Segredos de Uma Mulher Bem Casada - Capítulo 1

Um conto erótico de contradiO
Categoria: Heterossexual
Contém 4311 palavras
Data: 03/01/2026 12:33:27
Última revisão: 04/01/2026 16:34:46

Obs: pessoal resolvi trocar o título, aquele de antes não estava me agradando!

Antes das minhas notas, gostaria de dizer que essa é uma conta secundária minha (ContradiO), que escrevi a série “Mamãe teve que ir sentada no meu colo” e algumas outras famosas do site. Gosto de adaptar algumas histórias que me chamam atenção, essa eu li tem algum tempo em inglês, então resolvi fazer uma adaptação para o Brasil dela e tomei a liberdade de modifica-la conforme eu achasse apropriado. Então vamos para as notas agora:

> Esta NÃO é uma daquelas histórias clássicas de corno manso ("você vai aceitar todos os meus amantes e limpar a sujeira depois").

> Isso também não é uma história de vingança cruel. Maldade gratuita não é o foco aqui.

> O que irei te oferecer é uma história de amor sobre uma mulher que tem necessidades reais e tenta muito, muito mesmo, deixá-las de lado pelo marido - o amor da vida dela. Mas será que o casamento sobrevive? Deveria sobreviver?

> 'Mariana Arruma um Amante' é uma variação daquele velho tema "Amor, precisamos conversar". Espero que gostem. Por favor, me contem nos comentários. Ajuda demais!!

***

Mariana

Arrumei meu primeiro amante no meu aniversário de dezoito anos. Ele era meu tio e, quando cheguei no meu quarto orgasmo naquela primeira noite, eu já estava perdidamente apaixonada. Uma versão mais jovem do meu pai, o **Rogério** tinha vinte e oito anos, era casado e lindo de morrer. Ele tinha uma verdadeira alavanca no meio das pernas, e quando me esticou toda e tirou minha virgindade, me deu um orgasmo muito mais intenso do que meus dedos jamais sonharam em conseguir. Descobri logo depois daquela noite que orgasmos múltiplos na primeira vez são raridade, que dirá quatro, e isso me fez sentir especial.

Poderosa.

Eu, Mariana Ribeiro, de repente tinha virado mulher.

Nas semanas seguintes, fui a aluna mais aplicada dele. Ele me ensinou a técnica de um boquete perfeito. Me ensinou a fazer durar, usando a língua e os lábios exatamente do jeito que ele gostava pra deixá-lo maluco. Em troca, me ensinou a ser assertiva na cama, a exigir que meu homem estimule meus peitos, meu clitóris e meu ponto G, incentivando ele a me fazer gozar sem eu precisar ajudar. Como curtir a sensação de um pau grosso me preenchendo e como apertar os músculos lá dentro pra arrancar um orgasmo alucinante de nós dois.

Ele me ensinou que amante bom é aquele que chupa até eu ficar balbuciando e babando no travesseiro, geralmente antes mesmo de pensar em me penetrar. Me ensinou a nunca me contentar com um cara egoísta na cama.

Me ensinou a deixar meu homem louco de tesão, segurando o gozo dele até que ele esteja tão carregado que literalmente explode em puro êxtase quando eu finalmente deixo.

Resumindo: ele me ensinou a ser uma foda inesquecível, viciante e de revirar os olhos.

Minha versão adolescente tinha se apaixonado perdidamente. Eu jurava que ele ia largar aquela esposa insuportável. Ela era frígida, o Rogério dizia. Ele precisava de uma válvula de escape ou ia fazer besteira. Dizia até que a mulher aprovava nossos encontros. Me contou que ela estava feliz por ele estar "se aliviando" fora de casa, assim ela podia ter o que queria: luxo, o cartão de crédito sem limite e a liberdade de não ter que transar, coisa que ela achava nojenta. Obviamente, como o Rogério era irmão do meu pai, a gente não podia contar pra ninguém que a "amante especial" era eu.

Tudo isso fazia o maior sentido pro meu cérebro adolescente cheio de hormônios.

Não demorou muito e comecei a tomar as rédeas da situação. Logo, era eu quem estava usando ele. Eu que exigia que ele passasse os fins de semana comigo em motéis escondidos na Dutra ou naqueles chalés discretos na Serra, fodendo até perder a noção do tempo. Eu planejava tudo. Eu tirava ele de casa em horários absurdos. Eu tinha dezoito anos, um fogo no rabo absurdo e logo descobri que ele não tinha forças pra me negar nada.

Claro que deu merda. Fiquei cada vez mais agressiva exigindo tempo e sexo, forçando a barra, nós dois relaxamos e a mulher dele descobriu. Rogério me disse depois que ela me chamou de "piranha sem coração". Eu pensei: "grande coisa, ela odeia sexo mesmo!" Até descobrir o tamanho do B.O. que aquilo era pra ela.

Ela pediu o divórcio mais rápido que funkeira desce até o chão, e eu fiquei no céu. Agora ele ia casar COMIGO! Eu ia ter tudo que queria.

Quando cruzei com a ex dele no Shopping Morumbi, ela veio com tudo pra cima de mim. Fez um escândalo. Mal sabia ela que aquele barraco só fazia minha calcinha ficar encharcada. Enquanto ela gritava, eu só pensava: "Anda logo, libera o papel pra eu poder dar pra ele em tempo integral." Com meu 1,78m de salto, saia curta e meia-calça, eu devia ser uma visão intimidadora pra ex-mulher do Rogério, que mal batia no meu ombro. Talvez agora, pensei, ela entendesse por que eu fui a escolhida.

Depois daquilo, achei que ia até me mudar pro apartamento dele!

A vida ensina, né?

Depois de uma separação relâmpago, o Rogério largou o emprego e se mandou pra Curitiba. Ele e meu pai, o irmão mais velho dele, nunca mais se falaram. Minha família virou as costas pra mim. Minha mãe disse que não me reconhecia mais. Fui enxotada de casa. Meu primeiro amor tinha me custado tudo.

Sem a mesada do papai e da mamãe, até minha faculdade (eu fazia Publicidade na ESPM) foi pro brejo.

Fiquei no chão. Aos dezoito anos e meio, minha vida tinha acabado. Tinha sido traída pelo "Amor da Minha Vida". Caí num papinho furado e muita gente pagou o preço.

Burra, burra, burra.

Na verdade, não sou burra. Sou uma garota desenrolada que às vezes faz burrice. Mas tento aprender com meus erros.

Analisando a situação, percebi que tinha muito a meu favor. Com quase 1,80m, tenho pernas longas, cinturinha de pilão e peitos tamanho 42 durinhos. Minha bunda é aquele padrão nacional, redonda e empinada, me garantindo um corpo violão de parar o trânsito. Sei andar daquele jeito que faz todo mundo olhar pra trás.

Tinha material pra trabalhar, certo?

Tranquei a matrícula e entrei pro Privacy e pro OnlyFans. Comecei uma carreira curta, mas que rendeu uma grana boa como *cam girl*. Fiz o suficiente pra pagar um par lindo de silicone, botei uns 350ml pra ficar turbinada. O tempo que não estava na câmera, passava na SmartFit. Com muita disciplina, fiquei com aquele corpo de panicat. Minha renda disparou junto com minhas medidas.

E minha vida sexual também.

E minha libido.

Meu primeiro amante depois do Rogério me deixou num estado de tesão permanente. Depois disso, perdi a vergonha de transar no primeiro encontro. Na verdade, me sentia poderosa sendo tão desejada. Me sentia mais poderosa ainda mandando o cara pastar se ele não soubesse me comer direito. Já fiz isso algumas vezes, inclusive, mandando o cara parar no meio porque estava uma bosta.

Deixava o cara na mão, vestia minha roupa e ia caçar outro em alguma balada na Vila Olímpia.

Eu gostava dos cafajestes, aqueles caras com cara de que não valem nada, pau grande e atitude de "tô nem aí". Não queria casar com nenhum; só queria a próxima foda alucinante.

Tive uns namoradinhos. Um, o **Ricardo**, durou dez meses. Sendo a safada que sou, deixei claro que não ia rolar exclusividade. Se serviu de algo, foi pra fazer ele se esforçar mais na cama. Adorava que ele aguentava o tranco por horas, até, claro, pifar. Tinha noite que ele me fazia gozar quatro vezes e me chupava pra quinta, e quando finalmente apagava, eu pegava meu vibrador e terminava o serviço enquanto ele roncava do lado.

Gostava do Ricardo, mas sabia que nunca ia amar ele. Fora da cama, a gente não tinha química. Ele tinha um emprego chato num escritório de contabilidade, papo furado e era meio ogro. Mas eu tinha adestrado ele direitinho na cama e ele aprendeu rápido.

Adorava que o Ricardo topava tudo. Transamos no Parque Ibirapuera à noite, no carro. Sentei no colo dele num barzinho escuro na Augusta, de saia rodada e sem calcinha, quicando nele enquanto fingia beber minha caipirinha. Chupei ele embaixo da mesa num restaurante chique nos Jardins. Fiz ele lamber minha xereca enquanto eu mandava áudio pras minhas amigas no WhatsApp.

Fizemos de tudo. Oral, vaginal, anal (nessa ordem, óbvio), sexo em público.

O Ricardo foi o primeiro a sugerir um menage. Claro que ele queria duas mulheres (MHM). Típico.

Aí começou o fim dele. Pensei: não vou casar com ele mesmo, mas porra, eu não dou conta do recado? Pra que ele precisa de outra mulher na nossa cama?

Topei o menage, mas exigi que começássemos com dois homens (HMH). Ele não esperava essa. "Direitos iguais", eu disse, e ele concordou meio a contragosto. Eu sabia o que queria. Fomos numa balada sertaneja naquele fim de semana. Ricardo estava de jeans e camiseta polo, mas eu fui pra matar. Salto agulha, meia-calça fume, minissaia de couro e um body decotado. Parei a balada. Não demorou pra eu mirar no alvo. Chamei o cara, um moreno forte, com cara de quem frequentava academia todo dia. O Ricardo ficou inseguro, mas eu bati o pé. Odeio insegurança, broxa total. O cara novo assumiu o comando e me destruiu na cama. Fui socada no colchão enquanto o Ricardo olhava com cara de tacho. O marombeiro tinha um fôlego absurdo e eu não cansava daquele pau grosso.

Ele me fez gozar umas duas vezes por cima, me virou e me pegou de quatro sem dó. Nem precisei do vibrador aquela noite. Depois de gozar horrores, eu tava de joelhos com a cara no travesseiro e ele puxando meu cabelo. Quando ele enfiou com tudo no meu rabo, vi estrelas. Acho que revirei os olhos porque só via branco enquanto ele me preenchia até a alma.

Quando ele finalmente tirou e gozou, escorrendo por tudo que é buraco, procurei o Ricardo. Tinha sumido. Vazou.

Pois é.

Aquilo me deixou mal. Mandei meu "Adonis" embora (já tinha dado o que tinha que dar, coisa rara pra mim) e fiquei pensando que porra eu estava fazendo da minha vida.

Percebi que estava rodando em círculos. Era uma *cam girl*, pelo amor de Deus. Tava numa espiral de autodestruição. Precisava acordar, tomar vergonha na cara e começar a vida de verdade.

Conclusão: precisava de um *reboot*.

Contratei uma consultora de imagem. Fui na Oscar Freire, torrei milhares de reais em roupas clássicas mas sexys, pra valorizar meu corpo de vinte e um anos e minhas pernas. Minha consultora ajustou tudo, montou looks incríveis.

Fiz uma transformação completa. Corte de cabelo novo, maquiagem nova. Disseram que eu estava com uma vibe meio Paolla Oliveira novinha. Tá ótimo pra mim. Deixei o cabelo longo e ondulado, aproveitando que nasci com cabelão cheio.

Esperava que o visual novo me garantisse uma carreira, mas no fundo queria atrair parceiros melhores. Caras que me interessassem na cama e na mesa do jantar.

Não tinha muitas habilidades (além do sexo, mas não queria mais vender isso), mas consegui ser notada num evento de marketing. Dei sorte e, com minhas pernas, consegui um trabalho modelando sapatos. Logo virou modelar roupas pra um e-commerce grande, depois comerciais de TV onde a câmera passeava pelo meu corpo todo.

É, eu era uma nova mulher. Mais grana. Visual novo. Atitude nova.

Mas continuava com um fogo no rabo incontrolável.

Descobri rápido que os caras da publicidade eram diferentes dos garanhões que eu pegava nas baladas. Comiam em restaurantes melhores, tipo Fasano e D.O.M. Moravam em coberturas ou casas em Alphaville. O papo era melhor, mais profundo. Mas a sobremesa... geralmente decepcionante. A confiança social deles sumia na cama quando meu demônio sexual aparecia. Consigo conversar sobre política e literatura de boa. Mas quando aquela chave vira, perco a noção.

Quando tô muito excitada, viro ou uma dominatrix ou uma ninfomaníaca submissa voraz. Nunca sei qual Mariana vai aparecer.

Amo as duas, mas pra alguns caras, as duas assustam.

Logo depois da repaginada, mirei num executivo gato numa festa da agência. Não usava aliança, então arrisquei. **Paulo** era loiro, alto, sorriso de comercial de pasta de dente. Ficava lindo num terno sob medida. Era engraçado, inteligente. Nos demos bem de cara e ele me fez chorar de rir. Por mais que eu ame um volume na calça, cara que me faz rir já tá com meio caminho andado pra minha cama.

Às nove e meia já tinha tirado ele da festa. Estávamos nos engolindo no banco de trás de um Uber Black, indo pro Hotel Unique. Vinte minutos depois, eu estava cavalgando nele naqueles lençóis de mil fios, sentindo o máximo que os 14cm dele permitiam.

Paulo era um amante carinhoso, atencioso, garantiu que eu gozasse. Não importava que um dos orgasmos fosse eu me masturbando enquanto quicava nele.

Transamos por uns quarenta e cinco minutos até ele dizer que tinha acabado. Tentei fazer ele me chupar mais um pouco, mas ele já estava mole e cansado. Deitei do lado dele e pensei no que tinha acabado de acontecer.

Ele era um cara incrível, sem dúvida. Socialmente, adorava estar com ele. E o sexo... bom, foi "ok". Né?

Companhia maravilhosa, sexo ok. Esse era o mantra na minha cabeça enquanto ouvia a respiração dele.

Grande amigo, sexo ok.

Será que dava pra treinar? Moldar ele pra virar um amante foda?

O problema não era nem o tamanho médio.

O problema é que ele não me chupava com vontade quando eu precisava, precisava *mesmo*. Isso não é treino. É perfil. E percebi que não adiantava tentar mudar.

Olhei pro celular. Eram dez e meia.

Às onze horas eu estava dançando funk numa balada na Barra Funda, com os braços no pescoço de um moreno sarado chamado **Fábio**. Desde o momento que me enfiei entre ele e os amigos dele, coloquei a mão no peito dele e mordi o lábio, ele virou meu escravo. Dançava muito e, mesmo de salto, tive que ficar na ponta do pé pra beijar. Bebemos, dançamos. Conversamos pouco, o papo era limitado: Futebol e mulher. Nessa ordem.

À uma da manhã, estava num Uber de novo. Quando passamos pela Marginal Pinheiros, o pau enorme dele já estava na minha boca e na minha mão, e olha que não consegui fechar a mão em volta dele.

Fodemos até o sol nascer. Perdi a conta de quantas vezes gozei, gritando alto.

Às seis da manhã, sugeri um café na padaria. Ele negou. "Não rola, gata. Vai lá. A gente se vê à noite?"

Sorri, deixei meu número num guardanapo (o número errado, claro), ele piscou e agradeceu enquanto eu me vestia.

O Uber me deixou numa padaria 24h perto de casa, em Pinheiros. Às seis e meia, eu estava mandando ver num pão na chapa com média, vestida de gala e com a meia-calça desfiada.

Não era a primeira vez.

Pensei na noite.

Paulo era divertido e generoso, mas o sexo foi só ok. Meio chato, pra ser sincera.

Fábio me destruiu na cama. Gozei gritando, mas o cérebro dele não passava de Corinthians e sexo.

Dei o número errado pros dois.

Será que existia alguém em São Paulo que pudesse me dar o pacote completo? Alguém nessa selva de pedra que me fizesse rir até a barriga doer e depois me transformasse numa vadia babona enquanto me fode sem dó?

Me perguntei: se tivesse conhecido o Fábio primeiro, teria escapado do quarto dele pra caçar outro? Teria conhecido o Paulo? Provavelmente não. Com a xereca satisfeita, nem teria me dado ao trabalho. Meu cérebro não estaria gritando "ache um cara legal". Não àquela hora.

E aí caiu a ficha: minha xereca estava pensando por mim.

Comecei a me sentir derrotada.

Algumas mulheres que conheci no trabalho acabaram virando amigas. Antes eu não tinha paciência pra mulher, achava chato. Mas essas eram diferentes. Eram divertidas. Eram taradas também.

Conversávamos muito. Minhas melhores amigas eram a **Gisele** e a **Alice**. Gisele era gaucha, de Porto Alegre. Aquele sotaque arrastado deixava os caras doidos. Ruiva linda, boca suja que eu amava.

Alice é uma loira carioca, cabelo no ombro, corpo de academia e peitos durinhos. Nos demos super bem. Adorava que ela recebia tanta cantada quanto eu. A Gisele também. Nunca fui insegura, então saber que estávamos todas na mesma liga de gostosura me deixava feliz.

Claro que nós três falávamos de homem o tempo todo. Elas também passavam o rodo, transavam muito. MUITO.

Concluímos que homem perfeito não existe. Perdemos a inocência faz tempo. Nenhuma de nós "precisava" casar. Alice mandou a real. Gisele e eu concordamos. Ela disse que homem de pau muito grande geralmente é um babaca, porque o ego é do tamanho da ferramenta. Homem de pau pequeno é inseguro, mas alguns compensam na empolgação e na técnica (a famosa "linguada de ouro").

Como vocês já notaram, sempre fui maria-pau-grande. Amo, amo, amo um pau grosso. Gosto de sentir preencher tudo, sou viciada em orgasmos múltiplos.

Delícia...

Mas pau grande nunca me deu nada além de sexo. Então quando a Alice soltou a teoria dela, concordei.

Pau grande. Ego grande.

E se tem uma coisa que eu odeio, é homem com ego inflado.

Comecei a pensar: se pau grande é igual a ego grande e namorado bosta, será que pau pequeno é igual a ego pequeno e bom material pra namoro?

Em outras palavras (e espero estar errada): será que pra ter um namorado bom eu tenho que aceitar pau pequeno?

Sei lá. Mas pro meu cérebro viciado em sexo, parecia fazer sentido.

Uma coisa era certa. Se eu queria um namorado de qualidade (e eu queria), precisava mudar a estratégia. Disse pra mim mesma que precisava baixar a régua na cama se quisesse um namorado de nível. Talvez desse pra treinar.

Ei, aqui é a Mariana. Claro que eu consigo.

Normalmente, quando conheço um cara, seja numa festa ou num barzinho na Vila Madalena, já fico medindo. Não tô procurando papo cabeça sobre política. Tô calculando se ele aguenta o tranco na horizontal. Se ele vai se preocupar mais com o meu gozo ou com o dele. Confia em mim, em dez minutos de conversa, eu sei. Às vezes, só de olhar o jeito que ele segura o copo de cerveja, eu já sei.

Mas boas intenções e carinho não garantem necessariamente uma foda inesquecível.

Decidi tirar uma noite com o meu "bonde" pra tentar resolver isso. Eu estava determinada a mudar o disco e encontrar um cara que não se encaixasse no meu padrão habitual de cafajeste. Fomos a um bar super exclusivo no Itaim Bibi, com a expectativa de que, se é pra ser cantada, que pelo menos seja por alguém de uma classe social mais alta.

Ok, olha só. Eu tinha só vinte e três anos. Me dê um desconto por ser ingênua sobre gente rica e privilegiada.

Mas nessa fase da minha vida jovem, cheguei à conclusão intelectual de que sexo alucinante não é tão importante quanto ter um cara bacana pra dividir a vida e, sim, transar também. Concluí que minhas melhores trepadas talvez tivessem ficado no passado. Disse a mim mesma que precisava baixar minhas expectativas no quarto.

Antes da minha grande noite com a Alice e a Gisele, eu tinha ficado na seca por seis semanas (meu recorde anterior desde os dezoito anos tinha sido 6 dias). Eu estava com tanto tesão acumulado que minhas mãos tremiam quando coloquei minha meia dúzia de anéis.

Não deixei nada ao acaso. Vestido vermelho de paetê "a vácuo", colado no corpo, meia-calça importada da *Cervin* modelo *Tentation* (aquelas francesas com brilho de óleo e costura atrás), e um salto agulha vermelho sangue de 12 cm que me jogava lá pro alto, me transformando num mulherão de 1,90m de pura gostosura. Enfiei umas calcinhas extras na bolsa, só por emergência.

O bar *Baretto*, dentro do Hotel Fasano, era elegante, decorado com requinte e estava quase lotado. Gisele e Alice já estavam lá, numa mesa no meio do lounge, perto do piano. Estavam vestidas pra matar e prontas pra causar. Quando as vi, fiz minha entrada triunfal. Como modelo de meias, estou sempre exibindo as pernas. Meu vestido de seda escarlate revelava uns trinta centímetros de coxa e dá pra dizer que minha entrada foi... notada. Aproveitei cada segundo, rebolando minha bunda empinada enquanto desfilava na linha imaginária até a mesa das meninas.

— Eita, porra! — Alice disse, levantando pra um abraço apertado. — E a gente aqui achando que você não tava procurando uma foda de qualid...

— Acha que tá exagerado? — perguntei, dando uma voltinha. — Achei que ia combinar com o ambiente. Não?

— Amiga, se eu tivesse um metro de perna e um par de peitos igual ao seu, eu estaria mostrando também.

Dei uma olhada na Alice de cima a baixo. — Bebê, você já tá fazendo isso! — Alice tinha escolhido um vestido *babydoll* azul elétrico curtíssimo. Eu sabia que ela estava de meia 7/8 com cinta-liga porque o vestido era tão curto que as presilhas da liga ficavam à mostra, mesmo com ela em pé.

É um visual que eu já usei várias vezes, e nunca falha.

— Oi, minha gata! — Gisele disse, me puxando pros braços dela.

— Ô Gi, você tá um espetáculo — eu disse. Magra como uma modelo e radiante, a gaúcha safada estava um pouco mais modesta no comprimento da saia, mas compensava com um decote que ia quase até o umbigo.

Sentei e cruzei as pernas. Sou exibicionista, admito, e estou sempre procurando alguém pra provocar com meu cruzar de pernas. Faço devagar, apertado e sexy, maximizando o contato nylon-com-nylon pra fazer aquele *SUIISH* delicioso. Meia-calça me deixa excitada pra caralho e o barulho delas roçando vai direto pro meu cérebro sexual. Melhor ainda, adoro os puxõezinhos nas ligas quando cruzo. Me fazem sentir sexy e deixam minha calcinha úmida.

Certamente não estou acima de fazer aquele balancinho com o sapato pendurado no pé ou quicar a perna pra manter os olhares grudados em mim.

— Então, bebê — Alice começou —, como vai o programa de abstinência? Subindo pelas paredes já?

Eu ri. — Digamos apenas que a Bodytech dos Jardins tem me visto muito mais ultimamente.

— É o que eu faço — Gi disse. — Uma hora na esteira não substitui uma foda bem dada, mas ajuda.

— Perdi três quilos — eu disse —, e de repente, meu abdômen apareceu. — Levantei o braço e fiz muque. Meus braços estavam definidos. — E olha esses cambitos!

— Tá gostosa, amiga — Gi disse. — Só imagina como você ficaria se desistisse de sexo por um ano.

— Nem brinca com isso — eu disse, rindo. — Depois de só seis semanas de seca eu já virei uma Amazona guerreira.

— Seis semanas? — Gi disse com aquele sotaque arrastado do sul. — Guria, tu deve estar ficando louca.

Inclinei pro centro da mesa pra ter privacidade. — Tô com tanto tesão que treparia com um touro mecânico.

— Então o que tá te segurando, nega?

— Desisti dos garanhões. Chega de "Mister Universo". Vou esperar por um homem bom, alguém que me faça rir, me leve pra ópera no Municipal, e me foda até terça-feira que vem.

— Boa sorte com isso — Alice disse, rindo.

— É sério. Tenho que mudar minha vida. Esses *bad boys* tão acabando comigo. Claro que amo ser pregada na parede. Mas esses merdas não servem pro meu futuro. Preciso mirar numa classe de homem mais alta.

— E quando você achar ele?

— Se... se ele existir, definitivamente não vou dar pra ele no primeiro encontro.

— Acho isso bem esperto, na real — Gi disse. — Com teu apetite, não pode assustar o coitado rápido demais.

— Foi o que pensei — eu disse. — Vou achar um bom candidato, namorar um tempo. Vou até resistir aos avanços dele. Vou dar uma conferida no pacote, ver o volume que ele carrega, mas não vou deixar o bicho sair pra brincar. Não até, sei lá, a gente construir algo juntos.

— Uau. Um namoro de verdade — Alice disse. — Que novidade.

— Sexo alucinante não deveria ser o requisito principal pra um namorado ou marido — declarei. — Nem é a melhor base pra um relacionamento sério. Vocês me conhecem. Vou começar pelo básico: bonito, bom senso de humor, bom emprego, cheio de amigos, atencioso, alguém que me valorize. Vou com calma. Conhecer de verdade. Sem pressa. Dois, três meses devem bastar. E aí...

— E aí, você dá o bote — Gi disse.

— Exatamente. Quando ele menos esperar, derrubo ele igual bezerro em rodeio. Dou um nó nele e fodo até a alma sair do corpo.

— E se ele não aguentar o tranco? — Alice perguntou.

— *Quando* — Gi corrigiu. — *Quando* ele não aguentar o tranco.

Olhei pras duas com aquele olhar fulminante, voz calma e de aço. — Eu treino ele. Moldo ele às minhas necessidades. Entupo ele de Viagra se precisar.

Isso fez minhas amigas gargalharem.

Enquanto a conversa fluía, aceitando todas as bebidas grátis que mandavam pra gente, me acomodei pra uma noite divertida com meu bonde. Teria muita atenção masculina, muita bebida, muitas propostas, mas hoje eu não ia embora com nenhum deles, mesmo estando com a periquita piscando de tanto tesão. Imaginava uma poça se formando no chão entre meus pés.

Mas minha cabeça estava feita. Mariana, dessa vez você vai esperar por algo melhor. Não vai se entregar pro primeiro pau grande que aparecer. Você vai esperar por um cara legal. E aí você vai treinar ele pra lidar com uma vadia voraz e incrivelmente tarada, vinte e quatro horas por dia. Ele tá por aí. Tem que estar.

E quando eu achar ele, nada vai me impedir de devorar o coitado.

Essa era a Mariana Ribeiro que saiu naquela noite pra encontrar o parceiro perfeito.

***

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Comentários

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Autor escreve bem demais .

Li os 4 contos e esta maravilhoso .

O dilema mesmo num conto é super real .

Conheço uma mulher que é a mulher mais gostosa que conheci na vida.

Todos sao loucos pra ficar com ela e ela nao fica com ninguém pq é casada com um amigo meu de infancia e namora o cara desde os 14 anos .

Desde o colégio os dois nao se desgrudam , o cara é mais velho q ela e pra dizer a verdade o cara é nada atraente .

Uma vez eu perguntei pra ela pq ela ainda estava com ele

Ela me respondeu que o cara é o melhor pai do mundo pros filhos dela , nao deixa faltar nada em casa e é super carinhoso , disse que ja passaram por poucas e boas , ate lava rápido eles abriram juntos, hoje sao ricos e ela me disse que mesmo ele nao sendo bom de boa oque vale é o companheirismo e a fidelidade por tantos anos juntos e por tantos anos que lutaram juntos e ela nao iria perdeu um cara tão legal por uma foda ou um caso

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Eu até poderia dizer tudo de errado q tem cm o pensamento dela, mais foda-se kkkk estamos numa cada de contos eróticos e não dá terapia, então vou acrescer ao autor pela boa escrita e pelo texto que prende e aguardar o desenrolar dessa aventura kkk Nota 10!!!

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Hahahaha, a criação dela e o histórico de vida dela fizeram ela se tornar desse jeito, tenso né?

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Desenvolvimento da personagem perfeito!! Consigo visualizar claramente os locais e a personalidade dela!

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