Na Calmaria do Controle - CAP 04

Um conto erótico de LAW
Categoria: Gay
Contém 1259 palavras
Data: 30/08/2025 17:41:35

Após esse episódio Raul não agiu estranho nem nada do tipo, eu entendi que nada tinha mudado entre nós, e reconheci que de fato eu sentia atração pelo Raul, me sentia atraído pelo seu jeito confiante de ser, sentia atração em seu corpo. Nada ter mudado foi muito bom, eu gostava dele e não queria que isso estragasse nossa amizade. Com o passar dos dias ele começou a me pedir outras coisas também. coisas simples: “você pode me ajudar a revisar essa redação?”, depois “faz a capa do meu trabalho de história pra mim? Sua letra é mais bonita”. e assim, pouco a pouco, ele começava a me incluir cada vez mais em sua vida.

Esse era o jeito do Raul. Sempre começava com um pedido inocente com educação, um pedido simples, um favor pequeno, que eu aceitava de boa. Só que, depois de um tempo, aquilo meio que virava algo comum e parte da rotina, como se sempre tivesse sido assim.

Foi assim com a bagunça no quarto, foi assim, no começo, ajudando a organizar a casa antes do luiz chegar.

Eu não me incomodava com isso, para mim era muito bom ver que aquele episódio não mudou em nada nossa relação, talvez tenha melhorado, pois agora ele me permitia participar cada vez mais de sua vida, ajudando com suas coisas da escola. Eu não me impedia, não me esforçava para dizer não. Eu achava que se tentasse negar os pedidos de ajuda, poderia gerar um clima estranho entre nós.

Um acontecimento que me marcou aconteceu em um dia que, à primeira vista, não tinha nada de especial. Era uma tarde qualquer, daquelas em que o tempo parece passar sem pressa. Raul me chamou pelo celular, com aquela voz despreocupada de sempre:

— Passa aqui depois da escola? Tá uma bagunça aqui no quarto, preciso dar uma geral.

Não era novidade. Eu já sabia como seria: ele ia dar aquela olhada rápida no caos, fazer um comentário jogado no ar — “me dá uma força aí?” — e, juntos, íamos colocar as coisas em ordem enquanto conversávamos sobre tudo e nada. Era assim que eu enxergava nossa amizade: uma mistura de companhia com pequenas ajudas que, no fim, me faziam sentir parte de algo.

Mas naquele dia, algo foi diferente. Assim que chegamos ao quarto, Raul fez a tradicional varredura com os olhos, comentou um “nossa, tá feio isso aqui” e, antes que eu pudesse sequer começar a separar a bagunça, ele se jogou na cadeira da escrivaninha. Ligou o computador, colocou o fone e abriu algum jogo online.

Eu esperei alguns segundos, achando que ele ia levantar em seguida, mas logo começaram as risadas do outro lado da tela, as vozes dos amigos, os sons do jogo. Ele estava completamente imerso.

Olhei ao redor: roupas espalhadas pelo chão, pratos empilhados no canto, cama desfeita, papéis amassados perto da lixeira. Suspirei e comecei a juntar as coisas. Peguei as roupas, levei os pratos para a cozinha, voltei e arrumei a cama, dobrei o lençol, juntei os papéis um por um. Raul, no máximo, afastava o pé da cadeira quando eu precisava passar atrás dele.

Enquanto minhas mãos trabalhavam, minha cabeça rodava. Eu gostava de estar ali, sempre gostei. Mas o que eu gostava mesmo era de estar com ele — de trocar ideias enquanto arrumávamos, de sentir que havia uma parceria. Naquele dia, não havia parceria nenhuma. Havia eu, em silêncio, colocando cada coisa no lugar, e ele, rindo com os amigos no fone como se eu fosse apenas parte do cenário.

Quando terminei, fiquei parado por um instante, olhando o quarto que agora parecia outro. Raul tirou o fone, girou a cadeira devagar e me lançou um sorriso relaxado, despreocupado, como quem não tinha notado o tempo que passou.

— Valeu, cara. É bom poder sempre contar contigo.

Só isso. Nenhum “desculpa aí por ter te deixado sozinho”, nenhum “foi mal, me distraí”. Apenas aquela frase jogada, como se fosse natural que eu estivesse ali para resolver as coisas enquanto ele se divertia.

Sorri de volta, mas por dentro havia um nó estranho. Eu não sabia se estava irritado com ele… ou comigo mesmo, por ter deixado isso acontecer sem dizer nada.

Acabei percebendo que na verdade essa parceria só existia em minha cabeça, Raul sabia que eu estaria sempre disponível para ajudá-lo e isso o deixaria confortável para me pedir as coisas sem consideração nenhuma caso eu acabasse fazendo sozinho suas coisas.

Depois daquele dia, alguma coisa mudou em mim. fui perdendo a satisfação de agrada-lo e atender cada pedido seu. Quando ele perguntava se eu podia revisar alguma coisa, eu dizia que estava ocupado, mesmo que não estivesse tanto assim. Quando pedia para eu pegar alguma coisa para ele, eu inventava uma desculpa boba.

E assim foi por alguns dias, até que seus pedidos foram diminuindo, Ele não insistia. Só fazia aquela cara de quem não entendeu direito, e deixava pra lá.

Nada pareceu ter mudado de fato com essas pequenas mudanças. A gente ainda jogava videogame, ria de umas besteiras. Só que agora havia um certo limite invisível entre nós. Eu não atendia mais automaticamente cada pedido dele, e Raul, percebendo isso, tentava agir como se estivesse tudo bem.

Mas, aos poucos, algo foi mudando. Ele parou de me chamar com tanta frequência. As conversas diminuíram. Quando eu passava perto dele na sala, ele ainda cumprimentava, mas não puxava papo como antes. Era sutil, quase imperceptível no começo — até que ficou óbvio: ele estava se afastando.

Às vezes eu me perguntava se ele tinha ficado magoado por eu não ser mais tão disponível. Outras vezes, pensava que talvez nunca tivesse sido sobre a amizade de verdade — talvez o que o ligava a mim fosse justamente essa minha disposição de sempre estar por perto, ajudando.

Ver essa mudança não doeu de uma vez. Foi um incômodo que cresceu com o tempo, uma sensação de vazio onde antes havia uma rotina, mesmo que desigual. O que eu temia lá atrás — estragar a amizade por não fazer mais os favores — parecia estar acontecendo agora, mesmo sem briga, mesmo sem palavras duras. Era como se Raul tivesse perdido o interesse. Não havia raiva no olhar dele, só indiferença. E talvez isso fosse pior.

Com o passar das semanas, aquela indiferença começou a me incomodar de verdade. Não era uma briga aberta, não havia nada dito, mas a ausência dele pesava mais do que qualquer discussão teria pesado. Raul já não me procurava mais como antes, e, por mais que eu tivesse tomado a decisão de não estar sempre disponível, no fundo eu gostava dele, sentia atração por ele. Gostava de estar perto, de compartilhar as coisas, mesmo que às vezes fosse meio injusto.

Comecei a me perguntar se eu não tinha exagerado, se não poderia ter agido de outro jeito. Talvez dizer “não” de um jeito mais leve, talvez explicar melhor. Às vezes, sozinho no quarto, lembrava de quando ele me chamava para jogar ou para conversar e tudo era mais simples. Agora, parecia que havia uma parede entre nós.

Eu tentava agir naturalmente quando cruzávamos na cozinha. Dava um oi, puxava um assunto, mas era sempre eu quem dava o primeiro passo. Ele respondia educado, mas sem o mesmo brilho no olhar. Como se estivesse em outro lugar.

E, no fundo, eu sentia uma mistura estranha: parte de mim aliviada por não está fazendo papel de bobo, e outra parte arrependida, quase querendo voltar atrás só para não perder o pouco que ainda restava. Era difícil admitir, mas eu sentia falta dele.

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MINHA NOSSA, VC ADORA RELAÇÕES TÓXICAS. VC NÃO FAZIA E NÃO FAZ PARTE DA VIDA DE RAUL, APESAR DA ISABEL JÁ TER TE LIBERTADO, VC FAZIA PARTE DO ROL DE EMPREGADOS DO RAUL. É ELE QUEM TEM QUE CAIR NA REALIDADE E NÃO VOCÊ. RAUL QUIS DIZER: 'VALEU CARA. É SEMPRE BOM SEMPRE PODER CONTAR COM UM EMPREGADO GRATUITO COMO VOCÊ. RSSSSSSSSSS. O PAI DE RAUL DEVE IMPOR REGRAS A ELE E SUA MÃE DEVE T ENSINAR A NÃO SER TÃO SUBMISSO. ISSO SIM É SAUDÁVEL. AS COISAS PRECISAM TER LIMITES SEM A SENSAÇÃO DE CULPAS, ISSO É CRESCIMENTO.

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