobre o emprego para o Bernardo, ele tinha uma vaga de assistente administrativo numa empresa pequena. Salário básico, mas honesto.

— Quando ele pode começar? — meu amigo perguntou.

— Daqui umas duas semanas. Ele tá se mudando pra cá.

— Beleza. Manda ele vir aqui pra gente conversar.

— Valeu, cara. Sério.

Desliguei o telefone e fiquei pensando, Bernardo ia morar comigo, isso seria... complicado.

Porque eu ainda sentia aquela atração errada. Aquele desejo proibido, mas também estava animado. Porque talvez ter alguém em casa tirasse um pouco da solidão, talvez.

Lucas Gabriel trocava alguns olhares comigo no supermercado, nada óbvio. Nada explícito. Mas eu percebia, aquele olhar de quem sabe. De quem tem poder, e eu? Eu desviava. Com vergonha. Com culpa. Porque depois da minha atitude patética no aniversário da Billy, eu me sentia ridículo. Eu era o chefe. Eu deveria ter controle. Autoridade. Respeito.

Mas na prática? Eu era um homem de quase quarenta anos, gordo, sozinho, obcecado por um funcionário de dezenove anos que mal me olhava, eu era patético.

Até que numa tarde, ele me abordou, eu estava no corredor de bebidas conferindo estoque. Sozinho, Lucas apareceu. Encostou na prateleira. Aquele jeito casual. Confiante.

— E aí, chefe — ele disse.

— Oi, Lucas.

— A fim de algo hoje?

Meu coração acelerou.

— Como assim?

— Tipo... um programa. Eu e o Felipe. Trezentos pra cada. Você topa?

Engoli seco, trezentos pra cada. Seiscentos reais no total, era mais do que eu deveria gastar. Mais do que era sensato, mas eu não pensei duas vezes.

— Topo — eu disse.

— Beleza. No fim do expediente. Te mando mensagem com o local.

E ele saiu, deixando-me ali, parado, com o pau duro e a consciência gritando: Você é um idiota. Mas eu não liguei, porque Lucas Gabriel tinha um poder sobre mim. Um poder que ele sabia que tinha. E sabia usar. E eu? Eu era fraco. Covarde. Patético. Por aceitar isso. Por querer isso. Por pagar por isso. Mas a verdade é que eu preferia ser usado por ele do que ser ignorado. Preferia pagar por migalhas de atenção do que não ter nada. E isso dizia muito sobre o estado da minha vida.

20h, eu estava no posto de gasolina próximo ao supermercado. Conforme combinado. Coração acelerado. Mãos suando. Boca seca. Alguns minutos depois, lá vinham eles. Lucas Gabriel e Felipe. Ainda de farda do supermercado. Aquele jeito de malandro. Aquele andar confiante. Lucas sorriu. Felipe também, abri a porta do carro. Eles entraram. Lucas no banco da frente. Felipe atrás.

— E aí, chefe — Lucas disse, colocando a mão na minha coxa.

Meu corpo inteiro tremeu.

— E aí — respondi, voz fraca.

— Vamos naquele motel ali perto? — Felipe sugeriu.

— Vamos.

Dirigi em silêncio. Tentando controlar a respiração. Tentando não parecer tão desesperado quanto eu estava. Mas eles sabiam. Eles sempre sabiam. O motel era discreto. Barato. Funcional. Paguei. Peguei a chave. Fomos pro quarto. Quarto simples. Cama de casal. Espelho no teto. Cheiro de desinfetante.

— Vocês querem tomar banho? Beber alguma coisa? — perguntei, nervoso.

— Relaxa, chefe — Felipe disse, se aproximando.

E então ele me beijou, língua quente. Mãos firmes. Confiança absoluta. Começou a tirar minha roupa. Camisa. Calça. Cueca. Lucas também se aproximou. Me tocou. Alisou meu peito. Minha barriga. Mas não me beijou. Ele beijou o Felipe. E eu fiquei ali. Pelado. Assistindo, os dois se beijarem. Com vontade. Com química. Com algo que ia além do trabalho. E aquilo me excitou mais do que qualquer toque. Felipe se afastou de Lucas. Olhou pra mim.

— Quer participar? — ele perguntou.

— Não — eu disse, voz rouca. — Continua. Eu quero assistir.

Felipe sorriu. Olhou pra Lucas.

— O chefe quer ver o show.

— Então vamos dar o show — Lucas respondeu, tirando a própria roupa.

Corpo jovem. Pele jambo. Abdômen definido. Pau grande, já meio duro.

Felipe se ajoelhou. Pegou o pau de Lucas na mão, e começou a chupar, devagar. Profundo. Molhado. Lucas gemeu. Colocou a mão na cabeça de Felipe. Guiando o ritmo. E me olhou.

Aquele olhar de quem sabe. De quem tem controle. De quem é dono. Dono de mim. Dono da situação. Dono de tudo, senti meu pau latejar, toquei. Devagar. Enquanto assistia.

Felipe tirou a boca. Se levantou. Tirou a própria roupa, os dois pelados. Jovens. Bonitos. Vivos. E eu? Eu era só o espectador. O voyeur. O homem gordo de quarenta anos pagando pra assistir algo que ele nunca teria de verdade. Eles se beijaram de novo. Com mais intensidade. Mãos explorando corpos. Felipe virou Lucas de costas. Empurrou ele na cama.

Lucas ficou de quatro. Bunda empinada, Felipe cuspiu na mão. Passou no próprio pau. Depois na entrada de Lucas, E entrou, sem capa, devagar no começo. Depois mais forte.

Lucas gemeu. Alto. Sem fingimento. E eu? Eu estava sentado na cadeira do canto. Pelado. Batendo punheta. Assistindo, porque mesmo estando ali — mesmo tendo pago, mesmo tendo direito de participar — eu preferia a fantasia.

Preferia assistir. Preferia imaginar que aquilo era real. Que eles realmente se desejavam. Que eu era invisível, porque na fantasia, eu podia fingir que não era patético. Na fantasia, eu podia fingir que aquilo não era transação. Na fantasia, eu era só... alguém assistindo algo lindo acontecer.

Felipe acelerou o ritmo. Lucas gemeu mais alto, e então Felipe gozou. Gritando. Apertando a cintura de Lucas, depois tirou seu pau, e o cú do Lucas Gabriel chorava a porra que acabara de entrar. Os dois ficaram deitados. Suados. Ofegantes. E então Lucas olhou pra mim.

— Vem cá — ele disse.

Levantei. Fui até a cama.

Lucas pegou minha mão. Colocou no próprio peito.

— Toca — ele ordenou.

Obedeci.

Toquei o peito dele. O abdômen. O pau ainda meio duro. Ele pegou meu pau. Começou a masturbar. Devagar. Firme. Olhando nos meus olhos.

— Goza pra mim — ele disse.

E eu gozei, rápido. Intenso. Libertador, esperma na mão dele. Vergonha em mim. Lucas limpou a mão no lençol. Se levantou.

— Beleza, chefe. Foi massa — ele disse, vestindo a cueca.

Felipe também se vestiu.

Peguei minha carteira. Tirei seiscentos reais. Entreguei.

— Valeu — Lucas disse, guardando o dinheiro.

E eles saíram, me deixaram ali. Sozinho. Pelado. Vazio.

Tomei banho. Me vesti. Paguei a conta, e dirigi pra casa em silêncio, e pensei: O que eu sou? Um homem que paga seiscentos reais pra assistir dois garotos transarem enquanto ele bate punheta no canto? Um homem que prefere a fantasia mesmo quando tem o real na sua frente? Um homem tão quebrado, tão destruído, tão sem autoestima que nem consegue mais participar da própria vida? Sim. Eu era tudo isso. E pior: eu não sabia como parar. Porque a fantasia era mais segura. A fantasia não te julgava. A fantasia não te rejeitava. A fantasia te deixava ser pequeno. Invisível. Inexistente. E talvez fosse isso que eu sempre quis ser, um completo nada.

Siga a Casa dos Contos no Instagram!

Este conto recebeu 6 estrelas.
Incentive Contosdolukas a escrever mais dando estrelas.
Cadastre-se gratuitamente ou faça login para prestigiar e incentivar o autor dando estrelas.
Foto de perfil de ContosdolukasContosdolukasContos: 446Seguidores: 134Seguindo: 48Mensagem Jovem escritor! Meu email para contato ou trocar alguma ideia (contosdelukas@gmail.com)

Comentários

Foto de perfil genérica

Muito bom, como sempre… mais um conto excitante e com muito a dizer

0 0