O Garoto Rosa – Parte 3: Novas Frequências

Da série Nick
Um conto erótico de Nick
Categoria: Trans
Contém 1869 palavras
Data: 23/01/2026 18:25:03

A terça-feira começou com o corpo pedindo trégua, um rastro do cansaço prazeroso da noite anterior. No banho, enquanto a água quente batia nas minhas costas, eu ainda conseguia sentir a pressão das mãos da Martina na minha nuca; o gosto dela parecia impregnado na minha memória. Para o dia de hoje, decidi baixar totalmente o tom da agressividade e dar um descanso para os meus pés.

Escolhi um visual mais "nuvem": uma camiseta branca com uma estampa discreta de arco-íris no peito e, por cima, um conjunto de moletom em um bege bem clarinho, quase areia. O tecido era macio, confortável e passava uma imagem de doçura que contrastava com o "perigo" que eu exalei na noite anterior. Nos pés, o alívio veio com um Air Max 90 em tons de marrom com detalhes em branco; o amortecimento era tudo o que eu precisava. O cabelo rosa estava apenas preso por uma tiara simples, deixando o rosto limpo e a maquiagem inexistente, apenas um protetor solar.

Eu caminhava pelo pátio central em direção ao bloco de Cinema quando senti o "refletor" focado em mim. Parei perto de um banco e foi aí que o vi. Ele se destacava no meio de um grupo de veteranos. Era imponente, com seus 1,90 m e um porte físico que preenchia a jaqueta jeans customizada com o símbolo do Nirvana.

Ele se descolou do grupo e veio em minha direção. Quando parou na minha frente, a diferença de altura me fez sentir pequeno, mesmo eu não sendo baixo. Tive que inclinar a cabeça para trás para encarar aqueles olhos castanhos.

— Então esse é o Nick que está fazendo o pessoal do Cinema perder o foco? — a voz dele era um fenômeno à parte: tinha um tom grave e baixo que eu senti vibrar nos meus próprios ossos, mas ao mesmo tempo carregava um ar absurdamente relaxado, como se ele estivesse em eterno estado de tranquilidade.

O fato de ele já saber meu nome, sem que eu tivesse me apresentado, me deu um frio na barriga. Ele não usou apelidos; usou o meu nome como se eu já fosse um assunto recorrente nas conversas dele.

— Não sabia que eu era pauta de veteranos, Caio — respondi, arriscando o nome dele que eu tinha ouvido alguém comentar no corredor, tentando manter o sotaque sob controle.

Ele soltou uma risada curta, relaxada.

— O pessoal vai se reunir agora na sala dos alunos para um café. É um ambiente mais... sossegado. Achei que você poderia querer sair um pouco desse movimento do pátio e trocar uma ideia. Topa?

Olhei para ele. A tensão ali era diferente da que eu sentia com a Martina. Com ela era elétrico, urgente. Com o Caio, era uma pressão constante, um peso de presença que me deixava curioso.

— Café parece uma boa ideia — respondi, ajeitando a manga do meu moletom bege.

Caminhamos lado a lado até a sala dos alunos. O contraste era cômico: eu, todo em tons claros e macios, parecendo um marshmallow, e ele, um gigante punk de jeans e voz de trovão. Entramos na sala, um espaço com sofás surrados, cartazes de filmes antigos e um cheiro forte de grãos torrados. O lugar estava vazio, exceto por nós dois.

Ele serviu duas canecas. Ao me entregar a minha, seus dedos roçaram nos meus. Foi um toque rápido, mas a diferença de temperatura — as mãos dele eram muito quentes — me fez ter um estalo mental. Ele se sentou no braço de um sofá, ficando ainda mais alto, enquanto eu me acomodei na poltrona à frente.

— Você tem um jeito interessante, Nick — ele disse, soprando a fumaça do café com aquele jeito desleixado. — Parece que está sempre interpretando um papel, mas hoje... hoje você parece mais "você". Esse moletom te deixou com cara de quem precisa de um abraço.

Ele disse aquilo com um sorriso de canto, os olhos castanhos me analisando de um jeito que me fez cruzar as pernas involuntariamente, sentindo o tecido do moletom roçar na minha pele ainda sensível da depilação.

— E você tem cara de quem daria esse abraço e depois me usaria de modelo para algum filme de terror cult — retruquei, sustentando o olhar.

Caio inclinou o corpo para frente, apoiando os cotovelos nos joelhos. A jaqueta jeans abriu um pouco, revelando uma camiseta preta gasta. A tensão na sala era palpável, um desejo implícito que não precisava de toques brutos para existir. Era o jogo do "e se?".

— Terror não... — ele murmurou, a voz vibrando de novo no ambiente pequeno. — Eu te filmaria em câmera lenta, Nick. Só para entender como alguém consegue ser tão delicado e tão petulante ao mesmo tempo.

Nesse momento, meu celular vibrou na mesa. Era uma chamada de vídeo da Martina. Olhei para o aparelho, depois para o Caio, que apenas arqueou uma sobrancelha, esperando para ver qual seria o meu próximo movimento.

Larguei o celular de lado, ignorando a chamada da Martina. A sala dos alunos era um territorio neutro, um oásis onde o tempo parecia correr mais devagar. Caio conversava com uma calma que contrastava com tudo o que eu já tinha vivido. Ele me dava dicas da faculdade, falava sobre os professores com propriedade e me tranquilizava sobre as matérias que eu temia. Passamos a manhã inteira ali; perdi a aula, mas ganhei um mapa da mina de quem eu deveria confiar.

Almoçamos juntos, formando uma dupla impossível de ignorar pelo campus: o gigante grunge e o garoto "marshmallow". Na hora da despedida, ele pegou meu celular e salvou o próprio número. O adeus foi um abraço acalorado. Quando ele me envolveu, enfiei o rosto naquele peito duro como rocha, sentindo o calor que emanava dele.

— Nossa, Nick... tu é cheiroso demais — ele murmurou perto do meu ouvido. — E tu é alto e duro — respondi, meio sem graça, arrancando uma risada dele. — Tu não viu nada de duro ainda, rlx.

Fiquei parado, arrumando o cabelo que ele tinha bagunçado com aquela mão enorme na nossa despedida, me fazendo ficar com cara de bobo e de bico com ele, como quem estivesse brabo, mas claramente só fazendo um charme vendo-o se afastar. Na aula seguinte, vi como ele tinha salvo o contato: "Vet Gato :)". Passei o resto do dia alternando mensagens com ele e com a Martina, sentindo o ritmo da capital finalmente me atropelar.

Na manhã seguinte, o despertador foi meu inimigo. Acordei atrasado, com o celular explodindo com "bom dia" dos dois. Vesti o que estava à mão: uma calça jeans wide leg cheia de bolsos — onde eu vivia perdendo minhas chaves — e uma camiseta oversized marrom estilo futebol americano. Calcei o Air Max 90 de novo e saí correndo com o cabelo bagunçado.

Sentei ao lado da Martina na aula, trocando olhares cúmplices e indiretas sobre a noite do beco, mas também acabamos focando na aula, pois eram formulas e tabelas atrás de mais formulas e tabelas, acabamos nos ajudando, pois dois pensam melhor que um, ainda mais com minha mente estava em curto-circuito no ritmo doido eu estava entrando. Como a grade da Federal é uma bagunça, tive o resto da manhã livre após a primeira aula. Meus pés me levaram, quase por instinto, de volta ao espaço dos alunos.

Ao entrar, a surpresa: a sala estava vazia, exceto por ele. Caio estava jogado no sofá, com um notebook no colo.

— Que que tá aprontando? Matando aula? — provoquei. — Nada, escrevendo meu TCC. Quer ver? Vem cá — respondeu ele já abrindo os braços pra eu ir ler o que estava fazendo.

Joguei minha mochila de lado e me sentei no puff acoplado ao sofá. O peso dele no móvel fez o tecido ceder, e eu acabei escorregando, parando quase em cima dele. Foi o sinal verde silencioso que o ambiente pedia quando simplesmente ali fiquei.

Comecei a fingir que lia o que estava na tela, mas o perfume dele — um doce suave, porém marcante como ele — inundou meus sentidos. Desviei o olhar do texto para o rosto dele e percebi que ele já me encarava há tempo. Caio fechou o notebook com uma mão e, com a outra, envolveu minha cintura, me puxando para o centro da sua gravidade.

O beijo foi como ele: calmo no início, mas com uma força subjacente que não permitia resistência. Era um beijo molhado, profundo, que me fazia girar. Ali, no silêncio daquela sala, eu me senti desmontar. O peso do corpo dele contra o meu criava uma tensão elétrica que fazia meus dedos cravarem na jaqueta jeans dele. Eu era uma pérola sendo lapidada pela força bruta de um veterano que sabia exatamente o que estava fazendo.

O mundo lá fora poderia estar correndo, mas ali, entre o moletom marrom e a jaqueta do Nirvana, o tempo estava parado. O beijo de Caio não era urgente como o da Martina no beco; era possessivo, um domínio calmo que parecia reivindicar cada centímetro do meu fôlego. Senti as mãos dele, quentes e firmes, subirem por baixo da minha camiseta oversized, mapeando as costelas e a pele da minha cintura que eu tanto cuidava para manter lisinha.

— Você é muito mais perigoso do que parece, Nick — ele murmurou contra meus lábios, a voz agora tão grave que eu sentia meu baixo ventre latejar em resposta. — Essa carinha de anjo... é um convite para o pecado.

Eu estava completamente entregue àquela órbita. O peso do corpo dele, a força dos braços que me prendiam e o cheiro inebriante me faziam querer esquecer que a sala era pública, que a Martina existia ou que eu tinha uma vida fora daquele sofá. Eu queria ver até onde aquela calma ia, queria sentir se a força que ele emanava se traduzia em algo ainda mais intenso entre quatro paredes.

Caio interrompeu o beijo por um segundo, me olhando fixamente com aqueles olhos castanhos que pareciam atravessar qualquer máscara que eu tentasse usar. Ele deslizou a mão da minha cintura para a minha nuca, puxando levemente o meu cabelo rosa, forçando meu pescoço para trás.

— O TCC pode esperar — ele disse, com um sorriso que não tinha nada de relaxado agora. — Mas eu não. Minha república está vazia hoje à tarde. E eu acho que a gente tem muito o que "estudar" sobre como você reage quando não está no controle da situação.

Senti um arrepio percorrer minha espinha. A promessa estava feita. Eu sabia que, se cruzasse aquela porta com ele, o garoto que ditava as regras e brincava de seduzir teria que abrir espaço para uma versão de mim que eu mal conhecia: aquela que se rendia.

Levantei-me, ainda meio tonto, e peguei minha mochila. Caio se levantou logo em seguida, revelando toda a sua altura imponente, e colocou o notebook na pasta. Ele não precisou dizer mais nada, apenas segurou minha mão com firmeza e me guiou para fora da sala dos alunos.

Enquanto caminhamos em direção ao estacionamento, meu celular vibrou uma última vez no bolso. Eu nem precisei olhar para saber que o equilíbrio da minha vida na capital estava prestes a mudar drasticamente. Eu entrei no carro dele sabendo que, naquela tarde, o "Pérola" seria lapidado de um jeito que nenhuma aula da Federal jamais conseguiria ensinar.

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Foto de perfil de Sayuri MendesSayuri MendesContos: 59Seguidores: 64Seguindo: 4Mensagem uma pessoa hoje sem genero, estou terminando medicina e resolvi contar a minha vida e como cheguei aqui, me tornei que sou depois de minhas experiencias, um ser simplismente inrrotulavel

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