Ela Era Esposa De Policial

Categoria: Heterossexual
Contém 635 palavras
Data: 25/06/2024 12:22:49
Última revisão: 14/03/2026 15:42:52

​"Oi, tudo bem? Posso te conhecer?"

​A mensagem brilhou na tela do Messenger em 2015. De primeira, o ceticismo bateu forte. Imaginei ser algum perfil fake, talvez um homem se escondendo atrás de fotos femininas. Ignorei. Mas a pessoa insistiu, jogando uma cartada de proximidade: "Você não é amigo do Salvador?"

​Respondi que sim. Ela explicou que era vizinha dele, tinha visto minha foto em uma publicação e me achou "um gato". O homem, geralmente, não sabe lidar bem com o fato de ser caçado; a gente se assusta. Perguntei de novo se não era um gay pregando peça e qual era o nome dela.

​"Rosanny. Sou mulher de verdade. Vamos marcar?"

​Trocamos telefones e, por SMS, combinamos de nos ver perto da casa dela, a uns 30 km de onde eu morava. Dirigi até lá sem atrasos. Quando cheguei, o choque: era uma mulher deslumbrante. Alta, vestindo um modelo justo que acentuava suas curvas, rosto de traços finos e um sorriso magnético. Ela acenou, eu abri a porta do carro e, ao entrar, ela riu com malícia: "Não te falei que eu era mulher?"

​Tentei me justificar, mas ela me calou com o olhar, dizendo que homens não sabiam lidar com o flerte feminino. Sugeriu um lugar mais reservado para estacionarmos. Mal desliguei o motor, o silêncio durou pouco. O beijo foi voraz. Ela estava sempre um passo à frente. Sem pedir licença, abriu o zíper da minha calça e caiu de boca com uma volúpia ensandecida. O prazer foi tão intenso que o tempo pareceu parar. Ela precisava ir por conta de um compromisso, mas antes de descer, lançou a pergunta que selaria nosso destino:

​— Você gosta de comer cu?

​Respondi com um "sim" carregado de tesão. Ela sorriu, satisfeita. "Alguns homens têm receio, mas eu adoro entregar meu rabo." Outro beijo molhado e ela se foi, deixando o rastro do seu perfume e a promessa de um incêndio.

​No segundo encontro, fomos para a casa dela: um imóvel de três andares, um verdadeiro palácio. Fiquei impressionado. Como uma mulher desempregada mantinha aquele luxo? Não tive tempo de pensar muito. Transamos como adolescentes em cada cômodo. Eu andava peladão por aquele palácio, sentindo o poder da conquista, enquanto ela garantia que os filhos estavam viajando.

​No terceiro encontro, já me sentia o dono do lugar. O cachorro da casa já balançava o rabo para mim na garagem. Fizemos loucuras no quintal, na varanda e, em um momento de puro exibicionismo, a possuí debruçada no capô do carro. Os vizinhos, em casas mais altas, poderiam nos ver se chegassem à janela, mas o risco só aumentava o tesão. Naquela noite, enquanto ela preparava uma sopa de ervilha na cozinha, a penetrei ali mesmo, entre os vapores da panela e os gemidos baixos. Dormi lá e só saí no dia seguinte, direto para o trabalho.

​A peça que faltava no quebra-cabeça, porém, apareceu de forma sombria. Dias depois, eu estava em um cemitério para um sepultamento quando meu celular tocou. Era ela. Perguntou onde eu estava e eu contei que um policial havia sido executado perto da região dela. Antes que eu desse o nome, ela completou:

​— Eu soube. Ele era muito amigo do meu esposo.

​O sangue gelou. "Amigo do seu marido? Seu esposo é PM?", perguntei, sentindo um calafrio subir pela espinha. Ela riu, desdenhosa: "Sim, mas é ex-marido. Não temos mais nada, inclusive ele está aí no velório agora."

​O choque de realidade foi brutal. Resumindo: nunca mais voltei. O tesão evaporou diante da imagem de um policial descobrindo que eu estava usando a casa que ele construiu para foder a ex-mulher dele de todas as formas possíveis. Agradeci a Deus pelo livramento e bloqueei o contato. Foi um aprendizado: às vezes, o palácio de prazer é cercado por um campo minado.

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