30 Dias (Dias 28. 29 e 30)

Da série 30 Dias
Um conto erótico de R. Valentim
Categoria: Gay
Contém 6149 palavras
Data: 27/01/2026 13:03:47
Assuntos: Anal, Gay, Namoro, Oral, Sexo

Dia 28

Acordamos meio tarde. O sono estava tão profundo, tão pesado e confortável, que nenhum de nós teve forças para lutar contra ele. A noite tinha sido intensa, não apenas pelo cansaço, mas pela forma como havíamos nos entregado um ao outro, como se cada toque carregasse uma despedida silenciosa.

Quando finalmente abri os olhos, senti primeiro o cheiro. Um aroma quente de café recém-passado misturado com pão na chapa e algo doce que não consegui identificar de imediato. Sorri sozinho na cama. Alisson já estava de pé.

Rolei para o lado e fiquei alguns segundos observando o quarto ainda meio escuro, o ar-condicionado sussurrando baixo, os lençóis revirados que guardavam vestígios da nossa noite. Estiquei o braço, tateando o espaço ao meu lado, vazio. Suspirei e me levantei.

Encontrei Alisson na cozinha, de camiseta larga e bermuda, o cabelo ainda bagunçado de sono. Ele parecia estranhamente doméstico ali, mexendo em panelas, concentrado em não queimar nada.

— Bom dia, chef — falei, apoiando no batente da porta.

Ele virou-se com um sorriso imediato, daqueles que fazem o peito apertar.

— Bom dia, dorminhoco. Achei que você ia dormir até o almoço.

— Com esse cheiro? Impossível.

Ele riu e voltou para o fogão. Aproveitei para ir ao banheiro, tomar um banho rápido, escovar os dentes e tentar acordar de vez. Enquanto a água quente caía sobre mim, pensei no dia anterior, na praia, no corpo dele dentro do meu, na sensação de pertencimento que só com ele eu sentia.

Quando voltei para o quarto, vesti uma bermuda leve e fiquei esperando ele terminar de se arrumar. Peguei o celular quase por reflexo.

A primeira notificação era de Rayssa.

“Se prepara, viu. Em casa a batalha vai ser intensa. Sua mãe ainda tá muito puta e a Rayanne não para de colocar pilha.”

Li duas vezes, sentindo um peso se instalar no estômago.

Rayanne. Minha própria irmã.

Suspirei fundo.

Nem nos meus piores cenários eu tinha imaginado que ela fosse se revelar tão homofóbica. Sempre acreditei que, entre todos, ela seria a mais compreensiva. Ledo engano.

Guardei o celular sem responder. Não queria estragar aquele último dia com preocupações que ainda estavam a quilômetros de distância.

Depois do café, arrumamos nossas poucas coisas. Íamos embora mais cedo do que eu gostaria, mas Alisson ainda tinha trabalhos para terminar e não queria chegar em casa exausto. A ideia de ficar mais um dia na praia era tentadora, porém sabíamos que, se forçássemos, acabaríamos estressados.

Ele me entregou a chave da moto.

— Quer pilotar até a saída da cidade?

Meus olhos brilharam.

— Tá falando sério?

— Uhum. Mas só até ali. Depois eu assumo, pode ter fiscalização.

Subi na moto com um sorriso que não cabia no rosto. Sentia-me orgulhoso, como uma criança aprendendo algo novo e sendo finalmente autorizada a mostrar que consegue.

A estrada estava tranquila, o vento batendo no rosto, o corpo dele logo atrás do meu, as mãos firmes na minha cintura me guiando em silêncio. Aquela sensação de liberdade misturada com confiança era nova, intensa.

Na saída da cidade ele tomou o controle novamente. Seguimos viagem quase em silêncio, apenas com música baixa no intercomunicador e o barulho constante da estrada.

Chegamos quase duas horas depois.

Tomamos outro banho juntos, sem pressa, só para prolongar o contato. Beijei sua nuca, suas costas, provoquei de leve, mas sem ir longe demais — sabíamos que, se começássemos, dificilmente pararíamos.

Depois ele foi para o computador trabalhar, e eu me deitei para cochilar.

Dormir à tarde virou um hábito nosso.

Acordei com um cheiro maravilhoso invadindo o quarto. O relógio marcava quase quatro da tarde. Levantei ainda meio grogue e segui o aroma até a cozinha.

Alisson tinha comprado algumas coisas para o café da tarde. Havia bolo simples, pão, frutas cortadas e uma garrafa térmica com café recém-passado.

— Era surpresa… — ele reclamou rindo quando me viu.

— Desculpa, mas eu não resisti.

Sentei ao lado dele e começamos a comer juntos. Notei que ele parecia mais leve, os ombros menos tensos, o olhar mais tranquilo.

— Tá sorrindo diferente hoje — comentei.

Ele respirou fundo, como quem finalmente tinha boas notícias.

— As coisas estão começando a se ajeitar. Descobri que ainda dava para pegar trinta por cento de reembolso da viagem. Tinha uma cláusula que eu nunca tinha lido. E o cerimonialista respondeu… a dona do buffet conseguiu outro evento para a data e resolveu devolver o valor.

— Sério? Que coisa boa.

— No fim das contas, meu prejuízo foi bem menor do que eu imaginava.

Sorri genuinamente feliz por ele.

— Fico aliviado. Você já sofreu demais com tudo isso.

Ele ficou em silêncio por alguns segundos.

— Foi melhor assim. Eu realmente não queria me casar… e se tivesse seguido adiante, o divórcio teria sido muito mais doloroso.

— E ela… com seu irmão? — perguntei com cuidado.

— Aparentemente sim. Mas quer saber? Eles se merecem. Espero que se casem e sejam felizes… longe de mim.

Beijei sua boca devagar, admirando aquela maturidade que eu ainda estava aprendendo a ter.

— Você pensa em perdoar o Anderson algum dia? — arrisquei.

Ele desviou o olhar.

— Queria… mas não consigo. Toda vez que penso nisso, me sinto traído de novo. Eles me enganaram. Se já se gostavam antes, por que não foram honestos comigo? Me fizeram de idiota.

— Você nunca desconfiou?

— Nunca. Acho que eu estava acomodado, cego pelo que tinha. Entendo até o lado dela… mas o Anderson é meu irmão. Isso eu nunca vou conseguir aceitar.

Ele voltou para o computador, e eu fui procurar algo para assistir.

Coloquei alguns episódios de Tensei Shitara Slime Datta Ken no celular, tentando me distrair. Foi quando chegou a mensagem da Mônica.

Ela me chamava para comer pastel à noite em um lugar novo da cidade. Mandou fotos, localização, tudo empolgada.

Fiquei tentado. Resolvi falar com Alisson antes.

— Amor, a Mônica está me chamando para jantar pastel num lugar novo.

— Que bom — ele respondeu sem tirar os olhos da tela. — Vai ser ótimo você sair um pouco antes de ir embora.

— Você não se importa?

Ele finalmente olhou para mim, sorrindo.

— De forma alguma, Renan. Por mais que eu adore te ter só para mim, é bom você aproveitar.

Sentei no colo dele e o beijei.

— Já falei que te amo hoje?

— Não o suficiente.

— Posso ir de moto?

— Claro. Não tem fiscalização aqui dentro, e todo mundo conhece minha moto.

Meu coração quase saiu pela boca.

Combinei tudo com a Mônica, me arrumei e fui buscar ela.

As vizinhas já cochichavam quando parei em frente à casa dela. Mônica subiu na moto rindo e se agarrou em mim só para provocar.

Chegamos ao lugar, lindo, moderno, todo iluminado.

Ela me fez tirar dezenas de fotos.

— Sou uma gótica feliz prestes a comer um pastel de quarenta e cinco centímetros.

Rimos.

Foi então que soltei:

— Anderson está junto com a Carolina agora.

Ela quase engasgou.

— Amigo… eu estou passada.

E como se o universo quisesse confirmar o caos, os dois entraram na pastelaria naquele exato momento.

Senti o estômago gelar.

Eles nos viram.

Sentaram em outra mesa.

— Eles acham que o Alisson está aqui — Mônica cochichou rindo. — Por isso estão bancando o casal feliz.

Meu celular tocou.

Era ele.

— Amor… a Carolina mandou uma foto sua aqui e me chamou de corno.

— Sério isso? — suspirei. — Ela acha mesmo que eu te trairia assim?

— Esse povo perdeu completamente o senso.

Conversamos, rimos, ele ficou tranquilo.

Mônica fez questão de provocar mais ainda, tirando fotos, rindo alto.

Pagamos a conta e saímos.

Anderson quase engasgou quando me viu subir na moto do Alisson e entregar o capacete para ela.

Deixei Mônica em casa e voltei.

Contei tudo ao Alisson, que riu como não ria há dias.

— Pelo menos serviu de entretenimento.

Ele adorou o pastel, agradeceu com um beijo demorado e voltou ao trabalho.

Fiquei com ele até o sono vencer.

Por volta das duas e meia da manhã, senti ele deitar atrás de mim, me abraçar pela cintura e beijar meu pescoço.

Sorri dormindo.

Assim terminou meu vigésimo oitavo dia.

E atualizei mentalmente minha lista de coisas que nunca fiz na vida:

Andar de moto sozinho.

E, talvez mais importante ainda:

Sentir que finalmente pertenço a alguém.

Dia 29

Acordei com uma sensação estranha no peito, como se algo muito grande estivesse prestes a acabar — ou talvez começar.

Fiquei alguns segundos encarando o teto, ainda meio perdido entre o sonho e a realidade, até que a lembrança veio inteira, pesada e inevitável:

Hoje era meu último dia ali.

Meu ônibus estava marcado para amanhã ao meio-dia. O mais tarde que consegui. Um horário que parecia cruel demais para quem ainda não estava pronto para ir embora.

Suspirei fundo.

Foram tantas emoções, tantas descobertas, tantos sentimentos que eu nem sabia que existiam dentro de mim. Aquelas férias não seriam apenas lembranças bonitas. Seriam, para sempre, as férias que mudaram minha vida.

E mudaram de um jeito que eu jamais poderia ter imaginado.

Vim para cá de um jeito.

Vou voltar… completamente outro.

Durante toda a minha vida senti que faltava algo. Uma espécie de vazio silencioso, difícil de explicar, como se eu estivesse sempre esperando por alguma coisa que não sabia nomear. E agora, olhando para tudo o que vivi, eu finalmente entendia.

Não era que faltasse algo.

Faltava alguém.

Virei o rosto e percebi que o outro lado da cama estava vazio. O cheiro do Alisson ainda estava ali, impregnado no travesseiro, na fronha, nos lençóis. Um cheiro quente, familiar, que já começava a doer só de pensar que em poucas horas eu teria de me despedir daquilo tudo.

Levantei devagar e encontrei, sobre a mesa da cozinha, o café pronto.

E um bilhete.

Peguei o papel ainda com um sorriso automático nos lábios.

“Bom dia, amor.

Não cozinhe nada hoje. Vou te buscar para almoçar fora.

Quero te mimar bastante para você não esquecer de mim quando voltar pra casa.

Te amo.”

Ri sozinho.

Meu namorado queria me mimar hoje para ter certeza de que eu ia querer voltar depois — como se eu precisasse de algum incentivo para isso. Como se já não estivesse completamente apaixonado, enraizado naquele homem de um jeito que me assustava e, ao mesmo tempo, me deixava absurdamente feliz.

Ainda não tinha caído a ficha.

Eu vim para cá achando que seriam só férias.

Volto sabendo que deixo para trás uma parte inteira de mim.

Preparei um queijo quente com a mussarela — o melhor queijo do mundo, sem discussão — e enquanto o pão dourava na frigideira, mandei uma mensagem para o Alisson agradecendo pelo café.

Ele respondeu quase na hora, com um coração vermelho.

Sabia que ele estava sobrecarregado no trabalho. Depois de tudo o que aconteceu nos últimos dias, tinha deixado muita coisa atrasar. Agora, justamente na véspera da minha partida, não tinha como faltar.

Por mais que eu quisesse ele comigo ali naquela manhã, eu entendia.

Ele tinha dito que pelo menos amanhã de manhã ficaria comigo até eu sair. Depois iria direto para o trabalho. Ia ter de fazer horas extras para compensar, já que suas folgas tinham acabado.

Mesmo assim… só de pensar que eu ainda teria aquelas últimas horas ao lado dele, meu peito se aquecia.

Hoje ainda era nosso.

Depois do café, dei uma leve arrumada na casa. Só vassoura e pano mesmo. Não estava bagunçada — Alisson era naturalmente organizado, e eu gostava disso nele. Talvez até demais, considerando que eu tinha um leve toque com bagunça.

Quando estivéssemos morando juntos no ano seguinte, isso ia ser perfeito.

Só de pensar nisso comecei a sorrir feito um idiota.

Morando juntos.

Nossa casa.

Nossa rotina.

Nossa vida.

Fiquei tão perdido nesses pensamentos que nem percebi o tempo passar. Quando dei por mim, ele já devia estar quase chegando.

Corri para tomar banho.

Queria estar cheiroso para ele.

Quinze minutos depois, ouvi a porta.

Meu coração disparou automaticamente.

Ele entrou apressado, ainda com a roupa de trabalho, e antes mesmo de dizer qualquer coisa já estava me beijando com uma intensidade que me arrancou o fôlego.

— Já estou com saudades de você, sabia? — murmurou contra minha boca.

— Desse jeito vai me fazer chorar antes da hora…

— Você vai sentir minha falta?

Ele perguntou com os lábios colados nos meus, a respiração quente, o corpo inteiro já me pressionando contra a parede.

— Mais do que você imagina.

Ele me ergueu no colo com facilidade, como se eu não pesasse nada.

Enrosquei braços e pernas nele sem pensar duas vezes. Suas mãos firmes seguraram minhas coxas enquanto caminhava em direção ao quarto sem desgrudar a boca da minha.

O cheiro de suor, o tecido da polo azul colado no corpo, a calça jeans justa marcando cada detalhe da bunda e o volume evidente entre as pernas.

Só de sentir ele me apertando daquele jeito, meu pau já estava completamente duro.

Ele me jogou na cama.

Literalmente.

Tirou a camisa num movimento rápido, e eu fiquei alguns segundos hipnotizado, passando a língua pelos lábios enquanto observava aquele corpo perfeito à minha frente.

Quando ele foi abrir o botão da calça, segurei sua mão.

Ele me olhou com um sorriso malicioso, entendendo na hora minha fantasia.

— Quero você de calça hoje… — sussurrei. — Você fica um gostoso absurdo nessa calça.

Os olhos dele escureceram.

Sem dizer nada, começou a tirar minha roupa peça por peça, devagar, como se estivesse me desembrulhando. Primeiro a blusa. Depois o calção.

Fiquei só de cueca branca.

Ele me virou de bruços e deitou sobre mim, esfregando o quadril na minha bunda de um jeito que me deixou completamente desnorteado.

Beijou minhas costas, desceu devagar até minhas nádegas, puxou minha cueca lentamente… e então caiu de boca no meu cu.

Um gemido alto escapou de mim sem que eu conseguisse impedir.

Sua língua quente, lenta e precisa me levou ao limite em poucos segundos. Levantei a bunda instintivamente, pedindo mais, abrindo caminho para ele sem nenhuma vergonha.

As mãos grandes dele separaram minhas nádegas e me deram completamente para sua boca.

Eu gemia alto, sem me importar com vizinhos, com o mundo, com nada.

Tudo que existia era aquele homem cuidando do meu corpo como se eu fosse a coisa mais preciosa que ele já tocou.

Quando me virei em busca de sua boca, ele já estava abrindo o zíper.

O pau dele saltou pesado, grosso, veias marcadas, cabeça rosada brilhando de tesão.

De joelhos na cama, ele se aproximou e empurrou lentamente dentro da minha boca.

E eu o recebi como se fosse um ritual sagrado.

O gosto dele sempre me enlouquecia. Salgado e doce ao mesmo tempo. Familiar. Viciante.

Ele começou a me foder a boca com força, segurando meus cabelos, controlando o ritmo. Quando alcançava o fundo da minha garganta e eu engasgava, ele só me dava alguns segundos para respirar antes de voltar inteiro de novo.

Minha língua buscava cada gota de pré-gozo com fome.

Ele gemia baixinho, completamente perdido.

Quando finalmente me posicionou de quatro na cama, minha entrada já pulsava, implorando.

Ele passou a cabeça do pau lentamente, torturando.

Quando entrou de uma vez, o ar fugiu dos meus pulmões.

E eu soube, naquele instante, que aquele não seria apenas um sexo de despedida.

Seria uma marca.

Ele começou devagar.

Primeiro saiu quase todo, deixando só a cabeça dentro de mim, depois voltou lentamente, como se quisesse me enlouquecer centímetro por centímetro. Minhas mãos agarravam o lençol com força, os dedos se fechando no tecido enquanto meu corpo inteiro tremia.

— Assim… — murmurei, sem conseguir formar uma frase inteira.

Ele riu baixo atrás de mim.

— Safado…

Aos poucos foi aumentando o ritmo, cada estocada mais profunda que a anterior. O som de nossos corpos se chocando preenchia o quarto, misturado aos meus gemidos e à respiração pesada dele.

Quando finalmente começou a meter com força, sem piedade, senti minhas pernas falharem.

Foi então que aconteceu.

Sem aviso, ele ergueu a mão e estalou um tapa forte na minha bunda.

O som ecoou pelo quarto.

Meu corpo inteiro se arrepiou.

Um gemido alto, quase um grito, escapou da minha boca.

E naquele segundo… algo mudou.

Não só no sexo.

Na gente.

Meu pau pulsava desesperado, abandonado entre meus movimentos, enquanto ele continuava batendo na minha bunda a cada poucas estocadas, deixando minha pele quente, ardendo, sensível.

— Mais… — pedi, completamente fora de mim. — Me bate mais…

E ele obedeceu.

Alisson começou a me foder como se fôssemos dois animais no cio. Forte, rápido, profundo. Cada tapa queimava e ao mesmo tempo me fazia querer ainda mais.

Meu rosto afundado no travesseiro, os gemidos completamente descontrolados.

Eu nunca tinha sentido aquilo.

Nunca tinha sido tomado por um desejo tão bruto, tão intenso, tão verdadeiro.

Ele me virou de uma vez, me deixando de frango assado.

Minhas pernas apoiadas nos ombros dele, completamente aberto, exposto, entregue.

Ele socava dentro de mim com pressa, como se estivesse tentando marcar meu corpo por dentro.

Seu corpo suado sobre o meu, sua boca colada na minha, nossas respirações misturadas.

Eu olhava nos olhos dele e só conseguia pensar em uma coisa:

Eu amo esse homem.

Amo de um jeito que nunca amei ninguém.

Ter Alisson dentro de mim me preenchendo daquele jeito despertava um tesão que eu nem sabia que existia dentro de mim.

— Me bate… — pedi de novo, quase implorando.

Dessa vez fui eu.

Ergui a mão e dei um tapa no rosto dele.

O estalo foi seco.

E a forma como ele me olhou…

Meu Deus.

Se eu pudesse, teria gozado só com aquele olhar.

Bati de novo.

E ele começou a meter ainda mais forte.

Passei os dedos pelos lábios dele, puxando-o para mais perto.

Não aguentei.

O puxei com força contra mim, minhas unhas arranhando suas costas enquanto eu gozava completamente descontrolado, o corpo inteiro tremendo, gemendo alto, sem nenhum pudor.

Ele não parou.

Mesmo gozando dentro de mim, continuou metendo com força, como se ainda não estivesse satisfeito.

Nós dois urrando de prazer.

— Mete… não para… — murmurei, quase ameaçando. — Se você parar agora vai apanhar…

Ele me olhou com fogo nos olhos.

— Mete, safado… mete que eu tô mandando…

Dei mais um tapa no rosto dele.

Foi ali que vi algo diferente surgir no olhar do Alisson.

Um brilho novo.

Mais escuro.

Mais intenso.

Ele me puxou para os braços e me fez sentar diretamente em seu pau.

Meus olhos reviraram na hora.

Mesmo depois de ter gozado tanto, ele continuava duro, firme, quente.

— Quer pau, seu safado… — rosnou. — Vou te dar.

Ele me fazia quicar no colo dele com força, segurando minha cintura, controlando completamente meus movimentos.

Depois me colocou de quatro de novo e voltou a socar com tanta força que precisei me segurar na cabeceira para não ser arremessado para frente.

Levantei para beijá-lo.

Ele aproveitou e me virou contra a parede.

Um tapa forte marcou minha bunda.

Outro.

Outro.

Com uma mão ele levantou minha perna esquerda, abrindo ainda mais meu corpo.

Quando entrou daquele jeito, mais fundo do que antes, minhas pernas simplesmente falharam.

Tive que me apoiar nele para não cair.

Ele me fodeu até cansar.

Depois me sentou na cama e, de costas para ele, me encaixou de novo em seu mastro.

Rebolei feito um louco, quicando, gemendo, completamente fora de controle.

Ele me agarrou com força e gozou pela segunda vez dentro de mim.

Ainda assim, fiquei ali, sentado no colo dele, com ele dentro de mim, sentindo a porra escorrer, quente, misturada ao nosso suor.

Eu estava tão largo, tão relaxado, tão tomado por aquele homem… que ele ainda entrava em mim com facilidade.

Ele deitou.

Eu me deitei em cima dele, de costas para ele, ainda montado, o pau dele dentro de mim.

Segurou meu pau e começou a me masturbar enquanto eu fazia um vai e vem lento, aproveitando cada centímetro, cada sensação.

Minha fome daquela rola parecia não ter fim.

Quando senti ele crescer de novo dentro de mim, sorri.

Dessa vez ele gozou com menos força, mas ainda assim completamente dentro.

Três vezes.

Sem tirar.

Exaustos, suados, tremendo, finalmente desabamos um sobre o outro.

— Sem dúvidas… — murmurei, tentando recuperar o fôlego — esse foi o melhor sexo da minha vida.

— Da nossa… — ele sorriu, beijando minha testa. — Também nunca transei assim antes.

— Quero mais…

— Você é insaciável.

— Só com você.

Fomos para o banho.

Ou pelo menos tentamos.

Passamos mais tempo nos pegando do que realmente nos lavando. Quarenta minutos depois, finalmente saímos, rindo, cansados, leves.

Ele me levou a uma churrascaria para almoçar.

Eu o observava o tempo todo, completamente apaixonado, e era impossível negar que éramos um casal. Ele ostentava uma expressão de satisfação que só alguém que tinha acabado de transar de verdade podia ter.

Pouco antes de nosso pedido chegar, o celular dele tocou.

Era o pai.

Ele recusou.

O celular tocou de novo.

Suspirou e atendeu.

— Oi pai, bença… tô almoçando…

Ele segurou minha mão.

Meu coração disparou.

— …olha, cada dia que passa eu tenho mais certeza de que fiz bem em sair daquela casa. Na verdade, devia ter feito isso muito antes…

Beijou minha mão.

Fiquei envergonhado e absurdamente feliz ao mesmo tempo.

— Já falei, pai… se não for caso de vida ou morte, não quero saber. Enquanto ela aceitar que o outro filho leve minha ex-noiva pra casa como se isso fosse normal, ela perde o direito de opinar na minha vida…

Desligou.

— O Anderson de novo? — perguntei.

— Minha mãe ficou me ligando a manhã inteira reclamando que deixei você sair na moto ontem. Bloqueei o número dela também.

Balancei a cabeça.

— Sua mãe é inacreditável…

Ele cortava a carne, mas percebi o peso na expressão dele.

— Sabe que eu tô com você, né? — falei, segurando sua mão. — Não importa o que ela ou o Anderson digam… você é um ótimo filho. E um irmão melhor ainda.

Ele riu.

— Né… acredita que nem pensei em bater nele?

— Eu vou acabar batendo se ele continuar enchendo seu saco.

— Ele que se cuide… sei que sua mão é pesada.

Corei tanto que quase engasguei com o refrigerante.

Depois do almoço, deixei ele no trabalho.

E foi ali que começou a parte mais difícil.

Arrumar minhas coisas.

Cada roupa colocada na mala parecia uma confirmação cruel de que aquilo estava acabando.

Pensei em tudo que vivi.

Em como cheguei ali…

E em como estava indo embora completamente diferente.

Quando o celular tocou, vi o nome dela na tela.

Jessica.

Meu coração gelou.

Atendi.

— Oi…

— Oi, Renan… como você está?

— Tô… fazendo as malas.

— Sobre isso… eu queria falar pessoalmente…

E então ela contou.

Que conheceu alguém.

Que se apaixonou.

E quando eu disse que também tinha conhecido alguém…

Rimos.

Conversamos.

Fofocamos.

Foi o término mais tranquilo e improvável da história.

O universo, finalmente, parecia alinhado.

Depois dormi um pouco.

Sonhei com nós dois na praia, de mãos dadas, um coração brega na areia com nossas iniciais.

Acordei com ele entrando em casa.

— Quer ir pra academia hoje ou ficar em casa?

— Vamos… — sorri. — Vamos fingir que é só mais um dia normal.

E fomos.

Treinamos.

Rimos.

Voltamos.

Jantamos.

Tomamos banho juntos de novo.

Assistimos algo na TV.

Nos beijamos.

E quando o sono quase chegou…

O fogo voltou.

Dessa vez ele foi passivo para mim.

Mas no final…

Me entreguei de novo.

Já eram quase três da manhã quando finalmente dormimos agarrados.

E, como uma bênção silenciosa…

Começou a chover.

Acordei antes dele.

Não porque estivesse descansado.

Mas porque meu corpo parecia saber que aquele era um dia diferente.

A chuva ainda caía lá fora, fina, constante, criando um som suave que preenchia o quarto. O céu estava nublado, uma luz cinza entrando pelas frestas da cortina. O mundo parecia suspenso no tempo.

Alisson dormia profundamente ao meu lado.

De bruços, um braço jogado sobre o travesseiro, a outra mão ainda apoiada na minha cintura como se, mesmo dormindo, tivesse medo de me perder.

Fiquei alguns minutos apenas olhando para ele.

Memorizando.

O formato do rosto.

Os cílios longos.

A barba por fazer.

A forma como o peito subia e descia lentamente.

Pensei em como, poucas semanas atrás, ele era apenas o irmão do meu melhor amigo.

E agora…

Agora era o homem que eu amava.

Passei a ponta dos dedos com cuidado pelo braço dele, depois pelas costas, traçando linhas imaginárias na pele quente. Não queria acordá-lo ainda. Queria guardar aquele momento só para mim.

Levantei devagar, tentando não fazer barulho.

Fui até a cozinha.

Preparei café.

Não porque ele tivesse pedido.

Mas porque precisava fazer alguma coisa com as mãos para não pensar no que viria depois.

Coloquei água para ferver, separei pão, queijo, frutas. Arrumei tudo com um cuidado quase exagerado, como se aquilo pudesse congelar o tempo.

Meu ônibus sairia ao meio-dia.

Ainda tínhamos poucas horas.

Quando voltei para o quarto, ele já estava acordado, sentado na cama, passando a mão no rosto.

— Bom dia… — murmurou, com a voz rouca de sono.

— Bom dia… — respondi, me aproximando.

Ele me puxou pela cintura e me fez sentar em seu colo.

— Dormiu bem?

— Melhor do que eu merecia.

Ele sorriu.

Beijou meu pescoço.

— Choveu a noite toda…

— Eu sei… acordei algumas vezes só pra ouvir.

Ficamos alguns segundos em silêncio, apenas nos olhando.

E ali, sem ninguém dizer nada, os dois sabiam.

Era o último amanhecer juntos.

— Fiz café… — falei, tentando soar normal.

— Você vai me fazer chorar antes do meio-dia…

— Já estou me segurando desde que acordei.

Ele riu baixo.

Fomos para a cozinha.

Tomamos café devagar.

Sem pressa.

Cada gole parecia precioso.

Cada olhar carregava um peso diferente.

— Promete que vai me mandar mensagem quando chegar? — ele perguntou.

— Vou mandar quando sair… quando entrar… quando sentar… quando chegar… quando respirar…

— Bom.

Ele sorriu.

— E promete que não vai sumir?

— Alisson… — segurei o rosto dele com as duas mãos. — Eu tô indo embora… não tô morrendo.

— Mesmo assim.

— Eu prometo.

Depois do café, fomos arrumar as últimas coisas.

Minha mala já estava praticamente pronta.

Faltavam só algumas roupas que eu tinha usado na noite anterior.

Enquanto dobrava uma camiseta, percebi que estava demorando demais em cada movimento.

Como se, se eu dobrasse devagar o suficiente…

O tempo fosse me obedecer.

— Quer que eu te leve direto pra rodoviária ou a gente dá uma volta antes? — ele perguntou.

— Uma volta… — respondi sem pensar. — Só nós dois.

Ele assentiu.

Tomamos banho juntos.

Dessa vez sem pressa.

Sem sexo.

Sem urgência.

Apenas nos lavando, nos tocando com carinho, trocando beijos lentos, demorados.

Como se cada toque fosse uma despedida silenciosa.

Quando saímos, ele se vestiu simples: camiseta branca, jeans, tênis.

Lindo.

Sempre lindo.

Entramos na moto.

A chuva já tinha parado, mas o chão ainda estava molhado, refletindo o céu nublado.

Rodamos pela cidade sem destino certo.

Passamos pela praça onde tínhamos tomado sorvete.

Pela rua da academia.

Pela lanchonete onde tínhamos ido na primeira semana.

Pelo mirante onde ele tinha me beijado pela primeira vez.

Em silêncio.

Segurando firme na cintura dele.

Gravando tudo.

Paramos perto da praia.

Descemos.

Andamos um pouco pela areia ainda úmida.

O mar estava calmo.

O vento frio.

— Lembra do sonho que eu te contei ontem? — falei.

— Do coração na areia?

— Esse mesmo.

Sorri.

Com o pé, comecei a desenhar algo no chão.

Um coração torto.

Dentro dele, escrevi nossas iniciais.

Ele olhou.

Ficou em silêncio.

Depois ajoelhou ao meu lado e completou o desenho, deixando o contorno mais bonito.

— Brega… — ele murmurou.

— Muito.

— Mas eu gostei.

Nos beijamos ali mesmo.

Longo.

Devagar.

Como se não houvesse amanhã.

Mas havia.

E ele estava muito perto.

Quando voltamos para a moto, o relógio já marcava onze horas.

Meu peito apertou.

O caminho até a rodoviária pareceu curto demais.

Quando chegamos, estacionei perto da entrada.

Desci primeiro.

Ele tirou o capacete.

Me olhou.

E, pela primeira vez desde que o conheci…

Vi os olhos dele marejados.

— Eu não sou bom com despedidas… — ele disse.

— Nem eu.

Ficamos alguns segundos parados, sem saber exatamente o que fazer.

Então ele me puxou para um abraço.

Forte.

Apertado.

Desesperado.

Enterrei o rosto no peito dele e senti o cheiro que já era tão familiar.

— Eu vou sentir sua falta todos os dias… — ele murmurou no meu ouvido.

— Eu também… mais do que você imagina.

Nos afastamos só um pouco.

O suficiente para nos olharmos nos olhos.

— Você mudou minha vida… — falei, com a voz já falhando.

— Você salvou a minha.

Sorri, com lágrimas escorrendo sem pedir licença.

— Promete que vai vir me visitar?

— Prometo.

— Promete que não vai desistir da gente?

— Nunca.

Beijei ele de novo.

Com fome.

Com saudade antecipada.

Com amor.

Quando nos separamos, ele segurou meu rosto entre as mãos.

— Renan…

— Oi…

— Eu te amo.

Meu coração quase parou.

Nunca tinha ouvido aquilo de alguém daquele jeito.

— Eu também te amo… — respondi, sem hesitar.

Peguei minha mala.

Dei alguns passos.

Olhei para trás.

Ele ainda estava ali.

Parado.

Me olhando.

Levantei a mão.

Ele acenou de volta.

Entrei.

Sentei perto da janela.

Quando o ônibus começou a se mover, procurei ele com os olhos.

Ele estava ali.

Parado.

Até eu desaparecer de vista.

Encostei a testa no vidro.

E pela primeira vez desde que tudo tinha começado…

Chorei de verdade.

Mas não de tristeza.

Chorei porque, finalmente, eu sabia quem eu era.

Porque tinha amado.

Porque tinha sido amado.

Porque aquelas férias…

Não tinham sido só férias.

Tinham sido o começo da minha vida.

Dia Final

Dia trinta chegou, finalmente.

Por muito tempo desejei que esse dia nunca existisse. Depois, em alguns momentos de medo, cheguei a desejar ir embora antes. Agora, deitado naquela cama, com a luz fraca da manhã entrando pela janela e o corpo quente de Alisson ao meu lado, tudo o que eu sentia era um aperto no peito difícil de explicar.

Era minha última manhã de férias.

Alisson ainda dormia. O rosto relaxado, a respiração lenta, os cabelos bagunçados de quem finalmente tinha conseguido descansar depois de tantos dias trabalhando sem parar. Fiquei observando em silêncio, tentando memorizar cada detalhe: a linha do maxilar, os cílios escuros, a pequena ruga entre as sobrancelhas que surgia quando ele estava preocupado.

Eu estava feliz por ele ter conseguido aquela folga só para passar minha despedida comigo.

O que me consolava era saber que não era um adeus de verdade. Era apenas um intervalo. Um até logo. Daqui a seis meses, de um jeito ou de outro, minha vinda seria definitiva. Mesmo assim, o medo de voltar para casa, de enfrentar minha família, de perder tudo aquilo, pesava como um nó na garganta.

Ele acordou devagar, com aquele sorriso lindo e ainda sonolento que sempre me desmontava.

— Amor… — murmurou, puxando-me para perto.

Fiquei alguns segundos em silêncio, até a pergunta que me assombrava desde o dia em que fizemos nossos planos escapar dos meus lábios:

— E se minha mãe não quiser pagar para eu estudar fora?

Ele respondeu sem pensar duas vezes:

— Banco você.

Olhei para ele, assustado e emocionado ao mesmo tempo.

— Amor, eu não quero ser um fardo para você.

Deitei a cabeça em seu peito, ouvindo seu coração bater firme.

— Renan… — ele disse, levantando meu queixo com cuidado. — Você foi minha salvação. Você nunca vai ser um fardo.

Me beijou com calma, como se quisesse gravar aquele momento em mim.

— E se minha mãe não me deixar vir?

— Eu vou buscar você.

— Ela vai te expulsar.

— Só saio de lá com o meu amor.

Sorri, com os olhos marejados.

— Te amo… fujo se for preciso.

Ele abriu um sorriso enorme.

— Ano que vem você já vai ser de maior. O máximo que pode acontecer é ela não querer te ajudar financeiramente. Mas relaxa… com o que eu ganho dá para bancar nós dois. E tem ônibus da prefeitura saindo todo dia para Camocim.

— Então eu viria morar com você?

— Sim. Mas vou procurar um lugar melhor para a gente. Mais confortável.

— Vai ficar mais caro…

— Não se preocupe com isso. Só seja meu namorado que o resto eu resolvo.

— Alisson… só aceito se você me deixar cuidar de você também.

Ele riu baixo.

— Você não entendeu ainda que eu estou contando com isso?

Fiquei sem palavras.

— Tô me sentindo mal agora.

— Por quê?

— Porque estou desejando que minha mãe não queira me ajudar… só para poder morar com você.

Ele me abraçou forte, me enchendo de beijos.

— Então está decidido. Você vem morar comigo.

— Tem certeza?

— Era o que eu queria desde o começo. Só achei que você não quisesse.

— Só sendo maluco para recusar sua companhia.

Beijei sua boca com fome e carinho ao mesmo tempo.

Ficamos trocando carícias na cama até a hora de sair. Como a viagem era longa e meu ônibus sairia ao meio-dia, ele achou melhor almoçarmos antes. Fomos a um restaurante perto da rodoviária. Cada minuto que passava tornava a despedida mais dolorosa.

Meu único consolo era repetir para mim mesmo que não era uma despedida de verdade.

Queria não precisar ir embora.

Ou melhor… queria que ele não precisasse ficar.

Se Alisson fosse comigo, eu seria o homem mais feliz do mundo.

Mas não reclamei. Porque, contra tudo e contra todos, antes de eu entrar no ônibus, ele me puxou pela cintura e me deu um beijo demorado, intenso, na frente de quem quisesse ver. Meses antes eu teria ficado constrangido. Agora não ligava mais.

Retribuí o beijo. E ainda lhe dei outro.

Quando o ônibus partiu, fiquei olhando pela janela até ele virar apenas um ponto no meio da rodoviária.

Quando cheguei naquela cidade, eu não sabia quem eu era.

Agora eu ia embora me conhecendo de uma forma totalmente diferente.

Em casa foi exatamente o inferno que eu sabia que seria.

Minha mãe surtou. Disse coisas que preferi esquecer. Ficamos semanas sem nos falar. Minha irmã seguiu o mesmo embalo. Tiraram meu celular, meu computador, minha privacidade.

Mas sempre dava um jeito de falar com Alisson pelo telefone de algum amigo da escola.

Ele várias vezes quis vir conversar com minha mãe. Mas eu sabia que não adiantaria. Talvez até piorasse.

Ao invés de chorar no quarto, transformei aquilo em combustível.

Estudei como nunca tinha estudado.

Minhas notas subiram tanto que, no final do terceiro bimestre, minha mãe se rendeu e me deu os parabéns.

Com o tempo, me devolveu o celular e o computador. Nosso acordo era simples: manter as notas altas e não falar de Alisson com ela.

Rayssa virou minha maior aliada. Já era praticamente a melhor amiga do cunhado e fazia de tudo para dobrar minha mãe.

Rayanne, por outro lado, se afastou de mim de um jeito definitivo.

As últimas palavras dela ainda ecoam na minha memória: que eu iria para o inferno e que ela não tinha mais um irmão.

Depois disso, nunca mais falou comigo.

Doeu. Dói até hoje.

Mas bastava falar com Alisson para saber que tudo valia a pena.

No Natal, ele me surpreendeu e veio me ver. Ficou na casa de Rayssa, porque minha mãe jamais o aceitaria sob o mesmo teto. Mas, em um raro milagre natalino, ela o convidou para a ceia.

Não posso dizer que ela aceitou nosso namoro. Mas se esforçou.

No réveillon, depois de muita insistência, ela deixou que eu dormisse com ele.

Viramos o ano em um motel.

Foi um dos melhores réveillons da minha vida.

Em janeiro, ele partiu. Mas não sem antes cumprir sua promessa. Falou com minha mãe. Nunca me contou o que disse. Mas funcionou.

Passei em Camocim.

Voltei para pegar minhas coisas.

Minha mãe resistiu… mas cedeu.

Com os anos, aceitou Alisson. Hoje em dia ele é mais filho dela do que eu.

Rayssa é apaixonada por ele.

Rayanne entrou para a igreja e virou abertamente homofóbica. Nunca mais estivemos no mesmo ambiente. Talvez um dia eu supere essa perda. Mas até hoje dói lembrar de suas últimas palavras.

Na família do meu namorado, os pais também mudaram com o tempo. Não aceitam completamente nosso relacionamento, mas preferiram não perder o filho.

Financiamos nossa casa longe deles.

Meu sogro nos visita sempre.

Minha sogra… mantemos distância. É melhor assim.

John tentou voltar quando achou que tudo estava mais calmo. Não acabou bem. O próprio irmão cumpriu a promessa. Outros ainda compraram satisfação com ele. Sumiu no mundo de novo.

Carolina engravidou de Anderson, perdeu o bebê e foi abandonada. Nunca se casou. Teve um filho de pai desconhecido. Não era de Alisson. O tempo não batia.

Mônica continua minha amiga até hoje. Um dedo podre para homens, mas um coração que insiste em acreditar.

E por fim… Ande.

Meu ex-melhor amigo.

Nunca voltamos a ser amigos. No auge da hipocrisia, disse que não aceitava meu namoro com o próprio irmão.

Nunca precisámos da aprovação dele.

Não posso dizer que se deu mal na vida. Gente como Ande é esperta demais para se foder de verdade. Escapa sempre. Cai de pé.

No fim, Ande é uma puta.

E como dizia uma apresentadora que eu amava da finada MTV…

Tem gente que é assim.

Azar de quem cruza.

Fim.

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Comentários

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Parabéns pelo conto maravilhoso!

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Muito bom, Rafa. Parabéns por mais um conto perfeito!

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