Primeiro dia do ano. Vou caminhar, porque se começo a fazer concessões, a coisa não flui. E tenho pelo menos uma dezena de quilos a perder.
Manhã nublada, cinco e pouco da matina. Ninguém no parque, ninguém na pista. Maravilha! Nada melhor que a solidão e a boa música ao ouvido. Nem incomodam os cinco quilômetros girando em torno das mesmas coisas e árvores, de todos os dias.
Começando o último trecho, aponta distante inusitado casal. Jovens: ela de vestido preto, brilhoso e colado ao corpo, curtíssimo (deveria estar com parte das nádegas aparecendo – me prometi confirmar depois de passar por eles), cabelo aberrantemente rosa-choque; ele, regata bem cavada, preso por dentro de uma bermuda justa, a desenhar a rola e a valorizar as coxas grossas e depiladas.
Tropeçavam nas próprias pernas, os dois. Rindo desbragadamente, sem ter nem porquê. Dizendo bobagens. Ela, salto alto na mão, descalça. Ele, afetadíssimo. Decerto vinham de alguma festa da tal virada: bêbados e chapados.
Fiz minha mais convincente cara de tô-nem-aí, congelei o olhar e fui me aproximando, estudando o lado em que passaria pelo ziguezaguear deles, livrando-me de alguma trombada.
Mas todos os anjos do céu e do inferno deveriam estar curtindo a ressaca da virada de ano, que me deixaram à mercê daquela dupla esdrúxula. Ao nos aproximarmos, a garota já foi falando, em sua voz pastosa de insone: “E aí, tio! Feliz ano novo!” “Tio é o priquito da tua mãe, arrombada!” – só pensei. “Valeu!” – devolvi, num ar de riso, e me preparava para passar por eles. Eu até já revogara meu desejo de olhar para o rabo daquela criatura, só queria mesmo me distanciar.
Mas ela estava a fim de confraternizar. “Aê, vou dar um abraço e um beijo de ano novo no tio...” Falou para o amigo, alto o bastante para eu ouvir. “Mulher, deixa de ser atrevida!” – o companheiro, em sua voz aveludada e falsa, procurava demovê-la. Ela não lhe deu a menor atenção e já foi abrindo os braços, dirigindo-se a mim, provavelmente achando que eu me desviaria do bulling.
“Se ela pensa que vai me constranger, está muito enganada!” Entrei na dela. Correspondi ao abraço, sentindo seu corpo mignon estreitando-se ao meu e já provocando involuntário endurecimento de minha rola. Quando aproximou sua boca carnuda da minha, não hesitei, e correspondi plenamente ao beijo.
Beijo demorado, mútua esfregada de corpos, enquanto o viadinho multiplicava-se em trejeitos, ao lado; estando ao meu alcance, estendi o braço e o capturei, fazendo com que se colasse atrás de mim. Ele não se fez de rogado, e passou a roçar sua rola já dura em minha bunda, sussurrando putarias na minha nuca – eu, recheio de sanduíche, arrepiado até as sobrancelhas.
Minha mão desceu pelo corpo da garota e constatei a ausência de calcinha, a putinha! Remexi na sua buceta e a constatei alagada. Gemidos soavam no meio daquela pista deserta. Mais um pouco de putaria e esfrega-esfrega, torci o corpo para trás, fisguei a boca do gayzinho e o beijei também, com volúpia.
Depois disso nos separamos, novos votos de feliz ano novo, exclamações desencontradas de surpresa e satisfação, rearrumado de roupas, e prossegui para meus últimos mil metros de caminhada, sentindo o perfume misturado dos dois impregnado em meu corpo, o gosto mesclado de álcool e maconha de suas bocas colado em minha boca. E minha rola duraça, desenhando-se acintosamente em meu short curto. Não olhei para trás. Segui em frente.
Concluído o último trecho do percurso, fiz os alongamentos finais e me encaminhava para o estacionamento, já prevendo a bela punheta que renderia aquele inusitado encontro. Antes de chegar ao carro, entretanto, eis que vejo o tresloucado casal sentado no meio-fio, de pernas abertas, os dois se masturbando, cabeças abaixadas, confiantes no ermo daquele parque.
Meu pau pinotou ao flagrar aquela cena. Não hesitei, encaminhei-me para lá, já pondo a rola em riste de fora, e acariciando-a. A garota foi a primeira a levantar os olhos – deve ter levado alguns segundos para entender a situação, o tempo necessário para deles me aproximar e me por, de pé, na frente deles, minha rola à altura de seus rostos.
Sem dizer palavra, e sem largar sua própria siririca, ela pegou minha pica e a colocou na boca. Ele, também sem parar de se punhetar, disputava com a amiga um espaço de meu pau, e também aproximou sua boca; meu caralho vadiou na boca de cada um, cada vez mais babado, cada vez mais teso.
Ela acelerou os dedos em sua xoxota, fazendo um barulhinho alagado que rivalizava com o ruído molhado de sua chupada no meu pau, misturando sua língua à do amigo, que também sugava meu cacete, sem abandonar a punheta com que fustigava seu próprio falo.
Ainda circulei os olhos, à cata de algum vivente inconveniente, e constatei que nem vigia havia – deveria estar cochilando, sob alguma árvore. Abandonei-me ao prazer duplo daquelas carícias, sentindo cada raio de prazer se formando em meu corpo. A primeira gozada foi dela, que, acelerando os dedos no grelo, pernas tremendo e altos gemidos – abandonou meu pau e ganiu putamente, deixando minha rola ao integral domínio do companheiro fresco.
O rapaz chupava ansiosamente minha rola, por vezes engolindo-a toda, manipulando-a suavemente, mas com vigor. Até abandonara sua própria pica, que babava, ereta no ar. Ao perceber que eu gozaria, ele retirou meu pau de sua boca e continuou a punheta até me arrancar os jatos de prazer, que voaram em várias direções.
Enquanto eu gozava, ele voltou a sua própria pica, e pouco precisou de carícia para ela também explodir seu líquido prazeroso. Todos gemiam.
Alguns segundos para voltarmos ao normal e nos recompormos, abaixei-me e beijei novamente cada um na boca, e, sem dizer palavra, encaminhei-me ainda meio trêmulo ao meu carro, e dei partida, sem olhar para trás.
Entendi o recado do universo: teu ano novo vai ser foda!
