Ana mexia os dedos dos pés suavemente contra os lábios de Pietro, como se cada gesto fosse um teste. A obediência dele era tão natural que a deixava ainda mais à vontade. O sorriso em seu rosto era de quem recuperava um brinquedo antigo, mas agora em versão mais sofisticada.
— Hm… assim fica ruim pra mim. — Ela falou preguiçosa, enquanto se ajeitava no sofá. — Quero você ajoelhado, no chão. Onde deve estar.
Pietro levantou-se devagar, sem protesto, e se colocou de joelhos diante dela. O gesto, que poderia ser humilhante para qualquer outro, parecia para ele quase inevitável. Ana ergueu as pernas e as apoiou nos ombros dele, relaxando como uma rainha em seu trono.
— Isso… agora sim. — Ela suspirou satisfeita. — Sempre gostei de como você não pensa duas vezes antes de me servir.
Ele olhou para cima, o rosto corado, mas com um brilho de devoção nos olhos.
— Não ligo de ser o que você quiser, Ana. Especialmente… o seu escravo.
Ela riu baixo, inclinando-se um pouco para frente, os pés ainda em contato constante com o rosto dele.
— Sempre soube disso. Você nasceu pra obedecer. E eu nasci pra ser servida.
Pietro fechou os olhos por um instante, beijando a sola do pé dela com reverência. Cada ordem, cada gesto, parecia colocá-lo mais fundo em algo que não era exatamente novo, mas que finalmente florescia sem disfarces.
Ana observava atentamente, a mente trabalhando além da cena. Pietro não era mais o garoto tímido de antes; agora era dono da própria empresa de TI, acumulando riqueza em silêncio, um homem respeitado lá fora… mas ajoelhado aos pés dela aqui dentro.
— Sabe, Pietro… — disse em tom doce, mas com uma ponta de veneno. — É engraçado. Lá fora você é esse empresário de sucesso, dono de tudo… e aqui, continua o mesmo escravinho que faz tudo o que eu mando.
Ela esticou os dedos, roçando-os contra a boca dele.
— E eu adoro isso. Adoro ter poder sobre alguém que todos acham poderoso.
Pietro beijou novamente, sem protestar.
— O que eu tenho… não significa nada diante de você. — murmurou.
Ana arqueou a sobrancelha, encantada com a entrega dele. Era a deixa que ela queria.
— Ah, então não significa nada? — disse, em tom brincalhão. — Ótimo. Porque eu estava pensando… a gente podia reviver outra tradição dos velhos tempos. Você me enchendo de mimos.
Ele ergueu os olhos, curioso.
— Que tipo de mimos?
Ela sorriu, maliciosa.
— Vou pensar com calma… mas, por enquanto, pode começar com uma coisa simples. Quero um presente amanhã. Algo bonito. Não me importa o preço, quero sentir que você gastou com a sua dona.
Pietro respirou fundo, mas a resposta saiu tão natural quanto todas as outras:
— Vai ter. O que você quiser.
Ana riu, satisfeita, apertando o pé contra o rosto dele como uma recompensa e, ao mesmo tempo, uma marca de posse.
— Muito bem, Pietro. — sussurrou. — Está me lembrando por que eu sempre gostei tanto de brincar contigo.