Os dias que se seguiram àquela noite no clube transformaram nossa casa em um cenário de adoração e desprezo. Eu me tornei um servo do prazer dela, mas um servo que ela mal notava. Marina agora andava pela casa com uma confiança nova, uma aura de quem conheceu o próprio limite e decidiu ultrapassá-lo. Nossas relações tornaram-se exercícios de pura humilhação para mim. Às vezes, no meio da tarde, ela deixava que eu a possuísse, mas não havia paixão em seus olhos, apenas uma condescendência que me corroía. Enquanto eu me esforçava, suando sobre ela, Marina pegava o celular, digitava mensagens ou simplesmente comentava sobre os homens do seu escritório. "Sabe o nosso gerente de contas, o Rodrigo?", ela dizia, enquanto eu tentava desesperadamente fazê-la sentir algo. "Ele foi de calça de sarja hoje... o volume era tão nítido, Ricardo. Fiquei imaginando se ele tem a pegada daquele negro do clube. Com certeza ele me rasgaria ao meio, ao contrário desse seu esforço fútil."
Eu ouvia tudo calado, sentindo meu sangue ferver de um desejo masoquista. Eu era o marido com o pau pequeno que ela permitia usar seu corpo apenas por hábito, ou talvez para ter um público para suas fantasias com outros. "Pode continuar, Ricardo", ela zombava, sentindo minha hesitação. "Eu deixo você terminar, mas é engraçado... parece que estou sendo penetrada por um dedo. Depois do que eu senti naquela noite, o seu tamanho se tornou uma piada interna para mim." Ela ria, uma risada clara e cruel, enquanto descrevia como imaginava ser possuída por cada amigo do trabalho que tinha ombros largos e mãos grandes, detalhando o que queria que fizessem com ela, tudo enquanto eu estava ali, tentando inutilmente preenchê-la.
Certa noite, enquanto ela se arrumava diante do espelho, passando um batom vermelho vibrante e vestindo uma lingerie que eu nunca tinha visto, o golpe final veio de forma direta. Eu perguntei onde ela ia, e ela nem se deu ao trabalho de me olhar nos olhos. "Vou sair para encontrar alguns amigos, e você sabe que tipo de 'encontro' vai ser. Preciso sentir algo de verdade, Ricardo. Preciso daquela grossura que me deixe aberta de novo, algo que você é fisicamente incapaz de me dar." Meu coração disparou. Eu senti o medo de perdê-la misturado com o fetiche de ser substituído.
Ela se virou, ajeitando o decote, e me deu um ultimato frio. "Vou te dar uma escolha. Você pode vir comigo, carregar minha bolsa, pagar a conta e assistir de um canto enquanto homens de verdade me usam como eu mereço, ou você pode ficar aqui nesse quarto mofado, imaginando o que eles estão fazendo comigo. Eu não vou mais me esconder e não vou mais me privar por causa da sua mediocridade. Se quiser fazer parte da minha vida de agora em diante, vai ser como o espectador da minha satisfação com outros. Ou eu vou sozinha e você nem terá o prazer de ver. O que vai ser?" Eu olhei para ela, completamente dominado, sabendo que minha vida como marido tradicional tinha acabado para dar lugar ao papel de um simples acessório na sua jornada de prazer.
