Seria preciso um temporal daqueles que alagam a Marginal Pinheiros para derrubar a **Mariana** depois do dia incrível que ela tinha acabado de ter.
Ela não fazia a menor ideia do buraco onde estava se metendo.
A Mari estava elétrica, pilhada. Ela se sentia como se tivesse ganhado na Mega da Virada. Os eventos do dia deixaram seu corpo vibrando como um trio elétrico, pulsando com uma energia que precisava urgentemente vazar por algum lugar.
— Como você consegue ter tanta energia, mulher? — **Tomás** perguntou, observando a esposa dando pulinhos, praticamente sambando enquanto caminhavam pelo túnel de embarque em direção ao avião. Ela estava num humor radiante. Tomás sempre ficava de cara com o fato dela parecer ligada no 220v o tempo todo. De manhãzinha tomando seu café coado, ou de madrugada, ela estava sempre no pique.
— Hoje foi foda. A gente fez história hoje — Mari respondeu, dando um pulo para frente e lascando um beijo no marido exausto.
— É, a gente fez. Mas tá tarde, o dia foi longo pra caramba, e agora... partiu cama — Tomás disse, os ombros caídos de cansaço.
— Como você consegue dormir depois de hoje? — Mari disse, ainda na adrenalina.
Mariana e Tomás embarcaram no "voo corujão" de **Brasília** para **São Paulo**. Eles se sentiam os próprios revolucionários depois de passarem o dia na Esplanada dos Ministérios, num protesto gigante contra a truculência da PM nas periferias e o desmonte das políticas ambientais. O jovem casal se considerava a nata da intelectualidade engajada, e adoravam "lacrar" e dar lição de moral em qualquer um que parasse para ouvir. Eles não seriam aquela massa de manobra, o "gado" manipulado pelo Zap e pelas fake news do governo. Eles iriam ocupar e resistir. Eles falariam o que pensam. Não passariam.
Eles eram um casalzinho jovem e fofo, casados aos 23, logo depois de pegarem o diploma na federal. Tinham se conhecido no ensino médio, e agora, um ano de casados, continuavam no maior grude. Muita gente não botava fé neles, principalmente a "velha guarda", por causa do estilo diferentão. Eles eram a definição de **"esquerdistas de Santa Cecília"**. Seguiam todas as tendências "alternativas", vestindo uma mistura de peças que deixava qualquer tia conservadora confusa. Ela usava camisetas de brechó com frases irônicas dos anos 80, misturadas com saias longas de algodão orgânico, afinal, o planeta não espera. Roupas que pareciam ter saído do armário da avó, ela usava com orgulho. Calça de veludo cotelê marrom. Cardigãs de tricô largos. Ela amava garimpar roupa. Tomás usava jeans "skinny" apertado até o talo e camisas de botão floridas, sem ligar quando os "héterotops" zoavam ele na rua.
Tomás já tinha sido chamado de "maconheiro" várias vezes, e, convenhamos, ele tinha a cara. Cabelo preto meio comprido, bagunçado, e aquela barba falhada que nunca fechava direito. Apesar disso, era um moleque bonito, a beleza escondida atrás daquela cabeleira toda. Mas o sorriso dele era gente boa, e seu jeito descontraído de "bicho grilo" conquistava a galera.
Era uma pena que a Mari gostasse de se cobrir tanto com aquelas roupas largas, porque se você perguntasse pra maioria dos caras, eles prefeririam vê-la com um biquíni de fita na laje. Ela era uma gata absurda, e o corpo dela era um deboche de tão gostoso. Peitos fartos, com bicos que marcavam a blusa sem sutiã — porque sutiã é opressão, claro. Uma bunda redonda, daquelas que o brasileiro ama, empinada e pedindo tapa. Barriguinha chapada de quem faz yoga no Ibirapuera e pernas longas. Ela também era linda de rosto, pele clara, cabelão castanho solto e boca carnuda. Adorava usar aqueles óculos de grau enormes, estilo anos 70. Não precisava deles pra nada, enxergava perfeitamente, mas amava o visual "intelectual de esquerda". Ela era simpática, falante, com um sorriso que iluminava o boteco. Mas não pise no calo dela com papinho preconceituoso, ou ela virava uma onça. Tomás amava essa "fúria militante" nela.
Os dois estavam em forma, a Mari principalmente. Enquanto o Tomás era aquele magrelo meio desengonçado, o corpo da Mari era violão, cheio de curvas. Ambos eram veganos chatos, o que tornava ainda mais impressionante que ela tivesse aquele corpozão todo só comendo planta. Carne não entrava na boca dela há anos.
Estavam mortos do dia de protesto sob o sol do Planalto Central. Tinham conhecido uma galera massa do movimento estudantil. O avião estava meio vazio, mas, claro, a poltrona deles era logo ao lado de um dos poucos passageiros acordados. Mari olhou para o homem sentado. Era um coroa bonitão, devia ter uns 50 anos, bronzeado de quem tem casa em Trancoso, com o cabelo grisalho penteado para trás com gel. Ele nem tirou o olho do iPhone de última geração enquanto Mari e Tomás tentavam enfiar as mochilas de lona no bagageiro. O cheiro do perfume dela — lavanda natural — invadiu o nariz do homem, fazendo ele reparar na vizinha de poltrona.
O homem, **César**, levantou os olhos enquanto o casal arrumava a bagunça. Ele foi imediatamente fisgado pela beleza da garota. Ela estava muito gostosa, mesmo vestida daquele jeito "hippie de boutique", com um jeans justo, uma camiseta "Fora Todo Mundo" e aquele suéter largo. Ele viu a camiseta subir um pouco, mostrando um pedacinho daquela barriga sexy. César desviou o olhar antes de dar na vista, e deu um aceno de cabeça educado, aquele "bom dia" mudo de elevador, quando a Mari sentou do lado dele.
A Mari não fazia ideia de onde estava amarrando o burro. Não sabia quem era a figura sentada ali. Não sabia o que se escondia por trás daquela cara de empresário bem-sucedido e cidadão de bem. Ela não conhecia César **Falcão**.
Mariana era uma menina doce, "gratiluz", que queria salvar o mundo e abraçar árvores. Podia ser meio palestrinha, mas tinha o coração mole. Já o César... era o avesso. Se o mundo da Mari era ciranda e energia positiva, o de César era feito de foda bruta e poder. César era um predador sexual. Nada de crime, entenda, mas ele não era o tipo de cara que você apresentava pra sua irmã. Pelo menos se quisesse que ela continuasse santa.
Mesmo cinquentão, César passava o rodo. Era aquele tipo rústico e elegante, shape em dia, academia cara todo dia às 6 da manhã. Tinha aquele grisalho charmoso nas têmporas que as novinhas adoram. Estava sempre impecável. Mesmo num voo de madrugada, usava um terno **Ricardo Almeida** sob medida, camisa azul clara engomada e uma gravata de seda italiana. Para quem olhasse, parecia um executivo voltando de uma reunião com ministros, nada mais.
Era assim que ele pegava elas.
Ele escondia bem o jogo, mantendo aquela fachada de "pai de família tradicional" e profissional sério. Mas por trás disso, era mestre na arte da conquista, especialmente com as novinhas universitárias. Ele as atraía com aquele papo seguro e paternal, mas era perito em tirar a roupa dessas militantes. Conseguia convencer a mais feminista das garotas a fazer as maiores baixarias entre quatro paredes. Como ele dobrava essas meninas? Sua postura dominante, a cara de homem vivido, a lábia mansa, o controle da conversa e, o mais importante... a rola colossal que ele carregava.
Ele já tinha perdido a conta de quantas vezes ouviu que "tamanho não é documento". Que era ridículo um homem ter aquele "jumento" no meio das pernas, que mulher não gosta de exagero, que machuca. Mas era só ele enterrar aquele pau grosso de 25 centímetros, duro como rocha, na buceta apertadinha de alguma "desconstruída", que o discurso mudava na hora. Já tinham chamado ele de arrogante, de escroto, só porque ele sabia o que tinha na cueca. E era verdade. Ele via o poder que sua "ferramenta" tinha sobre as mulheres. Tinha visto sua pica transformar menina de família em devassa. Tinha visto esposas fiéis babarem enquanto tentavam engolir a cabeça larga do pau dele. Nenhuma escapava. Ele sabia que a maioria nem gostava dele como pessoa — achavam ele um "coxinha" reacionário —, mas isso não impedia elas de se engasgarem felizes com a rola dele na garganta. Então, não era arrogância. Era certeza.
Mari não sabia que estava sentada ao lado do lobo mau.
Mas, vejam só, talvez ela tivesse sorte essa noite. Embora tivesse gostado da visão, o plano inicial do César não era caça. Para ser honesto, o dia em Brasília tinha sido cheio de reuniões tensas, e ele só queria um voo tranquilo regado a uísque (se a companhia aérea servisse). Mas a garota ao lado tinha outros planos.
Esse seria o erro dela.
— Oi! — ela disse, super animada.
— Olá — César respondeu, a voz grave, de locutor de rádio, sem tirar os olhos do celular. Sentiu o cheiro dela de novo. Adorava esse cheirinho de "natureba" que essas meninas tinham. Estava tão acostumado a sentir esse aroma enquanto metia com força que só o cheiro já fez o pau dele dar um sinal de vida.
— Tá voltando pra casa? — Mari puxou papo. Ela não conseguia ficar quieta. Tinha bicho carpinteiro. César pensou que ela devia ser um furacão na cama.
— Mari, o moço não quer papo — Tomás sussurrou, mas alto o suficiente pro César ouvir.
— Não, tranquilo — César disse, guardando o celular no bolso interno do paletó. Olhou para a Mari, encarando-a pela primeira vez. Os olhos dela brilhavam por trás dos óculos, cheios de inocência, e os dele eram frios, confiantes, escondendo um abismo de perversão. Ela sorriu, simpática como sempre.
— Tô a trabalho. Temos um escritório regional lá. Preciso botar ordem na casa — César disse.
— Você trabalha com o quê? — Mari perguntou, curiosa mesmo. César sorriu de canto, aquele sorriso de quem sabe algo que você não sabe. Enfiou a mão no bolso do paletó e puxou uma carteira de couro preta. Abriu e mostrou o distintivo dourado e pesado para a esposa curiosa.
— César Falcão. **Agência Brasileira de Inteligência**. Diretor de Operações.
César observou com prazer o sorriso da Mari murchar um pouquinho.
— Você é da **ABIN**? — Mari perguntou, o tom mudando. — Aquela mesma ABIN que monitora ativistas, invade a privacidade de quem luta por direitos e serve de polícia política pro governo?
— Essa mesma — César respondeu tranquilo, com um sorrisinho cínico. A resposta pegou a Mari de surpresa. Ela não esperava essa honestidade debochada, e, contra a vontade, acabou achando graça da cara de pau dele.
— Deixa eu adivinhar — César começou, cruzando as pernas. — Vocês dois estavam naquele protesto hoje, fazendo barulho na frente do Congresso, não estavam? — perguntou com um sorriso divertido.
— Estávamos sim, e com muito orgulho — Mari disse, estufando o peito, a militância subindo à cabeça.
— Bom, eu vou te dizer uma coisa: é muito fácil pra gente como você criar histórias de terror sobre o "Estado malvadão", mas o trabalho que a gente faz nos bastidores é o que garante que você possa dormir tranquila no seu apartamento em Pinheiros sem explodirem o país — César disse, com aquela preguiça de quem explica o óbvio para uma criança.
— A que custo? Escuta, tá na cara que vocês abusam do poder. Qual é a graça dessa tal "ordem e progresso" se vocês passam por cima da lei quando dá na telha? — Mari rebateu, já ficando vermelha de empolgação.
— Amor, por favor. Aqui não é lugar — Tomás tentou intervir. Virou-se para o César, com cara de desculpa. — Foi mal, senhor. Ela se empolga um pouco.
— Percebi. Sem problemas. Adoro um debate com uma adversária à altura — César disse, sorrindo direto para a garota, ignorando o marido. Tomás colocou a mão no ombro da Mari, tentando acalmá-la. Ela fez um bico, cruzou os braços e olhou para frente, bufando, enquanto o avião taxiava para decolar.
Agora intrigado, César não conseguiu evitar dar aquela conferida nela enquanto o avião decolava de Brasília. Ela era uma gostosa, apesar daquele monte de pano largo e "consciente". Se ele pressionasse um pouquinho, sabia que ela seria uma excelente adição ao seu harém particular. Veja bem, o trabalho de César na ABIN nem sempre era dentro das quatro linhas da constituição. Como um homem de confiança do "sistema" há anos, ele tinha tentáculos em todos os lugares, em todos os níveis da sociedade brasileira. E como um agente de campo experiente, ele conhecia os atalhos do "jeitinho brasileiro" para não levantar suspeitas. Para não ser pego pela Polícia Federal. César imaginava que podia se safar até de homicídio se quisesse — afinal, arquivo morto não fala —, mas esse não era o estilo dele. Sua predileção eram mulheres. Ele era um devorador serial de mulheres. Um sedutor crônico.
Com seu vício, suas conexões no Congresso e no Judiciário, ele conseguiu montar uma rede de agenciamento de luxo bem debaixo do nariz do governo. Embora... "prostituição" talvez fosse a palavra errada. Basicamente, ele tinha uma agenda preta cheia de nomes, uma lista de suas conquistas, mulheres que ele tinha seduzido, quebrado e fodido, ansiosas para fazer o que ele quisesse. Ele tinha transformado essas moças de família, estudantes da USP e secretárias executivas em suas putinhas, e agora elas estavam dispostas e ansiosas para fazer o que seu "mestre" mandasse. E isso geralmente envolvia servir a ele ou ao seu grupo de amigos e contemporâneos.
Mas esse grupo era coisa de "maçonaria", só para convidados. Não era como se qualquer "zé ruela" da rua pudesse entrar na jogada. Você tinha que ser convidado para a roda. E não era como se alguém pagasse no Pix por uma noite com uma dessas mulheres deslumbrantes e pronto. Claro, às vezes essas mulheres eram "ativos" usados para adoçar negociações por baixo dos panos em licitações de empreiteiras. Às vezes ele tinha que transformar mulheres em suas vadias para evitar que vazassem informações. Como aquela repórter investigativa insistente que ele comeu, e algumas das melhores amigas fofoqueiras de suas putas. Mas, na maior parte, toda essa rede de mulheres era basicamente usada como uma maneira de ele e seus compadres conseguirem buceta nova e jovem. Seus compadres, homens que ele conhecia há anos de churrascos em fazendas no Mato Grosso, homens com quem ele tinha feito "negócios" e em quem podia confiar. Um monte de militares da reserva, alguns deputados do Centrão, desembargadores e grandes empresários do Agro. Indivíduos com a mesma mentalidade, que sabiam como "tratar" uma mulher.
César não era um homem bom. Longe disso. Ele era um fóssil do passado, da época da ditadura. Um tempo em que as mulheres eram submissas aos seus maridos. Onde os homens mandavam na casa, e suas mulheres viviam para fazer seus homens felizes, esperando com o jantar na mesa e as pernas abertas. Onde elas fariam qualquer coisa para manter seus homens satisfeitos, colocando o prazer deles acima do próprio. Seus amigos sentiam a mesma coisa.
César não sentia remorso nenhum em corromper essas jovens. Porque ele acreditava piamente que essas damas estavam destinadas a estar à mercê de um homem forte e poderoso. Na cabeça dele, essas mulheres queriam servir tanto quanto ele queria que elas servissem.
Você pensaria que em uma época onde as mulheres são mais "empoderadas" do que nunca, ficaria cada vez mais difícil para esse grupo de velhos pervertidos corromper as novinhas, mas, na verdade, o oposto era real. Ele não tinha respeito nenhum por essa ideia de "mulher forte". Era uma farsa. Ficção de novela das nove. Na experiência dele, quanto maior a banca de "feminista" que essas mulheres colocavam, mais elas desmoronavam sob a vontade de um macho alpha. Na cabeça dele, essas chamadas mulheres independentes e fortes estavam morrendo de vontade de serem fodidas por um homem dominante, um "coronel". E César sabia que Mariana não era exceção.
Ela mantinha uma fachada. Todas mantinham. Ela falava grosso. Ela se vestia para esconder sua sexualidade, pagando de intelectual. Tudo falso. Essa vadiazinha era uma fraude. Uma mentira. Além disso, ela tinha uma boca grande. César não conseguia deixar de imaginar ela dando um uso melhor para aquela boca. O homem dela, aquele moleque frouxo com cara de quem pede desculpas por ser homem, não a tinha numa coleira curta o suficiente, e ele iria se arrepender disso. Ela era uma potranca indomada e, nossa, como ela estava pedindo por isso. Uma onda de calor correu pelo homem mais velho, enquanto a emoção da caçada queimava nele. Foi decidido então, naquele momento, enquanto sobrevoavam as luzes de Goiás. Mariana não sabia que seu destino estava nas mãos calejadas do homem ao lado dela, mas estava, e ele tinha tomado uma decisão.
Mariana seria dele. Não havia outra escolha. A Mari estava prestes a se tornar a cadelinha do tiozão. Não havia outro desfecho possível. Ele estava na caça e não pararia até ter conquistado sua presa. César pretendia domá-la, domesticar aquela vadia até o ponto em que tudo o que ela se importasse fosse entupir seus buracos com rola grossa.
A rola grossa do César.
Agora que ele estava no modo predador, sua energia estava restaurada, e sua atenção se tornou laser. César admirou a maneira como os peitos firmes e cheios de Mariana tremeram quando o avião pegou uma turbulência leve na subida. Seus olhos famintos fixaram-se na leve marcação dos bicos dos peitos dela sob a camiseta de algodão orgânico. Ele admirou aqueles olhos grandes e inocentes por trás dos óculos de grau. Ele poderia tê-la a qualquer momento que quisesse, percebeu. Ela estava morrendo de vontade de ser tomada. Morrendo de vontade de ser virada do avesso e fodida do jeito que ela tão claramente precisava. Mari precisava levar uma pirocada mal dada, e o mais rápido humanamente possível. E ele pretendia fazer isso. Antes que essa viagem acabasse, a lealdade dela seria para com César. César e seu pau gigante. Ela subiu do chão como uma mulher casada e feliz. Quando pousasse em Congonhas, ela seria uma puta submissa. A puta dele. Ela toparia qualquer baixaria se César apenas lhe desse o empurrão certo. Ele tinha um sexto sentido para esse tipo de coisa, sabia que essa cadela era especial.
Assim que o sinal de apertar os cintos se apagou, César soltou o dele e puxou seu iPad da pasta de couro. Ele podia ouvir o casalzinho feliz ao lado dele sussurrando um para o outro. Finalmente, Mari se virou para César.
— Desculpa por eu ter ficado tão nervosa antes — Mari disse. César sabia por que ela estava nervosa. O maridinho dela não dava o trato que ela realmente precisava. Ele sabia que ela precisava de um "esfrega" bem dado antes de poder se acalmar de verdade.
— Tá tudo certo, menina. Quando você trabalha pro governo, cria casca grossa. A gente acostuma a levar pedrada — César disse com um sorriso paternal. — Acho que começamos com o pé esquerdo. Sou César Falcão — ele disse, estendendo a mão.
— Sou Mariana. Mariana Dias — ela disse, colocando a mão jovem e macia na mão áspera e grande dele.
— Tomás — disse o marido, esticando o braço para cumprimentar o homem mais velho. César apertou a mão dele rapidamente, quase com desdém, antes de voltar sua atenção para a jovem esposa.
— É bom ver jovens tão apaixonados pelo país — César mentiu, liso.
— Bom, a gente tenta se manter informado, né? É importante pra nossa geração saber pra onde o Brasil tá indo — Mari disse, ajeitando os óculos.
— Concordo plenamente. Então, se eu tivesse que adivinhar, diria que vocês têm sentimentos bem negativos sobre o governo atual? — César provocou, cruzando os braços. Mari soltou uma risadinha nervosa antes de falar.
— Bom, pra mim, parece que o Estado é inchado e corrupto. A gente precisa de gente no comando que esteja comprometida com a mudança real, comprometida em melhorar a nação, em salvar a Amazônia, e não apenas em encher os bolsos com dinheiro de emenda parlamentar — Mari discursou.
— Então, imagino que vocês dois sejam do tipo "abraçadores de árvore", "salve o planeta"? — César disse, o tom levemente zombeteiro.
— Sim, claro... você não é? — Mari perguntou, genuinamente chocada. César sorriu internamente. Ele tinha amigos no garimpo e no agronegócio pesado, negócios onde César conseguia entrar e fazer uma grana preta. Dinheiro vivo que financiava seus vários empreendimentos extracurriculares.
— Bom, eu ficaria feliz em adotar uma nova fonte de energia se acharmos uma melhor e mais barata, mas até lá, eu fico com o que funciona e dá lucro pro PIB — César respondeu seco. Ele percebeu que Mari não gostou da resposta, torcendo o nariz, mas ela segurou a língua.
— Então, você tem uma visão de dentro. Como você pode dizer honestamente que está feliz com a forma como as coisas são geridas em Brasília? — Mari questionou, incisiva.
— Como eu disse, é fácil inventar histórias de terror de fora. Acredite em mim, sou um homem de Estado há quase 30 anos. Eu sei do que estou falando — César começou. Ele tinha a atenção total de Mariana e Tomás. César tinha uma voz suave, de barítono, perfeita para contar histórias e dar ordens. — Eu passei por muitos governos, esquerda, direita, centrão. Vi as coisas funcionarem de muitas maneiras. Muitos estilos diferentes de gestão. Me digam, o que vocês fazem da vida? — ele perguntou, mudando o foco.
— Eu sou artista visual. Vendo minhas artes na feirinha da Benedito Calixto e online. Não tô rico, mas dá pra levar — Tomás disse, como se fosse seu discurso padrão sempre que alguém perguntava sua profissão, já na defensiva.
— Ah, eu trabalho numa loja de produtos naturais e orgânicos em Pinheiros — Mari disse.
— Perfeito. Como vocês bem sabem, quando você trabalha com atendimento ao público, você começa a ter um certo... ressentimento das pessoas. Você começa a perceber que a maioria das pessoas é completamente idiota. Correto? — César perguntou, arqueando uma sobrancelha grossa.
— Bom, é... tipo isso. Tem gente que é difícil mesmo — Mari respondeu, sempre educada.
— Agora, imagina que em vez de gerenciar uma lojinha de granola, você está gerenciando um país continental como o Brasil. Você começa a perceber que essas pessoas, esses cidadãos que você está tentando proteger, são completos imbecis que não sabem a diferença entre o cu e as calças. Eles não sabem votar, não sabem o que querem. Você não pode mimar esse povo. Não pode deixar eles fazerem o que quiserem. Se fizéssemos isso, teríamos anarquia, o caos total. Eu percebi, em mais de 30 anos de governo, que a melhor maneira de liderar o brasileiro é com mão de ferro. O povo faz o que você manda se você pedir do jeito certo, com autoridade. Eles podem não gostar, podem reclamar no Twitter, mas a maioria vai baixar a cabeça e obedecer. Eles vão seguir a boiada. É nosso dever, como a elite eleita e concursada, pegar esse caos que é a humanidade e impedi-los de se autodestruírem — César disse, a voz pingando convicção e dominância.
— Caramba. Pesado isso aí, hein, brother? — Tomás soltou, meio chocado.
— É, eu não sei se concordo com essa visão de mundo não — Mari disse, cruzando os braços.
— Bom, eu não tô surpreso. Quando você está no meio da multidão, no meio da boiada, você não consegue ver o pasto de cima. Quando você vem de onde eu venho, é bem fácil enxergar o todo — César disse, soltando uma risada de quem sabe das coisas.
— Peraí, você tá chamando a gente de massa de manobra? De gado? — Tomás perguntou, franzindo a testa.
— Exatamente — César respondeu com um sorriso largo.
— Como assim? Você disse antes que a gente era diferente da maioria. Disse que era bom ver gente jovem se importando com as pautas — Mari disse, se defendendo.
— Vocês dois e os outros milhares de "revolucionários de iPhone" que fizeram a mesma coisa no protesto de vocês. Vestiram a mesma cor, gritaram as mesmas palavras de ordem... tudo igual — César respondeu, com um sorrisinho de canto de boca.
— Ah, entendi — Mari começou, o sangue subindo. — Acho que você é um daqueles caras que não mudaria uma vírgula. Você é um daqueles que se beneficia da "velha política", da mamata, e ficaria feliz em continuar explorando um sistema falido enquanto o povo passa fome.
César apenas sorriu, digitando algo no iPad.
— Você não respeita gente como a gente, né? — Mari continuou, partindo pro ataque. — Você não respeita nós, os jovens "chatos" e desrespeitosos que querem mudar as coisas. Você só quer que a gente abaixe a cabeça e aceite o "jeitinho" de vocês. Você só quer que você e os outros coronéis continuem gordos e felizes em Brasília.
César sorriu de novo, sem tirar os olhos da tela.
— Eu não sou velho, e definitivamente não sou gordo. Meu *personal* custa mais que o seu aluguel, minha filha.
— Fala sério! — Mari reclamou, a voz ficando aguda de irritação. — Por que você não respeita o que a gente tá tentando fazer?
— Porque é falso — César disse, ficando mortalmente sério de repente, os olhos cravados nela. — Essa fachada que vocês dois criaram, de intelectuais de esquerda, livres-pensadores... é pura merda. Conversa pra boi dormir. Você não vê gente como vocês na minha idade. Sabe por quê? Porque a realidade bate na porta! Gente como vocês eventualmente cresce e para de agir como criança mimada. Vocês vão cortar esse cabelo, vão jogar essas roupas de brechó fora, vão virar PJ e se juntar ao resto de nós, adultos, na Faria Lima.
Tanto Mari quanto Tomás recuaram, chocados com a crítica brutal ao estilo de vida deles.
— Dá licença! A gente nunca vai deixar de se importar com as pautas sociais. A gente nunca vai ser alienado. A gente nunca vai encher o bolso às custas do povo desse país! — Tomás disse, tentando engrossar a voz.
— Vão sim. Todo mundo tem um preço. Todo mundo. Eventualmente, vocês dois vão fazer o que mandarem. É melhor pra todo mundo se vocês pararem de criar caso e manterem o país unido — César disse, cínico.
— Bom, sinto muito. Eu nunca fui boa em obedecer ordens — Mari disse, estufando o peito inconscientemente em orgulho, sem saber que estava dando ao velho uma visão privilegiada de seus atributos.
— Você, minha querida, você... — César começou, apontando o dedo manicurado para a mulher casada.
— Eu não sou sua "querida". Meu nome é Mariana — ela rebateu, como se já tivesse tido essa briga mil vezes com o próprio pai.
— Mariana — o agente da ABIN cedeu, temporariamente. — Você é o pior tipo de fraude. Você fala grosso, paga de empoderada, mas no final, não é nada de especial. Nada fora da curva. Você é gado. Uma farsante. — César disse, encarando o fundo dos olhos dela. Mari olhou para aquele homem rústico, a raiva fervendo.
— Vai se foder! Eu sou uma mulher intelectual, inteligente e independente. Desculpa se eu me importo. Desculpa se eu ameaço a sua masculinidade frágil — Mari respondeu, os olhos faiscando por trás dos óculos.
— Você não me ameaça. Você é uma menina que faz coisas pra deixar o machinho dela feliz. Igualzinho a todas as outras. Como eu disse: nada de especial — César disse com arrogância pura. Mari riu na cara dele.
— Ah, claro. Eu sou uma "bela, recatada e do lar", uma esposa submissa e burra que não sabe pensar sem um homem forte dizendo o que fazer. Típico — Mari disse, debochada.
— Não é isso que você é. Você é algo muito mais irritante. Você é uma esposa burra e submissa que *finge* que não é — César disparou.
— HA! Não sei nem por que eu tô gastando minha saliva discutindo com um dinossauro feito você. Volta pra 1964, tiozão — Mari disse com uma risada nervosa, virando o rosto e olhando para frente. César sorriu, adorando vê-la brava. Ela sentiu o sorriso dele e mal conseguiu se conter. Precisava de ar.
— Já volto — Mari murmurou para o marido, as bochechas queimando de raiva enquanto desafivelava o cinto e batia o pé em direção ao banheiro, intempestiva. César manteve um olho na bunda suculenta e balançante da mulher casada, apertada naquele jeans da *Forum*.
O silêncio imediato entre Tomás e o homem mais velho foi constrangedor. Tomás estava convencido de que aquele cara realmente desprezava o jovem casal, então não queria irritá-lo mais. Tomás ficaria feliz se aquela pequena discussão morresse ali mesmo, sem ir adiante. César tinha acabado de desmontar o estilo de vida deles, então estava claro que ele tinha um ranço definitivo contra gente como eles. César provavelmente não suportava estar ao lado de um par de "esquerdistas" como eles. Foi por isso que o que César disse em seguida realmente o deixou de queixo caído.
— Vou te falar, meu chapa — César disse, quebrando o silêncio, inclinando-se levemente na direção do rapaz. — Essa sua mulher é um avião, hein? Puta que pariu.
— Quê? — Tomás disse, chocado.
— Mandou bem demais garantindo isso aí — César disse com um sorriso de lobo.
— Ah, é... valeu — Tomás disse, surpreso com a mudança de tom.
— Digo, olha o tamanho dessa raba, parece que foi desenhada à mão. É perfeita! E aquela comissão de frente... Meu Deus, que saúde! Os peitos da sua mulher são um absurdo. Se eu fosse você, não ia conseguir tirar a mão dessas maravilhas. Aposto que você volta pra casa feliz toda noite pra mamar naqueles peitões — César disse, sabendo exatamente que estava deixando o jovem marido desconfortável.
— É... valeu — Tomás gaguejou.
— O que é aquilo? Silicone? Deve ser um sutiã 48, né? — César perguntou, como se estivesse avaliando uma égua de raça. — Cara, parecem tão macios, nossa senhora! — ele se maravilhou. Tomás não sabia por que César estava de repente falando com ele como se estivessem no vestiário da academia ou num churrasco de firma, e não sabia como responder, então ficou quieto.
— Fica de olho nela — César continuou com um sorriso malicioso. — Dá pra ver que ela é um furacão na cama.
— Ah, é... sim, eu sei — Tomás disse, com um sorriso torto, sentindo um orgulho estranho de ter uma esposa tão gata, mas incomodado por tratá-la como um pedaço de carne.
— Embora eu vou te dizer, moleque... se ela tivesse me conhecido primeiro, você não ia ter tanta sorte — César disse com uma risada satisfeita e rouca.
— Ah, é, talvez — Tomás disse com uma risada leve e desconfortável, enquanto pensava internamente: *'Aham, senta lá, Cláudia. Como se esse velho babão tivesse alguma chance com a minha mulher gata e jovem.'*
— Eu sei que você duvida de mim, mas... eu acho que a sua mulher gosta de mim mais do que deixa transparecer. Vai por mim, eu tenho experiência — César disse.
— Entendi — Tomás disse com mais firmeza, tentando encerrar aquele papo torto, fazendo o velho virar para o lado com um sorriso satisfeito.
Alguns minutos de silêncio se passaram antes que Mari voltasse, tendo esfriado a cabeça um pouco. Ela nem olhou para o homem mais velho enquanto se sentava. Começou a falar baixo com o marido, mas César estava pronto para entrar mais um pouco na mente dela. César inclinou-se para perto dela e começou a falar, a voz grave e baixa.
— Eu posso provar — ele disse baixinho.
— O quê? — Mari disse, dando um pulo. — Eu não quero mais falar com você.
Ele apenas a encarou por alguns momentos, com aquele olhar pesado de quem manda, antes que ela balançasse a cabeça, vencida pela curiosidade.
— Provar o quê? — ela cedeu.
— Provar que você não passa de uma ovelha. Uma esposinha recatada e submissa, esperando um macho alfa chegar e tomar conta do pedaço.
— E como você faria isso? — Mari perguntou cética, desafiando aquele tiozão arrogante a testá-la.
— Me diz uma coisa, antes de conhecer o Tomás, você se vestia assim? Ou foi só depois de conhecer ele que você começou a usar esse "uniforme" de militante? — César argumentou.
— O quê? — Mari perguntou, pega de surpresa.
— Você ouviu muito bem — César disse, com o tom de um pai severo.
— Nós, hum, nós nos conhecemos quando eu era mais nova. Eu ainda não tinha encontrado meu estilo — Mari gaguejou.
— Então você admite! — César disse vitorioso. — Você conheceu o Tomás, viu como ele se vestia, esse estilo "bicho grilo", e começou a se vestir igual só pra agradar ele. Pra agradar seu macho.
— Você tá... você tá simplificando as coisas — Mari rebateu, nervosa. — O Tomás abriu meus olhos sobre como eu não deveria me conformar com o que a sociedade impõe, com a moda de shopping...
— E aí você se veste igual a outros milhões de "alternativos". Brilhante — César cortou. Isso calou a boca dela. Tomás percebeu e tentou intervir.
— Escuta aqui, cara, você não gosta da gente. Já entendi. Vamos só ficar na nossa pelo resto do voo e depois nunca mais a gente se vê — Tomás disse, tentando ser o pacificador, o "isento", tentando amigavelmente fazer aquele velho pervertido parar de xavecar sua esposa. César fez um gesto com a mão, dispensando-o como se fosse um garçom, e voltou a digitar no iPad. Mas César sabia que Mari não ficaria calada. Ele via ela se mexendo na poltrona, se coçando para falar. Finalmente, ela não aguentou.
— Eu não sou submissa ao que homem nenhum quer. Eu tenho minha própria cabeça — Mari disse, virando-se para encarar César novamente.
— Mari... — Tomás começou, pedindo para ela parar, mas ela levantou a mão, impedindo-o de interromper.
— Continue repetindo isso pra você mesma se te faz dormir melhor à noite — César disse friamente, sem levantar os olhos.
— Vai se foder. Eu nunca fiz nada só porque um homem "grande e forte" mandou. Eu decido minha vida — Mari disse.
— Isso é porque você nunca lidou com um homem forte o suficiente para tirar vantagem da sua natureza submissa — César disse, lançando um olhar rápido para ela. Mari revirou os olhos.
— Tanto faz — ela murmurou, cruzando os braços sobre o peito, fazendo bico. Um silêncio desconfortável caiu sobre a fileira. Os três podiam sentir a tensão no ar condicionado do avião. César sabia que ela estava adorando esse bate-boca. Ela estava amando o julgamento severo dele. Apesar de demonstrar irritação, César sabia que Mari tinha ido com a cara dele, e muito, e que ela já estava desesperada pela aprovação dele. Ele sabia que ela era do tipo que, subconscientemente, adorava o fato de estar sendo superada intelectualmente pelo próprio governo que desprezava. Ela estava morrendo de vontade de ser conquistada. Estava secretamente torcendo pela própria capitulação. Como uma mariposa, ela era atraída pela lâmpada. Ele sabia que ela estava *aqui*, por um fio, de ficar de joelhos e chupar o pau dele. Faltava só um empurrãozinho. César inclinou-se para Mari.
— Vou te dizer uma coisa, Mariana. Eu posso te dar a oportunidade de provar que estou errado. Eu aceitarei meu erro feliz da vida se você conseguir. Que tal eu te dar uma ordem? Eu me considero um homem forte, do tipo que faz as pessoas obedecerem, e minha experiência de vida em Brasília provou que isso é verdade. Se você não me obedecer, então eu estou errado, e eu calo minha boca. Se você conseguir resistir à vontade de obedecer, resistir aos seus instintos, então você provou que é dona do seu nariz. Mas se você não conseguir... bom, então eu acho que... eu ganho, e certamente vou colher os frutos — César disse com um sorriso malicioso de canto de boca.
— Ótimo. Tanto faz. Manda fazer alguma coisa, seu "machão". Você vai descobrir que nem toda mulher abaixa a cabeça pra homem — Mari disse, olhando bem para ele, desafiando o misógino. César sorriu. Ele sabia que essa era uma batalha que aquela cadela ia perder. Aqueles peitos, que estavam tão provocantemente perto dele, logo seriam dele. As mãos dele é que iriam apertar aquelas tetas enormes, e não as do Tomás. César passou a língua nos lábios, saboreando as palavras que estavam prestes a sair de sua boca.
— Minha linda... — César começou, provocando a jovem esposa. — Chupa meu pau!
Mari caiu na gargalhada.
— Ei! — Tomás disse, ficando tenso, colocando a mão no braço da esposa. César observou os peitos firmes da jovem esposa balançarem enquanto ela ria. Ela afastou a mão de Tomás.
— Relaxa, amor, eu dou conta disso — Mari disse, acalmando o marido. Ela se virou para César. Ele a olhou com uma sobrancelha erguida, desafiando-a. — É isso que você queria o tempo todo? Você só quer me comer? Bom, adivinha só... querido... — ela pausou, virando-se totalmente para ele, endireitando a postura para exibir aquele corpo firme. — Eu sei que tenho um corpo bom. Um corpo gostoso. E um velho como você nunca vai ver nem a cor dele. Só meu maridinho vê.
Ele sabia que ela estava mentindo. Sabia que, no fundo, ela estava desesperada para mostrar os peitos para ele. Mas a vadia ia pagar por chamá-lo de velho.
— Mari, a gente devia mudar de lugar. Tem um monte de poltrona vazia lá atrás — Tomás sugeriu.
— Você não confia em mim? Esses são os nossos lugares. Eu não vou a lugar nenhum — Mari disse, decidida.
— Você não quer mudar porque você quer obedecer. Você quer ficar de joelhos, abrir minha calça e enterrar meu pau grosso na sua garganta — César disparou. Os olhos dela se arregalaram com a baixaria, e então ela sorriu.
— Ha! Você tem autoconfiança, tenho que admitir. Impressionante pra um tiozão na sua idade — Mari disse. — É, e aposto que você é dotado também, né? Aham, acredito super nisso — ela disse sarcasticamente, rindo. — E além disso, a piada é com você. Eu tenho orgulho demais pra ficar de joelhos e botar a... "coisa"... de um cara na boca. Só mulher vagabunda faz isso.
— Eu acho que isso torna a piada com *ele*, na verdade — César disse, apontando o queixo para Tomás sem tirar os olhos do iPad.
— O Tomás me respeita. Ele não me trata como uma puta — Mari disse.
— E é aí que ele e eu somos diferentes, receio — César respondeu. — Quando as mulheres estão comigo, elas sabem o lugar delas. Ele pode não te tratar como uma puta, mas acredite em mim, eu vou.
— Meu Deus do céu! — Mari disse, revirando os olhos de novo, rindo do ridículo da situação, impressionada com a profundidade da misoginia daquele fóssil. Era quase impressionante o quão escroto ele era.
— Vai por mim, gata, antes dessa viagem acabar, você vai estar me chamando de "Papai" — César previu com ousadia.
— Eca — Mari respondeu, franzindo o nariz.
— Mari, sério, vamos mudar. Eu não quero ficar perto desse cara — Tomás tentou, mas o orgulho da esposa era forte demais. Ele devia ter tomado essa decisão depois de ouvir como o velho falou da esposa dele, mas não tomou. E a essa altura, ela não ia sair. Ela estava irredutível, querendo ficar no assento, não querendo recuar. Ela estava no meio de uma guerra com aquele homem mais velho, uma guerra que ela achava que ganharia.
— Eu só preciso olhar pra vocês dois pra saber o quão patética é a vida sexual de vocês. Quer saber por quê? Porque você não obedece a ele no quarto. As minhas mulheres... elas fazem o que eu mando. Se ele estivesse dando conta do recado, você respeitaria ele o suficiente pra fazer o que ele quer. Você não ia querer arriscar perder o "tratamento" que ele te dá. Mas você não respeita, porque ele não cuida de você direito. Você é uma safada mal comida que está morrendo de vontade de ser fodida direito por um homem de verdade — César afirmou.
Essa declaração fez Mari rir de novo.
— É, você me pegou. Nossa, como sabe de tudo — Mari disse com sarcasmo.
— Ria o quanto quiser, mas isso não vai esconder a verdade de que ele não fode como eu. Você sabe disso, lá no fundo. Você sabe desde o começo. Você sabe que ele é "meia bomba". E você sabe que eu não sou — César disse baixinho, diabolicamente. Mari apenas balançou a cabeça e sorriu, mas considerou as palavras que César disse.
— Vamos logo! — Tomás insistiu, fazendo menção de levantar.
— Não! — Mari afirmou. — O lugar é nosso. Eu não vou sair só porque um porco machista acha que pode mandar em mim!
Mariana não era mulher de ser tratada como puta. E Tomás não esperava isso dela. Ele era um perfeito cavalheiro, dentro e fora do quarto. Ele nunca tinha jogado ela na cama e usado o corpo dela como uma boneca inflável. Usado para o prazer dele. Ele era um amante cuidadoso, considerável, perguntava se estava tudo bem a cada dois minutos. Mas, infelizmente, ele nunca a tinha feito gozar. Ela nunca tinha gozado a não ser com os próprios dedos. A maioria das amigas dela do coletivo feminista tinha o mesmo problema. E tudo bem. Ela amava o Tomás, e não queria estar com outro homem.
Apesar de não gostar do César, ela tinha que admitir que não tinha dúvidas de que César seria um animal completamente diferente do seu Tomás. Ele a usaria como uma puta. Ele a trataria com brutalidade... a brutalidade que ela, secretamente, sempre quis.
César estava certo sobre uma coisa. Ela estava muito, muito excitada. O dia de hoje poderia ser justificado pela adrenalina de lutar por suas crenças, não por nada que César estivesse fazendo. Mas, no geral, o velho tinha razão. No fundo, ela queria ter um sexo melhor. Desejava que houvesse mais variedade na sua vida sexual, sua vida sexual com Tomás. Ela nunca o trairia. Nunca. Ela NÃO era esse tipo de garota. Embora, às vezes, desejasse que ele mudasse as coisas. Fosse um pouco mais assertivo... mais controlador. Mas ela o amava, e conseguia se virar muito bem usando os dedos no chuveiro. O amor que tinha por Tomás fazia valer a pena. Mas a suposição de César sobre sua vida sexual foi precisa. Ela era, de fato, uma safada mal comida, explodindo para sair da jaula.
César conhecia o tipo. Elas olhavam feio para outras garotas por serem "fáceis", quando no fundo desejavam ter a coragem de ser vadias. Tudo o que precisavam era de um pouco de persuasão antes que o lado piranha começasse a brilhar. Como com a maioria das pessoas, era preciso uma mão firme para fazê-las confrontar seus verdadeiros desejos.
Tomás, enquanto isso, estava apavorado. Ele não era do tipo que brigava, evitava conflito a todo custo, como estava tentando fazer ali, apesar das ofensas do agente do governo. Era estranho estar sentado ao lado da esposa enquanto ela era impiedosamente julgada por um homem mais velho. Parecia estranho sentar e assistir sua esposa ficar mais agressiva do que ele jamais ficaria. Mas ela era "braba". Ela dava conta daquele velho nojento.
Então, ali estava: uma esposa deslumbrante, de peitos grandes e sexualmente frustrada, um homem mais velho dominante, e um marido disposto a sentar e assistir do banco de reservas. Só havia um caminho para onde isso estava indo.
— Vai acontecer o seguinte: eu vou ao banheiro agora. Vou ficar lá por uns cinco minutos, eu acho. Sinta-se à vontade para se juntar a mim. Se você não aparecer em cinco minutos, então eu voltarei feliz para o meu assento e manterei a paz pelo resto do voo — César disse. Não foi uma pergunta. Foi uma afirmação. Antes que eles pudessem reagir, ele fechou o iPad, levantou-se imponente, passou por eles e caminhou pelo corredor vazio em direção ao banheiro. O casal observou até que ele entrasse na cabine. Assim que ele entrou, eles se olharam. Mari riu alto.
— Você acredita nesse cara? — Mari disse.
— É, surreal, né? — Tomás disse, rindo nervosamente.
— A audácia desse maluco, quem ele pensa que é? — Mari disse, torcendo o nariz em desgosto.
— Desculpa, amor. Eu deixei isso ir longe demais. Quando você saiu antes, ele começou a falar de você, e... não foi legal. Ele começou a te chamar de "avião", de "pedaço de carne", desculpa, a gente devia ter mudado aquela hora — Tomás se desculpou.
— Pedaço de carne? — Mari perguntou, a reação dela estranha, sem saber se devia se sentir lisonjeada ou enojada. Apesar de saber que era errado, ouvir aquilo enviou um arrepio pela espinha dela. — Bom, a gente devia ter previsto isso vindo de um cara desses, eu acho.
— Você mandou bem com ele — Tomás disse, impressionado com a esposa.
— Valeu. Ele não passa de um velho nojento — Mari disse. Houve um longo silêncio, antes de Mari quebrá-lo. — Aposto que ele tem pau pequeno — ela acrescentou. Se Tomás estivesse bebendo uma água de coco, teria engasgado. — Tô falando sério. Aposto que ele é um daqueles caras que fala pra caramba, paga de garanhão, mas na hora H, o negócio é mixuruca — Mari disse.
— Mari! — Tomás disse, chocado com essa linha de pensamento da sua esposa "good vibes". Ela nunca falava desse jeito.
— Quer saber, aposto que consigo me vingar dele — Mari disse, olhando para o corredor de forma brincalhona.
— Como assim? — Tomás perguntou.
— Aposto que consigo provar minha teoria — ela disse, puxando o celular. Ela começou a se levantar.
[…]
***
>> Será que a Mari consegue provar a teoria dela? O que acham?
[EM BREVE O CAPÍTULO 2!]