MUDANÇAS

Um conto erótico de Nassau
Categoria: Heterossexual
Contém 6070 palavras
Data: 18/01/2026 16:29:16

Esse conto é direcionado às mulheres. A todas elas. Das que já passaram por mudanças e se tornaram livres e independentes até aquelas que necessitam ‘tirar as traças do armário e as angústias de suas mentes’ para se tornarem as mulheres que merecem ser.

Eu disse direcionado as mulheres. Homens não precisam ler. Mas se quiserem ler, também não há problemas.

Melissa era para ser a mulher mais admiradas naquela turma da faculdade que se aproximava do encerramento do último ano. Não era alta e seu corpo nunca passava por uma avaliação por causa das roupas largas e desajeitadas que usava e seu rosto, sempre mostrando uma expressão de alheamento e sem nunca usar uma maquiagem, não chamava a atenção de ninguém. Para complicar, seus cabelos crespos e armados estavam sempre com a aparência de um ninho fabricado por alguma ave que exagerou no consumo da bebida, ou seja, uma pomba completamente bêbada. Sua altura também não ajudava nada e o normal é que todos olhassem por cima dos seus um metro e cinquenta e três de altura e não a vissem.

O que ela tinha de bom era sua inteligência e sua dedicação aos estudos. Em suma, Melissa era a mais autêntica nerd que alguém possa ter conhecido. Nerd e, mesmo assim, invisível.

A melhor coisa para explicar a aparência dela e o interesse que despertava nos homens que conviviam com ela era o apelido que carregava desde quando entrou no Ensino Médio. Os maldosos garotos, com a ajuda de meninas igualmente maldosas, se referiam a ela como “conjunto vazio” e queriam dizer com isso que ela não tinha nada para oferecer a ninguém.

Naquela noite de sexta-feira Melissa resolveu ficar em casa e chamou o namorado para ficar com ela. O motivo disso é que não precisava mais ir à Faculdade, pois já tinha sido aprovada em todas as matérias e o namoro se explicava por causa de não ser ninguém da Faculdade, o que ela preferia para não ver seu companheiro ser motivo de piadas e taxado de ser cego simplesmente por aceitar a namorar com ela.

O nome dele era Caio e ele era o filho da mulher que fazia a limpeza no aparamento que ela dividia com Cássia uma vez por semana. Ele tinha a mesma idade que ela e de vez em quando aparecia no apartamento para levar algum recado de sua mão e, como era tratado com carinho por Melissa e, sendo muito tímido, logo se aproximou mais dela e engataram um namoro. Já estavam juntos a seis meses, ambos tinham perdido a virgindade juntos, mas ultimamente o jovem mancebo parecia não demonstrar mais o mesmo interesse por ela que, queria resolver essa situação e achava que, para isso, nada melhor do que passar uma noite inteira com ele onde transassem até não poder mais. Inclusive, ela estava disposta a dar a ele algo que sabia que era seu desejo. Melissa estava disposta e entregar a ele sua última virgindade, que era a de seu cuzinho.

O jovem namorado chegou quase no mesmo instante que a pizza que Melissa encomendou, do sabor que ele mais gostava, foi entregue na portaria do prédio. Feliz, ela colocou junto ao vinho que ela escolhera com muito cuidado depois de uma demorada pesquisa na internet e acendeu as velas, sendo surpreendida por Caio que perguntou:

– Para que velas? E cadê a coca cola?

– A vela deixa tudo mais romântico, amor. E quero que hoje seja um dia especial, por isso vamos tomar esse vinho que é de uma safra especial.

– Você sabe que eu odeio vinhos. Por que não comprou umas brejas então?

– Acho que vinho é mais romântico. Cerveja é melhor para quando se está em turma.

– Lá vem você com essa merda de romantismo. Mas tudo bem. Tome seu vinho que eu vou tomar água mesmo.

– Não. Espere. Acho que ainda tem suco de caju na geladeira. Vou pegar para você.

Triste, Melissa foi pegar o suco e depois viu seu namorado devorar a pizza em meio a um monólogo, pois ela falava e ele respondia com monossílabos. Ela era a inteligente daquela relação e logo percebeu que o rapaz desejava mesmo era estar bem longe dali.

Depois da pizza, foram para o quarto onde Caio foi arrancando sua roupa e esperando que Melissa fizesse o mesmo. Depois disso, sem nenhuma preliminar, ele se deitou sobre ela na cama e, de olhos fechados como se não quisesse ver o seu rosto, ficou socando seu pau normal durante quinze minutos até finalmente conseguir um orgasmo meia boca.

Melissa, que não conseguiu gozar e se sentindo ofendida com a falta de interesse do rapaz, o questionou:

– O que está acontecendo Caio. Você parece que está a quilômetros daqui?

– É mesmo? Bom, não é isso. É que meus colegas marcaram de se encontrarem para irmos a uma balada e você me chamou aqui.

– E você preferia estar lá com eles? Então porque veio?

– Vim porque você é minha namorada. Se eu não viesse, minha mãe ia acabar descobrindo e ia infernizar a minha vida.

– Espera aí. Quer dizer que você só está comigo porque a sua mãe que isso?

– Não é que... Bom... Não é bem assim. É que eu...

– Saia daqui. Vista a sua roupa e vá se encontrar com seus amigos.

– Por que isso agora? Eu não fiz o que você queria?

– Não Caio. Eu nunca quis que você fizesse o que eu quero. Eu queria que você ficasse comigo porque você quer.

– Lá vem você com essa conversa de gente metida. Pode parar.

– Já parei. E para você entender bem, vou falar do jeito que você está acostumado. Vaza daqui agora. Sai dessa casa, sai da minha vida senão quem vai fazer de sua vida um inferno não vai ser sua mãe não. Vai ser eu.

Entendendo que a casa tinha caído, Caio tentou virar o jogo e passou a ofender:

– O que foi? Você está me mandando embora? E quem vai ficar com você?

– Homem tem muito por aí.

– E por que você não consegue nenhum?

– Isso é verdade. Não consigo mesmo nenhum homem, pois só me aparece idiotas como você que acha que a aparência é mais importante que o caráter. Vai se foder Caio. Vai atrás da sua turminha e encontre uma garotinha burra que acha que só porque você sorriu para ela faz com que ela seja a última bolacha do pacote. Suma da minha vida.

– Mas é que eu...

– AGORA. VAZA DAQUI. JÁ.

Sem coragem de encara a fúria que aquela pequena mulher estava demonstrando, Caio saiu tão depressa que, ao se vestir, prendeu os botões da camisa nas casas erradas, saindo do prédio com ela toda torta, provocando um sorriso de mofa no porteiro.

E Melissa se atirou na cama e quase se afogou em suas lágrimas. Ainda não era vinte e uma horas e havia uma noite inteira pela frente para ela se lamentar por ser feia e desgraciosa.

Cássia chegou e a encontrou prostada na cama. Elas eram realmente muito amigas e só não ficavam mais tempo juntas porque a outra era o oposto dela. Uma garota bonita que vivia tentando a carreira de modelo e tinha o péssimo costume de enjoar dos homens que arrumava em pouco tempo, sempre trocando de namorado, fazendo com que Melissa caçoasse dela dizendo que tinha ela tinha menos calcinhas em sua gaveta do que já tinha tido namorados, ao que Cássia respondia bem humorada>

– Aí que você se engana. Eu tenho várias dezenas de calcinhas, pois gosto de usar sempre uma nova quando vou ao encontro de algum cara.

Entretanto, nesse dia a conversa foi séria. Cássia praticamente obrigou Melissa a contar o eu acontecera e, quando ficou a par, lhe disse:

– Você precisa mudar, Melissa. – Depois parou para pensar e pediu: – Desbloqueie aqui pra mim.

Melissa atendeu ao pedido de Cássia que pegou o celular de volta e depois de vários toques o devolveu falando:

– Ouça isso.

Imediatamente o som de um órgão soou do aparelho e Melissa, olhando para a tela, falou:

– Vanusa? Essa não é aquela que errou a letra do Hino Nacional?

– Apenas ouça, Melissa. Ouça e preste atenção na letra. Acho que é algo que você precisa ouvir.

E a voz clara e afinada da cantora encheu o quarto enquanto Cássia sai dali sem dizer mais nada:

“Hoje eu vou mudar / Vasculhar minhas gavetas / Jogar foras sentimentos / E ressentimentos tolos.

“Fazer limpeza no armário / Retirar traças e teias / E angústia da minha mente / Parar de sofrer / Por coisas tão pequeninas / Deixar de ser menina / Pra ser mulher.”

Nessa altura da música a atenção de Melissa já estava totalmente voltada ao que ouvia e quando chegou na parte que dizia: “Dançar e cantar por hábito / E não ter cantos escuros / Pra guardar os meus segredos / Para de dizer / Não tenho tempo pra vida / Que grita dentro de mim / ME LIBERTAR.”, Melissa já tinha tomado uma decisão.

Resoluta, foi até o banheiro e tomou um banho, embora já tivesse tomado outro antes de Caio chegar. Então vestiu a roupa mais descolada que encontrou no seu armário, mas quando se olhou no espelho, viu seu rosto sem graça e gemeu, quase desistindo. Porém, movida pela raiva e com as palavras de Vanusa ainda ressoando ao seu ouvido, foi pedir ajuda para Cássia que não pareceu surpresa ao vê-la entrando no quarto vestindo uma roupa melhorzinha e pedir:

– Você me ajuda?

– Ajudar no que?

– Você entende de maquiagem. Me ensina a fazer isso.

Cássia olhou para a amiga com um sorriso nos lábios e o brilho no olhar de quem acabou de conquistar algo importante. Então falou:

– Primeiro vamos ter que dar um jeito nesse cabelo.

O cabelo de Melissa era loiro, porém, mais parecia capim seco e, por ser crespo e com o comprimento que ia até as costas, estava sempre armado. Ela quis perguntar o que tinha de errado com seu cabelo, porém, por ter consciência de que a amiga tinha razão, ficou quieta enquanto assistia a outra levantar e arrastá-la de volta para o banheiro, levando em suas mãos alguns produtos de beleza.

Lá chegando, mandou Melissa tirar a roupa, o que ela se recusou a fazer. Cássia deu uma rápida examinada na aparência dela e, sem discutir, a empurrou para baixo da ducha e abriu a torneira.

– Sua maluca. Eu já estou vestida para sair!

– Azar o seu. Foi você que não quis tirar. O que você pensou? Achou que eu ia querer ver essa micharia que é seu corpo? Que ia tocar nas suas partes íntimas? Se liga garota. Eu gosto é de homem. E homem macho.

Mesmo contrariada e demonstrando vergonha, Melissa arrancou o vestido que usava e ficou apenas de calcinha e sutiã, provocando o comentário de Cássia:

– Com uma calcinha e sutiã assim, a única coisa que você vai conseguir é afugentar os homens.

– As minhas são todas assim. – Respondeu Melissa e, no intuito de mudar de assunto, provocou a amiga: – Por que você sempre fala homem. Nós somos jovens. O normal é que procuremos por rapazes.

– Aí que está. Não importa a idade. O que importa é que, na hora do sexo, ajam como homens. E se for muito novo e não estiver conseguindo, cabe a você mulher transformar o infeliz em um homem de verdade.

– Ai Cássia. Isso soa tão devasso.

– Deixe de ser besta. O nome disso é prazer. Devassidão é o que seus amigos fazem com você te menosprezando. Mas hoje você vai mostrar para eles que estão todos errados.

– Eu não vou conseguir fazer isso.

– Ah vai. Eu vou garantir que você tenha muito mais que coragem.

Nesse momento Melissa não pode ver a expressão de malícia no rosto da amiga, pois estava com os olhos fechados enquanto ela massageava seus cabelos onde despejara meio tudo de um creme especial.

Depois de enxaguar os cabelos de Melissa e repetir a operação mais duas vezes, Cássia os enrolou em uma toalha e a levou de volta ao seu quarto, a colocando sentada diante de um espelho enquanto plugava o secador de cabelos na tomada.

Poucas palavras foram trocadas entre elas durante a operação em que uma Melissa assustada foi vendo o seu rosto desgracioso ir se transformando. Quando Cássia se deu por satisfeita, ela estava com os cabelos presos de um lago da cabeça com cachos caindo sobre seus ombros e do outro lado uma presilha cravejada com pedras semipreciosas que brilhavam ao refletir a luz do quarto. Então foi até a cômodo, abriu as gavetas e começo a vasculhar em meio a uma quantidade insólita de calcinhas e sutiãs. Insólita porque ninguém nesse mundo precisa de tantas assim.

Depois de vários minutos angustiante, Melissa viu Cássia andar em sua direção tendo uma calcinha azul escuro de renda, totalmente transparente, uma cinta liga e um par de meias de seda, todas da mesma cor e disse.

– Levante-se. Tire essa calcinha e esse sutiã molhado.

– Eu não vou ficar nua na sua frente.

– Ah! Vai se catar Melissa? Tudo o que você tem aí para mostrar eu tenho também. Deixa de ser boba.

Relutante, Melissa obedeceu e quando sua amiga fez o último gesto, prendendo as meias na cinta liga, ela se virou para o espelho. Como estavas em pé, não via seu rosto e ela já sabia como ele estava, mas o que viu a deixou arrepiada. Seu corpinho que, embora pequeno, era repleto de curvas, com uma cintura fina, um bumbum arrepiado e pernas roliças lhe deixou com uma sensação de poderosa. Em sua mente, as palavras de Vanusa ressoavam:

“Hoje eu vou mudar / Sair de dentro de mim e não usar somente o coração / Parar de cobrar fracassos / Soltar os laços / E prender as amarras da razão.”

Quando voltou a prestar atenção em Cássia, ela vinha em sua direção trazendo um sutiã que formava calcinha com todo o resto que ela usava. Com a ajuda da amiga, cobriu a nudez de seu seio, voltou a olhar para o espelho e falou:

– Nossa. Ficou divino. Pena que não tenho nenhuma roupa que combine com isso e o meu melhor vestido você molhou todo.

– Não se preocupe. Eu tenho algo aqui que vai servir. – Falou Cássia abrindo a porta do guarda roupas e tirando de lá um cabide que estava coberto com uma capa para proteger a roupa ali guardada de poeira.

Com delicadeza, retirou a proteção e Melissa ficou olhando para um vestido também azul e a primeira coisa que pensou foi como aquele vestido ficaria em sua amiga e questionou:

– Que roupa é essa? Não venha me dizer que você já usou esse vestido. Ele é muito pequeno. Acho que sua bunda ficaria aparecendo.

Melissa se referia ao fato de Cássia, com seu um metro e setenta e cinco, ser vinte e dois centímetros maior que ela. Mas a amiga explicou:

– Eu vi esse vestido em uma loja e fiquei imaginando como você ficaria linda nele. Então eu comprei para te dar de presente. Mas depois não tive coragem, pois achei que você não ia querer usar.

– Obrigada Cássia. Você é realmente um amor. – Disse Melissa e começou a analisar o vestindo, falando no fim: – É muito lindo, mas escandaloso demais. Não, obrigada.

– Não o cacete. Anda. Veste logo. – Falou Cássia já segurando o vestido e foi enfiando pela cabeça de Melissa com cuidado para não estragar seu penteado.

Novamente olhando para o espelho, Melissa perdeu o fôlego e Cássia, muito espertamente, a puxou para perto do armário cuja porta aberta tinha um espelho que refletia o corpo inteiro de que se postasse à sua frente e Melissa suspirou fundo ao ver sua imagem.

Os cabelos arrumados em um penteado exótico, a maquiagem precisa destacando seus olhos claros e o batom parecendo dar mais volume aos seus lábios carnudos a deixavam linda. O vestido era algo a parte. Transparente da cintura para cima, com alguns apliques para esconder os seios, depois descia em uma saia justa que realçava as curvas de seu corpinho indo até o meio de suas coxas. Não bastasse ser curto, em frente da perna direita, tinha uma abertura de quinze centímetros e qualquer movimento mais abrupto dela faria com que sua calcinha ficasse aparecendo. O toque destoante eram as alças do sutiã aparecendo, pois o vestido era decotado e apenas duas tirinhas saiam deles para serem ligadas através de um nó atrás de seu pescoço.

Mas isso não foi nenhum problema para Cássia que, antes de Melissa dizer alguma coisa, já estava soltando o fecho de seu sutiã e, com muito cuidado, o puxou para cima deixando sua amiga livre daquela peça.

– Mas..., mas eu estou quase nua.

– Você está linda, sedutora e irresistível. Agora fique aí. Não se mova um centímetro. Me dê vinte minutos para eu me aprontar. Hoje nós vamos mostrar para essa cidade quem é quem entre as mulheres lindas e poderosas.

Os vinte minutos se transformaram em quarenta, o que Melissa nem sentiu, pois durante esse tempo todo ficou ouvindo a música de Vanusa repetidas vezes.

Quando finalmente saíram de casa, já passava das vinte e três horas. Cássia dirigia enquanto não parava de tecer elogios à beleza de sua amiga que, constrangida com tantos elogios, falou:

– Linda eu? Essa roupa é meio escandalosa, não é?

– Não. É apenas uma roupa que valoriza a sua beleza. É por isso que as mulheres se vestem.

– Pois eu acho que é escandalosa sim. Estou parecendo uma... uma...

– Putinha? – Completou Cássia ao ver que Melissa não conseguia completar a frase.

– Isso. Uma puta que fica se exibindo para atrair a atenção dos homens.

– Se atrai é porque eles gostam. E sim. Você está uma deliciosa putinha.

– É essa então a sua intenção? Você quer mesmo me transformar em uma puta?

– Lógico que sim. O que uma verdadeira amiga não faz pela outra. Não é?

Melissa não conseguiu conter o sorriso enquanto o gargalhada de Cássia eclipsava a voz de Vanusa que ela tinha colocado para tocar usando o seu celular que já estava conectado ao som de seu carro, não parava de repetir a música Mudanças.

E era nas frases ditas por Vanusa que Melissa encontrava forças para evitar que pulasse daquele carro e corresse de volta para o seu apartamento.

Sabiamente, Cássia escolheu uma balada onde sabia que os amigos de faculdade de Melissa estavam acostumados a frequentar. Ela sabia disso porque a amiga vivia comentando sobre isso.

Quando as duas entraram no recinto, o efeito foi imediato. A princípio, Melissa se intimidou ao ver todos os pescoços masculinos se torcendo para acompanhar o seu caminhar meio que vacilante em direção a mesa que Cássia escolhera.

Mal se sentaram, um rapaz se aproximou e chamou Melissa para dançar. Ela que queria acreditar que todos aqueles olhares eram dirigidos à Cássia, levou um susto dobrado. Primeiro por ser ela a escolhida e segundo porque o cara que se aproximou era ninguém menos do que Fulvio, o cara mais bonito e assediado de sua turma. Talvez até o mais assediado da Faculdade em que estudavam. Então se prontificou a dizer não, porém, antes que começasse a falar, sentiu um leve pontapé em sua canela. Mesmo assim, falou:

– Desculpe, mas eu acabei... ai

O pontapé de Cássia agora não foi nada leve e Melissa a fuzilou com um olhar, mas em vez de ela se intimidar, apenas sorriu e falou com apenas um movimento dos lábios:

– Vai.

Conhecendo sua amiga, Melissa já imaginou que qualquer coisa que fizesse que não fosse aceitar aquele convite a deixaria com as canelas roxas, pois sabia que Cássia não a deixaria recusar aquele convite que ela mesma queria para si. Pois olhava para Fulvio com seu jeito de predadora. Então aceitou, sem deixar de fuzilar mais uma vez a amiga com o olhar, o que só serviu para provocar o riso dela que parecia estar se divertindo loucamente com aquela situação.

Mal chegaram à pista de dança e Fulvio praticamente atacou Melissa a abraçando com força e logo deslizando a mão em direção à sua bunda. Ele tinha que ficar curvado diante a diferença de tamanho entre os dois, com ele sendo trinta centímetros maior que ela para falar ao seu ouvido:

– Aonde você estava escondida durante todo esse tempo, gatinha?

Aquilo foi demais para Melissa que respondeu:

– O tempo todo na sua frente, seu idiota. Eu sou a Melissa.

Ele parou de dançar e se afastou alguns centímetros da garota para poder olhar seu rosto. Logo reparou que a bela mulher que chamara a sua atenção era a mesma sobre a qual ele vivia fazendo comentários jocosos sobre a feiura dela. Melissa não suportou e falou:

– Então. Eu sou a feia. O conjunto vazio, está lembrado? Agora me deixe em paz e vai atrás daquelas que estão à altura de suas exigências.

– Não. Desculpe... Eu... Eu... Droga.

Melissa já tinha se virado e andava com passos firmes em direção à mesa onde Cássia esperava por ela com um olhar de aprovação e falou quando ela se sentou:

– Eu o fora nele?

– Sim. Aquele idiota. Nem me reconheceu. Sabia,

– Bem merecido. Só que você não pode ficar dando o fora em todos os caras que vierem pedir para dançar com você.

– Será que não tem ninguém aqui que não estuda naquela faculdade?

– Acho que tem.

– Quem? Falou Melissa olhando a sua volta.

– Escute. Não olhe agora. Quando fizer, disfarce está bom. É que tem um cara ali no balcão que não tira os olhos de você desde que entramos.

Melissa disfarçou e viu. Era um homem aparentando ter mais que trinta anos, vestido um terno formal. Seus olhos se encontraram e ela imediatamente desviou, voltando a falar com Cássia:

– É bonito. Mas um pouco velho. Você não acha?

– E daí, sua boba. Quanto mais velho, mais experiente. Fica muito melhor.

– Não foi disso que falei. Eu quis dizer que ele, com a idade que tem, não vai se interessar por uma mulher bem mais nova. Ele nem veio me tirar para dançar?

– Ah! Então é isso? Pois bem, preste atenção. Os homens mais velhos não gostam de levar um fora quando se aproximam de uma mulher. Por isso eles ficam estudando de longe e só se aproximam se a mulher der um sinal de que também está a fim:

– Tá. E como é que eu faço isso.

A pergunta de Melissa surpreendeu à sua amiga que sabia que a timidez dela jamais permitiria que essa pergunta fosse feita. O que ela não saiba é que a transformação de Melissa que tinha começado ao ouvir a música tinha avançado enquanto ela era produzida pela amiga e chegara ao ponto máximo a se ver admirada quando entrou na balada. Entretanto, mesmo surpresa, Cássia continuou:

– Fique olhando aleatoriamente para o ambiente até que seu olhar se cruze com o dele. Quando isso acontecer, não fuja. Sustente o seu olhar nele e conclua com um sorriso. Isso vai ser o suficiente para que ele saiba que não será recusado ao se aproximar.

Inteligente como era, Melissa fez exatamente como foi orientada e logo depois de sorrir, seu sorriso morreu em seus lábios e ela disse assustada para Cássia:

– Meu Deus, Cássia. Ele está vindo para cá.

– Uai! Não era isso que você queria?

– Mas... O que eu faço agora?

– Agora você retira traças e teias.

– O que você quer dizer com isso?

– Que esta é a hora em que você deve deixar de ser menina para ser mulher. Mudanças, lembra?

A letra da música explodiu no cérebro de Melissa que, de repente, parou de tremer e aguardou ansiosa até que a voz grave do homem disse com a boca próxima ao seu ouvido por causa do som alto do ambiente:

– Essa linda mulher aceita fazer um homem feliz?

– Aceitaria se eu soubesse como fazer isso. – Respondeu Melissa num arroubo de coragem

– Uma dança seria o ideal. Mas sua simples atenção já me bastaria. – Ao ver que Melissa apenas olhava para ele e não respondia nada, ele tomou a iniciativa e pediu permissão para se sentar na cadeira ao lado dela, o que ela concordou de imediato. Então ele estendeu a mão para ela e falou:

– Muito prazer. João.

– Melissa. Mas... João do que?

– João. Por que?

– É que normalmente esse nome vem acompanhado de algum outro nome.

– Eu sei. Tem Batista, Evangelista, Bosco, Paulo. Esse tem dois.

– Sim. E todos santos. Você por acaso é santo também?

– Santíssimo. Estou quase sendo canonizado em vida.

Melissa riu dele percebendo que ali havia um homem inteligente ao ponto de entender quando ela fazia uma brincadeira e dava corda para que a mesma continuasse. Então atacou:

– Para um futuro santo, você está no lugar errado. Não acha?

– Pois é. Deveres da função. Meu chefe me convidou e não pude dizer não.

Isso não era bom. Direcionar o assunto para trabalhos e deveres não era o que ela pretendia e agiu rápido:

– Esses deveres incluem ficar paquerando garotas?

– Na verdade não. Só que eu não pude resistir a tanta beleza. Nunca tinha visto uma mulher tão linda assim.

– Também acho. Minha amiga é realmente linda.

– Sim, ela é. Mas não é à beleza dela que estava me referindo. Quis dizer que você é a mais linda que já vi.

– Nossa! Para um futuro santo até que você é ousado, não é?

– Pois é. Mas todo santo que se preza passa por suas tentações e hoje o diabo exagerou. Hoje o inferno está soltando fogos porque o capeta está ganhando de goleada. Você é muita tentação.

– Hum... E o que você vai fazer a esse respeito? Pretende fugir para uma igreja ou vai se fechar em um quarto e usar um chicote para se auto flagelar e expurgar os maus pensamentos.

– O problema é esse. Não consigo acreditar que os pensamentos que estou tendo sejam maus.

– Verdade? E o que você pretende fazer a respeito?

– Primeiro levar a mulher mais linda nessa balada para a pista de dança.

– E depois?

– O depois a gente descobre juntos. Acho que assim é melhor.

Aquela resposta de João agradou Melissa. Ele estava dizendo a ela que queria leva-la para a cama em uma cantada que era talvez a mais sutil que ela já tinha ouvido falar, pois não era comum a ela receber. Mas não era só isso. Ele também deixara claro que qualquer coisa que acontecesse ia depender da vontade dela, pois sua fala era uma afirmação de que poderia recuar a qualquer momento. Afinal, ela estava percebendo que estava diante de um homem bonito, inteligente e um cavalheiro. Então brincou com ele.

– E você pretende dançar com nós dois sentados aqui?

– Touche! – Disse João enquanto se levantava e segurava a cadeira para que ela se levantasse.

Em pé, Melissa percebeu que João não era muito mais alto que ela e calculou que ele devia ter por volta de um metro e sessenta e cinco e, de uma forma sacana que não era comum nela, pensou que aquilo era uma vantagem, pois isso permitiria o encaixe perfeito. Seu rosto queimou e ficou vermelho diante desses pensamentos.

A conversa prometida para acontecer enquanto dançavam foi esquecida. Ao chegarem à pista, João segurou a cintura de Melissa com as duas mãos e fez uma leve pressão e apesar disso ela não opôs resistência e deixou que ele a puxasse para sim e seus corpos se colaram fazendo com que ela ficasse dota arrepiada.

O perfume que ele usava atingia diretamente seu cérebro e Melissa sequer sabia onde se encontrava e quando João escorregou as mãos em sua cintura unindo as duas em suas costas, muito próxima à sua bunda, mas sem descer mais, ela forçou o quadril de encontro a ele e sentiu a dureza de seu pau de encontro a sua barriga, na região que ficava entre seu umbigo e sua xoxota que nessa altura já estava ensopada. Ela já tinha encostado o rosto no ombro dele e, sem saber de onde tirava coragem, virou um pouco e lambeu o seu pescoço.

A reação foi imediata. Ela sentiu o homem sofrer um leve tremor e a pulsação de seu pau de encontro à sua barriga. Nesse momento, o desejo de Melissa era que ele segurasse sua bunda com as duas mãos e espremesse o corpo dela de encontro ao seu, mas como ele não tomava essa iniciativa, foi além e começou a mover seu quadril se esfregando de encontro aquele pau duro. A lambida no pescoço foi subindo até que ele virou o rosto e suas bocas se encontraram. Ali, no meio da pista, começou um beijo intenso que não parava nunca.

De repente, a música cessou para um intervalo e os pares que dançavam em volta deles começaram a abandonar a pista e voltarem para suas mesas até que os dois ficaram sozinhos, em uma exibição pública de um beijo público e profano a ponto de mostrar a todos no que iria terminar.

Foi Melissa que percebeu a situação e desfez o beijo, mas não o abraço. Em vez disso, ela olhou para ele e sorriu, recebendo um sorriso de volta. Então falou:

– Você tem certeza de que quer ser santificado?

– Eu já disse que hoje o diabo está ganhando de goleada.

– Então o que está esperando, João. Me leve embora daqui.

– Mas... E o meu chefe?

– Seu chefe que se foda. Ele deve ser grandinho o suficiente para sobreviver sem você.

Sem ter argumentos para rebater a afirmação dela, ele desfez o abraço, segurou em suas mãos e começou a leva-la em direção a saída, quando foram interrompidos por Cássia que foi atrás deles com a bolsa de Melissa na mão que entregou a ela e depois falou para João:

– Cuide bem da minha amiga, viu?

– Isso vai ser fácil. O que me preocupa é quem vai cuidar de mim.

– Seu bobo! – Disse Melissa sorrindo e dando um leve tapa no ombro dele.

João foi direto para o seu apartamento e teve problemas para explicar ao síndico do prédio no dia seguinte o motivo da câmera do elevador ter gravado ele e uma garota se despindo enquanto subiam para o apartamento e ficou ainda mais constrangido quando o mesmo síndico lhe entregou uma calcinha azul que tinha sido largada no hall da entrada de seu apartamento.

E Melissa descobriu naquele dia que a virgindade que tanto falam não se trata apenas de uma película que se rompe quando uma xoxota é penetrada pela primeira vez. Ela já tinha transado com o Caio, porém, a verdadeira virgindade foi perdida naquele dia, pois para deixar de ser virgem, uma mulher precisa se entregar por inteira a um homem. É necessário que ela faça as suas próprias MUDANÇAS.

A primeira foda entre o casal foi na sala, com ela debruçada sobre o encosto do sofá e ele fodendo sua buceta por trás e, por estarem com muito tesão, foi muito rápida, mas nem por isso menos prazerosa.

A segunda já foi na cama dele e, já mais calmos, puderam experimentar posições diferentes e o que começou com um papai e mamãe, terminou com Melissa cavalgando João, quicando com tanta energia com o pau dele sendo engolido pela buceta faminta dela que, por um segundo, ele temeu que seu pau se quebrasse. Mas justo nesse momento Melissa gozava aos gritos e era o segundo orgasmo dela naquela transa e a terceira desde que chegaram ao apartamento. Sua excitação foi tanta que João perguntou:

– Ai sua doida. Eu vou gozar. Onde você quer que eu... aiii.

Não houve resposta. Em vez de dizer onde queria, Melissa pulou de cima dele e engoliu seu pau com volúpia, recebendo em sua boquinha toda a carga de porra que ele despejou dentro dela, engolindo o que conseguiu e deixando vazar pelos cantos da boca o que ainda tinha quando se engasgou.

– Nossa. Você me mata.

– Isso quer dizer que você vai parar?

– E você aguenta mais?

– Lógico que aguento. E tem mais. O diabo está te esperando.

– E você deve ser uma agente dele. Só pode.

Melissa sorriu ao se lembrar que aquele homem nem sonhava que, horas antes, ela jamais seria capaz de fazer o que tinha feito e, falar o que falava então, nem pensar.

Como João estava realmente cansado e ela não parava de provocar, Melissa resolveu radicalizar e, ficando de quatro sobre a cama, arrebitou o bumbum, levou as duas mãos para trás e, segurando suas nádegas, falou com voz em falsete:

– Olha aqui o que ainda tenho para apressar sua ida para o inferno. E adivinha só. Ele é virgem e você vai ser o primeiro.

O homem deu um pulo na cama, ficou de joelhos atrás dela e começou a penetrar sua xoxotinha

– Aí não. Eu quero no meu rabinho virgem. Quero que você seja o primeiro homem a foder o meu cuzinho.

– Calma meu amor. Só estou deixando meu pau lubrificado.

Dizendo isso, ele retirou o pau da bucetinha dela, encostou na portinha de seu cu e foi empurrando. Quando a cabeça entrou, Melissa gritou de dor e ele parou, mas antes que pudesse recuar, ouviu a ordem da garota:

– Não tire. Por favor, não faça isso. Só fique quieto e espere eu me acostumar.

João obedeceu e ficou parado enquanto fazia carinhos nas costas e bunda de Melissa até que ela começou a movimentar o corpo para frente e para trás enquanto pedia:

– Não se mexa. Fique parado. Deixe que eu faço o serviço sujo, seu safado.

– Safado eu?

Nesse momento, tirando coragem sabe-se lá de onde, ela deu um tranco para trás e o pau do homem desapareceu dentro de seu cuzinho. Novamente ela pediu para ele ficar parado, mas menos de um minuto depois, já acostumada com aquela invasão, voltou a movimentar o corpo.

Entendendo com isso que ela já estava sentindo prazer em estar sendo fodida no seu cuzinho até então virgem, João segurou sua cintura fina e começou a se movimentar também. A princípio, movimentos leves que fazia com que seu pau saísse alguns centímetros e depois voltasse. Depois ele começou a ampliar esses movimentos indo até o ponto em que o pau quase escapava daquele encaixe e depois socava de volta em um movimento também lento, até que ela começasse a emitir gemidos de prazer e ele enlouqueceu, começando a socar rapidamente ouvindo os gritos de prazer de Melissa que gozava sem parar. Sem resistir, ele gozou no fundo da bundinha dela também gritando.

Depois disso, se deixaram ficar deitados na cama, trocando carinhos e beijos até que o cansaço levou a melhor e dormiram. Quando acordaram no dia seguinte, apenas sorriram um para o outro e não levou dez segundos para que estivessem fodendo novamente.

Melissa, naquela noite, fez as mudanças que necessitava fazer em sua vida e teve o seu primeiro de muitos Joãos que encontrou depois, com ou sem a ajuda de Cássia.

Na festa de sua colação de grau, ela foi a garota mais assediada e recebeu inúmeros convites para sair. Mas ela recusou a todos, pois não precisava daqueles garotos imaturos, pois tinha descoberto seu valor e o efeito que causava aos homens, podendo se dar ao luxo de escolher qual deles seria o felizardo.

NOTA DO AUTOR

Esse conto é uma homenagem à injustiçada cantora Vanusa que, com uma voz linda, afinada e com capacidade de alternar tons quase graves com os mais agudos, nos presenteou com interpretações que hoje fazem parte da música brasileira.

Por aderir a um estilo mais popular, foi discriminada pelos intelectuóides que se acham os verdadeiros entendidos de música e nos forçam a ouvir muitas merdas. Não que não exista pérolas nas músicas feitas por eles, porém, se esquecem que gosto musical é algo pessoal e estilo de música deve ser livre para atender a todos os gostos.

Depois de nos brindar com interpretações maravilhosas, como Manhã de Setembro, Paralelas, Palhaço e, principalmente Mudanças que é de autoria dela mesma, Vanusa foi sendo esquecida e morreu pobre e com problemas graves de memória, chegando a ser ridicularizada em sua última aparição pública, onde sua memória falhou e ela errou ao interpretar o Hino Nacional.

E as autoridades presentes e os pseudos defensores da classe, em vez de irem apoiá-la em um reconhecimento de seu valor para a cultura brasileira, simplesmente a criticaram e depois se esqueceram dela.

Vanusa foi um exemplo de como não devemos tratar àqueles que, nos momentos bons de suas vidas, nos brindaram com seu talento.

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Comentários

Foto de perfil de Giz

Muito lindo o conto, acho que toda menina passa por isso, há um momento em que você é só uma menina e um momento que você é obrigada a ser uma mulher.

Algumas é o casamento, algumas o primeiro filho, o primeiro trabalho, a faculdade, não importa, a descoberta do próprio poder é algo que acontece e sempre muda tudo.

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Foto de perfil de Ryu

Conto excelente Nassau!

Mais do que isso, achei muito bom fazer essa homenagem à Vanusa.

Ela tem uma história de vida e uma carreira extraordinária, muito injusto ela ser lembrado por aquele episódio do Hino.

Parabéns 👏👏👏👏

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Foto de perfil de Hugostoso

Perfeito Nassau, infelizmente vivemos a mercê de uma sociedade que quer manipular o que devemos fazer, ouvir, viver!

Além de Vanusa, outras cantoras foram discriminadas por seus maridos, sociedade, e até mesmo pela política, somente por ter um dom, e principalmente por ser mulher.

Nossa cultura não permite termos memória , e valorizar realmente quem tem que ser reconhecida, somente pelo fato de ser mulher, é isso ocorre em todos os gêneros musicais, e não somente na música, na sociedade em geral.

Parabéns de novo meu irmão!

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Listas em que este conto está presente

Desafio Pirata 2 Música
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