O café da manhã terminara em silêncio, mas um silêncio carregado, denso, cheio de coisas não ditas. Edgar recolheu os pratos e foi até a pia, lavando a louça com movimentos firmes, quase bruscos. Tentava se manter ocupado, tentando recuperar o controle que, no fundo, sabia que já não tinha.
Elijah ficou sentado à mesa, observando em silêncio. Seus olhos azuis seguiam cada gesto do homem, cada músculo que se contraía sob a camisa, cada respiração pesada. No peito de Elijah, havia uma mistura estranha: medo, gratidão, fascínio... e algo novo, algo que ele não queria mais reprimir.
Sem pensar, movido apenas pelo impulso e pela necessidade de não deixar aquele peso crescer entre eles, Elijah se levantou. Seus passos foram leves até a pia.
Antes que Edgar pudesse perceber, sentiu braços finos e quentes se enlaçarem em sua cintura por trás.
O corpo do homem endureceu instantaneamente, como se tivesse levado um choque. A respiração travou em sua garganta. Elijah, pequeno e inocente, apenas encostou o rosto contra suas costas, o abraço tímido, porém sincero.
- Elijah... - Edgar murmurou, mas sua voz saiu mais como um aviso rouco, quase uma súplica para que o garoto parasse.
Mas o garoto não parou. Ao contrário, apertou-o levemente, como quem não queria largar.
E foi ali que o fio tênue do controle de Edgar se rompeu.
Em um movimento rápido e impulsivo, ele se virou, segurando Elijah pelos ombros. O olhar que lançou era intenso, carregado de algo que o garoto nunca tinha visto tão nu assim: desejo bruto, misturado com dor e paixão.
Sem dar tempo para que Elijah dissesse algo, Edgar o ergueu do chão como se fosse leve demais, colocando-o sentado sobre a mesa.
Elijah arfou, os olhos arregalados, mas não recuou. Ao contrário, suas pernas instintivamente se abriram para dar espaço ao corpo de Edgar, que agora estava entre elas.
O ar parecia denso, impossível de respirar. Edgar apoiou as mãos na mesa, prendendo Elijah, e por um instante apenas ficou ali, encarando os olhos azuis do garoto.
E então não resistiu mais.
Seus lábios desceram sobre os de Elijah com uma força contida por tempo demais, um beijo urgente, faminto, cheio de tudo que ele tentava esconder. Não havia mais espaço para máscaras, nem para a frieza calculada de um agente.
Era Edgar.
Cru, entregue, desesperado.
E Elijah, surpreso, se agarrou a ele, correspondendo como podia, ainda inocente, mas entregue àquele momento que fazia seu coração bater tão forte que doía.
O beijo parecia não ter fim. Edgar se perdeu nele, no sabor doce e quase inocente da boca de Elijah, no calor das mãos pequenas que agora se agarravam em sua camisa como se quisessem impedir que ele fosse embora.
O corpo de Edgar ardia, pulsava, cada fibra sua gritava para tomar aquele garoto ali mesmo, sem reservas. Mas foi justamente esse grito interno que o fez despertar.
Com esforço quase sobre-humano, Edgar quebrou o beijo. Ofegante, apoiou a testa contra a de Elijah, tentando recuperar o controle.
- Elijah... - sua voz era rouca, quase partida. - Eu não posso... não assim.
Elijah o olhou, os olhos azuis marejados de confusão e desejo. Seu peito subia e descia rápido, o rosto corado, os lábios ainda úmidos do beijo roubado.
- Por quê? - a pergunta saiu baixa, quase um sussurro. - Eu quero...
Edgar fechou os olhos com força, como se a frase fosse uma lâmina atravessando seu peito.
- Você não entende, garoto... - tentou afastar-se, mas as mãos de Elijah subiram em seu pescoço, agarrando-o de volta.
- Então me faz entender. - Elijah implorou, a voz embargada mas firme. - Se for isso que você precisa... eu posso. Eu quero sentir mais de você. Só não me afasta, por favor... não me deixa.
O pedido caiu sobre Edgar como uma tempestade. A ingenuidade na voz de Elijah, misturada a um desejo tão cru, fez seu corpo estremecer. O homem sentiu as pernas fraquejarem.
Ele queria. Deus, como queria.
Mas ao mesmo tempo, o medo de quebrar aquilo, de transformar aquele momento em algo sujo, o paralisava.
A mão pesada de Edgar subiu, acariciando a bochecha corada do garoto com uma delicadeza que contrastava com a força em seu corpo.
- Elijah... você não faz ideia do que está pedindo. - murmurou, a voz embargada. - Eu te quero mais do que qualquer coisa. Mas não quero que seja assim, não por medo, nem por insegurança. Eu quero que seja porque você confia em mim... porque você me ama.
Os olhos azuis de Elijah se encheram de lágrimas, mas não eram de tristeza, e sim da intensidade daquilo tudo. Ele apenas encostou a testa no peito de Edgar, murmurando baixinho:
- Então me ensina... me mostra. Eu já confio em você...
Edgar fechou os olhos, sentindo o coração disparar como um garoto, não como um homem acostumado a controlar tudo. Naquele instante, ele sabia: estava perdido para sempre em Elijah.
Edgar manteve Elijah firme contra si, entre suas pernas, respirando fundo como se tentasse domar uma fera dentro dele. O cheiro da pele jovem, o calor do corpo, a maneira como Elijah tremia mas não recuava... tudo isso o fazia perder o controle um pouco mais a cada segundo.
A mão forte do homem subiu pela cintura fina, parando no peito de Elijah. Ele não ousava ir além, não queria atravessar o limite. Mas apenas sentir o coração disparado debaixo de sua palma já o deixava completamente incendiado.
- Você não sabe o que está fazendo comigo... - Edgar murmurou, a voz rouca, quase quebrada.
Elijah, corado, olhou para cima, os olhos azuis brilhando com uma mistura de medo e determinação.
- Então deixa eu aprender... contigo.
O mundo de Edgar balançou.
Ele segurou o rosto do garoto com as duas mãos, quase com raiva de si mesmo, e o beijou outra vez, mais intenso, mais profundo. O beijo era fome e ternura ao mesmo tempo, uma mistura que o enlouquecia. Elijah gemeu baixinho, apertando-se contra ele, e aquilo foi quase a sua ruína.
Quando se afastou, Edgar arfava, o corpo latejando de desejo. Encostou a testa na do garoto, tentando falar, tentando se segurar:
- Se eu continuar, não vai ter volta, Elijah. - sua voz tremia. - E eu não quero que a gente se quebre antes de começar.
Edgar fechou os olhos com força. O nó em sua garganta era quase doloroso. Ele o desejava mais do que o ar... mas ainda assim, apenas o envolveu num abraço desesperado, escondendo o rosto nos cabelos loiros de Elijah.
- Maldito seja você, garoto... - murmurou, com um tom estranho de dor e adoração. - Já não sei mais viver sem isso.
Elijah sorriu baixinho contra o peito dele, sem compreender totalmente, mas sentindo que algo muito maior estava sendo dito ali.
Edgar respirava fundo, como se cada gole de ar fosse uma luta contra si mesmo. Elijah, sentado sobre a mesa, ainda preso entre as pernas dele, era uma visão que queimava sua alma: os cabelos loiros bagunçados, o rosto corado, os olhos azuis brilhando com aquela ingenuidade atrevida que só ele tinha.
- Elijah... - a voz dele saiu baixa, rouca. - Eu quero você mais do que já quis qualquer coisa na vida.
Edgar fechou os olhos, quase xingando em silêncio. Suas mãos percorreram as coxas do garoto, subindo devagar, apertando a carne macia que se contraía sob o toque. Elijah soltou um ar trêmulo, sentindo o corpo inteiro estremecer.
Os lábios de Edgar desceram por seu pescoço, espalhando beijos quentes e lentos, e Elijah gemeu baixinho, arqueando-se contra ele, sem resistência alguma.
- Edgar... - sussurrou, implorando.
Foi nesse instante que Edgar se deteve. As mãos grandes seguraram firme a cintura do garoto, mas ao invés de puxá-lo para mais perto, ele o afastou apenas um pouco, o bastante para olhá-lo nos olhos.
Edgar respirava fundo, lutando contra o próprio corpo. Elijah, sentado sobre a mesa, era um convite vivo: cabelos loiros desalinhados, pele quente e olhos azuis que o fitavam com um brilho doce e atrevido ao mesmo tempo.
Edgar aproximou-se, beijando-lhe o pescoço, sugando de leve a pele macia, e Elijah deixou escapar um gemido baixo
- Edgar... - gemeu, fazendo um bico infantil. - Você faz essas coisas e depois me deixa assim? - Apontou para o próprio peito, batendo de leve, frustrado. - Isso não é justo.
Edgar não conseguiu segurar a risada. A expressão de Elijah, toda corada e contrariada, parecia a de um menino que tinha sido enganado com a promessa de um doce e, no fim, não ganhou nada.
- Você é insuportável... - Edgar murmurou, passando a mão pelos cabelos loiros dele com carinho. - Sabe que eu quero. Mas não aqui, não agora.
Elijah suspirou, exagerando como se fosse o maior drama do mundo, e recostou-se sobre a mesa com os braços abertos.
- Ótimo... vou morrer esperando.
O tom cômico e a inocência arrancaram mais uma risada abafada de Edgar, que não resistiu em roubá-lo outro beijo - lento, provocador, como para mostrar que a espera valeria a pena.
- Pode reclamar o quanto quiser - disse, ainda rente à boca dele. - Mas vai ser do meu jeito.
Elijah rolou os olhos, mas acabou sorrindo.
- Seu jeito é sempre o mais difícil...
Edgar, por dentro, sabia: era exatamente essa inocência atrevida que o fazia perder o controle.