Uma puta dama - parte 3

Um conto erótico de Beto (Por Mark da Nanda)
Categoria: Heterossexual
Contém 3638 palavras
Data: 24/01/2026 06:58:14

Peguei um táxi e segui direto para o meu hotel. No trajeto pensava no conselho de Silvana:

- Vale férias... - Resmunguei para mim mesmo chamando a atenção do taxista pelo retrovisor.

Não sei se eu teria cabeça para também trair, mas nada realmente me impedia de passear um pouco e aproveitar um pouco da bela “Cidade dos Sonhos”. Sim! Eu deixaria o meu pesadelo para depois. Se Helena podia viver sua vontade independente da minha, eu também podia, e faria, mas dentro dos meus limites morais.

[CONTINUANDO]

Fiz meu “check in” no hotel às 18:00, já no fuso local. Eu estava cansado, mas nem tanto pelo voo, no qual consegui dormir algumas boas horas, mas principalmente pelo estresse e tensão da maldita mensagem que recebi da Helena.

Adentrei no quarto e joguei a minha mala. A fome apertou e decidi jantar. Não me perguntem o nome daquele prato. Simplesmente não sei! Mas era bem gostoso. Diferente do que estou acostumado, mas suficiente para me satisfazer.

Decidi fazer uma caminhada pelos arredores, mas antes das 22:00, eu já estava de volta. Dormi até o dia seguinte. Um sono agitado, intercalando sonhos agradáveis com Helena, com outros que só posso definir como pesadelos, pois eu a via com homens que não conhecia, vivendo a vida como se fosse a esposa deles. Sorte que em nenhum a vi transando com eles. Ao menos minha psiquê parecia estar me “protegendo”.

Na manhã seguinte, olhei para o meu celular e notei que o havia esquecido no “modo avião”. Desativei. Logo, várias mensagens, avisos de chamada, e-mails começaram a pipocar no aparelho. Só da Helena, no meu aplicativo de mensagens, haviam várias.

Embora curioso, decidi primeiro cuidar de mim. Tomei uma ducha, desci para um merecido “break fast”. Somente após estar bem saciado, retornei ao meu quarto e abri o aplicativo de mensagens. Só as da Helena me interessavam agora. A primeira era de horas após a minha última:

“Oi, amor.

Eu só vi sua mensagem agora.

Aconteceu alguma coisa?

Me liga quando puder, claro que vou te atender.

E lembre-se: Eu te amo!”

Aquilo só podia ser brincadeira! Ela me joga uma bomba sobre a cabeça e finge que nada aconteceu.

Meia hora depois havia outra mensagem:

“Amor, por que não me ligou ainda?

Já estou ficando preocupada.

Aconteceu alguma coisa?”

Porra! É óbvio que tinha acontecido e ela fora a causadora.

Outra ideia, porém, começou a surgir: e se não fosse Helena quem digitou aquela mensagem? Mas se não foi ela, quem foi? Tinha que ser alguém com um acesso privilegiado à ela, afinal, a mensagem havia sido enviada do seu número privado.

Horas depois, nova mensagem dela, e o tom de preocupação só aumentava:

“Pelo amor de Deus, Beto.

Onde você está que não me responde?

Já tentei ligar não sei quantas vezes para você, mas seu aparelho só dá como desligado.

O que está acontecendo?”

- O que está acontecendo, pergunto eu, caralho! Que porra é essa? - Falei para mim mesmo.

E eu não estava errado. Ou eu era casado com uma psicopata de marca maior, ou alguém, que não ela, estava fazendo um joguinho dos mais vis comigo.

Pensei em digitar uma mensagem para Helena, mas decidi ler o restante das dela primeiro.

Outra mensagem, aproximadamente 1 hora após a última:

“Já liguei para seus pais, nem eles sabem onde você está?

Você foi viajar, é isso? Desistiu de me esperar e viajou sem mim?

Mas por que sumir desse jeito? Deixei seus pais preocupados agora.”

Parecia loucura, mas eu começava a acreditar nela. Sai da conversa da Helena e vi que realmente meus pais haviam mandado várias mensagens para mim. Até mesmo minha irmã que mora no Japão, me mandou uma mensagem perguntando se eu estava bem, e olha que a gente mal se fala.

Respondi rapidamente aos meus pais, dizendo que eu estava bem, apenas viajando, mas que retornaria em alguns dias. Não tive respostas. Pelo horário, acredito que ainda estivessem dormindo.

Voltei às mensagens da Helena e o tom só piorava. Agora ela havia me mandado um áudio:

“Beto, pelo amor de Deus, me responde. Eu não sei o que está acontecendo, mas eu já estou ficando nervosa. Liguei para o Jurandir, aquele seu amigo policial e pedi para ele ver se você estava bem, e ele me retornou dizendo que você sumiu. Como assim sumiu!? Liga para mim, pelo amor de Deus!”

Após essa, havia mais alguns áudios, todos no mesmo tom de preocupação. Nos últimos notei que ela parecia controlar o choro enquanto falava. A última me deixou ainda mais surpreso:

“Estou voltando.”

Caralho! Eu já não sabia de mais nada. Não sabia mesmo o que pensar. Liguei para única pessoa que poderia talvez me dar uma luz. Silvana me atendeu no segundo toque com aquele tom calmo e conciliador que eu precisava. Após eu fazer um breve resumo, enviei para ela prints da mensagens da Helena, bem como seus áudios. Ela me pediu um tempo e disse que me retornaria a ligação. 20 minutos depois, realmente me fez uma chamada de vídeo:

- Beto, eu... não sei o que te dizer. Está tudo muito estranho. Mentir numa mensagem é fácil, mas fingir com tamanho convencimento num áudio, requer uma frieza que... Olha... Teria quase que ser uma psicopata. Não posso afirmar nada nesse sentido porque não conheço sua esposa, mas essa mulher do áudio parece genuinamente preocupada com você.

- E o que eu faço? Ela disse que está voltando para casa.

Silvana se calou por segundos, mas me deu uma boa ideia:

- Manda uma mensagem e... - Fez um bico no vídeo, como se ela própria desaprovasse o que iria dizer: - Olha só... Não costumo dar esse tipo de orientação, mas essa história me deixou realmente intrigada, então lá vai: Manda uma mensagem para ela e diz que está bem. Diga que apenas tirou uns dias para relaxar num SPA. Quando ela perguntar, e ela vai perguntar, por que você não retornou antes, diga que tomou umas a mais com uns caras que conheceu e apagou, e como seu celular ficou sem bateria, não soube das tentativas de contato dela.

- Tá, mas... e depois?

- Depois... tenta dar uma investigada na sua esposa. Mas aí, em Viena. Você não me disse que ela te passou a rotina que ela teria, onde ela iria, com quem ela estaria? Vai atrás! Verifica se ela foi mesmo verdadeira, se está sozinha ou acompanhada. Enfim, tenta descobrir algo, mas sem confrontá-la. Tira uma fotos, faça uns vídeos, reúna provas.

- Você é mesmo psicóloga, Silvana? - Perguntei, dando uma risada após esses conselhos.

- Sou sim, querido. Psicóloga e perita da Polícia Federal.

- Ahhhhh! - Dei uma gargalhada e ela outra do outro lado da chamada.

Assim que nos recompusemos, ela me falou:

- Mas olha... Não viva só em função da Helena. Vá viver, Roberto. A princípio, ela foi para aí para te trair sabe-se lá com quem.

- Eu acho que sei com quem... - Resmunguei.

- Sabe?

- Tenho quase certeza.

- E quem seria? Deixa eu adivinhar: um chefe dela. Acertei?

- Não “um chefe”, Silvana, mas “o chefe”. Acho que ela pode estar tendo um caso com o todo poderoso da empresa em que trabalha, um americano.

- Mas você me disse que ela nunca deixou provas ou indícios? De onde saiu essa suspeita agora?

- Estive pensando em muitas coisas desde ontem, e me lembrei de um detalhe pequeno, mas que agora faz toda a diferença.

Contei da pequena tatuagem que Helena havia feito próxima da virilha, a pimentinha com uma pequena letra B estilizada no seu ramo, bem como a forma suspeita que o Mr. Bronson agiu com ela e comigo naquela festa de final de ano. Silvana ouviu a tudo e não negou minhas conclusões, mas também não as corroborou e imediato. E ela estava certa, pois ainda havia muito mais perguntas do que respostas.

O hotel em que eu estava hospedado se localiza bem no centro de Viena, não muito distante, nem tão próximo ao que Helena me disse em que estaria hospedada. O centro de convenções, entretanto, ficava bem mais distante, quase impossível de ser alcançado à pé. Como eu havia tirado a minha Permissão Internacional para Dirigir há pouco mais de 1 ano, ficaria fácil alugar e me locomover. Foi o que fiz.

Agora motorizado e já considerando o horário, dirigi-me até o Centro de Convenções onde seria realizada a tal convenção que a Helena havia me falado. Chegando no tal local, fui buscar informações a respeito da convenção e, para minha surpresa, ele havia sido cancelado. Eu já sentia o peso do chifre na testa quando um colega do cara que me deu essa informação a complementou, dizendo que ele não fora cancelado, mas transferido para outro centro, há poucos minutos dali. Peguei o endereço e parti.

No caminho, recebo uma mensagem de áudio da Helena:

“Caramba, Beto, e custava avisar? Todo mundo te procurando feito doido e você curando ressaca num SPA! Falta de responsabilidade, cara. Mas, pelo menos, ficou mais tranquila. Como você está bem, vou cancelar meu retorno. Mas eu ainda quero falar com você. Preciso ouvir sua voz para ficar tranquila. Aqui em Viena são quase 10:00 da manhã. Meu almoço será das 12:00 às 14:00 daqui, entre 8:00 e 9:00 daí. Me liga. Só quero ouvir sua voz e saber que tudo está bem. Eu te amo.”

Eu já não entendia mais nada. Ou ela estava fingindo normalidade, ou estava querendo me deixar louco. Mas eu li a mensagem, tenho certeza disso. Tive um insight e assim que estacionei, mandei uma mensagem para um técnico de TI, um verdadeiro hacker que trabalhava em meu escritório. Minutos depois, ele me ligava:

- Fala, Beto, qual é a boa?

- Boa nada, Zico. Estou com um problema estranho e precisando de um grande favor seu.

- Ué!? Cê não tava viajando com a patroa? Sou tepareuta de casais, não?

- Não é o quê?

- Tepareuta! Aquele cara que conversa com marido e mulher.

- Terapeuta, você quer dizer.

- Isso. Foi isso que eu disse: tepareuta.

Zico fora um achado. Ele na verdade viveu boa parte de sua vida dando pequenos golpes na internet, até o dia em que foi preso. O pai dele procurou o nosso escritório e o Jarbas, o responsável pela área criminal, fez um trabalho magnífico, absolvendo o rapaz. Quando seu pai estava acertando os honorários com seu pai no escritório, tivemos um problema técnico com a rede de computadores, um bug que derrubou toda a rede interna e de “back up”. Não é que o Zico se ofereceu para resolver o problema e em questão de minutos, tudo estava funcionando novamente! Valdemar enxergou valor nele e lhe ofereceu um emprego. Daí para descobrirmos que Zico sabia muito mais do que consertar redes de computadores foi um pulo. O rapaz conseguia praticamente descobrir tudo de qualquer pessoa em minutos. Era realmente um prodígio, mas também tinha dislexia e disortografia, normalmente fazendo essas confusões:

- Não é nada disso, Zico. Mas é um assunto bastante delicado e preciso saber se posso contar com sua total discrição?

- Cê fez alguma cagada... - Contemporizou, rindo: - Aposto que comeu alguém e o vídeo vazou, né? Dá o nome do site que eu vou lá e apago. Já faço uma vaderrura e se tiver em outros sites, apago também.

- Hã! Hein!? Não. Não é nada disso! Eu preciso saber se tem alguma forma de recuperar uma mensagem que me tenha sido enviada, mas que o remetente apagou logo em seguia. Tem?

- Android ou Iphone?

- O quê? Meu celular?

- Claro, Beto! Não é para repuqerar no seu?

- Android, a última versão.

- Tá. Seguinte: vou precisar que você instale um programa espião no seu celular para eu poder acessá-lo. Se tiver foto sua aí pelado, quero ver não. Tem?

Fotos minhas, eu não tinha, mas tinha algumas da Helena. Perguntei para ele se havia alguma forma de eu ocultá-las para ele não as ver, mas ele deu uma risada, uma gargalhada na verdade, como se me dissesse “Acha que isso vai me impedir?”. Tentei argumentar:

- Aí cê me prejudica, né, Zico! Quer que eu faça o quê? Que eu apague as fotos da minha mulher?

- Cê que sabe, mas já aviso que também dá para recuperar... - Ele falou, antes de dar outra risada.

Ele me garantiu que não iria bisbilhotar meu celular, mas eu sabia que ele iria. Um jovem cheio de hormônios como ele não iria resistir a dar uma espiadinha na minha galeria de fotos particulares. Enfim, era um risco aceitável, mesmo porque, se a Helena estivesse realmente me traindo, eu não iria continuar com ela. Ele me passou um link com o tal programa e instruções para eu apaga-los depois. Me pediu o dia e hora aproximada da tal mensagem e disse que me retornava.

Cliquei no tal link e nada aconteceu. Olhei para meu celular e não notei nada de anormal, nem sabia se ele estava ou não mexendo ali. Os segundos começaram a se amontoar e decidi entrar no tal centro, apenas para me certificar se a convenção estava mesmo sendo realizada. E estava. Infelizmente para mim, era um evento extremamente seletivo e não acessível para quem não tivesse o nome na lista. Para minha sorte, corrupção não é algo exclusivo no Brasil e bastaram 3 notas de € 100,00 para meu nome aparecer na tal lista.

Com meu crachá e uma cara de pau típica de um brasileiro, esgueirei-me até o salão onde a convenção se desenrolava. Posicionei-me num canto mais discreto, tentando localizar a Helena, mas não consegui. Eram muitas as pessoas e a iluminação não ajudava. Decidi me sentar numa cadeira mais afastada e aguardar não sabia bem o quê.

11:30 foi avisado que em minutos haveria o intervalo para o almoço. Seria uma chance de vê-la, mas também seria arriscado dela me ver. Decidi sair antes e me afastar um pouco. Havia 3 portas de acesso e saída, e ela poderia sair por qualquer delas. Onde me posicionei, me permitia ver uma com clareza e outra a distância. A terceira ficava fora do meu campo de visão. Decidi arriscar.

No horário previsto, as pessoas começaram a sair, ordenadamente, sem pressa, sem atropelo. E foi depois de minutos observando que eu a vi, linda, vestida num tailleur azul marinho, uma meia calça nude e sapatos de salto médio pretos. Como de costume, usava um coque e trazia uma pasta em suas mãos. Ao seu lado surgiu o Sr. Richard, o CEO da empresa no Brasil. Isso me confundiu, porque eu jurava que quem estaria com ela ali, caso tudo não fosse uma grande mentira, seria o Mr. Bronson, o B de sua tatuagem.

Eles conversaram rapidamente com um pequeno grupo de homens e mulheres e saíram. Vi quando todos entraram numa van executiva. Meu carro estava longe dali e se eu fosse busca-lo, corria o risco de perde-los de vista. Então, tomei um táxi que se preparava para sair. Seguimos até um restaurante chique, não muito distante do centro de convenções, mas talvez o suficiente para cansar os delicados pezinhos daqueles executivos cheios de panca.

Assim que eles entraram, eu também entrei. Vi onde se sentaram e me sentei bem afastado deles. Nada, absolutamente nada, indicava algo que não fosse uma reunião de negócios. Eles conversavam, comiam, bebiam, mas nada, nenhum intimidade de Helena com ninguém. E isso me deixava cada vez mais confuso.

Naturalmente, também aproveitei para almoçar.

Vi quando eles se levantaram e voltaram para a van, rumo ao centro de convenções. Fiz o mesmo, mas a pé, porque não encontrei táxi e porque não achava necessário dada a distância. Em minutos de uma caminhada tranquila, cheguei ao centro. Assim que entrei, vi vários grupos reunidos e conversando, mas não consegui ver Helena em nenhum deles. Fiquei num canto, discretamente posicionado, procurando-a, procurando algum sinal, alguém com quem ela pudesse estar envolvida.

Eis que estou distraidamente em minha investigação quando ouço uma voz feminina se aproximar pelo corredor oposto ao meu. Era Helena. Eu reconheceria aquela voz em qualquer lugar. Ela discutia algum assunto com alguém que, naquele instante, eu não conseguia entender o contexto. Quase que no mesmo instante, meu celular toca. Assustei-me. Olho para o aparelho e vejo o rosto de Helena estampado, ela tentava falar comigo, sem imaginar que eu estava a poucos metros dela.

Atabalhoadamente, silencio o meu aparelho, mas não atendo a chamada. Eu sabia que se atendesse, ela poderia me descobrir. Olho para o corredor e vejo os banheiros mais ao fundo. Esgueiro-me até lá, entro num reservado e só então a atendo:

- Poxa! Até que enfim, Beto. Pensei que não fosse me atender.

- Ah, oi! É que eu... estava... saindo da piscina. Isso! Da piscina...

- Sério!? Parece que você está num ambiente fechado. Estou ouvindo ecos...

- Ah! É que... entrei no banheiro. É mais particular.

- Banheiro... sei...

- Sério, ué! Vou te mandar uma foto.

Mandei uma foto do meu reservado, tomando o cuidado para ela me ver somente da cabeça para cima, afinal, eu não estava em porra de SPA nenhum e ela estranharia minhas roupas:

- Credo! Você está no banheiro mesmo e... cagando!

- Não estou cagando! Só estou sentado, conversando com você.

A partir daí passamos a conversar assuntos cotidianos. Eu inventando a minha rotina no SPA, ela me contando do hotel, restaurantes, cafés e da convenção. Não sabia se ela estava inventando, mas estava sendo bem convincente. Ficamos bons minutos conversando e juro, não notei nada de diferente na entonação de sua voz. Bem no final de nossa conversa, eu quase me entreguei:

- Que história de mensagem foi aquela, Beto? Eu não entendi nada.

- Ué! Foi você que me mandou uma mensagem e a apagou logo na sequência.

- Então... Coisa estranha... Realmente tinha algo apagado na minha conversa, mas eu não me lembro te ter te mandado nada. Você chegou a ler essa mensagem?

Eu não sabia o que dizer. Se eu confirmasse e dissesse o que li, ela poderia negar ou mentir; mas se eu não dissesse nada, ela também poderia desconfiar e ficar mais cuidadosa. Helena não era boba, mas eu também não:

- Ah, Helena, é que... qui... qui... nada... qui... kiiiiiiiiiiiiii... sei não... kiiiiiiiiiii - Comecei a fazer barulhos de estática, misturando com palavras.

Helena podia ser muito inteligente, sagaz, desconfiada, mas era uma negação em conceitos mais aprofundados de tecnologia. Ela nunca desconfiaria que eu estaria fingindo. Fingi por um tempo e desliguei. Fiquei minutos escondido ali até dar o horário da convenção reiniciar. Saí e não havia mais ninguém no saguão.

Quando eu me dirigia para o salão, meu celular toca. Era o Zico:

- Consegui, Beto, e... caaaaaara! Que biscate essa sua mulher, hein?

- Corta essa, Zico! É a minha mulher. Respeita.

- Sua!? Acho que não é mais sua não nessa altura do campeonato, hein?

- Tá. Esquece essa história. Só me diz, deu certo? Recuperou a mensagem?

- Zico é Zico, Beto! Zico é craque, e craque faz gol. Recuperei a mensagem e deixei no mesmo lugar da conversa. Também fiz um print dela e te enviei por e-mail, com os dados de hora e local do envio e recemibento. E ó... veio do número de celular dela mesmo, viu? Tudo confirmadinho...

- Tá. Não esquece, hein? Sigilo total!

- Deixa comigo, Beto! Cê sempre foi gente boa comigo, não vou te sacanear.

- Valeu, Zico. Só uma última pergunta: por que você demorou? Andou fuçando na minha galeria de fotos?

Ele deu uma risada e não confirmou, mas também não negou. Apenas disse que deu trabalho achar o que era necessário dentro do meu celular e desligou.

Voltei a caminhar para o salão e quando estou prestes a entrar, um homenzarrão sai todo apressado, falando irado com alguém no celular. Ele não apenas saia, praticamente corria e esbarrou em mim, sem sequer se voltar e pedir desculpas. E foi melhor assim, porque de lado e depois de costas, eu o reconheci: Mr. Bronson:

- Então, o filho da puta veio... - Resmunguei baixinho para mim.

As peças começavam a se encaixar. Um homem do naipe dele não se arriscaria a ser visto durante o dia com uma subalterna, afinal, ele era o CEO da matriz, tinha um nome para zelar. Imaginei que certamente eles deviam se encontrar a noite ou em momentos em que a convenção não estivesse sendo realizada. Entrei no salão, e novamente me posicionei numa cadeira mais afastada, discreta. Foram horas de explanações, brainstormings, painéis, gráficos e mais gráficos... Um verdadeiro saco!

Mr. Bronson retornou um tempo depois e se sentou numa cadeira vazia bem na frente do evento. Só então localizei Helena e Richard ao seu lado, além de outros que não conhecia.

Pouco antes de terminarem a reunião daquele dia, me levantei e fui me posicionar mais afastado. Vi quando as pessoas começaram a sair, e novamente Helena e Richard, agora acompanhado pelo Mr. Bronson e outros. Após algumas poucas conversas, eles saíram do prédio e ficaram conversando, certamente esperando seu transporte.

Aproveitei para sair por uma porta lateral e buscar o meu próprio carro. Foi o tempo de eu entrar e manobrar para ver várias pessoas entrarem numa van, inclusive o Senhor Richard. Estranhamente o Mr. Bronson, Helena e um outro homem ficaram para trás. Assim que a van saiu, um sedã preto se aproximou e eles entraram: Helena e Mr. Bronson atrás, e o outro na frente. Um detalhe crucial foi a mão dele nas costas dela, quase na cintura, pouco acima da bunda.

Eu não precisava de mais nada. A traicao ja estava lrovada. Era chegada a hora de dar o flagra.

OS NOMES UTILIZADOS NESTE CONTO SÃO FICTÍCIOS E OS FATOS MENCIONADOS E EVENTUAIS SEMELHANÇAS COM A VIDA REAL SÃO MERA COINCIDÊNCIA.

FICA PROIBIDA A CÓPIA, REPRODUÇÃO E/OU EXIBIÇÃO FORA DO “CASA DOS CONTOS” SEM A EXPRESSA PERMISSÃO DO AUTOR, SOB AS PENAS DA LEI.

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Foto de perfil de Mark da NandaMark da NandaContos: 333Seguidores: 710Seguindo: 28Mensagem Apenas alguém fascinado pela arte literária e apaixonado pela vida, suas possibilidades e surpresas. Liberal ou não, seja bem vindo. Comentários? Tragam! Mas o respeito deverá pautar sempre a conduta de todos, leitores, autores, comentaristas e visitantes. Forte abraço.

Comentários

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E’, dessa vez o Mark está se esmerando em esconder as reais características de personalidade, assim como os reais objetivos, dos personagens.

Eu sei que o conto se chama: “Uma Puta Dama”, mas ou essa Helena é uma “Puta Atriz”, ou estão mesmo querendo sacanear com o Beto !!!

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Tinha esquecido do título da série. Lembrando que o título original era "Para a sociedade, dama; mas uma puta na cama" e depois foi alterado para "Uma Puta Dama".

Isso me leva a crer - uma hipotese, uma suposição - que ela tem uma vida dupla e que TALVEZ use o corpo para ganhar dinheiro e algo mais.

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Caramba Mark.

Que novelao, um capítulo so pra propaganda de terapia no avião e esse capítulo que não revelou nada de nada...

Quando que a ação começa pow !

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Agora resta saber quem mandou a mandarem

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Mensagem recuperada, Helena junto com o Mr, e digasse de passagem, permitindo uma aproximação por parte dele, ou seja realmente é hora de confronta-la, tudo indica q ela realmente é uma traidora, por quais motivos aínda não ficou claro,se por chantagem (o q eu acho difícil), ou por uma melhor posição dentro da empresa (o q seria muito mais fácil de acontecer), tudo indica q ela se prostituiu, sendo paga com crescimento profissional, mas eu ainda acho q vem uma grande reviravolta nesse conto, (isso é a cara do Marck), está tudo muito na cara a traição, eu acredito q.ainda venha muitas coisas por aí,e se observar as tags, isso fica ainda mais claro

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As tags são interessantes. Algumas não fazem sentido à primeira vista. Vamos ver com o Mark vai nos apresentar isso.

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Em relação as tags tem uma em destaque que é amor, mas também tem suruba e traição. De qualquer forma pe so que quandono casamento é forte quem é de fora não encontra brecha, o homem é intocável e a mulher inacessível e assim se tornam inseparáveis.

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"Um detalhe crucial foi a mão dele nas costas dela, quase na cintura, pouco acima da bunda."

Isso aqui foi de matar mesmo.

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Foda, velho. Eu quase acreditei na Helena. Quase. Mas a mensagem é meio inquestionável mesmo.

E tem outra coisa, depois de tanto tempo casado, o corno saberia perceber se o texto escrito, as palavras escolhidas e a forma de concatenar as frases fora da mulher ou de outra pessoa se passando por ela.

O que me leva as seguintes hipoteses:

1. Foi ela que escreveu e se arrependeu

2. Foi ela que escreveu sob forte ameaça

3. Alguém hackeou o celular dela e escreveu a mensagem por ela. Aqui seria muito bizarro pois o cara escreveu o texto de forma que o corno sequer percebeu que não poderia ter sido dela.

Notem uma coisa: o texto dela foi longo. Quanto mais longo o texto, mais fácil para esse perceber se poderia ser dela ou não. Como ele não se questionou sobre isso, não tenho dúvidas de que foi ela mesmo que escreveu.

É uma pena, mas acho que Helena é uma adúltera mesmo. E uma adúltera que, provavelmente, está fazendo sob ameaça, com medo de perder a carreira.

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Tenho para mim que ela escreveu e não enviou, apenas estava se sentindo culpada, talvez? Alguém viu a mensagem no rascunho e apertou o enviar. E apagou a conversa depois.

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