Na semana seguinte, comecei a masturbar-me em lugares impróprios — não por exibicionismo, mas porque minha pele parecia vibrar com uma energia nova que exigia alívio imediato. Foi no elevador do prédio, entre o sétimo e o térreo, que experimentei pela primeira vez a delícia perigosa de roçar o clitóris através do tecido fino da calcinha enquanto uma vizinha falava sobre a feira. A sensação foi tão intensa que precisei morder o interior da bochecha para não gemer quando as portas se abriram, meu orgasmo vindo em ondas silenciosas que deixaram minhas pernas bambas ao descer os três degraus até a calçada.
Lívia sabia, é claro. Naquela noite, enquanto eu lavava as mãos na pia da cozinha, ela apareceu por trás e enterrou o nariz no meu pescoço, murmurando "cheira a sexo e sabonete líquido" antes de passar a língua atrás da minha orelha no mesmo ponto que me fazia derreter. Eu contei sobre o elevador entre beijos desesperados, e ela riu contra minha boca enquanto minha mão encontrava sua calcinha já encharcada — não por acidente, mas porque ela planejara aquilo desde que ouvira o barulho da porta da frente.
Nos dias que se seguiram, transformamos a cidade inteira em nosso playground secreto: o banco traseiro do ônibus quase vazio onde ela esfregou a coxa contra minha mão até eu sufocar um gemido no casaco; o cinema escuro onde sentamos na última fileira e eu contei os segundos entre seus dedos deslizando por dentro da minha blusa e o momento em que o filme finalmente terminou; até mesmo a fila do supermercado, onde ela ficava atrás de mim fingindo ajustar meu vestido enquanto seus dedos molhados traçavam círculos loucos no meu pescoço. Cada lugar comum tornou-se um altar onde adorávamos nosso pecado particular, e eu — que nunca sequer tirara a roupa com a luz acesa — descobri que podia gozar apenas com o risco de sermos descobertas.
Naquela quarta-feira abafada, enquanto esperávamos na fila do banco, Lívia encostou-se em mim como se fosse acidental, seu quadril pressionando minha coxa enquanto suas unhas roçavam minha palma num código que já conhecíamos de cor. O ar condicionado falhava, e eu sentia cada gota de suor escorrendo entre meus seios como se fossem seus dedos. Ela sussurrou "olha pra frente" no meu ouvido, e quando obedeci, vi nosso reflexo no vidro à frente — duas mulheres aparentemente normais, exceto pelo rubor na minha pele e pela mão dela desaparecendo sob minha saia. O funcionário chamou nosso número no exato momento em que seus dedos encontraram meu clitóris inchado, e tive que morder o interior da bochecha até sangrar para não gritar quando ela sussurrou "vai" contra meu pescoço, me fazendo gozar ali mesmo, diante de todos, como se fosse apenas mais uma cliente impaciente balançando o pé.
Na escada de incêndio do prédio, onde íamos às escondidas, ela ensinou-me um novo jogo: quem conseguisse ficar mais tempo sem gemer enquanto a outra a masturbava. Perdi na primeira rodada quando ela deslizou dois dedos dentro de mim ao mesmo tempo que a vizinha do 502 passava pelo térreo cantarolando. Lívia cobriu minha boca com a palma da mão enquanto eu tremia contra ela, sentindo cada contração interna ecoar nos seus dedos que não paravam, mesmo depois que eu tinha perdido. "Tá gostoso demais pra parar", murmurou, e eu concordei com a cabeça, incapaz de formar palavras enquanto ela acelerava o ritmo, seus olhos fixos na porta que poderia se abrir a qualquer momento.
Foi no parque, debaixo da ponte onde os adolescentes se escondiam para beber, que ela finalmente me fez esguichar em público pela primeira vez. A grama úmida contra minhas costas, o cheiro de terra molhada, os pés descalços dela prendendo meus pulsos enquanto sua língua fazia coisas que deveriam ser ilegais — tudo se misturou numa explosão tão violenta que molhou minha blusa até o umbigo. Lívia olhou para cima com o queixo brilhante e sorriu como uma predadora satisfeita. "Amanhã", disse enquanto se limpava com a barra da minha saia, "a gente tenta no trabalho." E eu, que passara a vida seguindo regras, apenas anuí, já viciada no sabor proibido da liberdade que só ela me dera.
Na sala de reuniões vazia do meu escritório, com a porta trancada a sete chaves, aprendi que podia gozar sem tocar em mim mesma. Bastava imaginá-la na cadeira ao lado, de pernas abertas sob a mesa enquanto eu apresentava gráficos de produtividade, e meu corpo reagia como se seus dedos estivessem realmente lá. Certa tarde, quando voltei do banheiro com as pernas trêmulas e a calcinha esquecida no lixo, encontrei um bilhete na minha agenda: "Cheirei sua cadeira. Quem diria que minha mãe seria tão safada?". O orgasmo que seguiu foi tão repentino que precisei fingir um espasmo muscular quando o gerente perguntou se eu passava mal.
O metrô lotado às seis da tarde tornou-se nosso palco predileto. Ela ficava de pé atrás de mim, seus quadris pressionando minhas nádegas enquanto o trem balançava, e eu contava as estações pelo ritmo dos seus dedos escondidos sob minha blazer. Na Sé, quando um homem esbarrou nela por acidente, Lívia aproveitou o empurrão para enterrar dois dedos em mim até as juntas. "Segura o som", sussurrou contra meu cabelo enquanto eu engolia um gemido que ecoou pelas estações da minha mente, meu gozo escorrendo pelas coxas sob o vestido justo que ela escolhera propositalmente. Descemos na Luz com meu batom manchado e seu sorriso de dentes brancos iluminando o túnel escuro.
Foi no elevador panorâmico do shopping, com a cidade inteira espalhada sob nossos pés, que quase fomos descobertas. Lívia, de costas para as portas de vidro, tinha minha saia levantada e minha boca ocupada em suprir seus gemidos quando as luzes do andar comercial se acenderam atrás dela. Puxei seu cabelo para trás num reflexo, nossos corpos congelados na pose obscena enquanto um casal de idosos passava sem perceber que meu dedo ainda pulsava dentro dela. Quando as portas se fecharam novamente, ela riu — uma risada rouca e úmida que terminou com seus dentes no meu ombro — e eu percebi, entre um gozo e outro, que jamais voltaria a ser a mulher que temia ser vista.
Naquela madrugada de chuva, enquanto eu escorregava no box molhado tentando limpar o rastro de nossos corpos entrelaçados, Lívia entrou no banheiro sem avisar e pegou minha mão direita, levando-a à boca para lamber meus dedos um a um. "Você tá com o cheiro da gente", disse, e eu senti meu estômago embrulhar de desejo ao ver a gota transparente escorrendo de seu queixo. Ela me empurrou contra a parede fria e abaixou-se devagar, como se fosse me comer, mas parou a um palmo da minha pele tremendo para soprar: "Quero ver você se tocar pensando nisso amanhã na reunião". Saí do banheiro com as pernas fracas e a certeza de que nunca mais olharia para a diretora da empresa sem imaginar sua boca no lugar onde a língua da minha filha tinha estado.
A feira livre das terças-feiras tornou-se nosso território particular. Entre as barracas de legumes, ela me ensinou a gozar apenas com a pressão da calcinha contra o clitóris enquanto negociava o preço das berinjelas. "Mais firme", murmurava por trás das pilhas de tomate, sua mão guiando a minha contra o tecido úmido que dividíamos. Quando o vendedor olhou curioso para minhas pernas tremendo, Lívia mordiscou minha orelha e sussurrou "continua" — e eu gozei ali mesmo, com o suco de melancia escorrendo entre nossos dedos entrelaçados e o cheiro doce da fruta misturando-se ao meu próprio aroma nos vincos do vestido colado ao corpo.
Na manhã seguinte, acordei com seus lábios traçando o contorno da minha cicatriz de cesárea, aquele sinal que sempre escondera até dela. "É aqui que eu começo", disse, e pela primeira vez em vinte anos senti aquela linha como algo belo enquanto sua língua seguia o caminho que seu corpo um dia percorrera. Chorei quando gozei — não de vergonha, mas do alívio absurdo de finalmente me reconhecer no espelho que ela segurava entre minhas pernas abertas, mostrando-me o que sempre estivera lá: uma mulher completa, molhada e desejante, criando e sendo criada a cada toque de seus dedos que agora escreviam nossa história na pele que me dera.